Banco do Brasil (BBAS3): privatizar é fácil, diz diretor-presidente
O presidente do Banco do Brasil (BBAS3), Rubem Novaes, voltou a defender a privatização da instituição na quarta-feira (29), apesar de ressaltar que isso não está sendo estudado pelo atual governo.
Novaes acredita que o BNDES e a Caixa Econômica já são suficientes para o Brasil em termos de bancos públicos, o que poderia ajudar na privatização do Banco do Brasil no futuro.
O diretor-presidente também disse que 2020 será um ano difícil para o setor bancário, pois os bancos terão de lidar com a concorrência das fintechs e com a queda de juros, que “atrapalha um pouco”.
Questionado sobre alternativas à privatização, Novaes disse que “os ativos mais importantes” que poderiam ser vendidos já foram desfeitos, mas comentou sobre desinvestir parcialmente do Banco Votorantim.
Segundo ele, a empresa está preparando uma abertura de capital (Initial Public Offering, IPO) e o BB irá aproveitar a oportunidade para sair de “um pedaço” da controlada, mas na mesma proporção que o grupo Votorantim.
As declarações do presidente do BB podem beneficiar os preços das ações no curto prazo. Porém, vemos a privatização com ceticismo e ela não faz parte de nosso cenário base para a companhia nos próximos anos.
Após comentar sobre o banco, ele ressaltou que a privatização é “uma decisão política” e que atualmente nem o presidente Jair Bolsonaro e nem o Congresso são favoráveis.
Sobre a concorrência com as fintechs, Rubem Novaes disse que o banco estuda a possibilidade de um concurso direcionado para a área de tecnologia, como forma de atrair talentos. Para ele, o BB precisa modernizar toda sua estrutura e citou a possibilidade de parcerias futuras com fintechs.
Entretanto, entendemos que o movimento tecnológico dos grandes bancos ainda é letárgico. Enquanto as fintechs já nascem em um ambiente digital e têm foco totalmente nele, os grandes bancos ainda são uma espécie de transatlânticos que tentam mudar de direção.
Questionado sobre uma possível pressão do governo para reduzir os juros cobrados no cartão de crédito, Novaes afirmou que o governo entende que o Banco é uma empresa de capital aberto, listada em bolsa, que precisa dar satisfação ao seus acionistas, reforçando que seu mandato é para “maximizar resultados e não reduzir a taxa de juros”.
O Banco do Brasil ainda tem bastante “gordura para queimar” e isso é, de certa forma, bom pois significa que o banco ainda pode melhorar bastante sua rentabilidade ao enxugar custos e melhorar eficiência.
–
* Esse conteúdo faz parte do nosso boletim diário: ‘E Eu Com Isso?’. Todos os dias, o time de analistas da Levante prepara notícias e análises que impactam seus investimentos. Clique aqui para receber informações sobre o mercado financeiro em primeira mão.
Leia também:BNDES inicia venda das ações ordinárias da Petrobras (PETR3)