inflação – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Mon, 29 Dec 2025 14:46:56 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png inflação – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 É para comemorar a inflação em baixa? https://levanteideias.com.br/artigos/e-para-comemorar-a-inflacao-em-baixa https://levanteideias.com.br/artigos/e-para-comemorar-a-inflacao-em-baixa#respond Mon, 29 Dec 2025 14:46:53 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52750 O post <strong>É para comemorar a inflação em baixa?</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Mercados com Rafael Bevilacqua
O último índice de inflação divulgado em 2025 trouxe boas notícias. Os bons resultados da safra reduziram a pressão sobre os preços de produtos agrícolas e de matérias-primas, o que fez a inflação baixar.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caiu 0,01 por cento em dezembro, após ter subido 0,27 por cento em novembro. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), com esse resultado o índice encerrou o ano de 2025 com queda acumulada de 1,05 por cento. Em dezembro de 2024, o IGP-M havia subido 0,94 por cento, acumulando uma alta de 6,54 por cento em 2024.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60 por cento do IGP-M, apresentou uma deflação de 0,12 por cento em dezembro após ter avançado 0,27 por cento em novembro.

Os preços das matérias-primas brutas caíram 0,30 por cento após terem subido 0,25 por cento em novembro, e os preços dos produtos agropecuários recuaram 0,87 por cento depois de terem avançado 0,46 por cento em novembro. No ano, os preços das matérias-primas brutas caíram 8,09 por cento e os preços dos produtos agropecuários recuaram 6,30 por cento.

Segundo a FGV, o resultado reflete um ano marcado pela desaceleração da atividade global e por uma incerteza elevada. Apesar da baixa dos preços das matérias-primas no atacado, a inflação ao consumidor continua em alta devido aos preços dos serviços e da habitação.

O Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,24 por cento, em linha com a alta de 0,25 por cento observada em novembro. As maiores altas ocorreram nos itens Educação, Leitura e Recreação, com alta de 1,53 por cento após o avanço de 1,17 por cento em novembro e Habitação, que subiu 0,42 por cento após ter recuado 0,07 por cento em novembro.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) desacelerou para 0,21 por cento ante 0,28 por cento em novembro.

A trajetória de desaceleração da inflação alterou as expectativas do mercado. Na última edição do Relatório Focus de 2025, divulgada pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (29), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 recuou marginalmente para 4,32 por cento ante 4,33 por cento da semana anterior. Há quatro semanas, a estimativa era de 4,43 por cento.

A projeção do IPCA para 2026 também recuou marginalmente para 4,05 por cento, ante os 4,06 por cento da semana anterior e os 4,17 por cento de quatro semanas atrás.

No entanto, há um problema com a inflação. Segundo a FGV, o contraste entre as quedas dos preços das matérias-primas e a alta dos preços dos serviços e da habitação evidencia a “heterogeneidade da inflação”. O cenário indica um ambiente de pressão menor de custos em 2026, mas com riscos importantes em itens sensíveis à atividade econômica.


E Eu Com Isso?

Os contratos futuros dos principais índices americanos estão em queda no pré-mercado. Os investidores seguem atentos a notícias sobre as negociações pelo fim da guerra na Ucrânia, após encontro de Donald Trump com o presidente ucraniano Volodomyr Zelensky. As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociadas em Nova York estão estáveis, mas a inflação abaixo do esperado pode animar os investidores.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade

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Inflação de dezembro fica abaixo do esperado https://levanteideias.com.br/artigos/inflacao-de-dezembro-fica-abaixo-do-esperado https://levanteideias.com.br/artigos/inflacao-de-dezembro-fica-abaixo-do-esperado#respond Tue, 23 Dec 2025 12:53:07 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52735 O post <strong>Inflação de dezembro fica abaixo do esperado</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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A última leitura de inflação deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia do IPCA, ficou abaixo do esperado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a variação do índice em dezembro foi de 0,25 por cento, levemente acima dos 0,20 por cento de novembro, mas abaixo das expectativas, que oscilavam entre 0,27 por cento e 0,40 por cento.

A variação acumulada em 12 meses encerrou 2025 em 4,41 por cento, abaixo dos 4,50 por cento nos 12 meses até novembro e em linha com as projeções. Segundo o IBGE, em 2024, o acumulado havia sido de 4,71 por cento, sendo 0,34 por cento em dezembro.

Confirmando as projeções, o grupo Transportes foi responsável pela maior variação de preços, com alta de 0,69 por cento, e também pelo impacto positivo mais acentuado, representando 0,14 ponto percentual (p.p.). A maior variação acumulada no ano (6,69 por cento) foi no grupo de Habitação.

No grupo Transportes, o principal e maior impacto individual no índice do mês veio do item passagens aéreas, cujos preços subiram 12,71 por cento e elevaram o índice em 0,09 p.p. O preço do transporte por aplicativo subiu 9,00 por cento e exerceu um impacto positivo de 0,02 ponto percentual no índice.

Os combustíveis subiram 0,26 por cento, com altas de 1,70 por cento no etanol e de 0,11 por cento na gasolina. O gás veicular e o óleo diesel apresentaram recuos de 0,26 por cento e 0,38 por cento, respectivamente.

O grupo Habitação teve a maior variação do ano, com alta de .6,69 por cento e um impacto de 1,01 ponto percentual no índice em 12 meses. Nele sobressai o subitem energia elétrica residencial que, com alta acumulada de tarifas de 11,95 por cento, respondendo pelo maior impacto individual no ano, com 0,47 ponto percentual.

Conforme o esperado, a inflação de serviços seguiu pressionando o índice, puxada pela alta expressiva nas passagens aéreas. Em contrapartida, os preços de alimentos e de bens industriais devem ajudar a conter o avanço do índice, ainda refletindo os descontos da Black Friday.


E Eu Com Isso?

A inflação levemente abaixo do esperado deve justificar mais otimismo com relação aos juros no início de 2026. Para o IPCA cheio de dezembro, que será divulgado apenas no início de janeiro, a projeção é de variação próxima de 0,40 por cento, o que levaria a inflação em 12 meses a recuar de 4,46 por cento para cerca de 4,37 por cento, ainda dentro da banda de tolerância da meta vigente, justificando o início de um afrouxamento da política monetária.

As notícias são positivas para a Bolsa

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A insustentável leveza da inflação americana https://levanteideias.com.br/artigos/a-insustentavel-leveza-da-inflacao-americana https://levanteideias.com.br/artigos/a-insustentavel-leveza-da-inflacao-americana#respond Fri, 19 Dec 2025 12:26:53 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52731 O post <strong>A insustentável leveza da inflação americana</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Mercados com Rafael Bevilacqua
Na quinta-feira (18) foi divulgada a inflação medida pelo Consumer Price Index (CPI) de novembro. Os números vieram surpreendentemente baixos. A inflação acumulada em 12 meses no índice geral desacelerou para 2,7 por cento ante os 3,0 por cento dos 12 meses até outubro. O núcleo da inflação, que não considera os preços mais voláteis dos alimentos e da energia, recuou para 2,6 por cento em 12 meses, ante os 3,0 por cento até outubro.

Essa é uma mudança aparentemente bem-vinda para os americanos, pressionados pelo custo de vida persistentemente alto. No entanto, economistas alertaram que essa desaceleração provavelmente foi resultado de distorções nos dados econômicos relacionadas à paralisação (“shutdown”) de 43 dias do governo americano.

O relatório do CPI de novembro é o mais recente de uma longa série de dados econômicos governamentais que estão sendo divulgados com atraso. E ele tem problemas devido à paralisação que se estendeu de 1º de outubro a 12 de novembro.

O índice de inflação de outubro não foi calculado, já que a paralisação do governo prejudicou a capacidade das agências de processar dados econômicos. E a coleta de dados para o cálculo do índice de novembro começou tarde. Como os dados de outubro estavam faltando, as variações mensais da inflação não puderam ser calculadas para a maioria das categorias que compõem o índice.

Os preços ao consumidor subiram 0,2 por cento de setembro a novembro, resultando em uma taxa média de 0,1 por cento. Em setembro, os preços haviam subido 0,3 por cento em termos mensais. Os economistas esperavam uma alta de 0,3 por cento em novembro, mantendo a inflação em 12 meses inalterada em 3 por cento. O núcleo do CPI também subiu 0,2 por cento de setembro a novembro, apenas 0,1 por cento por mês.

Como os dados do CPI são revisados no mês seguinte à sua publicação, a expectativa é de uma alteração significativa na primeira divulgação de 2026.

A tendência de queda da inflação deu aos investidores alguma esperança de que o Federal Reserve reduza as taxas de juros em 2026. Embora as expectativas de um corte de juros em janeiro permaneçam baixas, os investidores estão precificando uma probabilidade de 46,5 por cento de redução em março, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group. Esse número subiu em relação aos cerca de 41,4 por cento da quinta-feira.


E Eu Com Isso?

Os contratos futuros dos principais índices americanos estão em alta no pré-mercado, devido a expectativas positivas com as empresas de inteligência artificial. No entanto, os números de inflação podem trazer volatilidade ao mercado, especialmente devido à redução do volume nos últimos pregões do ano.

As notícias são positivas para a Blsa em um cenário de volatilidade



Copasa (CSMG3): Tese da privatização, como o mercado acompanha a mudança de controle


A privatização da Copasa (CSMG3) tem sido acompanhada de perto pelo mercado de renda variável ao longo dos últimos anos, especialmente por investidores atentos ao setor de saneamento e às oportunidades geradas por processos de desestatização.

A companhia é vista como um ativo defensivo, com geração previsível de caixa, forte posição regional em Minas Gerais, com distribuição recorrente de dividendos, mas também marcada por questões ligadas às empresas ao controle estatal.

Na votação ocorrida ontem na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o projeto de lei que autoriza a privatização da Copasa foi aprovado em segundo turno com 53 votos a favor e 19 contra, superando o quórum qualificado exigido para esse tipo de matéria.

Com a aprovação, o projeto segue para sanção do governador, abrindo caminho para que a operação de desestatização avance formalmente nos próximos meses.

Essa confirmação legislativa foi recebida com atenção pelo mercado financeiro, que vinha precificando o avanço atrelado à privatização da Copasa e passa agora a ajustar expectativas sobre o cronograma de desinvestimento e as potenciais implicações sobre o valuation das ações.

Desde que o tema da privatização passou a ganhar tração no debate político mineiro, as ações da Copasa passaram a refletir, de forma mais intensa, o risco e o prêmio associados ao cenário regulatório e institucional. Em momentos de avanço legislativo, o papel tende a reagir positivamente, impulsionado pela expectativa de melhoria na governança, maior eficiência operacional e racionalização de custos.

Para investidores de renda variável, a aprovação da autorização para a privatização representa um divisor de águas. O mercado interpreta o movimento como uma redução relevante do risco político, fator que por muitos anos contribuiu para o desconto das ações em relação a pares privados do setor de saneamento.

Outro ponto observado pelos investidores é o potencial de destravamento de valor no médio e longo prazo. A privatização abre espaço para investimentos mais robustos em expansão de rede, tratamento de esgoto e modernização de ativos, o que pode elevar a base de receitas e melhorar margens operacionais.

Além disso, há expectativa de maior disciplina financeira, redução de interferências políticas e políticas de dividendos mais alinhadas às práticas do setor privado, fatores que costumam ser bem precificados pelo mercado.

Nesse contexto, o comportamento das ações tende a continuar andando com os avanços regulatórios e sinalizações do governo sobre o cronograma e o formato da operação.


E Eu Com Isso?

As expectativas de desestatização, combinadas com avanços regulatórios, já impulsionaram uma valorização expressiva dos papéis em 2025, com alta de cerca de 118 por cento no acumulado do ano, refletindo o prêmio do mercado pela possibilidade de privatização.

A privatização da Copasa transformou a companhia em um ativo estratégico para o mercado financeiro.

Mais do que os resultados trimestrais, o que guia a precificação é a expectativa de mudança estrutural na governança e no modelo de gestão, bem como o potencial de reprecificação da ação caso o processo avance com clareza e eficiência.

Para investidores que acompanham o caso ao longo dos anos, o desfecho do processo poderá representar tanto uma oportunidade relevante de valorização quanto um teste importante de execução no mercado de saneamento brasileiro.



Guararapes (GUAR3) avança na simplificação do portfólio e reforça foco na Riachuelo

A Guararapes (GUAR3) teve um dos movimentos estratégicos mais relevantes do ano ao anunciar a venda do shopping Midway Mall, em Natal, por cerca de 1,6 bilhão de reais, operação que foi imediatamente bem recebida pelo mercado e impulsionou as ações da companhia. A transação marca um passo importante na reorganização do portfólio do grupo, reduzindo a exposição a ativos imobiliários não essenciais e reforçando a mensagem de foco nos negócios centrais: varejo de moda, por meio da Riachuelo, e serviços financeiros. A reação positiva do mercado reflete não apenas o valor da venda, mas principalmente a clareza estratégica trazida pela decisão.

Um dos pontos centrais do anúncio foi a destinação relevante dos recursos para os acionistas, com a distribuição de 1,49 bilhão de reais em dividendos. O montante surpreende pelo tamanho e reforça a forte geração de caixa da companhia, além de sinalizar disciplina na alocação de capital. Mesmo após a operação, a Guararapes permanece com estrutura de capital sólida, com alavancagem projetada em torno de 0,6x para 2026, o que preserva flexibilidade financeira para investimentos, crescimento orgânico e eventuais movimentos estratégicos no futuro.

Do ponto de vista operacional, a venda do shopping também carrega um racional importante de eficiência. Ao sair de um ativo intensivo em capital e com dinâmica distinta do core business, a companhia simplifica sua estrutura, reduz complexidade de gestão e libera recursos para áreas com maior potencial de retorno sobre o capital investido. Esse movimento dialoga diretamente com a estratégia de fortalecimento da Riachuelo como plataforma integrada de varejo e serviços financeiros, combinando marca forte e produção verticalizada.

 
E Eu Com Isso?
 
Além disso, a reação do mercado foi amplificada pelo forte aumento de liquidez do papel no pregão seguinte ao anúncio, indicando renovado interesse dos investidores na tese da companhia. O volume negociado foi bem superior ao observado nos dias anteriores, sinalizando que a operação funcionou como um catalisador para reprecificação do ativo. Esse comportamento sugere que parte do desconto histórico do papel estava associada justamente à percepção de portfólio menos focado e à alocação de capital em ativos considerados não estratégicos.

Embora o efeito positivo no preço da ação no curto prazo seja evidente, o principal ganho está na melhora da qualidade da tese no médio e longo prazo, com um portfólio mais simples e mais focado, maior previsibilidade de retornos e alinhamento mais direto entre estratégia operacional e geração de valor para o acionista.



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A INSIDE RESEARCH LTDA. (“INSIDE”), empresa do Grupo Levante Investimentos (“LEVANTE ”), declara que participou da elaboração do presente relatório de análise e é responsável por sua distribuição exclusivamente nos canais autorizados das empresas do Grupo Levante, tendo como objetivo somente informar os seus clientes com linguagem clara e objetiva, diferenciando dados factuais de interpretações, projeções, estimativas e opiniões, não constituindo oferta de compra ou de venda de nenhum título ou valor mobiliário. Além disso, os dados factuais foram acompanhados da indicação de suas fontes e as projeções e estimativas foram acompanhadas das premissas relevantes e metodologia adotadas. Todas as informações utilizadas neste documento foram redigidas com base em informações públicas, de fontes consideradas fidedignas. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não são incertas ou equivocadas no momento de sua publicação, a INSIDE e os seus analistas não respondem pela veracidade das informações do conteúdo, mas sim as companhias de capital aberto que as divulgaram ao público em geral, especialmente perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). As informações, opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Para maiores informações consulte a Resolução CVM nº 20/2021, e, também, o Código de Conduta da Apimec para o Analista de Valores Mobiliários. Em cumprimento ao artigo 16, II, da referida Resolução CVM nº 20/2021. As decisões de investimentos e estratégias financeiras sempre devem ser realizadas pelo próprio cliente, de preferência, amparado por profissionais ou empresas habilitadas para essa finalidade, uma vez que a INSIDE não exerce esse tipo de atividade. Esse relatório é destinado exclusivamente ao cliente da INSIDE que o contratou. A sua reprodução ou distribuição não autorizada, sob qualquer forma, no todo ou em parte, implicará em sanções cíveis e criminais cabíveis, incluindo a obrigação de reparação de todas as perdas e danos causados, nos termos da Lei nº 9.610/98, além da cobrança de multa não compensatória de 20 (vinte) vezes o valor mensal do serviço pago pelo cliente. Em conformidade com os artigos 20 e 21 da Resolução CVM nº 20/2021, o analista Eduardo Jamil Rahal (inscrito no CNPI sob o nº 8204) declara que (i) é o responsável principal pelo conteúdo do presente relatório de análise; (ii) as recomendações nele contidas refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, inclusive com relação à INSIDE.

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2025 se encerra com Copom e FED em direções opostas https://levanteideias.com.br/artigos/2025-se-encerra-com-copom-e-fed-em-direcoes-opostas https://levanteideias.com.br/artigos/2025-se-encerra-com-copom-e-fed-em-direcoes-opostas#respond Wed, 10 Dec 2025 12:20:22 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52683 O post <strong>2025 se encerra com Copom e FED em direções opostas</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Mercados com Rafael Bevilacqua

Teremos a última “super quarta-feira” do ano, com as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e de seu equivalente americano, o Federal Open Market Committee (Fomc). Por uma daquelas simetrias da história, ambas as reuniões têm perspectivas e expectativas similares e opostas. Por aqui, a certeza é de juros estáveis com uma possível preparação para um corte na Selic a partir de 2026. Nos Estados Unidos, a certeza é de corte, mas o futuro é menos previsível.

Começando pelo Copom. A Selic será mantida em 15 por cento ao ano. Ponto. Além disso, o que movimenta as especulações dos investidores é o cenário que o Comitê antecipa para 2026.

É provável que o Comunicado a ser divulgado nesta noite após o anúncio dos resultados (e a Ata que deve ser publicada no dia 16 de dezembro) estejam alinhados com as declarações da reunião de novembro. No mês passado, a Ata reforçou a necessidade de maior convergência das expectativas de inflação para permitir um corte da Selic.

Ainda que as edições mais recentes do Relatório Focus tenham revisado para baixo as projeções de inflação entre 2025 e 2028, as expectativas seguem acima dos 3 por cento no horizonte relevante, que se estende até o começo de 2027.

Por isso, o Copom deve reforçar três pontos. O primeiro é que a Selic atual permanece compatível com a estratégia de convergência da inflação. O segundo é que ainda há riscos relevantes de que a inflação siga acima da meta e o terceiro é que a política monetária continuará sendo conduzida com prudência.

O que isso indica para 2026? O Comitê deve indicar a necessidade de manter juros altos por um período bastante prolongado. A manutenção da palavra “bastante” será uma indicação de que a queda da Selic não começa em janeiro. Sem esse termo, pode aumentar a especulação de um corte já na primeira reunião do próximo ano. O texto provavelmente manterá a disposição de elevar os juros caso se a inflação sair do controle.

A boa notícia é que há condições concretas para o corte da Selic. A inflação está desacelerando, e o Produto Interno Bruto (PIB) está crescendo menos. Ou seja, não será absurdo que, apesar de trazer um Comunicado duro nesta reunião, o Copom altere o tom e as expectativas a partir do ano que vem.

Agora o Fomc. Também há uma certeza quase absoluta de um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo os Fed Funds para a faixa entre 3,50 e 3,75 por cento ao ano. Daí em diante, tudo é indefinição. A começar pela potência dessa decisão.

O Comitê está dividido entre membros que defendem cortes de juros como forma de conter uma maior fragilidade do mercado de trabalho e aqueles que acreditam que o afrouxamento monetário já foi longe demais e ameaça agravar a inflação. Por isso, há uma expectativa entre os investidores que tanto a Declaração pós reunião quanto a entrevista coletiva concedida por Jerome Powell deixarão claro que os investidores não devem esperar cortes automáticos nas taxas a partir do ano que vem.

Apesar das declarações do presidente Donald Trump de que a inflação desapareceu, na melhor das hipóteses, ela apenas se estabilizou. Pior, está estável acima da meta de 2 por cento ao ano, em parte devido às tarifas implementadas pelo próprio Trump. Embora os diretores do FED tenham afirmado que as tarifas devem afetar os preços apenas temporariamente, a distância em relação à meta é suficiente para dificultar a queda dos juros. Assim, será preciso observar com cuidado as declarações de Powell para saber para onde olhar a partir de 2026.


E Eu Com Isso?

A quarta-feira começa com os mercados em compasso de espera, no aguardo da reunião do Fomc. Sinais diferentes do esperado, tanto no sentido expansionista quanto contracionista da política monetária, podem provocar forte volatilidade no mercado.


 Klabin apresenta Investor Day, dividendos extraordinários e bonificação


A Klabin (KLBN11) anunciou a distribuição de um dividendo extraordinário de 1,1 bilhão de reais, que será pago em quatro parcelas iguais de 278 milhões de reais ao longo de 2026. O valor por ação foi definido em aproximadamente 91 centavos por unit. O corte para recebimento ocorrerá em 15 de dezembro de 2025, com negociação das ações ex-dividendos a partir do dia seguinte.

A companhia também anunciou um aumento de capital de 800 milhões de reais por meio de bonificação, com a emissão de pouco mais de 61,7 milhões de novas ações, na proporção de uma ação para cada cem atualmente detidas. Essas medidas combinadas devolvem caixa aos acionistas e reforçam o capital social da empresa, permitindo que a companhia distribua recursos sem comprometer a estrutura financeira.

No terceiro trimestre de 2025, a Klabin registrou EBITDA ajustado superior a 2,1 bilhões de reais, representando crescimento de 17 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar de custos pressionados, volatilidade cambial e desafios no mercado global de papel e celulose, a companhia manteve suas margens, apoiada pelo desempenho das operações de embalagens, ganhos de eficiência industrial e pela performance da base florestal.

Durante o recente Investor Day, a empresa apresentou sua estratégia de longo prazo, destacando crescimento sustentável, expansão da capacidade de embalagens e investimentos em eficiência operacional e sustentabilidade.

Foram detalhados projetos de modernização industrial, iniciativas ambientais e expansão das operações florestais, com foco na transparência e no alinhamento com os objetivos estratégicos da companhia.

Em termos de CAPEX, a Klabin projeta investimentos de 3,3 bilhões de reais para 2026, destinados à manutenção de ativos, expansão da capacidade produtiva e modernização industrial, incluindo a unidade de Monte Alegre. Para os anos seguintes, a companhia indica envelopes decrescentes, com 2,8 bilhões de reais em 2027 e 2,5 bilhões em 2028.

A alocação do CAPEX contempla silvicultura e compra de madeira em pé, continuidade operacional, modernização da unidade de Monte Alegre e projetos especiais. O objetivo da companhia neste momento é manter a geração de caixa e avançar na desalavancagem, uma vez que não há previsão de investimentos significativos nos próximos anos.

No campo de valuation, a Klabin negocia atualmente com múltiplo EV/EBITDA próximo de 5,5 vezes, abaixo da média histórica do setor, o que indica que o mercado aplica algum desconto sobre o valor intrínseco da empresa.

O Dividend Yield está em torno de 6 por cento, antes da contabilização do dividendo extraordinário, e deve aumentar com a distribuição anunciada, o que pode tornar os papéis mais atrativos para investidores focados em retorno periódico.


E Eu Com Isso?

A bonificação também aumenta a participação dos acionistas sem custo adicional, enquanto a distribuição extraordinária proporciona fluxo de caixa antecipado em 2026. Essas medidas evidenciam a estratégia da companhia de equilibrar retorno aos acionistas com manutenção de capital, mantendo disciplina financeira e consistência operacional.

O conjunto de fatores, dividendos extraordinários, bonificação de ações, CAPEX planejado, múltiplos atrativos e geração de caixa consistente, cria um cenário que pode interessar tanto a investidores orientados à renda quanto à valorização de longo prazo.

As iniciativas refletem a intenção da Klabin de conciliar retorno imediato aos acionistas com fortalecimento patrimonial, preservação de flexibilidade financeira e execução de sua estratégia de longo prazo.


Construção civil sustenta protagonismo com demanda firme, crédito direcionado e empresas mais eficientes

O setor de construção civil voltou a ocupar um papel central no mercado acionário em 2025, com diversas companhias apresentando valorizações expressivas e resultados operacionais consistentes, especialmente aquelas voltadas ao segmento de baixa renda. Este desempenho decorre de três pilares essenciais: melhora na percepção de demanda habitacional, condições de financiamento mais favoráveis – impulsionadas por instrumentos como FGTS e MCMV – e políticas públicas que favorecem o acesso à moradia. Em um ambiente financeiro em que o crédito subsidiado funciona como amortecedor do ciclo macroeconômico, as construtoras atenderam famílias com elasticidade de demanda maior e um mercado menos sensível ao encarecimento do capital, beneficiando especialmente modelos de negócios focados na faixa econômica.

Essa dinâmica também se reflete na performance financeira das companhias listadas, que reportaram geração de caixa positiva e expansão contínua de lucros ao longo dos trimestres. Empresas com maior escala conseguem acessar financiamento a taxas inferiores às praticadas no mercado, reduzindo custo de capital e ampliando margem competitiva. Além disso, a disciplina operacional permitiu ganhos de eficiência, resultando em trimestres consecutivos de geração de caixa livre robusto, o que reforça a resiliência desse segmento. O ciclo virtuoso se retroalimenta: maior volume de lançamentos, velocidade de vendas consistente e capacidade de financiar o comprador final mantêm a engrenagem rodando mesmo em momentos mais desafiadores da economia.

No campo competitivo, as construtoras listadas despontam com vantagens estruturais frente às menores e regionais, em especial na gestão de capital e acesso a crédito institucional. Enquanto pequenas incorporadoras enfrentam custos de dívida mais elevados e volatilidade operacional, as grandes companhias captam a taxas inferiores ao CDI e encontram espaço para ganhar market share. Ao mesmo tempo, a elevação do teto financiável no MCMV e a força de programas habitacionais mantêm a demanda ativa, reforçando o papel anticíclico deste mercado—um traço relevante na leitura estratégica para investidores.

 
E Eu Com Isso?
 
Olhando à frente, a continuidade desse movimento dependerá não apenas da trajetória dos juros, mas também da manutenção ou expansão das políticas habitacionais, da execução eficiente e da disciplina financeira das empresas. O setor mostrou capacidade de absorver choques e capturar oportunidades, mas ainda opera em um ambiente macroeconômico dependente de estímulo ao crédito. Se esse ciclo de suporte persistir, o setor tende a sustentar retornos sólidos e um patamar estruturalmente superior de geração de valor, preservando sua atratividade dentro do portfólio de setores domésticos.

Como leitura final, a construção civil combina fundamentos resilientes, drivers estruturais claros e um alinhamento raro entre demanda, financiamento e capacidade operacional. Esse equilíbrio cria uma janela estratégica relevante: empresas bem-posicionadas podem capturar ganhos contínuos, tanto em participação de mercado quanto em lucratividade, ao passo que investidores encontram no setor um dos casos mais consistentes de relação risco-retorno da bolsa brasileira hoje.



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A INSIDE RESEARCH LTDA. (“INSIDE”), empresa do Grupo Levante Investimentos (“LEVANTE ”), declara que participou da elaboração do presente relatório de análise e é responsável por sua distribuição exclusivamente nos canais autorizados das empresas do Grupo Levante, tendo como objetivo somente informar os seus clientes com linguagem clara e objetiva, diferenciando dados factuais de interpretações, projeções, estimativas e opiniões, não constituindo oferta de compra ou de venda de nenhum título ou valor mobiliário. Além disso, os dados factuais foram acompanhados da indicação de suas fontes e as projeções e estimativas foram acompanhadas das premissas relevantes e metodologia adotadas. Todas as informações utilizadas neste documento foram redigidas com base em informações públicas, de fontes consideradas fidedignas. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não são incertas ou equivocadas no momento de sua publicação, a INSIDE e os seus analistas não respondem pela veracidade das informações do conteúdo, mas sim as companhias de capital aberto que as divulgaram ao público em geral, especialmente perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). As informações, opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Para maiores informações consulte a Resolução CVM nº 20/2021, e, também, o Código de Conduta da Apimec para o Analista de Valores Mobiliários. Em cumprimento ao artigo 16, II, da referida Resolução CVM nº 20/2021. As decisões de investimentos e estratégias financeiras sempre devem ser realizadas pelo próprio cliente, de preferência, amparado por profissionais ou empresas habilitadas para essa finalidade, uma vez que a INSIDE não exerce esse tipo de atividade. Esse relatório é destinado exclusivamente ao cliente da INSIDE que o contratou. A sua reprodução ou distribuição não autorizada, sob qualquer forma, no todo ou em parte, implicará em sanções cíveis e criminais cabíveis, incluindo a obrigação de reparação de todas as perdas e danos causados, nos termos da Lei nº 9.610/98, além da cobrança de multa não compensatória de 20 (vinte) vezes o valor mensal do serviço pago pelo cliente. Em conformidade com os artigos 20 e 21 da Resolução CVM nº 20/2021, o analista Eduardo Jamil Rahal (inscrito no CNPI sob o nº 8204) declara que (i) é o responsável principal pelo conteúdo do presente relatório de análise; (ii) as recomendações nele contidas refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, inclusive com relação à INSIDE.

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A inflação voltou para dentro da meta, e agora? https://levanteideias.com.br/artigos/a-inflacao-voltou-para-dentro-da-meta-e-agora https://levanteideias.com.br/artigos/a-inflacao-voltou-para-dentro-da-meta-e-agora#respond Wed, 26 Nov 2025 12:42:54 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52597 O post <strong>A inflação voltou para dentro da meta, e agora?</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Mercados com Rafael Bevilacqua

A principal notícia econômica desta quarta-feira (26), último pregão antes do feriado americano do Dia de Ação de Graças, foi a divulgação da inflação de novembro medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). A variação de preços foi de 0,20 por cento, levemente acima da estimativa e da inflação de outubro, ambas em 0,18 por cento.

A variação de preços em 12 meses ficou em exatos 4,50 por cento, limite superior da banda de flutuação da meta de inflação. O resultado acumulado ficou marginalmente acima da projeção de 4,49 por cento e abaixo dos 4,94 por cento nos 12 meses até outubro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior variação e o maior impacto positivo vieram do grupo Despesas pessoais (0,85 por cento e 0,09 p.p.). Nesse grupo, o resultado foi influenciado, principalmente, pelas altas na hospedagem (4,18 por cento) e no pacote turístico (3,90 por cento), com impactos de 0,03 p.p. e 0,02 p.p, respectivamente.

O IPCA-15 é uma prévia do IPCA, inflação usada pelo Banco Central (BC) como parâmetro da meta de inflação. A única diferença é o prazo de medição. O IPCA-15 considera a variação de preços entre o dia 16 do mês anterior e o dia 15 do mês corrente, ao passo que o IPCA “cheio” observa a variação dos preços no mês fechado. Por isso, o IPCA-15 é uma antecipação excelente da inflação oficial.

Foi a primeira inflação dentro do teto da meta de 2025. A meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e defendida pelo Banco Central (BC) é de 3 por cento, com 1,5 ponto percentual de tolerância para mais ou para menos. O teto da meta é de 4,50 por cento e o resultado esperado pode ficar dentro dessa faixa.

Os investidores esperam que, no horizonte de política monetária do BC, com planejamento até 2027, a inflação continue dentro da banda de tolerância, sem necessidade de alta adicional de juros, com um eventual repique isolado em janeiro de 2026, voltando a recuar depois.

A redução da expectativa do IPCA para 2025 e a possibilidade de inflação acumulada em 12 meses permanecer dentro da meta em dezembro reforçam a convicção de que a manutenção da taxa referencial Selic em um patamar elevado vem surtindo efeito.

Algumas instituições financeiras já revisaram suas projeções para dezembro, levando a inflação projetada para algo próximo ao teto da meta, o que sugere crescente convicção de convergência para o intervalo desejado. Apesar disso, a inflação ainda deve demorar para convergir ao centro da meta de 3 por cento, o que reduz a probabilidade de o BC iniciar uma redução da Selic já em dezembro.

No entanto, a edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na segunda-feira (24) trouxe uma leve redução na Selic esperada para o fim de 2026, que caiu para 12 por cento ante os 12,25 por cento que valeram por 12 semanas. A confirmação de uma queda no IPCA-15, e uma eventual baixa no IPCA “cheio” que será divulgado em dezembro, podem levar o BC a sinalizar algo mais concreto na baixa de juros na reunião do Copom agendada para os dias 9 e 10 de dezembro.


E Eu Com Isso?

Os contratos futuros dos principais índices americanos e as cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociados em Nova York estão em alta no pré-mercado. A confirmação de uma inflação dentro da meta pode melhorar as expectativas para os juros, o que é positivo para a bolsa. No entanto, a aproximação do feriado americano do Dia de Ação de Graças deve reduzir a liquidez, o que amplifica a volatilidade dos preços.

As notícias são positivas para a bolsa em um cenário de volatilidade


Projeto de Lei da privatização da Copasa (CSMG3) avança na ALMG e ações sobem


Na segunda-feira (24), o Projeto de Lei 4.380/2025, que autoriza a privatização da Copasa (CSMG3), avançou mais uma etapa na Assembleia Legislativa. A Comissão de Administração Pública aprovou o relatório favorável à desestatização, permitindo que a proposta siga agora para a Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO). O parecer nessa nova fase já foi apresentado e deve ser votado nos próximos dias.

A expectativa do governo é concluir a tramitação em todas as comissões ainda nesta semana, para que o texto seja liberado ao plenário na semana seguinte. O cronograma repete a estratégia utilizada recentemente durante a votação da PEC que retirou a exigência de referendo popular para a privatização da companhia.

O Executivo mineiro argumenta que a desestatização é fundamental para ampliar a capacidade de investimento da Copasa e, ao mesmo tempo, liberar recursos que poderão ser direcionados ao abatimento de dívidas do estado no âmbito do Propag, programa federal voltado à reorganização fiscal dos entes federativos.

Pelo desenho da operação, a Copasa poderá ser convertida em corporation de capital privado, mas com a manutenção, pelo estado, de uma golden share. Esse instrumento garante poder de veto em decisões estratégicas, como mudança de sede, alteração do nome da empresa ou modificações relevantes no modelo de governança.

O projeto também determina que, em até 180 dias após a sanção da lei, o governo encaminhe uma proposta de criação do Fundo Estadual de Saneamento Básico. O fundo será responsável por financiar melhorias no setor e assegurar a continuidade de investimentos em regiões vulneráveis.

Durante as discussões nas comissões, foram incorporadas diretrizes para preservar a tarifa social, garantir a universalização dos serviços, inclusive em áreas rurais e de baixa densidade populacional e estabelecer mecanismos para assegurar a modicidade tarifária.

O plano ainda prevê a preservação dos contratos de trabalho dos empregados da Copasa por, no mínimo, 18 meses após a privatização, além da possibilidade de realocação de servidores para outras entidades estatais posteriormente.


E Eu Com Isso?

A privatização da Copasa tende a reposicionar o setor de saneamento em Minas Gerais dentro do radar dos investidores, especialmente considerando a combinação de demanda estável, necessidade de expansão de infraestrutura e potencial de ganhos de eficiência operacional. A entrada do capital privado no modelo proposto pode criar um ambiente mais favorável a investimentos e acelerar a execução de projetos que hoje enfrentam limitações de orçamento público.

Do ponto de vista de risco-retorno, o processo ainda depende de definições regulatórias e do desenho final de mecanismos de modicidade tarifária, que serão determinantes para a atratividade do ativo. A presença de uma golden share, embora mantenha o Estado com relevância, mas não inviabiliza a formação de um bloco relevante de investidores capazes de influenciar a gestão e buscar melhorias de performance, desde que haja previsibilidade normativa e segurança jurídica na transição.

Se confirmada no prazo esperado pelo governo, a operação poderá marcar um dos movimentos estruturais mais relevantes no mercado mineiro em décadas, com potenciais repercussões sobre valuations do setor, equilíbrio competitivo regional e fluxo de capitais para infraestrutura.

Para o investidor, acompanhar a evolução nas comissões, os ajustes do texto e a sinalização de órgãos reguladores será essencial para mensurar riscos e identificar oportunidades na janela que se abre no pós-privatização.
Cury (CURY3) aprova dividendos de 250 milhões de reais após resultados crescentes

Nesta semana, a Cury (CURY3) anunciou o pagamento de 250 milhões de reais em dividendos intercalares, movimento que se tornou o principal destaque recente da companhia e que reforça sua capacidade de geração de caixa. A decisão ocorre em um momento em que a empresa vem registrando bons resultados ao longo de 2025, mas chama atenção pelo volume da distribuição, refletindo a confiança da administração na estrutura de capital da incorporadora.

Em um setor historicamente marcado por ciclos de alavancagem e volatilidade, a companhia vem apresentando uma combinação de crescimento e disciplina financeira que permite remunerar acionistas, ainda que o ambiente de mercado permaneça desafiador.

No terceiro trimestre de 2025, a Cury reportou lucro líquido de 255 milhões de reais, avanço próximo de 50 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA foi de 340,3 milhões de reais, e a geração de caixa operacional atingiu mais de 233 milhões de reais, reforçando a liquidez da empresa.

O ritmo de lançamentos também é relevante para avaliar a sustentabilidade da distribuição de dividendos. No terceiro trimestre, o volume lançado atingiu 2 bilhões de reais, crescimento de cerca de 27 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as vendas líquidas chegaram a 1,83 bilhão de reais. Nos primeiros meses do ano, os lançamentos somaram quase 2,8 bilhões de reais em VGV, distribuídos entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Esses números mostram que a companhia mantém uma agenda ativa de projetos, ainda que a velocidade de execução e as condições do mercado possam influenciar os resultados futuros.

A estrutura financeira da Cury contribui para essa posição, com dívida bruta de cerca de 986 milhões de reais e caixa superior a 1,4 bilhão de reais, resultando em caixa líquido positivo. A maior parte das obrigações possui vencimentos longos, até 2031, o que reduz pressões imediatas sobre o fluxo de caixa. Essa configuração permite que a companhia continue lançando projetos e distribuindo dividendos, mas qualquer mudança no mercado imobiliário ou no financiamento habitacional pode impactar a liquidez futura.

 
E Eu Com Isso?
 
Os dividendos aprovados de 86 centavos por ação resultam em um Dividend Yield estimado em 7 por cento, dependendo da cotação considerada. O P/L da companhia está em 12,5 vezes, um múltiplo que já pode ser considerado elevado para uma incorporadora, e passa a depender de crescimento e margens acima da média.

Esses indicadores sugerem que o retorno ao acionista é relevante, mas a avaliação do risco permanece importante, considerando a sensibilidade do setor a juros, crédito e distratos.

Alguns pontos continuam sendo monitorados, como os distratos, que representaram cerca de 11 por cento das vendas brutas, e a leve redução no preço médio das unidades lançadas. Apesar disso, a Cury mantém margens relativamente elevadas e retorno sobre o patrimônio significativo.

O anúncio dos dividendos reflete a capacidade atual da companhia de gerar caixa e distribuir valor aos acionistas, mas a sustentabilidade desse desempenho dependerá de condições de mercado e execução operacional consistentes nos próximos trimestres.


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A INSIDE RESEARCH LTDA. (“INSIDE”), empresa do Grupo Levante Investimentos (“LEVANTE ”), declara que participou da elaboração do presente relatório de análise e é responsável por sua distribuição exclusivamente nos canais autorizados das empresas do Grupo Levante, tendo como objetivo somente informar os seus clientes com linguagem clara e objetiva, diferenciando dados factuais de interpretações, projeções, estimativas e opiniões, não constituindo oferta de compra ou de venda de nenhum título ou valor mobiliário. Além disso, os dados factuais foram acompanhados da indicação de suas fontes e as projeções e estimativas foram acompanhadas das premissas relevantes e metodologia adotadas. Todas as informações utilizadas neste documento foram redigidas com base em informações públicas, de fontes consideradas fidedignas. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não são incertas ou equivocadas no momento de sua publicação, a INSIDE e os seus analistas não respondem pela veracidade das informações do conteúdo, mas sim as companhias de capital aberto que as divulgaram ao público em geral, especialmente perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). As informações, opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Para maiores informações consulte a Resolução CVM nº 20/2021, e, também, o Código de Conduta da Apimec para o Analista de Valores Mobiliários. Em cumprimento ao artigo 16, II, da referida Resolução CVM nº 20/2021. As decisões de investimentos e estratégias financeiras sempre devem ser realizadas pelo próprio cliente, de preferência, amparado por profissionais ou empresas habilitadas para essa finalidade, uma vez que a INSIDE não exerce esse tipo de atividade. Esse relatório é destinado exclusivamente ao cliente da INSIDE que o contratou. A sua reprodução ou distribuição não autorizada, sob qualquer forma, no todo ou em parte, implicará em sanções cíveis e criminais cabíveis, incluindo a obrigação de reparação de todas as perdas e danos causados, nos termos da Lei nº 9.610/98, além da cobrança de multa não compensatória de 20 (vinte) vezes o valor mensal do serviço pago pelo cliente. Em conformidade com os artigos 20 e 21 da Resolução CVM nº 20/2021, o analista Eduardo Jamil Rahal (inscrito no CNPI sob o nº 8204) declara que (i) é o responsável principal pelo conteúdo do presente relatório de análise; (ii) as recomendações nele contidas refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, inclusive com relação à INSIDE.

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O que significa a queda da inflação esperada no Focus? https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-que-significa-a-queda-da-inflacao-esperada-no-focus https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-que-significa-a-queda-da-inflacao-esperada-no-focus#respond Mon, 17 Nov 2025 12:39:56 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52569 A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na manhã desta segunda-feira (17), traz a redução da expectativa de inflação para 2025 para 4,46 por cento, abaixo dos 4,55 por cento esperados da semana anterior. Há quatro semanas, a projeção era de 4,70 por cento. Pela primeira vez neste ano, o Focus traz uma expectativa… Read More »O que significa a queda da inflação esperada no Focus?

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Mercados com Rafael Bevilacqua

A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na manhã desta segunda-feira (17), traz a redução da expectativa de inflação para 2025 para 4,46 por cento, abaixo dos 4,55 por cento esperados da semana anterior. Há quatro semanas, a projeção era de 4,70 por cento. Pela primeira vez neste ano, o Focus traz uma expectativa dos profissionais de mercado de que a inflação de 2025 ficará abaixo do teto da meta, que é de 4,50 por cento.

Um raciocínio simplista poderia ser: como i) a expectativa de inflação está dentro da meta e ii) expectativas são importantes para as decisões do Banco Central (BC), é possível esperar um aumento da probabilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) indicar uma redução da Selic antes do esperado.

Esse raciocínio é válido, mas é preciso observar esse resultado com cautela. O espaço entre a projeção e o teto da meta é de apenas 4 pontos-base (centésimos de ponto percentual). E é apenas uma projeção, não um número concreto de inflação.

O impacto mais importante dessa expectativa de desaceleração da inflação é poder reforçar as expectativas dos investidores de um corte de juros pelo Copom mais cedo do que o esperado. Porém, isso não necessariamente terá uma influência muito grande na atuação efetiva do BC.

Em sua reunião mais recente, realizada na primeira semana de novembro, o Copom manteve os juros em 15 por cento ao ano como esperado. Na Ata divulgada após a reunião, o texto indicou que os juros não deverão subir, mas também não trouxe nenhuma perspectiva de corte nas taxas.

É fato que a comunicação do Copom tem sido consistente ao indicar a desancoragem das expectativas de mercado como um dos principais motivos para a manutenção da política monetária apertada. Agora, com uma melhora das expectativas de inflação, os investidores esperam que haja sinalizações mais claras de um corte na Selic.


E Eu Com Isso?

O primeiro pregão da semana começa com uma leve alta nos contratos futuros dos principais índices americanos no pré-mercado. A melhora das expectativas de inflação no Relatório Focus pode ter uma influência positiva nos ativos brasileiros.

Mercados com Rafael Bevilacqua


Raízen (RAIZ4) registra aumento do endividamento e resultados pressionados no 2T26

A Raízen (RAIZ4) divulgou seus resultados referentes ao segundo trimestre do ano-safra 25/26. Os números seguem refletindo um ambiente operacional desafiador, deterioração contínua da estrutura de capital, com aumento do endividamento.

A companhia reportou uma dívida líquida de 53,4 bilhões de reais, representando um crescimento de 48,8 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Com isso, a alavancagem, medida pela relação dívida líquida/EBITDA ajustado, alcançou 5,1x, um patamar considerado bastante elevado.

A receita líquida totalizou 59,9 bilhões de reais no trimestre, queda de 17,8 por cento na comparação anual. Já os custos operacionais somaram 57,2 bilhões de reais, retração de 16,6 por cento em relação ao 2T25. Com isso, o lucro bruto foi de 2,7 bilhões de reais, recuo de 37,8 por cento frente ao mesmo período do ano anterior.

As despesas operacionais permaneceram estáveis em 1,49 bilhão de reais, redução de 20,5 por cento em relação ao ano anterior. O EBITDA ajustado foi de 2,8 bilhões de reais, queda de 39,7 por cento em comparação com o 2T25, refletindo o cenário mais adverso enfrentado pela companhia.

Os investimentos realizados somaram 1,7 bilhão de reais, redução de 29 por cento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Apesar da continuidade dos projetos de expansão no segmento de etanol de segunda geração (E2G), a empresa tem buscado reduzir a alocação de capital a fim de preservar o caixa e reequilibrar sua estrutura de capital.

O resultado financeiro líquido foi negativo em 2,7 bilhões de reais, uma deterioração de 61 por cento em relação ao 1T26, pressionado principalmente pelo aumento do custo da dívida e pelas taxas de juros ainda elevadas.

Como consequência, a companhia encerrou o trimestre com um prejuízo líquido de 2,3 bilhões de reais, confirmando mais um período desafiador para a Raízen.

A Raízen passa por um processo de revisão estratégica do portfólio, com o objetivo de reduzir sua alavancagem e fortalecer a estrutura de capital. Os esforços de desinvestimento incluem a alienação de usinas recentemente.

A companhia anunciou a venda da Usina Continental, localizada no interior de São Paulo, por 750 milhões de reais. Com isso, a empresa passa a deter 24 usinas e capacidade de moagem de 73 milhões de toneladas por ano-safra.


E Eu Com Isso?

O ano-safra 2026 tem se mostrado particularmente desafiador para a Raízen, marcado por pressões operacionais e financeiras. A combinação de margens comprimidas, menor geração de caixa e aumento da alavancagem resultou em desempenho financeiro mais fraco e deterioração de importantes indicadores de rentabilidade e solvência.

Diante desse cenário, a companhia vem implementando medidas estratégicas voltadas à reestruturação de sua dívida, que ainda não têm surtido efeito, dado que a relação dívida líquida/EBITDA segue em trajetória de aumento.

Do ponto de vista de valuation, a Raízen está sendo negociada a um múltiplo EV/EBITDA de 6,6x em relação aos últimos doze meses.

Entretanto, é importante destacar que a companhia permanece exposta à volatilidade dos preços das commodities, o que, combinado ao seu beta elevado, acima da média do mercado, reflete maior sensibilidade da ação aos movimentos macroeconômicos e financeiros.


Consumo desaquecido pressiona o setor de beleza em um trimestre de ajustes e perda de fôlego

O setor de cosméticos atravessou o terceiro trimestre de 2025 enfrentando uma combinação desafiadora de consumo enfraquecido, endividamento elevado das famílias e inflação persistente, fatores que comprimiram o poder de compra e afetaram principalmente categorias discricionárias como perfumaria e maquiagem. Embora historicamente resiliente, a indústria de beleza e higiene pessoal sente de forma mais intensa o efeito dessa mudança no comportamento do consumidor, que tem priorizado itens essenciais e reduzido a fatia destinada a produtos de maior valor agregado. Nesse contexto, o desempenho das principais companhias indica que o ciclo de desaceleração que começou no segundo trimestre se aprofundou, pressionando volumes, reduzindo a frequência de compras e elevando a competição entre marcas.

Dentro desse ambiente, a Natura (NATU3) apresentou um trimestre que reflete esse cenário mais hostil. A receita da marca recuou 0,2 por cento no Brasil, movimento que, embora moderado, desencadeou uma retração mais expressiva no faturamento consolidado da holding. O impacto foi ainda mais evidente na Avon, cuja receita doméstica caiu 13 por cento e reforçou um padrão de perda de tração já observado ao longo dos últimos trimestres. As quedas acentuadas, sobretudo na divisão Hispana da Avon, revelam uma fragilidade estrutural nas categorias que dependem de lançamentos, renovação de portfólio e maior elasticidade de demanda — justamente os segmentos mais penalizados pela retração do consumo. Ao mesmo tempo, produtos de uso diário e higiene pessoal continuam apresentando maior resiliência, mas não são suficientes para compensar a pressão sobre as linhas premium e de perfumaria.

O movimento de reestruturação observado na Avon — desde a revisão da estratégia de portfólio até a ampliação da presença no varejo físico — reforça a necessidade de adaptação das empresas a um consumidor mais seletivo e menos impulsionado por tendências. A expansão para redes farmacêuticas e perfumarias busca recuperar capilaridade e melhorar visibilidade, mas ocorre em um momento de queda generalizada da demanda, o que reduz o potencial de alavancagem no curto prazo. De forma semelhante, outras líderes globais, avançam em processos de reorganização de portfólio e revisão de marcas locais, um sinal de que a pressão não é pontual nem restrita ao Brasil, mas parte de um ajuste mais amplo nos mercados latino-americanos.

Mesmo entre as gigantes com maior diversificação, o ambiente segue desafiador. A L’Oréal também registrou queda nas vendas na América Latina no trimestre, mostrando que a desaceleração é transversal e não apenas uma questão de posicionamento competitivo. Apesar de alguns nichos pontuais de crescimento, como produtos profissionais e itens de consumo massivo, o setor opera sob um quadro de acomodação após anos de expansão acelerada. No Brasil, embora a companhia destaque o país como um dos mercados mais equilibrados da região, o desempenho ainda reflete um consumidor mais cauteloso, que ajusta prioridades e reduz despesas consideradas “não essenciais”.

 
E Eu Com Isso?
 
Nesse cenário, a leitura para o setor permanece mais pessimista no curto prazo. A persistência do endividamento das famílias e a lenta recomposição da renda real seguem limitando a capacidade de recuperação do consumo discricionário. Ao mesmo tempo, o aumento da competição e a necessidade de investimentos em portfólio, marketing e canais tendem a pressionar margens, especialmente entre as empresas que já enfrentam desafios estruturais. A combinação desses elementos indica que o ciclo de retomada deve ser gradual e sujeito a volatilidade, com maior dependência de inovação assertiva, eficiência operacional e estratégia comercial focada em mix adequado e presença multicanal.

Por fim, o desempenho do trimestre reforça que a indústria de cosméticos está passando por um momento de inflexão, no qual o histórico de resiliência não é suficiente para amortecer por completo a desaceleração macroeconômica. A capacidade de adaptação será determinante para atravessar os próximos meses com maior estabilidade. As empresas que conseguirem equilibrar reposicionamento de marcas, racionalização de portfólio e expansão disciplinada de canais podem se proteger melhor da queda de demanda. Assim, o fechamento do 3T25 sinaliza um setor ainda pressionado, que permanece dependente de melhorias macroeconômicas para recuperar o ritmo e voltar a entregar crescimento mais consistente.




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Inflação ainda no foco das incertezas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/inflacao-ainda-no-foco-das-incertezas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/inflacao-ainda-no-foco-das-incertezas#respond Fri, 25 Mar 2022 11:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36941 Governo e Banco Central continuam agindo pra tentar estabelecer perspectivas melhores em relação à inflação. Até por preocupações quanto aos reflexos sobre a popularidade em ano de eleições, o governo prossegue com a estratégia de cortar tributos em várias frentes, desde os combustíveis, agora com zeragem da taxação do etanol importado, que também entra na… Read More »Inflação ainda no foco das incertezas | Denise Campos de Toledo

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Governo e Banco Central continuam agindo pra tentar estabelecer perspectivas melhores em relação à inflação. Até por preocupações quanto aos reflexos sobre a popularidade em ano de eleições, o governo prossegue com a estratégia de cortar tributos em várias frentes, desde os combustíveis, agora com zeragem da taxação do etanol importado, que também entra na composição da gasolina, de impostos sobre seis produtos da cesta básica, como café e margarina, até uma nova rodada de corte d taxação sobre importações de eletrônicos, máquinas e equipamentos.

 Em princípio, menos impostos devem acarretar cortes de preços, colaborando para menos pressões inflacionárias. Já temos visto até promoções de carros a partir da diminuição do IPI sobre bens industrializados. Mas, no geral, a acomodação dos preços depende muito mais da evolução dos custos de insumos, que subiram pelo desequilíbrio entre oferta e demanda global. Primeiro pela pandemia, depois pela guerra entre Ucrânia e Rússia, e agora, também por novos casos de Covid, levando a fechamentos de fábricas. Esse desequilíbrio da cadeia global, que inclui alimentos, e o petróleo, tem gerado inflação em todo o mundo, reduzindo o potencial do impacto das mexidas nos tributos. Por isso fica a impressão que, com algumas dessas iniciativas, o governo vai apenas enxugar gelo, sem maiores efeitos.

Por outro lado, até por não se saber ao certo qual será a evolução da oferta e dos preços de produtos estratégicos e o repasses dos aumentos de custos internamente, fica a dúvida quanto à eficácia do aperto monetário e até onde esse aperto pode chegar.

 Embora muitos tenham visto um tom mais duro na ata do Copom, na verdade, o recado veio em duas direções. Se o petróleo ceder e as projeções de inflação ficarem mais favoráveis, o atual ciclo de elevação dos juros pode até parar com a Selic nos 12,75%, o que deve ocorrer na reunião de maio, e já num patamar contracionista. Mas se as pressões mais fortes persistirem ameaçando a meta também do próximo ano, os ajustes vão continuar e a taxa básica pode chegar nos 13,25 ou até mais. 

O que parece certo, nas sinalizações do BC, é que não quer o risco de um novo estouro da meta inflacionária, pelo terceiro ano consecutivo. E nessa avaliação prospectiva de cenário pesa até o que tem sido citado como arcabouço fiscal, ou seja, a evolução das finanças públicas. E, nesse aspecto, a enxurrada de medidas lançadas pelo governo não colabora muito. Os cortes de tributos afetam a receita, num momento em que já há necessidade de recorrer ao contingenciamento de despesas pra garantir o teto de gastos. Isso em meio às pressões políticas por mais despesas. 

Como citei de início, há uma preocupação política muito grande com a questão da popularidade, e as condições atuais da economia não têm jogado muito a favor. Tem inflação e juros em alta corroendo a renda, desemprego ainda elevado, com queda do rendimento médio e da massa salarial, aumento da pobreza. Tudo isso pesa muito na percepção da gestão da economia, mesmo que vários fatores desfavoráveis sejam inevitáveis. 

Mas é fato também que a forma como são gerenciados pode influenciar essa percepção. Nesse sentido não basta tentar produzir efeitos de curto prazo e limitados. A responsabilidade também pode passar um recado importante, se estabelecer perspectivas melhores para a economia em prazo maior.

Nesse ambiente ainda bem incerto o mercado continua favorecido pelo fluxo externo de recurso, atraído pelos juros cada vez mais altos, com o dólar chegando a testar pisos abaixo dos R$ 5,00. oi A Bolsa com uma evolução desigual no comportamento das ações, na avaliação por empresas e setores, no geral, tem alcançado momentos de boa performance, por reflexo de alguns fatores que preocupam em outro sentido, como da inflação. A alta das commodities, de produtos básicos, como alimentos, minério e petróleo tem aumentado o potencial de ganhos das ações ligadas a esses ramos. E o Brasil ainda tem se beneficiado com a alta liquidez global num cenário de juros ainda bem baixos, mesmo com os ajustes promovidos pelos bancos centrais, inclusive dos EUA.

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Cenário de indefinições abre oportunidades para o Brasil | Denise Campos https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/cenario-de-indefinicoes-abre-oportunidades-para-o-brasil https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/cenario-de-indefinicoes-abre-oportunidades-para-o-brasil#respond Fri, 04 Mar 2022 11:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36449 O cenário global está dominado por mais incertezas desde o começo da etapa de maior escalada dos conflitos entre Rússia e Ucrânia e as reações que têm provocado. Mesmo que o mercado, em certos momentos, conte com algum entendimento diplomático, com um cessar fogo, o fato é que o conflito ainda pode se agravar e… Read More »Cenário de indefinições abre oportunidades para o Brasil | Denise Campos

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O cenário global está dominado por mais incertezas desde o começo da etapa de maior escalada dos conflitos entre Rússia e Ucrânia e as reações que têm provocado. Mesmo que o mercado, em certos momentos, conte com algum entendimento diplomático, com um cessar fogo, o fato é que o conflito ainda pode se agravar e durar um bom tempo, assim como os desdobramentos econômicos. 

Um dos principais impactos é sobre a inflação, que já era um problema global, pelos desequilíbrios entre oferta e demanda produzidos pela pandemia, além de outros fatores. Mas agora, tanto pelo comprometimento da produção como pelas sanções impostas à Rússia, há fortes pressões de preços sobre o petróleo, gás, commodities metálicas e alimentos, sem esquecer dos fertilizantes e outros insumos.

Tudo isso reforça a pressão sobre os bancos centrais, que planejavam ou já vinham implementando alterações nas políticas monetárias. E os ajustes tendem a prosseguir mesmo que a guerra tenha potencial para afetar até o crescimento global. Pode haver alguma mudança na calibragem dos ajustes dos juros. Nos Estados Unidos, por exemplo, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, já sinalizou uma possível alta de 0,25 agora em março, inferior às expectativas que estavam mais para 50 pontos, embora ainda se conte com elevação de 175 no ano. Para o Brasil, onde a inflação já apontava para outro estouro do teto da meta, as previsões agora são de um ciclo mais longo com ajuste total maior da Selic. As projeções chegam a 13%. 

Surpreendentemente, esse cenário tem permitido uma confiança maior quanto às condições para o mercado local manter um comportamento mais favorável. De um lado, a alta das commodities pode assegurar um bom desempenho para a Bolsa, muito alavancada pelos papéis de empresas que atuam no segmento, embora muitos setores possam ter piora da performance. Mas as exportações podem dar maior retorno. De outro, a elevação dos juros pode ampliar o diferencial entre as taxas praticadas no exterior, mantendo boa atratividade para o capital externo, mesmo que haja algum aumento do risco. Ainda é preciso considerar que o Brasil pode “pegar” o investidor que está saindo da Rússia, onde as restrições financeiras, como as que congelaram reservas e vão desconectar os bancos da Swift, podem se estender às criptomoedas, produzindo maior isolamento financeiro do país, além do comercial e do político.

Só não se deve contar demais com esse ambiente “favorável” ao mercado local. Afinal, ainda é grande a incerteza quanto ao peso que a crise financeira, que os países ocidentais tentam provocar na Rússia, como estratégia de persuasão contra a guerra, terá sobre a economia e o mercado mundial. Não se deve desconsiderar também os reflexos da inflação e dos juros mais altos sobre a nossa economia, que já convive com o risco de alguma retração neste ano, fora as incertezas fiscais e as relacionadas às eleições. Os cortes de tributos sobre produtos industriais e agora até sobre jet ski, balão e dirigível, além das discussões sobre os combustíveis, estão aí para nos lembrar do imediatismo de resoluções em ano de eleições. 

O investidor deve aproveitar as oportunidades que estão surgindo, só que o atual cenário recomenda algum conservadorismo no portfólio, com títulos pós fixados e os atrelados à inflação. E vamos torcer para que algum bom senso prevaleça neste que é um dos momentos mais complicados que o mundo enfrenta em décadas, sem ter sequer se recuperado do trauma imposto pela pandemia nos vários aspectos.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Conflito na Ucrânia amplia incertezas globais e para o Brasil.

 

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O combustível da inflação americana https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-combustivel-da-inflacao-americana https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-combustivel-da-inflacao-americana#respond Thu, 10 Feb 2022 15:00:14 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36351 A manhã desta quinta-feira deverá confirmar uma expectativa que vem preocupando essa entidade chamada mercado. Por volta das 10h30, hora de Brasília, o BLS (Bureau of Labor Statistics) deverá divulgar a inflação ao consumidor de janeiro nos Estados Unidos, medida pelo CPI (Consumer Price Index). Os prognósticos são de um aumento de 0,5% nos preços… Read More »O combustível da inflação americana

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A manhã desta quinta-feira deverá confirmar uma expectativa que vem preocupando essa entidade chamada mercado. Por volta das 10h30, hora de Brasília, o BLS (Bureau of Labor Statistics) deverá divulgar a inflação ao consumidor de janeiro nos Estados Unidos, medida pelo CPI (Consumer Price Index). Os prognósticos são de um aumento de 0,5% nos preços no primeiro mês do ano. Se isso se confirmar, a inflação acumulada em 12 meses estará em 7,3%, a maior variação em 12 meses desde os 7,62% registrados em fevereiro de 1982.

A inflação americana tem, literalmente, bastante combustível. No caso, sua escassez. Na quarta-feira (09), a EIA (Energy Information Administration), agência do governo que acompanha os dados do setor, informou que os estoques americanos de petróleo cru diminuíram 4,8 milhões de barris na semana encerrada no dia 4 de fevereiro. A média das expectativas dos investidores era de um aumento de 100 mil barris. Segundo a EIA, o estoque de gasolina encolheu 1,6 milhão de barris nesse período, ante expectativas de um aumento de 1,4 milhão de barris. A diferença entre o esperado e o registrado são 3 milhões de barris.

Com isso, há poucos motivos para acreditar em uma queda dos preços desse insumo. Na manhã desta quinta-feira, os contratos futuros com vencimento em março do petróleo do tipo West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado americano, valiam US$ 90,10, alta de 0,49% ante a quarta-feira. No caso do petróleo do tipo Brent, que regula o mercado europeu e é referência para a Petrobras, os contratos com vencimento em abril eram negociados a US$ 91,81, alta de 0,28% em relação à véspera. Petróleo em alta aumenta os custos da energia e do transporte, fenômeno que se espalha pelos demais setores da economia. Isso torna a inflação persistente e, em economias com instituições fortes, leva os bancos centrais a agir para conter o avanço dos preços. É o que está ocorrendo nos Estados Unidos neste momento.

Não há dúvidas de que os juros americanos vão subir. A dúvida é quando, e com qual velocidade. Em sua próxima reunião, agendada para os dias 15 e 16 de março, o Fomc (Federal Open Market Committee), o Copom americano, deverá anunciar várias medidas. O fim das medidas de estímulo à economia, que fizeram o balanço do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, subir de US$ 4,5 trilhões para US$ 8,8 trilhões. Os planos para desinflar esse mesmo balanço, vendendo títulos e drenando dinheiro da economia. E, cada vez mais provavelmente, uma elevação dos Fed Funds, equivalente americano da taxa Selic.

Atualmente o Fed Funds estão em zero. Até há poucas semanas, a expectativa mais frequente era de quatro elevações de 0,25 ponto percentual, com os juros encerrando 2022 a 1% ao ano. No entanto, as apostas de uma política monetária mais dura por parte do Fed vêm aumentando. Por exemplo, cinco altas de 0,25 ponto percentual nas taxas. Ou mesmo uma ou duas elevações de 0,5 ponto percentual, com os Fed Funds chegando a dezembro em 1,5% ao ano.

Pode parecer uma diferença irrisória, ainda mais quando se pensam nas correções de 1,5 ponto percentual realizadas sem dó nem piedade em uma única reunião pelo Copom (Comitê de Política Monetária). Porém, o sistema financeiro e a economia americanas são muito mais alavancados do que no Brasil, o que amplifica o impacto de pequenas mudanças nas taxas. E, dada a maturidade da economia, as margens de lucro são muito mais estreitas. Assim, uma alteração tão dramática nas taxas pode ter consequências graves. Daí o interesse com que o CPI de janeiro será acompanhado nesta manhã.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros de Ibovespa estão em leve alta, ao passo que os contratos futuros do índice americano S&P 500 permanecem em queda, à espera da inflação de janeiro. A divulgação do índice de preços poderá provocar volatilidade no mercado pois vai afetar as expectativas para os juros americanos.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: A inflação persiste.

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A inflação persiste https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/a-inflacao-persiste https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/a-inflacao-persiste#respond Wed, 09 Feb 2022 17:26:38 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36337 Esta quarta-feira (09) é um dia de inflação. Logo cedo, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) anunciou a inflação na primeira quadrissemana de fevereiro para a cidade de São Paulo, com uma alta de 0,79% nos preços. A inflação se acelerou ante os 0,74% da quadrissemana anterior, e também ficou acima dos 0,57% da… Read More »A inflação persiste

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Esta quarta-feira (09) é um dia de inflação. Logo cedo, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) anunciou a inflação na primeira quadrissemana de fevereiro para a cidade de São Paulo, com uma alta de 0,79% nos preços. A inflação se acelerou ante os 0,74% da quadrissemana anterior, e também ficou acima dos 0,57% da primeira quadrissemana de janeiro.

Em seguida, a FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou a primeira prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de fevereiro, mostrando uma inflação de 1,38%, abaixo dos 1,41% da primeira prévia de janeiro. No acumulado de janeiro, o IGP-M registrou uma alta de preços de 1,82%.

Na primeira prévia do IGP-M de fevereiro, o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) registrou uma alta de preços de 1,75%. O IPA representa 60% do IGP-M.

E, finalmente, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou uma inflação de 0,54% em janeiro, abaixo dos 0,73% de dezembro. Nos 12 meses até janeiro, a inflação medida pelo IPCA foi de 10,38%, acima dos 10,06% nos 12 meses anteriores. Em janeiro de 2021, a alta havia sido de 0,25%. Segundo o IBGE, foi a maior alta para o mês de janeiro desde os 1,27% de 2016.

O que esse autêntico balaio de números mostra é algo que ficou claro na Ata da 244ª reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada na terça-feira (08): “A inflação ao consumidor segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, e segue se mostrando mais persistente que o antecipado”. Mais do que isso, a Ata informa que “a alta nos preços dos bens industriais não arrefeceu e deve persistir no curto prazo, enquanto a inflação de serviços acelerou, ainda refletindo a gradual normalização da atividade no setor”.

Até o início do quarto trimestre de 2021, a aceleração dos índices de preços esteve concentrada em alimentos, energia e combustíveis. As causas eram bem definidas. A estiagem reduziu a produção agrícola e tornou a comida mais cara. Além disso, a alta das commodities agrícolas no mercado internacional em um momento de depreciação do real em relação ao dólar amplificou esse movimento.

A estiagem reduziu a geração de eletricidade por meios hídricos e aumentou a participação da energia térmica, trazendo surpresas desagradáveis a cada conta de luz. E, para complicar ainda mais, a cotação do barril de petróleo avançou bastante. Combustível mais caro pressionou os custos do transporte.

Os desdobramentos desse cenário se alteraram nos últimos meses do ano passado. Gradativamente, a alta de preços localizada em alimentos, energia e combustíveis se espalhou pelos demais setores da economia. Era de se esperar que isso ocorresse.

Teoricamente, o preço dos serviços de um pintor de paredes ou de uma manicure não é afetado pela alta internacional do barril do petróleo. Porém, eles têm de comer todos os dias e precisam morar em algum lugar. Se fazer isso fica mais caro, o pintor e a manicure até podem resistir a elevar o preço de seus serviços por algum tempo para não perder a freguesia. No entanto, em algum momento eles terão de reajustar o que cobram.

À medida que esse movimento de reajustes se espalha pelos diversos setores da economia, a inflação se torna mais e mais persistente e mais difícil de combater. O que indica que o BC (Banco Central) deverá manter os juros em alta por algum tempo.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros do Ibovespa e do índice americano S&P 500 iniciam a quarta-feira em alta devido às expectativas positivas com os resultados das empresas, que estão sendo divulgados.

As notícias são positivas para a Bolsa.

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Leia também: Defenda seu dinheiro da inflação.

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