Levante Ideias - Energia Elétrica

O PIB e a energia

O PIB (Produto Interno Bruto) caiu 0,1% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre. Esse resultado indica estabilidade e vem depois de três trimestres positivos consecutivos de crescimento da economia, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Em valores correntes, o PIB, que é soma dos bens e serviços finais produzidos no país, chegou a R$ 2,1 trilhões no segundo trimestre.

Com esse resultado, segundo o IBGE, a economia brasileira avançou 6,4% no primeiro semestre e nos últimos quatro trimestres acumula alta de 1,8%.

Ademais, o PIB continua no patamar do fim de 2019 ao início de 2020, período pré-pandemia, e ainda está 3,2% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica na série histórica, alcançado no primeiro trimestre de 2014.

Apesar de o PIB previsto para 2021 permanecer positivo – a edição mais recente do Relatório Focus prevê um crescimento de 5,22% – a oferta de eletricidade tornou-se um problema mais sério, que pode comprometer os prognósticos para 2022.

Ainda segundo o Focus, a projeção para o ano que vem é de um crescimento de 2%.

Porém, na terça-feira (31), o governo federal anunciou a criação de uma nova bandeira tarifária para as contas de energia. A bandeira “escassez hídrica” vai elevar em R$ 14,20 o valor cobrado nas contas para cada 100 kWh consumidos.

Mais severa que a bandeira “vermelha 2”, a qual já vinha sendo aplicada desde junho, a bandeira “escassez hídrica”, que já vem sendo chamada informalmente de bandeira preta, deve ser mantida até abril do ano que vem, e representa uma alta de 49,63% em relação à situação anterior.

Segundo o governo e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a nova bandeira vai elevar em 6,78% a tarifa média dos consumidores regulados (aqueles atendidos pelas distribuidoras, e que não contratam eletricidade no mercado livre), mas não será aplicada nos consumidores de baixa renda, que aderem à tarifa social.

Uma das provas da gravidade da situação é que o governo alterou as regras da capitalização da Eletrobras (ELET3/ELET6).

Ele determinou que a holding do setor elétrico antecipe um aporte de R$ 5 bilhões na CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) em 2022 para compensar o aumento das despesas com a contratação de energia das usinas termelétricas e com a aquisição de energia dos países vizinhos.

Para pagar, a empresa deve usar o dinheiro que receberá dos acionistas privados. A modelagem da capitalização, na prática uma privatização, previa contribuições anuais nos próximos 25 anos, mas o governo quer antecipar o pagamento. Esse fundo concentra as principais despesas do setor elétrico e é rateado por todos os consumidores do país nas tarifas de energia.

As comparações com o apagão de 2001 são inevitáveis.

Naquela ocasião, o trauma sobre a sociedade e a economia foi intenso, embora a situação tivesse alguns agravantes.

O maior deles foi seu ineditismo.

Durante décadas, a convicção era que o Brasil não tinha problemas de energia devido a seu parque gerador de usinas hidrelétricas. Os profissionais do setor elétrico vinham advertindo para gargalos e riscos de racionamento, mas essas conversas não eram muito ouvidas.

Subitamente, a sociedade foi ameaçada com riscos de racionamento e teve de tomar medidas urgentes, reduzindo o consumo em 20%.

Todos foram afetados. As prefeituras reduziram a iluminação pública, o comércio e as indústrias tiveram de alterar seus padrões de consumo e os consumidores apagaram lâmpadas e encurtaram banhos.

Algo parecido se repetiu em 2014 e 2015, mais uma vez devido à redução das chuvas.

Naquele momento, os reservatórios atingiram o menor nível histórico, chegando a 17% de sua capacidade, em média.

Para comparar, no apagão de 2001, a média era 31%, o que obrigou o governo a contratar energia térmica, muito mais cara.

Em alguns casos, o preço da eletricidade chegou a dobrar.

Na prática, a situação de 2001 era pior do que a de 2015 e a atual, pois a participação da energia hidrelétrica era de 85% do total.

Atualmente, a disseminação da energia térmica e a expansão da geração eólica e solar reduziu a fatia hidrelétrica para cerca de 65%.

No entanto, o apagão de 2001 comprometeu um movimento de retomada do crescimento econômico que vinha ganhando força.

Na avaliação do time de análise da Levante Ideias de Investimento, um eventual apagão teria efeitos drásticos sobre a economia em 2022.

O crescimento esperado poderia cair dos 2% previstos para perto de zero, algo sempre explosivo em um ano eleitoral.

E Eu Com Isso?

O Ibovespa amargou a segunda queda mensal consecutiva em agosto, com uma desvalorização de 2,48%. Com isso, ele inicia setembro zerando os ganhos do ano.

No primeiro pregão do mês, os contratos futuros começam com uma leve alta, ao passo que os contratos futuros do índice americano S&P 500 estão em queda devido à piora dos indicadores econômicos chineses, com redução da produção industrial.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: Powell e o PIB.

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