fiscal – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Tue, 23 Dec 2025 12:53:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png fiscal – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 Inflação de dezembro fica abaixo do esperado https://levanteideias.com.br/artigos/inflacao-de-dezembro-fica-abaixo-do-esperado https://levanteideias.com.br/artigos/inflacao-de-dezembro-fica-abaixo-do-esperado#respond Tue, 23 Dec 2025 12:53:07 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52735 O post <strong>Inflação de dezembro fica abaixo do esperado</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>


A última leitura de inflação deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia do IPCA, ficou abaixo do esperado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a variação do índice em dezembro foi de 0,25 por cento, levemente acima dos 0,20 por cento de novembro, mas abaixo das expectativas, que oscilavam entre 0,27 por cento e 0,40 por cento.

A variação acumulada em 12 meses encerrou 2025 em 4,41 por cento, abaixo dos 4,50 por cento nos 12 meses até novembro e em linha com as projeções. Segundo o IBGE, em 2024, o acumulado havia sido de 4,71 por cento, sendo 0,34 por cento em dezembro.

Confirmando as projeções, o grupo Transportes foi responsável pela maior variação de preços, com alta de 0,69 por cento, e também pelo impacto positivo mais acentuado, representando 0,14 ponto percentual (p.p.). A maior variação acumulada no ano (6,69 por cento) foi no grupo de Habitação.

No grupo Transportes, o principal e maior impacto individual no índice do mês veio do item passagens aéreas, cujos preços subiram 12,71 por cento e elevaram o índice em 0,09 p.p. O preço do transporte por aplicativo subiu 9,00 por cento e exerceu um impacto positivo de 0,02 ponto percentual no índice.

Os combustíveis subiram 0,26 por cento, com altas de 1,70 por cento no etanol e de 0,11 por cento na gasolina. O gás veicular e o óleo diesel apresentaram recuos de 0,26 por cento e 0,38 por cento, respectivamente.

O grupo Habitação teve a maior variação do ano, com alta de .6,69 por cento e um impacto de 1,01 ponto percentual no índice em 12 meses. Nele sobressai o subitem energia elétrica residencial que, com alta acumulada de tarifas de 11,95 por cento, respondendo pelo maior impacto individual no ano, com 0,47 ponto percentual.

Conforme o esperado, a inflação de serviços seguiu pressionando o índice, puxada pela alta expressiva nas passagens aéreas. Em contrapartida, os preços de alimentos e de bens industriais devem ajudar a conter o avanço do índice, ainda refletindo os descontos da Black Friday.


E Eu Com Isso?

A inflação levemente abaixo do esperado deve justificar mais otimismo com relação aos juros no início de 2026. Para o IPCA cheio de dezembro, que será divulgado apenas no início de janeiro, a projeção é de variação próxima de 0,40 por cento, o que levaria a inflação em 12 meses a recuar de 4,46 por cento para cerca de 4,37 por cento, ainda dentro da banda de tolerância da meta vigente, justificando o início de um afrouxamento da política monetária.

As notícias são positivas para a Bolsa

O post <strong>Inflação de dezembro fica abaixo do esperado</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
https://levanteideias.com.br/artigos/inflacao-de-dezembro-fica-abaixo-do-esperado/feed 0
Incertezas fiscais só aumentam, pressionando mais o mercado  https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/incertezas-fiscais-so-aumentam-pressionando-mais-o-mercado https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/incertezas-fiscais-so-aumentam-pressionando-mais-o-mercado#respond Fri, 22 Oct 2021 11:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=32138 O cenário fiscal do País atingiu um grau de incerteza ainda maior com o anúncio da criação do Auxílio Brasil, a partir de novembro, com ampliação para 17 milhões do número de famílias atendidas e com o valor mínimo do benefício subindo para R$ 400. Embora se saiba da importância de um amplo programa de… Read More »Incertezas fiscais só aumentam, pressionando mais o mercado 

O post Incertezas fiscais só aumentam, pressionando mais o mercado  apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
O cenário fiscal do País atingiu um grau de incerteza ainda maior com o anúncio da criação do Auxílio Brasil, a partir de novembro, com ampliação para 17 milhões do número de famílias atendidas e com o valor mínimo do benefício subindo para R$ 400. Embora se saiba da importância de um amplo programa de reforço financeiro, dado o desemprego elevado e o aumento da pobreza e da insegurança alimentar, agravados pela inflação em alta, se esperava um planejamento mais responsável e mais bem estruturado. O problema são as alternativas em discussão para viabilizar o programa.

Como parte do reforço do valor virá de um benefício temporário ao longo de 2022, o governo escapa da necessidade de ter uma fonte de renda permanente, para custear a despesa, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal. Só que a despesa vai existir e terá de caber no orçamento e no teto de gastos. Em relação ao teto, o governo já vinha tentando abrir espaço com a postergação do pagamento dos precatórios. Essa ideia, desde o início, foi vista como um calote, apesar de se reconhecer o avanço, além do esperado, dessa despesa que chegaria a quase R$ 90 bilhões em 2022. Mas era uma ideia que vinha sendo assimilada, mesmo com o risco de acumular um significativo estoque de dívidas nos próximos anos… 

O que afetou mesmo a percepção de risco nos últimos dias foi o fato de a despesa com o programa ter aumentado muito, com o valor subindo de R$ 300 para R$ 400, e de o próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, ter admitido uma possível antecipação das mudanças no teto de gastos, que só deveriam ocorrer em 2026, pedindo licença pra gastar R$ 30 bilhões extra teto, com a justificativa do caráter social do programa. E isso mesmo considerando que o reforço temporário do benefício só vai estar garantido em 2022, ano de eleições. Fica mais caracterizada a ideia de um programa eleitoreiro, onde Guedes, que deveria ser o guardião da responsabilidade fiscal, cedeu aos interesses políticos, meio que jogando a toalha. Nenhuma das possíveis alternativas de mexida no teto vai estabelecer um contexto de maior confiança quanto à evolução das contas e da dívida púbica, mesmo que a situação atual, de curto prazo, esteja melhor.

A repercussão é bem negativa, com mais pressões no dólar e na curva de juros, além da Bolsa. Pioram as perspectivas para a evolução das finanças, afetando a credibilidade do País, o potencial fluxo de investimentos de mais longo prazo. O dólar fica mais pressionado, testando novos patamares de alta, apesar das intervenções diárias do Banco Central. Dólar mais alto prejudica o controle da inflação, levando à expectativa de alta mais forte da taxa básica, que já se reflete na curva de juros, cujas taxas estão batendo em patamares que pareciam inadmissíveis poucas semanas atrás. Para a reunião do Copom da próxima semana, já aumentaram as apostas de elevação de 1,25 pp da Selic, mesmo com a declarada intenção do Comitê de manter o ritmo de ajuste de um ponto a cada reunião. Inflação e juros em alta, é claro, pioram mais as projeções quanto ao ritmo de expansão da atividade. 

Toda essa incerteza em relação ao Auxílio Brasil e os efeitos colaterais pioram as perspectivas gerais para a economia em 2022 , quando o governo estará ainda mais preocupado com ações que possam assegurar maior popularidade. Mesmo sem um desfecho para as discussões, o que temos é um grau de incerteza muito maior, que só aumenta a volatilidade do mercado, também influenciado por fatores externos. E ainda é preciso conferir se o governo terá condições políticas para a aprovação das mudanças que está propondo, para os precatórios e o teto, além de outras pautas. 

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: A inflação e as diferentes percepções de cenário.

O post Incertezas fiscais só aumentam, pressionando mais o mercado  apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/incertezas-fiscais-so-aumentam-pressionando-mais-o-mercado/feed 0
Não olhe para Brasília https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/nao-olhe-para-brasilia https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/nao-olhe-para-brasilia#respond Tue, 03 Aug 2021 15:24:35 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=29384 Agosto, mês de desgosto. Esse velho ditado indica que os prognósticos para o oitavo mês do ano não são dos melhores. Há várias explicações para isso. A com maior comprovação histórica vem de Portugal. Era em agosto que os navios partiam, visando aproveitar os ventos mais fortes do outono no Hemisfério Norte. As despedidas eram… Read More »Não olhe para Brasília

O post Não olhe para Brasília apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
Agosto, mês de desgosto.

Esse velho ditado indica que os prognósticos para o oitavo mês do ano não são dos melhores. Há várias explicações para isso.

A com maior comprovação histórica vem de Portugal.

Era em agosto que os navios partiam, visando aproveitar os ventos mais fortes do outono no Hemisfério Norte.

As despedidas eram dolorosas e o retorno era incerto.

A navegação era arriscada e o número de naufrágios era elevado.

Isso provocaria o “desgosto” do mês.

No caso dos mercados, agosto tende a ser um mês volátil, pois combina um momento de liquidez reduzida devido às férias de verão com a divulgação da maior parte da safra de balanços referentes ao segundo trimestre do ano.

Isso amplifica as oscilações dos preços.

E por aqui?

Agosto será um mês de solavancos, devido à turbulência esperada pela questão de como o governo vai pagar de R$ 80 bilhões a R$ 90 bilhões em precatórios no ano que vem, algo que deve estar delineado na proposta de orçamento, a ser enviada ao Congresso até o fim deste mês.

A notícia provoca tensão devido à situação fiscal estar tendendo ao desequilíbrio.

Mesmo assim, o desempenho das ações deve ser positivo.

A explicação é a mais simples: os resultados que as empresas vêm divulgando referentes ao segundo trimestre permanecem bastante positivos.

Há várias razões para isso.

Uma delas é estatística: a base de comparação é baixa, pois o segundo trimestre de 2020 foi o pior momento da pandemia.

Outro motivo é operacional.

Muitas empresas, especialmente as mais capitalizadas, aproveitaram as medidas de restrição geradas pela pandemia para investir mais em tecnologia e em aprimoramento dos sistemas.

Isso elevou a produtividade e permitiu a chamada alavancagem operacional, possibilitando às empresas fazer mais com os mesmos recursos. O que melhora os resultados.

E, finalmente, a retração sistemática das mortes pela Covid-19 permite prever uma normalização das atividades, o que garante a sustentação dos lucros.

Assim, apesar dos solavancos e das más notícias de Brasília, o setor privado vai bem, obrigado.

Por isso, longe de ser um mês de desgosto, agosto promete ser um período positivo para as ações.

E você pode escolher as melhores alternativas com a ajuda dos especialistas da Levante Ideias de Investimento.

Indicadores

A produção industrial apresentou variação nula em junho, após ter crescido 1,4% em maio.

Apesar da estabilidade, três das quatro grandes categorias econômicas e a maior parte (14) das 26 atividades investigadas pela PIM (Pesquisa Industrial Mensal) apresentaram queda na produção.

Já no acumulado do primeiro semestre, a produção teve expansão de 12,9%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (03) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

E Eu Com Isso?

As notícias fiscais devem provocar oscilações nas ações no curto prazo, devido à incerteza fiscal provocada pela indefinição com os precatórios.

No entanto, esse é um efeito pontual sobre os papéis, devido à perspectiva com os bons resultados.

As notícias são negativas para a Bolsa no curto prazo.

Este conteúdo faz parte da nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

e-eu-com-isso

Leia também: A Selic vai subir 1%.

O post Não olhe para Brasília apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/nao-olhe-para-brasilia/feed 0
O Copom e a vacina https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-copom-e-a-vacina https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-copom-e-a-vacina#respond Tue, 16 Mar 2021 15:00:21 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=22347 A terça-feira começa com duas grandes expectativas. Uma delas, já esperada, é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa hoje e se encerra amanhã. A outra foi um susto. Até agora, 13 países europeus suspenderam a imunização contra o coronavírus por meio da vacina produzida pelo laboratório AstraZeneca, que no Brasil é… Read More »O Copom e a vacina

O post O Copom e a vacina apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
A terça-feira começa com duas grandes expectativas. Uma delas, já esperada, é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa hoje e se encerra amanhã. A outra foi um susto. Até agora, 13 países europeus suspenderam a imunização contra o coronavírus por meio da vacina produzida pelo laboratório AstraZeneca, que no Brasil é produzida pela Fiocruz.

Começando pelo Copom. A autoridade monetária está em uma situação difícil de ter de escolher entre dois caminhos, o ruim e o pior ainda. O caminho ruim é elevar os juros, hoje em 2 por cento ao ano. Os prognósticos são de uma elevação de 0,5 ponto percentual, aumentando a Selic para 2,5 por cento ao ano. Também é possível, embora improvável, que o Copom seja ainda mais “hawkish” e eleve a taxa para 2,75 por cento ao ano. Sob qualquer ponto de vista, essa elevação dos juros sinaliza um encerramento da política monetária “excepcionalmente estimulativa” que vem sendo defendida pelo Copom desde o início da pandemia, apesar de a economia brasileira estar longe de sua capacidade máxima.

O caminho pior ainda é deixar a inflação permanecer em seu caminho de aceleração. Os índices mostram que o aumento de preços, turbinado por combustíveis e alimentos, não é algo pontual. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o IPCA de fevereiro. Os preços variaram 0,86 por cento no mês e 5,20 por cento em 12 meses, muito perto dos 5,25 por cento que são o teto da meta de inflação prevista para 2021 (3,75 por cento mais 1,5 ponto percentual de tolerância).

Não foi o único índice em alta. Na manhã desta terça-feira, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) subiu 2,99 por cento em março, em linha com os 2,97 por cento de fevereiro. Com esse resultado, o índice acumula alta de 7,47 por cento no ano e de 31,16 por cento em 12 meses. Em março de 2020, o IGP-10 havia variado 0,64 por cento e acumulava elevação de 6,59 por cento em 12 meses.

Apesar de o IGP-10 não ter muita importância prática e de o IPCA ainda estar, tecnicamente, dentro dos limites da meta, uma aceleração dos índices traz um risco elevado de “desancoragem” das expectativas de inflação por parte dos agentes econômicos. A economia brasileira é oligopolizada, fechada e pouco eficiente. Assim, se os agentes resolverem elevar seus preços, isso poderá trazer a inflação para um patamar bem mais elevado, obrigando o Copom a elevar os juros em maior proporção e por mais tempo do que o esperado.

Para piorar, a grande esperança dos investidores, que era a normalização das relações econômicas por meio da imunização generalizada sofreu um revés nesta manhã. Até agora, Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal e mais oito países europeus suspenderam as imunizações com as vacinas da Astra Zeneca (LEIA MAIS ABAIXO). O que levou 13 governos da Europa a interromper as vacinações foram suspeitas de que o medicamento provoca efeitos colaterais imprevistos. Na Noruega e na Dinamarca houve relatos da formação de coágulos sanguíneos e até casos de trombose em pacientes imunizados.

Ainda é cedo para saber se os efeitos colaterais são generalizados ou apenas casos isolados. No entanto, na dúvida, as autoridades sanitárias europeias resolveram adotar o caminho da precaução. E isso quer dizer um atraso na imunização das populações, com reflexos negativos na retomada da atividade econômica.

Calma que ainda não acabou. Começa também nesta terça-feira a reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), o Copom americano. As expectativas são de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) mantenha inalteradas as políticas de estímulo e os juros baixos. Isso levou os principais índices americanos a registrar novos recordes na segunda-feira.

E Eu Com Isso?

O mercado permanece na expectativa das reuniões do Copom, do Fed e das notícias sobre a suspensão da imunização com a vacina da AstraZeneca. A bolsa está iniciando o dia sem tendência definida.

Este conteúdo faz parte da nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

Para ficar por dentro do universo dos investimentos de maneira prática, clique abaixo e inscreva-se gratuitamente!

e-eu-com-isso

Leia mais sobre a empresa: Copom indica alta dos juros.

O post O Copom e a vacina apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-copom-e-a-vacina/feed 0
O fogo cruzado das incertezas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-fogo-cruzado-das-incertezas-denise-campos-de-toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-fogo-cruzado-das-incertezas-denise-campos-de-toledo#respond Fri, 12 Mar 2021 11:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=22176 A economia brasileira vive momento dos mais desafiadores. A pandemia acentua várias incertezas, como as condições de retomada do crescimento e de um ajuste mais eficaz das finanças. As necessárias restrições de atividade pesam no desempenho geral da economia, além de afetarem a geração de tributos, fora os gastos adicionais na área de saúde e… Read More »O fogo cruzado das incertezas | Denise Campos de Toledo

O post O fogo cruzado das incertezas | Denise Campos de Toledo apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
A economia brasileira vive momento dos mais desafiadores. A pandemia acentua várias incertezas, como as condições de retomada do crescimento e de um ajuste mais eficaz das finanças. As necessárias restrições de atividade pesam no desempenho geral da economia, além de afetarem a geração de tributos, fora os gastos adicionais na área de saúde e para minimizar o impacto social.

A PEC emergencial que dá condições de retorno do auxílio emergencial com alguma compensação, posterga demais os gatilhos e sofreu reduções importantes no que se esperava de contenção de despesas. Mais que isso: mostrou a força de lobbies poderosos no sentido de preservação de direitos, que antecipam dificuldades para uma reforma administrativa que possa ter maior eficácia, na diminuição dos custos do Estado e em tempo mais curto.

Paralelamente, há uma preocupação maior com a inflação, ainda rodando acima do teto das projeções, com uma disseminação maior dos aumentos de preços, boa parte relacionada à alta das commodities no exterior e ao dólar. Dólar que, por sua vez, reflete as incertezas econômicas e políticas. Econômicas, por tudo que já citei, mais as intervenções do governo e da Justiça, fragilizando regras de contrato ou de mercado. Destaque recente para a Petrobras e as decorrentes mexidas em tributos.

No que diz respeito à Justiça, teve até a reversão do caso Lula, que nos remete a várias outras incertezas, que vão de uma nociva polarização das eleições de 2022, reduzindo espaço para fortalecimento de outras lideranças; possibilidade de o atual governo assumir posturas mais populistas para ampliar a popularidade, deixando mais de lado a política econômica liberal, prometida desde as eleições anteriores. Na versão mais positiva dos prognósticos, podemos esperar maior responsabilidade com a agenda, de forma a viabilizar mudanças estruturais, que ajudem a consolidar um quadro de maior crescimento e atração de investimentos. Ainda a conferir…

Com relação à inflação, dólar, incertezas do cenário e dificuldades de ajuste das contas fica a provável elevação da Selic na reunião deste mês do Copom, já dada quase como certa a elevação em, pelo menos, meio ponto, com ampliação do ajuste total que poderá ser necessário.

As intervenções do Banco Central no câmbio, com a colocação de swaps e oferta a vista mais que minimizar a pressão, tentam passar maior confiança quanto ao controle da inflação, nos parâmetros das metas, tentando evitar a piora das projeções quanto à elevação da Selic e da própria inflação.

Nesse ambiente, que ainda tem sofrido influência externa, como da recente alta dos juros dos treasuries americanos, difícil contar com estabilidade maior do mercado ou definição de tendência mais favorável. Parece certo apenas que as aplicações atreladas aos juros poderão ter algum reforço no ganho nominal. Nominal, porque o real ainda vai continuar sendo corroído pela inflação mais alta.

A Coluna da Denise Campos é publicada toda sexta-feira em nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

Quer receber essa e outras notícias para por dentro do universo dos investimentos de maneira prática? Clique abaixo e inscreva-se gratuitamente!

e-eu-com-isso

Leia mais da Denise Campos de Toledo: Os riscos da crise de confiança | Denise Campos de Toledo.

O post O fogo cruzado das incertezas | Denise Campos de Toledo apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-fogo-cruzado-das-incertezas-denise-campos-de-toledo/feed 0
É proibido poupar https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/e-proibido-poupar https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/e-proibido-poupar#respond Thu, 11 Mar 2021 14:27:13 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=22097 Parece que faz um século. Em outubro de 2019, quando ainda não se ouvia falar de pandemia, o governo enviou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) destinada a resolver, de vez, o imbróglio das contas públicas brasileiras. Apelidada de PEC Emergencial, a proposta fazia parte de uma iniciativa do Ministério da Economia… Read More »É proibido poupar

O post É proibido poupar apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
Parece que faz um século. Em outubro de 2019, quando ainda não se ouvia falar de pandemia, o governo enviou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) destinada a resolver, de vez, o imbróglio das contas públicas brasileiras. Apelidada de PEC Emergencial, a proposta fazia parte de uma iniciativa do Ministério da Economia chamada de “Agenda Mais Brasil”. Ela incluía as PECs do Pacto Federativo e dos Fundos e o objetivo era criar instrumentos para conter a evolução dos gastos públicos.

Dois meses depois, a Covid-19 começou na China. Passados mais dois meses, ela caiu como uma bomba sobre os mercados mundiais, Brasil incluso. A necessidade de adotar medidas de isolamento social provocou a discussão sobre auxílios emergenciais, e o assunto acabou evoluindo para a discussão de um possível programa de renda mínima. Porém, para isso, seria preciso liberar espaço no Orçamento, para não descumprir o Teto de Gastos e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

A proposta que saiu do Ministério da Economia buscava conciliar as duas ideias, a do auxílio e a da responsabilidade fiscal, incluindo uma “cláusula de calamidade”. Ou seja, regras para situações atípicas, como a da pandemia. A sugestão foi estabelecer um “gatilho fiscal”, que vai disparar se as despesas com a máquina pública cheguem a 95 por cento dos gastos totais da União em períodos de 12 meses. Se isso ocorrer, o gatilho dispara, e o tiro fere de morte qualquer tentativa de elevar gastos públicos, como a tentativa de contratar servidores ou de elevar salários e gratificações. No caso de estados e municípios, as medidas são facultativas, por conta da autonomia federativa.

Tudo muito bom e alinhado com a austeridade fiscal. O problema é que essa proposta foi gradativamente desidratada em sua passagem pelo Congresso, com as diversas categorias de servidores públicos fazendo lobby para não perder seus privilégios. Durante a tramitação no Senado caíram propostas como o fim dos gastos mínimos obrigatórios na saúde e na educação e a proibição de progressões e promoções no serviço público. Já na caminhada pelas comissões da Câmara dos Deputados ficou para trás a proibição de reajustes dos servidores durante os momentos de crise.

Nas discussões da quarta-feira (10) houve momentos de tensão no mercado quando cresceu a probabilidade de uma desidratação ainda maior. Mesmo assim, o texto-base foi aprovado na madrugada desta quinta-feira em primeiro turno na Câmara. A proposição recebeu 341 votos favoráveis e 121 contrários. A votação do segundo turno está agendada para começar às 10 horas de hoje, e precisa receber ao menos 308 votos favoráveis para ser aprovada. Se não houver mudanças, segue para promulgação pelo Congresso, uma vez que já passou pelo Senado.

Pela negociação na Câmara, serão retirados do texto dispositivos que impediriam progressões e promoções de carreira de servidores e agentes públicos. Com a medida, mesmo em casos de emergência fiscal ou calamidade pública todos os servidores seguirão com o direito a avançar nas carreiras, aumentando assim seus salários. Entra governo, sai governo, e não há como conter os gastos públicos. É como se, na entrada do Congresso Nacional houvesse uma gigantesca placa de bronze que trouxesse uma advertência em letras garrafais: “É proibido poupar”.

Indicadores

Pressionada pela alta nos preços dos combustíveis, a inflação de fevereiro medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,86 por cento, acima dos 0,25 por cento de janeiro. Foi o maior resultado para um mês de fevereiro desde os 0,90 por cento de 2016. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA acumula alta de 1,11 por cento no ano e de 5,20 por cento em 12 meses. Os resultados são superiores aos 4,56 por cento observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em fevereiro de 2020, o índice havia ficado em 0,25 por cento.

Com alta de 7,11 por cento, a gasolina foi, individualmente, o item que mais impactou o índice no mês. Além da gasolina, os preços do etanol (8,06 por cento), do óleo diesel (5,40 por cento) e do gás veicular (0,69 por cento) também subiram. Com isso, os combustíveis acumulam alta de 28,44 por cento nos últimos nove meses. Em fevereiro, o grupo transportes teve alta de 2,28 por cento.

E Eu Com Isso?

A sessão começa com os contratos futuros de Ibovespa e do índice americano S&P 500 em alta, animados pela aprovação do pacote americano de estímulos de 1,9 trilhão de dólares e também com a aprovação da PEC Emergencial, ainda que desidratada.

Este conteúdo faz parte da nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

Para ficar por dentro do universo dos investimentos de maneira prática, clique abaixo e inscreva-se gratuitamente!

e-eu-com-isso

Leia também: Fed garante juro baixo.

Fed garante juro baixo

O post É proibido poupar apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/e-proibido-poupar/feed 0
Balanço macropolítico | Política sem Aspa https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/balanco-macropolitico-politica-sem-aspa https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/balanco-macropolitico-politica-sem-aspa#respond Fri, 05 Mar 2021 23:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=21770 O mês de fevereiro de 2021 parecia morno, com o Ibovespa ensaiando alguma recuperação após recuar pouco mais de 3% em janeiro, até a última semana de pregão. Se, na primeira semana do mês, o índice reagiu e voltou a beirar os 120 mil pontos, nas duas semanas seguintes ele não teve força para estender… Read More »Balanço macropolítico | Política sem Aspa

O post Balanço macropolítico | Política sem Aspa apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
O mês de fevereiro de 2021 parecia morno, com o Ibovespa ensaiando alguma recuperação após recuar pouco mais de 3% em janeiro, até a última semana de pregão. Se, na primeira semana do mês, o índice reagiu e voltou a beirar os 120 mil pontos, nas duas semanas seguintes ele não teve força para estender a alta e, por fim, acabou tombando 6,93% na última semana de fevereiro (pior resultado semanal em 11 meses), fechando o mês caindo 4,21%.

Iniciamos o mês de março com o Ibovespa cotado a 110.035 pontos, menor patamar do índice para o ano, também devido ao refluxo estrangeiro, sentido após altas mais acentuadas nas treasuries (títulos públicos) americanas, mas principalmente pelos episódios recentes envolvendo o Executivo e empresas estatais.

Nesta primeira semana, o índice teve alta acumulada de 4,7%, refletindo o otimismo dos investidores com a aprovação da PEC Emergencial no Senado Federal e seu rápido encaminhamento para a Câmara. Mais adiante, vou discutir como o projeto foi fortemente desidratado.

Na coluna de hoje, vou trazer algumas considerações sobre os acontecimentos recentes e também sobre a economia brasileira, diante de uma nova perspectiva de desaceleração devido às restrições de circulação em março.

Da perspectiva macro, destaque para o resultado do Produto Interno Bruto de 2020, que foi divulgado nesta semana e ficou levemente acima da medida de mercado: o PIB de 2020 recuou 4,1%, contra projeções de uma queda de 4,3%. O resultado do Valor Adicionado demonstra alta na Agropecuária (2,0%), que apresentou ganhos de produtividade e aumentou sua produção, e baixa nos setores da Indústria (-3,5%) e Serviços (-4,5%) – esse último, responsável por 75% do resultado.

Na análise da outra ponta, das despesas, destacam-se as quedas no Consumo das Famílias (-5,5%) em relação ao ano anterior, e na Despesa do Consumo do Governo (-4,7%). Os investimentos correntes em capital fixo, A Formação Bruta de Capital Fixo, também recuou, ficando na casa dos -0,8%. Na comparação trimestral (4T20/3T20), o PIB cresceu 3,2%, refletindo o ritmo de recuperação econômica.

De fato, a queda da produção poderia ter sido bem maior se não houvesse dispêndios na casa dos R$ 250 bilhões com o auxílio emergencial, assim como restrições menos agressivas durante grande parte do segundo semestre. Dadas as circunstâncias, o pior resultado do PIB na série histórica foi um bom resultado.

Quer receber diariamente as notícias que impactam seus investimentos? Então, inscreva-se agora gratuitamente em nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’ e fique por dentro do que há de mais importante no mercado!

Clique aqui e saiba mais!

O problema parece estar em 2021. Caminhamos, mais uma vez, para recorde de morte diárias e um novo pico de infecção – reflexo do afrouxamento das medidas de contenção nos últimos feriados – e, ainda assim, esbarramos na demora na aquisição de vacinas, a melhor (e única) saída para preservar vidas e a economia.

É chocante a falta de planejamento e gestão observada na vacinação em massa, em um dos países supostamente mais eficientes nessa seara. Há dez anos, o Brasil reportava vacinação recorde contra o vírus da H1N1, demonstrando a capilaridade do sistema público. Seja qual for a justificativa, fato é que perderemos vidas e postos de trabalho por conta deste atraso.

Voltaremos, também, a pagar um novo auxílio emergencial diante dos efeitos da pandemia se estendendo também para esse ano. Serão R$ 44 bilhões destinados à população e que ficarão fora do teto de gastos e da meta do resultado primário, mas significam, sim, mais endividamento para a União.

Utilizada para aprovar o novo auxílio, a PEC Emergencial já foi aprovada no Senado Federal em dois turnos e agora depende do aval – que deve ocorrer nesta próxima semana – da Câmara dos Deputados. Investidores se animaram com a aprovação simplesmente porque foi vetada a entrada de uma emenda que deixava o Bolsa Família também fora do teto, refletindo o baixo sarrafo que vem sendo utilizado para cobrar um ajuste fiscal mais efetivo.

O custo da aprovação da PEC foi elevado. Para além da tentativa de desvincular os gastos com educação e saúde, medida que praticamente nasceu sem chances de prosperar, o texto final aumentou o rol de benefícios tributários que ficarão fora da redução, diminuiu o tempo de congelamento dos gastos (de 2 anos para somente enquanto o estado de calamidade estiver em voga) em caso de decreto de calamidade e desobrigou estados e municípios a acionarem os gatilhos de contenção quando despesas superarem 95 por cento da arrecadação.

Do ponto de vista fiscal, o texto é um avanço, mas muito tímido. Se considerarmos o mecanismo de 95% das despesas obrigatórias para condicionar o acionamento dos gatilhos no âmbito do governo federal, segundo cálculos da Instituição Fiscal Independente do Senado, eles só poderão entrar em ação em 2025. Hoje, a despesa obrigatória representa cerca de 92 por cento da despesa total da União. Desse modo, o ajuste fiscal vai existir, mas foi desidratado e adiado – até lá, seguiremos na iminência do descontrole das contas públicas.

Inclusive, fica aberto o caminho para conceder reajustes salariais já em 2022, quando o congelamento de 2 anos, implementado no ano passado, se expira. Bolsonaro sabe disso e, convenhamos, não tem a mesma sensibilidade que Guedes quando o assunto é austeridade.

Vide, também, a decisão, tomada unilateralmente pelo presidente, de não renovar o mandato presidencial do economista Roberto Castello Branco para a Petrobras. Devido ao peso da gigante petroleira no índice, assim como a relevante participação do Banco do Brasil e outras estatais que caíram na mesma esteira da Petro, a bolsa amargou quedas em sucessão por receio de piora na gestão desse grupo de Companhias.

Ah, e não nos esqueçamos do Orçamento de 2021, que entra o terceiro mês do ano com uma série de pendências no ar. Enquanto isso, caminhoneiros se sentem no direito, após uma série de concessões feitas nos últimos anos, de fechar marginais e rodovias Brasil afora para protestar contra restrições de circulação. E o ministério da Saúde admite que a média diária de mortes, ainda em março, deve chegar a 3 mil, com estados e municípios colapsando na falta de leitos de UTI.

Mas, a depender de alguns quadros, teremos reformas, crescimento robusto, inflação controlada e superação da Covid-19 – tudo isso com extrema naturalidade. A ver, no fim do ano, qual será o balanço de 2021. Até agora, ele não é positivo.

Quer aprofundar mais seus conhecimentos em assuntos como mercado e política? Então leia minha última coluna: Afinal, a Eletrobras será privatizada? | Política Sem Aspas.

O post Balanço macropolítico | Política sem Aspa apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/balanco-macropolitico-politica-sem-aspa/feed 0
Os riscos da crise de confiança | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/os-riscos-da-crise-de-confianca-denise-campos-de-toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/os-riscos-da-crise-de-confianca-denise-campos-de-toledo#respond Fri, 05 Mar 2021 11:45:15 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=21666 O mercado está bem perto de uma crise de confiança. Chega no limite do estresse, depois se acomoda com alguma notícia mais favorável. Têm sido vários dias de montanha-russa, com sobe e desce do dólar, da Bolsa, da curva de juros. Há muita incerteza quanto ao que esperar da política econômica e da economia. A… Read More »Os riscos da crise de confiança | Denise Campos de Toledo

O post Os riscos da crise de confiança | Denise Campos de Toledo apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
O mercado está bem perto de uma crise de confiança. Chega no limite do estresse, depois se acomoda com alguma notícia mais favorável. Têm sido vários dias de montanha-russa, com sobe e desce do dólar, da Bolsa, da curva de juros. Há muita incerteza quanto ao que esperar da política econômica e da economia. A queda do PIB de 4,1% em 2020, com reação maior que a esperada no último trimestre, passou a ser a grande notícia em semanas.

O estresse vem muito de medidas inesperadas do governo, que jogaram dúvidas quanto à implementação da prometida política econômica liberal. Houve a intervenção na Petrobras, com a mudança na presidência, determinada por Bolsonaro, que não teria gostado da política de preços, de Roberto Castelo Branco estar em home office, de ter ido a uma reunião de máscara ou, apenas, pelo temor de uma greve dos caminhoneiros.

Foram as justificativas cogitadas e todas elas podem ter tido influência, deixando em segundo plano a questão de não interferência, porque interferência houve. Na sequência veio a isenção de PIS/Cofins sobre diesel e gás, proposta de mudança no ICMS, aumento da taxação para instituições financeiras, para compensar a perda de receita, junto com outras medidas, como o corte de benefícios para indústria química e revisão das condições de desconto do IPI na compra de veículos por pessoas com deficiência.

Sem querer compactuar com as possíveis mudanças na estatal, que podem ir contra as boas práticas de mercado, cinco conselheiros já decidiram se afastar da Petrobrás que, aliás, teve um resultado de balanço bem superior ao esperado. Mais um fator de tensão.

Vire a página, tem toda a preocupação com a pandemia, a pouca eficiência na gestão da compra de vacinas, a insegurança quanto à gestão da pior crise sanitária que o País já enfrentou. Crise que neste começo de ano volta a ameaçar o desempenho da economia, com novas e pesadas restrições de atividade, paralelamente ao risco do colapso do sistema de saúde. Mais que a economia, ficam as preocupações do ponto de vista social e humano.

Vire a página, novamente, e temos todas as incertezas quanto à volta do auxílio emergencial e a PEC Emergencial, que deve definir o que se pode esperar de gestão das finanças, com responsabilidade fiscal. O tema agora avança de forma mais favorável. Mas também produziu limites de stress, com a possível exclusão não só do auxílio, mas também de todo o Bolsa Família do teto de gastos. Seria o aval para gastos ilimitados. Desmontado esse esquema, assim como a possibilidade de volta do benefício no valor de 600 reais, a fervura diminuiu.

Ainda que esses temas todos possam ser administrados com maior responsabilidade, revertendo os principais temores, os recados são ruins. Não há segurança quanto ao encaminhamento do que seria a pauta prioritária do governo e dos desvios que pode sofrer. Cada dia uma surpresa. Isso num cenário em que a economia pode passar por uma fase de retração, com inflação pressionada, que, junto com o dólar mais alto e as idas e vindas do ajuste fiscal, pode levar a uma antecipação, até com mais intensidade, da elevação da Selic pelo Banco Central. O mercado já dá quase como certo algum ajuste na reunião deste mês do Copom.

Não vamos esquecer também que do exterior também vêm algumas pressões pontuais. A instabilidade dos juros dos treasuries americanos têm tido forte repercussão também por aqui. 

É aproveitar os momentos de trégua do mercado e torcer por menos ruídos. Se com a economia e as pautas mantendo o rumo esperado já não está fácil, medidas inesperadas, sem planejamento e atitudes tempestivas, que flertam com o populismo, tornam tudo muito mais difícil. 

Em tempo, dado o atual cenário, em seus vários aspectos, melhor contar com performance efetivamente melhor da economia só mais para o segundo semestre, mesmo com o carregamento do desempenho melhor que o esperado de 2020. Aliás, as projeções para o PIB 2021 ainda se mantêm, na média, acima de 3%, mas com cortes sucessivos.

A Coluna da Denise Campos é publicada toda sexta-feira em nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

Quer receber essa e outras notícias para por dentro do universo dos investimentos de maneira prática? Clique abaixo e inscreva-se gratuitamente!

e-eu-com-isso

Leia mais da Denise Campos de Toledo: Indefinições dão rasteira até nos profissionais.

O post Os riscos da crise de confiança | Denise Campos de Toledo apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/os-riscos-da-crise-de-confianca-denise-campos-de-toledo/feed 0
Tributar banco é mau negócio https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/tributar-banco-e-mau-negocio https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/tributar-banco-e-mau-negocio#respond Tue, 02 Mar 2021 17:51:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=21476 O tradicional provérbio português “descobrir um santo para cobrir outro” ilustra aquelas situações em que a solução encontrada para um problema acaba criando outra dificuldade. Foi o que o governo fez na noite da segunda-feira (01). No dia 18 de fevereiro, na “live” em que criticou a Petrobras pelos aumentos na gasolina e no óleo… Read More »Tributar banco é mau negócio

O post Tributar banco é mau negócio apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
O tradicional provérbio português “descobrir um santo para cobrir outro” ilustra aquelas situações em que a solução encontrada para um problema acaba criando outra dificuldade. Foi o que o governo fez na noite da segunda-feira (01). No dia 18 de fevereiro, na “live” em que criticou a Petrobras pelos aumentos na gasolina e no óleo diesel, o presidente Jair Bolsonaro anunciou uma isenção “ad aeternum” do Pis e da Cofins sobre o gás de cozinha, e uma isenção temporária, nos meses de março e de abril, sobre o óleo diesel.

Desoneração fiscal custa dinheiro. Pelas contas do Ministério da Economia, a isenção sobre o diesel significará uma queda de 3,7 bilhões de reais na arrecadação neste ano. O efeito da desoneração sobre o gás de cozinha é menor. A estimativa é de 922 milhões de reais neste ano e de 945 milhões de reais em 2023.

Para compensar essa perda de arrecadação, o Ministério da Economia elevou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos de 20 por cento para 25 por cento. Também acabou com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para pessoas com deficiências na compra de veículos que custam até 70 mil reais. E encerrou o Regime Especial da Indústria Química (Reiq), que garantia uma tributação diferenciada ao setor. O fim da isenção do IPI passa a valer imediatamente. Já as mudanças na CSLL e no Reiq entram em vigor no início de julho. Todas as decisões terão de ser aprovadas no Congresso Nacional.

À primeira vista e em uma avaliação rápida – ou seja, incorreta – as medidas fazem sentido. Afinal, o gás de cozinha é um item essencial em 99,9 por cento das residências brasileiras. Em um país em que 68 por cento das cargas são transportadas por caminhões, varrições no custo do óleo diesel são repassadas para toda a economia. Assim, nada mais justo do que tributar os malvados bancos para reduzir o preço da comida de milhões de brasileiros, certo?

Errado.

A decisão é questionável por três motivos. Em primeiro lugar, no Brasil os bancos são um oligopólio. Apesar do crescimento das fintechs e da incursão de empresas de varejo pelo segmento financeiro, os bancos ainda são responsáveis por algo entre 80 por cento e 90 por cento dos empréstimos concedidos para indivíduos e empresas. Quando a concorrência não existe ou é fraca, quem domina o mercado tem o poder de fazer preços. Assim, não é preciso ter um doutorado em economia para saber que, discretamente e aos poucos, os bancos vão repassar esse aumento do tributo para os custos do crédito e as tarifas de serviços. Ainda mais se, daqui a duas semanas, o Comitê de Política Monetária (Copom) ratificar as expectativas e começar a elevar a taxa Selic.

Em segundo lugar, a decisão mostra a incapacidade de o governo – Executivo e Legislativo – cortar seus próprios gastos. Antes de apreciarem a elevação dos tributos sobre os bancos (e sobre os clientes dos bancos), os nobres deputados querem aumentar em 18 bilhões de reais a fatia do Orçamento destinada a emedas parlamentares. Quase quatro vezes mais que a perda de arrecadação estimada com a isenção totalizada do gás de cozinha e do óleo diesel.

E, finalmente, mas não menos importante, a decisão é questionável porque altera a estrutura tributária e a estrutura de custos da economia sem grandes estudos, reduz a previsibilidade dos resultados das empresas e aumenta a incerteza futura sobre os movimentos do governo. A isenção sobre o diesel é uma medida populista. Se o governo pode aliviar para os caminhoneiros e passar a conta para os banqueiros, o que impede Brasília de isentar arroz e feijão de impostos e passar a tributar os planos de saúde? Ou zerar a mordida do Leão sobre os medicamentos e aumentar o IPI sobre os automóveis? A lista potencial de medidas é potencialmente interminável e inegavelmente prejudicial à economia, aos trabalhadores, empresários e investidores.

E Eu Com Isso?

A terça-feira começa com um movimento de baixa nos contratos futuros de Ibovespa e do índice americano S&P 500. Por aqui, a queda segue a desvalorização do fim dos negócios da segunda-feira, quando os investidores já começaram a reagir negativamente à elevação dos impostos sobre os bancos.

 

Este conteúdo faz parte da nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

Para ficar por dentro do universo dos investimentos de maneira prática, clique abaixo e inscreva-se gratuitamente!

e-eu-com-isso

Leia também: A calma do Federal Reserve.

O post Tributar banco é mau negócio apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/tributar-banco-e-mau-negocio/feed 0
O ver para crer da pauta de prioridades | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-ver-para-crer-da-pauta-de-prioridades https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-ver-para-crer-da-pauta-de-prioridades#respond Fri, 05 Feb 2021 12:19:34 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=20619 A aparente lua de mel entre o executivo e as lideranças do congresso, após as eleições dos candidatos apoiados pelo presidente Bolsonaro, gerou um clima de maior confiança no mercado. A pauta de prioridades em discussão, com mais de 30 itens, parece ambiciosa demais. Mas o direcionamento parece correto e, com entendimento, muita coisa pode… Read More »O ver para crer da pauta de prioridades | Denise Campos de Toledo

O post O ver para crer da pauta de prioridades | Denise Campos de Toledo apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
A aparente lua de mel entre o executivo e as lideranças do congresso, após as eleições dos candidatos apoiados pelo presidente Bolsonaro, gerou um clima de maior confiança no mercado. A pauta de prioridades em discussão, com mais de 30 itens, parece ambiciosa demais. Mas o direcionamento parece correto e, com entendimento, muita coisa pode avançar.

A pauta não tem nada muito novo. Reformas, ajuste fiscal, marcos regulatórios, privatização da Eletrobras, PEC emergencial. No topo da lista, a aprovação, mais que atrasada, do orçamento deste ano. E esse já vai ser um bom teste para o esperado entendimento, além do compromisso com o fiscal. 

Tanto Arthur Lira, presidente da Câmara, como André Pacheco, do Senado, têm falado da volta do auxílio emergencial, de alguma alternativa que não comprometa o teto de gastos. A questão é que sem o auxílio já se prevê alguma dificuldade nesse sentido, já que a inflação de referência para o teto foi muito baixa e várias despesas subiram muito mais.

Ainda é preciso considerar os gastos que serão necessários com as vacinas e tudo mais relacionado à pandemia. Cabe notar que, talvez, até pela influência do posicionamento dos dois, Bolsonaro também assumiu o discurso de uma vacinação mais ampla. Uma mudança muito positiva, para o controle da pandemia, a grande trava que temos hoje na economia, mas que vai acarretar mais custos a serem administrados.

Nessas discussões envolvendo orçamento, despesas, auxílio e vacinas, a PEC emergencial poderia ser uma compensação. Mas pode acabar sendo mais um enrosco para destravar a pauta.

Em meio a muitas prioridades, não foi muito bem assimilada de início a aparente prioridade que poderá ser dada à Reforma Tributária e não à Administrativa, que pode colaborar muito para estabelecer perspectivas melhores para a evolução das finanças. A tributária é importante do ponto de vista de redução do Custo Brasil e melhoria do ambiente de negócios, da competitividade. É imprescindível, sem dúvida. Mas a Administrativa, mais ambiciosa até do que a proposta pelo governo, poderia garantia maior confiança nas condições de ajuste das contas públicas.

De qualquer modo, as discussões e a votação do orçamento será um importante teste do potencial de execução da pauta, seguindo as diretrizes da responsabilidade fiscal.

A partir daí é que poderemos ver como ficarão as expectativas do mercado, coincidindo com a reavaliação do potencial de crescimento da economia, especialmente neste começo de ano, do comportamento esperado da inflação e, consequentemente, da política de juros.

Uma maior confiança quanto à execução da agenda, bom observar, já pode ajudar a assegurar um comportamento mais favorável com dólar, assim como da curva de juros, garantindo projeções melhores para a inflação, com possível adiamento dos ajustes na Selic. 

O entendimento entre os poderes, uma pacificação, são bem-vindos. Mas é ver para crer se produzem tudo que vem sendo sinalizado. Bom lembrar que o prazo é curto. Já foram dois anos de governo e daqui a pouco as eleições de 2022 vão começar a interferir cada vez mais nas negociações. Sendo que o entendimento partidário que houve nas eleições para as duas casas não, necessariamente, vai se repetir nas votações, com possibilidade de ruídos no que diz respeito à pauta de costumes, que o presidente insistiu em incluir na lista de prioridades.

A Coluna da Denise Campos é publicada toda sexta-feira em nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

Quer receber essa e outras notícias para por dentro do universo dos investimentos de maneira prática? Clique abaixo e inscreva-se gratuitamente!

e-eu-com-isso

Leia mais da Denise Campos de Toledo: A agenda liberal cada vez mais emperrada.

O post O ver para crer da pauta de prioridades | Denise Campos de Toledo apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

]]>
https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-ver-para-crer-da-pauta-de-prioridades/feed 0