Levante Ideias - Petrobrás

Política de preços da Petrobras (PETR3/PETR4)

Na última sexta-feira (05), a Petrobras, após uma reunião entre o atual presidente da companhia e o presidente da república, divulgou fato relevante ao final do pregão comunicando uma mudança no período de apuração do resultado da política de preços de combustíveis em relação à paridade internacional.

As declarações do presidente da república e do presidente da estatal, reafirmando que a Petrobras segue tendo autonomia na política de preços de combustíveis, porém anunciando a ampliação do período total para a apuração de 3 meses para 12 meses reduziu a alta das ações no pregão. A valorização estava pouco acima de 3 por cento e retrocedeu para menos de 1 por cento, com o mercado ainda absorvendo os impactos e analisando se houve algum tipo de interferência política.

No entanto, essa mudança na política de preços foi implantada em março de 2020, de modo que um período de apuração mais longo permitiria não repassar a queda brusca dos preços de petróleo, que chegou a 20 dólares o barril, evitando um possível prejuízo e queima de caixa no segmento de refino da companhia.

A divulgação dos fatos relevantes chegou em um momento de incertezas no setor. Há interesses opostos em relação aos preços praticados pela Petrobras. A categoria dos caminhoneiros questiona a forte alta nos preços do diesel na bomba ameaçando entrar em greve. Já os importadores de combustíveis de menor porte argumentam que a estatal pratica preços abaixo da paridade internacional, prejudicando a atividade destas, em uma concorrência desleal.

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Acreditamos que a divulgação do fato relevante não teria um impacto significativo nos fundamentos da Petrobras, uma vez que a mudança já vem sendo praticada há quase um ano, com as unidades de negócios da Petrobras sendo capazes de gerar caixa, inclusive no refino, de maneira saudável e seguindo firme na redução de seu endividamento, mesmo em ambiente de maior volatilidade nos preços da commodity.

A mudança significa que a Petrobras terá um período maior de contabilização do resultado de paridade internacional, de modo que em 12 meses, na média, a companhia mantenha uma paridade de preços compatível com os preços internacionais, podendo praticar preços abaixo da cotação internacional de combustíveis por um período, desde que isso seja compensado nos períodos seguintes, ou seja, praticando preços maiores em outros meses, sempre com alguns reajustes de curto prazo.

O ponto principal que ainda pode gerar ruídos e desconfiança do mercado é a falta de transparência em relação ao timing da divulgação da mudança pela estatal, que poderia ou deveria ter divulgado tal mudança logo no período em que foi realizada a implantação, além do comunicado ocorrer logo após uma reunião com o presidente da república, retomando a memória do período de prejuízo drástico na companhia no passado recente, com o controle de preços imposto pelo governo de maneira unilateral. Essa questão deve se diluir ao longo do tempo, mas pode ancorar os preços das ações da estatal para baixo no curto prazo.

A nosso ver, a mudança pode gerar maior volatilidade nos resultados da companhia, com horizonte mais longo de apuração, podendo ser prejudicial principalmente em um ambiente de altas subsequentes pela demanda por combustíveis se aquecendo no mercado, de modo à estatal praticar preços abaixo de seu custo de produção. Pelo outro lado, a estatal consegue se proteger em um ambiente de pânico, como ocorreu no início de 2020, mantendo uma estabilidade maior nos preços para o mercado, que foi justamente a intenção da gestão ao realizar a mudança e a gestão atual tem se mostrado bastante competente em manter a rentabilidade da companhia.

O comunicado serve para acalmar os ânimos, sobretudo pelo lado dos caminhoneiros, pelo menos por um curto período de tempo. A questão a se observar daqui em diante é até que ponto essa pressão dos grupos organizados (caminhoneiros e importadores) pode afetar a independência da estatal em seu plano de negócios, além da atratividade dos negócios de refino, dada essa incerteza política no país, apesar de algumas refinarias à venda já estarem com processo avançado nas negociações.

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