Natura (NATU3) vende Avon Rússia e segue simplificando a operação

A Natura (NATU3) concluiu a venda da operação da Avon na Rússia por RUB 2,52 bilhões (cerca de € 26,9 milhões), com pagamento recebido em 17 de fevereiro. O negócio foi fechado com o grupo local Arnest e encerra uma operação que já estava praticamente isolada desde 2022, após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia e a imposição de sanções econômicas. Embora o valor seja pequeno em relação ao tamanho da companhia, a venda tem importância estratégica por retirar a Natura de um mercado que deixou de ser relevante e passou a trazer riscos operacionais e regulatórios. O movimento também marca mais um passo no processo de reorganização iniciado após a aquisição da Avon.

A venda reforça a mudança de posicionamento da empresa, que vem deixando de atuar como um conglomerado global para concentrar esforços na América Latina. Desde 2023, a Natura tem reduzido sua presença internacional com a venda da Aesop e a saída gradual de mercados da Avon na Europa, África, Ásia, América Central e República Dominicana. Agora, com a saída da Rússia, a estrutura fica mais enxuta e focada em regiões onde Natura e Avon já operam de forma integrada. Essa simplificação tende a reduzir riscos cambiais, geopolíticos e regulatórios, além de melhorar a visibilidade dos resultados e a alocação de capital.

Em termos financeiros, o impacto direto da venda é pequeno, mas o efeito qualitativo é relevante. A operação reforça a estratégia de reduzir riscos, simplificar a estrutura e concentrar esforços na recuperação operacional. Sem ativos considerados não essenciais, a companhia pode focar na captura de sinergias entre Natura e Avon, na melhora das margens e na geração de caixa. A agenda, que antes era marcada por desinvestimentos, passa agora a depender mais da execução operacional e da retomada da rentabilidade.

 
E Eu Com Isso?
 
Apesar do avanço na simplificação, a recuperação ainda precisa mostrar sinais mais consistentes. O setor de beleza segue resiliente, mas a Natura ainda enfrenta desafios como alavancagem elevada, juros altos e uma recuperação gradual da Avon na América Latina. Os resultados operacionais têm evoluído, porém em ritmo mais lento do que o esperado. Assim, mesmo com os progressos estratégicos, ainda é necessário observar melhora mais clara em margens, geração de caixa e redução da dívida antes de adotar uma visão mais otimista.



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