A Ata da reunião nº 276 do Comitê de Política Monetária, que foi divulgada nesta terça-feira (03) mostrou um Comitê cautelosamente otimista com o cenário de inflação e com as perspectivas para a taxa de juros. A Ata foi relativamente breve, mantendo um tamanho parecido com o da reunião de dezembro, e preservou os mesmos tópicos.
Ao avaliar o cenário da economia internacional, o Comitê avaliou que “enquanto os riscos de longo prazo se mantêm, as condições recentes sugerem algum arrefecimento na incerteza (…), no contexto atual os preços das principais commodities permaneceram contidos, e as condições financeiras, favoráveis”, segundo a Ata.
No cenário doméstico, ao tratar da inflação, o Comitê trouxe o trecho mais otimista da Ata. O Copom afirmou que “as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes seguiram trajetória de declínio”, e que “as leituras recentes indicam um arrefecimento da inflação que abrange tanto o índice cheio quanto em aberturas e medidas subjacentes”.
Segundo o Copom, “a combinação de um câmbio mais apreciado e um comportamento mais benigno das commodities contribuiu para redução nas inflações de bens industrializados e alimentos. A inflação de serviços também apresentou algum arrefecimento, ainda que mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual”.
A decisão marcou uma inflexão relevante no discurso da autoridade monetária. Até então, o Copom vinha reforçando a necessidade de manter a política monetária restritiva por período prolongado. Na Ata, o colegiado reconheceu avanços no processo de desinflação e avaliou que o cenário prospectivo passou a permitir ajustes graduais na taxa Selic, ainda que cautelosas.
A Ata reforçou que a principal âncora para essa mudança é o comportamento das expectativas de inflação. A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na segunda-feira (2), mostrou um recuo da projeção para o IPCA de 2026 para 3,99 por cento. Trata-se da primeira vez, desde o início de 2025, que a expectativa para esse horizonte cai para abaixo de 4 por cento. O movimento foi interpretado pelo mercado como um sinal de maior credibilidade do regime de metas.
Pelas contas do Copom, “as projeções para a inflação acumulada em quatro trimestres para 2026 e para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, são, respectivamente, 3,4 por cento e 3,2 por cento”. Com isso, o comitê ganha maior conforto para iniciar o processo de flexibilização sem comprometer a convergência da inflação à meta.
E Eu Com Isso?
As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociadas em Wall Street, assim como os contratos futuros dos principais índices americanos, estão em uma leve alta no pré-mercado. Os investidores estão razoavelmente otimistas com a Ata do Copom e, no mercado internacional, com a menor incerteza sobre a independência do Federal Reserve (FED), o banco central americano.
As notícias são positivas para a Bolsa