A Braskem (BRKM5) protocolou pedido de recuperação extrajudicial com apoio de credores que representam 39,6 por cento da dívida financeira incluída no processo, superando o mínimo de um terço necessário para iniciar a medida. A companhia pretende reestruturar 10,9 bilhões de dólares em obrigações financeiras, equivalentes a cerca de 56,48 bilhões de reais de créditos externos sujeitos ao plano. Com o protocolo, a petroquímica ganha até 90 dias para tentar elevar a adesão para mais de 50 por cento dos créditos abrangidos, percentual necessário para pedir a homologação judicial da reestruturação.
O apoio inicial, porém, não significa que os credores já tenham concordado com os principais termos econômicos. O documento apresentado à Justiça funciona, neste momento, como uma estrutura geral para manter as negociações em andamento, enquanto condições como prazos, taxas, eventuais descontos e conversão de dívida em ações ainda serão discutidas. Caso a Braskem consiga apoio superior à metade dos créditos, o plano poderá ser homologado e passar a valer também para credores financeiros que não tenham aderido voluntariamente. A medida, portanto, reduz o risco de negociações fragmentadas e cria um ambiente mais organizado para a reestruturação.
O processo envolve apenas créditos financeiros sem garantias reais e não inclui obrigações com fornecedores, clientes, revendedores e outros parceiros comerciais. A Braskem também pediu que bancos sejam impedidos de compensar dívidas incluídas no plano com recursos mantidos pela companhia em contas bancárias, o que poderia representar mais de 400 milhões de reais. A empresa argumenta que a retirada desse caixa prejudicaria de forma relevante a reestruturação e reduziria recursos necessários para despesas essenciais. O pedido dá continuidade à proteção obtida em junho, que já havia suspendido cobranças e execuções relacionadas às dívidas negociadas.