Jerome Powell

A calma do Federal Reserve

Em tempos normais, o trabalho dos banqueiros centrais é ingrato e antipático. Eles são pagos para desligar a música e levar as bebidas embora quando a festa está ficando muito animada. A eles cabe elevar os juros para esfriar a economia quando o nível de atividade ameaça causar inflação. Porém, essa tarefa saiu da descrição de cargo no início de 2020, quando as medidas de isolamento social para conter a pandemia do coronavírus provocaram a maior retração econômica em décadas. Desde então, para permanecer na imagem anterior, os bancos centrais têm elevado o som e desarrolhado garrafas de espumante para animar os agentes econômicos a retornar à folia.

Com isso, só nos Estados Unidos, a conjunção entre política fiscal (gastos públicos) e política monetária (juros baixos) expansionista já injetou algo como 5 trilhões de dólares na economia. E o presidente Joseph Biden está arrematando os detalhes finais de um pacote que vai injetar mais 1,9 trilhão de dólares no sistema econômico, para aumentar a atividade e criar empregos. Tanto dinheiro chegando ao mesmo tempo em uma economia desaquecida, e que deve levar algum tempo para retornar aos patamares de atividade anteriores, pode fazer a inflação americana retornar.

A ata da reunião mostrou que os membros do Federal Open Market Committee (Fomc), o Copom americano, avaliam que continuam precisando comprar títulos e manter juros baixos para estimular a economia americana. Embora alguns membros do comitê acreditem que a inflação possa aumentar nos próximos meses, eles não acreditam que as pressões sobre os preços sejam persistentes o suficiente para justificar uma alta de juros.

No entanto, na entrevista coletiva após a reunião do dia 27 de janeiro, Jerome Powell, presidente do Fed, disse que a atividade econômica se mostrou mais resistente do que o esperado, em parte devido às repetidas injeções de ajuda federal. Na terça-feira (17), os dados de inflação ao produtor e de vendas no varejo referentes a janeiro vieram acima do esperado. A inflação registrou alta de 1,3 por cento, ante expectativas de 0,4 por cento, e as vendas no varejo avançaram 5,3 por cento frente a dezembro, cinco vezes mais que o prognóstico, que era de 0,9 por cento.

Nesse cenário, é preciso considerar que há riscos de alta de inflação assim que as restrições relacionadas à pandemia forem suspensas. A enxurrada de dinheiro na economia, que inclui mais benefícios para os desempregados e cheques de estímulo para as famílias americanas, poderia estimular um aumento nos gastos dos consumidores em meio à demanda ainda reprimida, pressionado os índices de preços. O grande problema é que se a inflação começar a subir logo a política monetária não poderá reagir como sempre, elevando rapidamente as taxas.

Essa preocupação pode ser notada com a alta dos juros de longo prazo nos Estados Unidos. Na terça-feira (17), ao voltar do feriado da segunda-feira (Dia do Presidente), a taxa dos títulos de dez anos do Tesouro americano subiu para 1,3 por cento ao ano, alta de 0,1 ponto percentual. A remuneração desses títulos atingiu o maior nível em 12 meses e registrou o maior avanço diário desde novembro.

Indicadores

A segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de fevereiro desacelerou levemente para 2,29 por cento ante 2,37 por cento no segundo decêndio de janeiro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com este resultado, a taxa acumulada em 12 meses passou de 25,46 por cento para 28,64 por cento. Os destaques foram as commodities, como carne bovina, cujos preços subiram 9,16 por cento. Soja, com alta de 5,89 por cento. E minério de ferro, cujos preços avançaram 4,41 por cento.

E Eu Com Isso?

A quinta-feira começa com os contratos futuros de Ibovespa e do índice americano S&P 500 registrando leves baixas. A preocupação com a inflação nos Estados Unidos, que elevou a remuneração dos títulos públicos na véspera, também está exercendo uma pressão de baixa sobre as ações.

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