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O Copom no fio da navalha

O comportamento das expectativas com relação à decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), a ser anunciado na noite desta quarta-feira (27), mostra um ponto preocupante para os investidores: a deterioração das expectativas com relação à inflação e ao crescimento econômico.

Na reunião de 16 de junho, o Copom elevou a Selic em 0,75 ponto percentual para 4,25% ao ano e começou com a escalada das taxas, indicando que o aumento seguinte seria de um ponto percentual. Isso se repetiu na reunião de 4 de agosto, quando a Selic foi para 5,25%, e na 22 de setembro, quando a taxa chegou aos atuais 6,25%.

Na Ata referente a essa última reunião, o Copom também “contratou” uma elevação adicional de um ponto percentual, a ser confirmada hoje. Com outro aumento semelhante na última reunião do ano, marcada para dezembro, as expectativas de uma Selic encerrando 2021 a 8,25% ao ano estariam confirmadas.

Porém, a realidade tem o hábito desconcertante de ir na direção contrária aos planos. Entre a reunião de setembro e a de outubro, os membros do Copom tiveram de enfrentar uma alteração no cenário.

O governo anunciou uma redução da aderência às regras da estabilidade fiscal, o que pode piorar a situação das contas públicas. Isso, claro, pressionou as taxas de juros no mercado futuro e os prognósticos para a inflação neste ano e em 2022, como mostra a edição mais recente do Relatório Focus.

Assim, se o Copom meramente confirmar o que foi declarado na reunião anterior e elevar a Selic em um ponto percentual, para 7,25%, isso pode ser interpretado como uma indicação de política monetária parcimoniosa, leniente com a inflação e incapaz de ancorar as expectativas.

Nos último dias, a convicção entre os investidores é que a alta minimamente aceitável para a Selic é de 1,50 ponto percentual, para 7,75% ao ano.

Será suficiente? Ou esse avanço, superior ao reajuste antecipado na reunião de setembro, será somente interpretado como suficiente para manter os juros reais no mesmo nível de setembro?

Vale lembrar que o mercado tem demandado mais prêmio recentemente para fazer frente à deterioração das expectativas.

E aqui entramos em outra faceta do problema. Um dos aspectos mais consagrados do modus operandi dos banqueiros centrais é o gradualismo na ação para evitar solavancos na economia.

Assim, se o problema for apenas uma elevação das expectativas de inflação, para resolvê-lo bastaria um tranco nos juros. Por exemplo, elevar as taxas em 2 pontos percentuais ou mais, e liquidar o assunto.

As consequências, entretanto, seriam devastadoras para uma economia que não está em sua melhor forma e que periga apresentar uma retração no ano que vem.

Conclusão: se elevar pouco os juros, o Copom manterá desancoradas as expectativas e terá de ser firme na condução da política monetária por mais tempo. Se elevar demais os juros, o BC pode aprofundar a desaceleração de uma economia que já flerta com a recessão, retraindo mais a demanda em pleno ano eleitoral.

Assim, o Comitê está com uma margem de manobra estreita e terá de se equilibrar no fio da navalha na condução dos juros nos próximos meses.

Indicadores

O ICI (Índice de Confiança da Indústria) do FGV IBRE caiu 1,2 ponto em outubro, para 105,2 pontos, terceiro mês consecutivo de queda após quatro meses de altas. Em médias móveis trimestrais, manteve a tendência negativa ao cair 1,1 ponto, informou a FGV (Fundação Getulio Vargas).

E Eu Com Isso?

Apesar da leve queda nos contratos futuros do índice americano S&P 500, o Ibovespa inicia a quarta-feira em alta pelos bons resultados das empresas.

As notícias são positivas para a bolsa.

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Leia também: O novo cenário para o Copom.

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