Levante Ideias - Banco Central

O novo cenário para o Copom

Começa nesta terça-feira (26) a penúltima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2021. Há dois aspectos incomuns nesse encontro. O primeiro deles é que seu resultado já havia sido mais ou menos antecipado pelo próprio Comitê no dia 22 de setembro, data da última reunião. O segundo é que essa antecipação pode ter sido atropelada pelos fatos. Assim, ao anunciar o resultado na quarta-feira (27), o BC (Banco Central), a quem cabe a condução dos juros, pode ser questionado se honrar ou não o que prometeu fazer há pouco mais de um mês.

Relembrando. Em setembro o Copom elevou a taxa referencial Selic em um ponto percentual, para 6,25% ao ano. No Comunicado e na Ata, o Comitê dizia com todas as letras que “muito provavelmente” haveria uma alta semelhante na reunião que se inicia nesta terça-feira, praticamente antecipando o resultado.

Isso alinhou as expectativas dos investidores. A partir de então, as sucessivas edições do Relatório Focus indicavam um prognóstico de 8,25% para a Selic em dezembro, antecipando mais uma alta de um ponto percentual na última reunião deste ano, agendada para dezembro. Novidades só para 2022, com todas as suas incógnitas eleitorais.

Tudo resolvido? Nem tanto.

Sempre é bom recordar a frase de Tom Jobim, que dizia que o Brasil não é para principiantes. Nesse meio tempo, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, passou a defender um aumento no auxílio às famílias de baixa renda. Apesar de formalmente não se esperar uma ruptura do teto de gastos, a estabilidade fiscal ficou comprometida.

Sem a âncora fiscal resta a âncora monetária para impedir uma explosão da inflação. Juros mais altos e por mais tempo do que se se imaginava antes da turbulência da semana passada.

Os preços já mostram a mudança das expectativas, com prognósticos de que a Selic chegue aos dois dígitos ainda no primeiro trimestre do ano que vem.

Se confirmada, essa seria uma alta de mais de quatro pontos percentuais em apenas sete meses. Ou seja, uma das maiores guinadas monetárias no Brasil recente, comparável à elevação dos juros de 25% para 45% ao ano em março de 1999.

No entanto, naquele momento, o recém-empossado presidente do BC Armínio Fraga tinha de fazer algo drástico para impedir que a economia brasileira se desarticulasse devido à mudança atabalhoada do regime de câmbio administrado para o de câmbio flutuante.

Agora, a alta que se avizinha promete ser mais duradoura e por um motivo grave: mudança do regime fiscal. Pior do que a alta da inflação provocada pelo aumento dos preços dos alimentos, dos combustíveis e da eletricidade é a pouca disposição do governo para acertas as contas, ainda mais com a perspectiva de que em poucos meses se inicia uma campanha eleitoral que promete ser polarizada e conturbada.

Assim, em havendo baixa probabilidade de uma retomada da âncora fiscal, deveremos encaram um juros neutro mais elevado em uma economia anêmica, algo que já vem surgindo nos indicadores da construção civil.

Indicadores 1

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), a prévia da inflação oficial, ficou em 1,20% em outubro, 0,06 ponto percentual acima do 1,14% de setembro. Foi a maior variação para um mês de outubro desde o 1,34% de 1995 e a maior variação mensal desde os 1,42% de fevereiro de 2016, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 8,30% e, em 12 meses, de 10,34%, acima dos 10,05% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Em outubro de 2020, a taxa foi de 0,94%. O maior impacto individual foi da energia elétrica, que subiu 3,91%.

Indicadores 2

A FGV (Fundação Getulio Vargas) publicou dois indicadores do setor de construção civil. O ICST (Índice de Confiança da Construção) caiu 0,3 ponto em outubro, para 96,1 pontos, após cinco meses consecutivos de alta. A queda decorreu exclusivamente da piora sobre a avaliação do momento atual.

O ISA-CST (Índice de Situação Atual) recuou 0,7 ponto, para 92,0 pontos, interrompendo dois meses de altas consecutivas. E o INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção – M) subiu 0,80% em outubro, ante uma alta de 0,56%, no mês anterior.

Com este resultado, o índice acumula alta de 12,88% no ano e de 15,35% em 12 meses. Em outubro de 2020, o índice havia subido 1,69% no mês e acumulava alta de 6,64% em 12 meses.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros do Ibovespa iniciam o dia em uma baixa significativa, com os investidores se ajustando às perspectivas mais adversas para a economia, devido à alta dos preços e à perspectiva de um endurecimento da política monetária.

As notícias são negativas para o mercado.

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Leia também: Copom eleva taxa Selic para 6,25% ao ano.

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