análise macroeconômica – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Thu, 24 Mar 2022 18:53:27 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png análise macroeconômica – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 Inflação ainda no foco das incertezas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/inflacao-ainda-no-foco-das-incertezas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/inflacao-ainda-no-foco-das-incertezas#respond Fri, 25 Mar 2022 11:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36941 Governo e Banco Central continuam agindo pra tentar estabelecer perspectivas melhores em relação à inflação. Até por preocupações quanto aos reflexos sobre a popularidade em ano de eleições, o governo prossegue com a estratégia de cortar tributos em várias frentes, desde os combustíveis, agora com zeragem da taxação do etanol importado, que também entra na… Read More »Inflação ainda no foco das incertezas | Denise Campos de Toledo

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Governo e Banco Central continuam agindo pra tentar estabelecer perspectivas melhores em relação à inflação. Até por preocupações quanto aos reflexos sobre a popularidade em ano de eleições, o governo prossegue com a estratégia de cortar tributos em várias frentes, desde os combustíveis, agora com zeragem da taxação do etanol importado, que também entra na composição da gasolina, de impostos sobre seis produtos da cesta básica, como café e margarina, até uma nova rodada de corte d taxação sobre importações de eletrônicos, máquinas e equipamentos.

 Em princípio, menos impostos devem acarretar cortes de preços, colaborando para menos pressões inflacionárias. Já temos visto até promoções de carros a partir da diminuição do IPI sobre bens industrializados. Mas, no geral, a acomodação dos preços depende muito mais da evolução dos custos de insumos, que subiram pelo desequilíbrio entre oferta e demanda global. Primeiro pela pandemia, depois pela guerra entre Ucrânia e Rússia, e agora, também por novos casos de Covid, levando a fechamentos de fábricas. Esse desequilíbrio da cadeia global, que inclui alimentos, e o petróleo, tem gerado inflação em todo o mundo, reduzindo o potencial do impacto das mexidas nos tributos. Por isso fica a impressão que, com algumas dessas iniciativas, o governo vai apenas enxugar gelo, sem maiores efeitos.

Por outro lado, até por não se saber ao certo qual será a evolução da oferta e dos preços de produtos estratégicos e o repasses dos aumentos de custos internamente, fica a dúvida quanto à eficácia do aperto monetário e até onde esse aperto pode chegar.

 Embora muitos tenham visto um tom mais duro na ata do Copom, na verdade, o recado veio em duas direções. Se o petróleo ceder e as projeções de inflação ficarem mais favoráveis, o atual ciclo de elevação dos juros pode até parar com a Selic nos 12,75%, o que deve ocorrer na reunião de maio, e já num patamar contracionista. Mas se as pressões mais fortes persistirem ameaçando a meta também do próximo ano, os ajustes vão continuar e a taxa básica pode chegar nos 13,25 ou até mais. 

O que parece certo, nas sinalizações do BC, é que não quer o risco de um novo estouro da meta inflacionária, pelo terceiro ano consecutivo. E nessa avaliação prospectiva de cenário pesa até o que tem sido citado como arcabouço fiscal, ou seja, a evolução das finanças públicas. E, nesse aspecto, a enxurrada de medidas lançadas pelo governo não colabora muito. Os cortes de tributos afetam a receita, num momento em que já há necessidade de recorrer ao contingenciamento de despesas pra garantir o teto de gastos. Isso em meio às pressões políticas por mais despesas. 

Como citei de início, há uma preocupação política muito grande com a questão da popularidade, e as condições atuais da economia não têm jogado muito a favor. Tem inflação e juros em alta corroendo a renda, desemprego ainda elevado, com queda do rendimento médio e da massa salarial, aumento da pobreza. Tudo isso pesa muito na percepção da gestão da economia, mesmo que vários fatores desfavoráveis sejam inevitáveis. 

Mas é fato também que a forma como são gerenciados pode influenciar essa percepção. Nesse sentido não basta tentar produzir efeitos de curto prazo e limitados. A responsabilidade também pode passar um recado importante, se estabelecer perspectivas melhores para a economia em prazo maior.

Nesse ambiente ainda bem incerto o mercado continua favorecido pelo fluxo externo de recurso, atraído pelos juros cada vez mais altos, com o dólar chegando a testar pisos abaixo dos R$ 5,00. oi A Bolsa com uma evolução desigual no comportamento das ações, na avaliação por empresas e setores, no geral, tem alcançado momentos de boa performance, por reflexo de alguns fatores que preocupam em outro sentido, como da inflação. A alta das commodities, de produtos básicos, como alimentos, minério e petróleo tem aumentado o potencial de ganhos das ações ligadas a esses ramos. E o Brasil ainda tem se beneficiado com a alta liquidez global num cenário de juros ainda bem baixos, mesmo com os ajustes promovidos pelos bancos centrais, inclusive dos EUA.

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Prossegue o jogo de apostas na antecipação de cenários https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/prossegue-o-jogo-de-apostas-na-antecipacao-de-cenarios https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/prossegue-o-jogo-de-apostas-na-antecipacao-de-cenarios#respond Fri, 18 Mar 2022 11:53:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36847  O Banco Central, ao definir a nova elevação da Selic em um ponto, para 11,75% ao ano, já indicando novo aumento, da mesma magnitude em maio, com a taxa básica chegando a 12,75%, destacou o objetivo não só de provocar a desinflação mas também de ancorar as expectativas. E essa questão, da ancoragem das expectativas,… Read More »Prossegue o jogo de apostas na antecipação de cenários

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 O Banco Central, ao definir a nova elevação da Selic em um ponto, para 11,75% ao ano, já indicando novo aumento, da mesma magnitude em maio, com a taxa básica chegando a 12,75%, destacou o objetivo não só de provocar a desinflação mas também de ancorar as expectativas. E essa questão, da ancoragem das expectativas, tem sido um grande problema, pelas incertezas do cenário interno e do externo, mas também pelo próprio posicionamento do BC. Ao contratar o aumento de um ponto dá a impressão de trabalhar com projeções seguras, que permitem definir os passos da política monetária antecipadamente, já sabendo o que vai acontecer até a próxima reunião. Mas não se trata disso. Tanto que o Copom trabalha com cenários diferentes tendo como referência o preço do barril do petróleo na faixa dos US$ 100. E essa é só uma variável na composição da inflação, que já vem com uma difusão forte de aumentos e ainda deve sofrer influência dos preços de outras commodities, até alimentos, fora o desequilíbrio na cadeia de insumos e peças, pela guerra e por novos focos de contágio do coronavírus, especialmente na China. É uma situação que dá margem para especulações e pressões na curva de juros em vários sentidos, que vão depender muito mais das percepções de cenário do que das indicações do Copom. Sendo que o Banco Central muitas vezes tem sancionado as expectativas do mercado e não influenciado essas expectativas.

Mas e em relação ao FED, que elevou os juros em 0,25 e indicou sete aumentos nesse ritmo? Há diferenças importantes. O Banco Central dos Estados Unidos tenta balizar as expectativas, só que já antecipou possível mudança na magnitude dos ajustes dependendo da evolução do cenário. E o FED, diferente também do nosso BC, cuida do controle da inflação, do ritmo de atividade e do desempenho do mercado de trabalho. Aqui a política de juros tem como foco o cumprimento da meta inflacionária. Além disso, o salto dos juros no Brasil já foi muito forte, partindo dos inéditos 2%, sem que tenha tido maior influência na inflação, que caminha para o segundo ano de estouro da meta. Enfim, temos um ciclo de elevação da Selic com impacto contracionista, para tentar derrubar uma inflação que vem, principalmente, da oferta, não da demanda.

É certo que não é fácil para o BC lutar sozinho nesse combate. O governo, preocupado com o estímulo à atividade, continua liberando recursos e cortando tributos, o que vai na contramão da contenção do consumo e do espaço para remarcações de preços, que se tenta garantir com juros mais altos. E essas medidas ampliam o risco fiscal, que também dificulta o controle da inflação. Aí ainda vêm todas as variáveis externas colocando mais lenha na fogueira.

Enfim, continua o jogo de apostas em relação à inflação, juros e crescimento e a tentativa de antecipação de cenários, o que pode produzir mais volatilidade do mercado, independentemente das pressões do noticiário do dia a dia. Juros mais altos são uma certeza, reforçando o ganho das aplicações de renda fixa, mas com a dúvida de até onde podem chegar e qual vai ser a margem real. Dólar e bolsa também dependem do fluxo externo, que pode ser atraído pelos juros elevados e pelos ganhos com commodities, por exemplo, no caso das ações. Porém, se nota uma certa perda de ritmo que pode ter influência das mudanças do cenário externo, o que inclui preços e juros. E vamos lembrar das eleições que também podem deixar os investidores mais ariscos. É nesse contexto que se deve buscar as melhores oportunidades de ganho.

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Cenário de indefinições abre oportunidades para o Brasil | Denise Campos https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/cenario-de-indefinicoes-abre-oportunidades-para-o-brasil https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/cenario-de-indefinicoes-abre-oportunidades-para-o-brasil#respond Fri, 04 Mar 2022 11:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36449 O cenário global está dominado por mais incertezas desde o começo da etapa de maior escalada dos conflitos entre Rússia e Ucrânia e as reações que têm provocado. Mesmo que o mercado, em certos momentos, conte com algum entendimento diplomático, com um cessar fogo, o fato é que o conflito ainda pode se agravar e… Read More »Cenário de indefinições abre oportunidades para o Brasil | Denise Campos

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O cenário global está dominado por mais incertezas desde o começo da etapa de maior escalada dos conflitos entre Rússia e Ucrânia e as reações que têm provocado. Mesmo que o mercado, em certos momentos, conte com algum entendimento diplomático, com um cessar fogo, o fato é que o conflito ainda pode se agravar e durar um bom tempo, assim como os desdobramentos econômicos. 

Um dos principais impactos é sobre a inflação, que já era um problema global, pelos desequilíbrios entre oferta e demanda produzidos pela pandemia, além de outros fatores. Mas agora, tanto pelo comprometimento da produção como pelas sanções impostas à Rússia, há fortes pressões de preços sobre o petróleo, gás, commodities metálicas e alimentos, sem esquecer dos fertilizantes e outros insumos.

Tudo isso reforça a pressão sobre os bancos centrais, que planejavam ou já vinham implementando alterações nas políticas monetárias. E os ajustes tendem a prosseguir mesmo que a guerra tenha potencial para afetar até o crescimento global. Pode haver alguma mudança na calibragem dos ajustes dos juros. Nos Estados Unidos, por exemplo, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, já sinalizou uma possível alta de 0,25 agora em março, inferior às expectativas que estavam mais para 50 pontos, embora ainda se conte com elevação de 175 no ano. Para o Brasil, onde a inflação já apontava para outro estouro do teto da meta, as previsões agora são de um ciclo mais longo com ajuste total maior da Selic. As projeções chegam a 13%. 

Surpreendentemente, esse cenário tem permitido uma confiança maior quanto às condições para o mercado local manter um comportamento mais favorável. De um lado, a alta das commodities pode assegurar um bom desempenho para a Bolsa, muito alavancada pelos papéis de empresas que atuam no segmento, embora muitos setores possam ter piora da performance. Mas as exportações podem dar maior retorno. De outro, a elevação dos juros pode ampliar o diferencial entre as taxas praticadas no exterior, mantendo boa atratividade para o capital externo, mesmo que haja algum aumento do risco. Ainda é preciso considerar que o Brasil pode “pegar” o investidor que está saindo da Rússia, onde as restrições financeiras, como as que congelaram reservas e vão desconectar os bancos da Swift, podem se estender às criptomoedas, produzindo maior isolamento financeiro do país, além do comercial e do político.

Só não se deve contar demais com esse ambiente “favorável” ao mercado local. Afinal, ainda é grande a incerteza quanto ao peso que a crise financeira, que os países ocidentais tentam provocar na Rússia, como estratégia de persuasão contra a guerra, terá sobre a economia e o mercado mundial. Não se deve desconsiderar também os reflexos da inflação e dos juros mais altos sobre a nossa economia, que já convive com o risco de alguma retração neste ano, fora as incertezas fiscais e as relacionadas às eleições. Os cortes de tributos sobre produtos industriais e agora até sobre jet ski, balão e dirigível, além das discussões sobre os combustíveis, estão aí para nos lembrar do imediatismo de resoluções em ano de eleições. 

O investidor deve aproveitar as oportunidades que estão surgindo, só que o atual cenário recomenda algum conservadorismo no portfólio, com títulos pós fixados e os atrelados à inflação. E vamos torcer para que algum bom senso prevaleça neste que é um dos momentos mais complicados que o mundo enfrenta em décadas, sem ter sequer se recuperado do trauma imposto pela pandemia nos vários aspectos.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Conflito na Ucrânia amplia incertezas globais e para o Brasil.

 

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O Copom e o desafio de ancorar as expectativas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-copom-e-o-desafio-de-ancorar-as-expectativas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-copom-e-o-desafio-de-ancorar-as-expectativas#respond Fri, 10 Dec 2021 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=34645 O Copom, mesmo confirmando o que tinha sinalizado (uma alta de 1,5 da Selic, agora em 9,25% a.a.), acabou surpreendendo com o tom mais pesado do comunicado que saiu junto à decisão, sem demonstrar maior preocupação com a desaceleração da economia, a recessão técnica e a frustração com dados mais recentes de atividade, como os… Read More »O Copom e o desafio de ancorar as expectativas | Denise Campos de Toledo

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O Copom, mesmo confirmando o que tinha sinalizado (uma alta de 1,5 da Selic, agora em 9,25% a.a.), acabou surpreendendo com o tom mais pesado do comunicado que saiu junto à decisão, sem demonstrar maior preocupação com a desaceleração da economia, a recessão técnica e a frustração com dados mais recentes de atividade, como os da indústria e do comércio. Superando a média das expectativas, já contratou mais um aumento de 1,5 para a taxa básica na primeira reunião de 2022, insistindo na intenção de provocar a convergência das projeções para as metas dos próximos anos.

Essa posição do BC levou o mercado a refazer as contas de quanto os juros podem subir, para produzir os efeitos esperados, e o impacto que todo o ajuste poderá ter sobre a atividade e o desempenho dos vários setores. Há quem já conte com a Selic em 12,25% a partir da postura hawkish do comunicado. Vale lembrar que a insistência nessa estratégia de aperto monetário, para garantir a desinflação e a ancoragem das expectativas em torno das metas, tem relação com o fato de as projeções do mercado estarem estouradas em 2021, com 10,18% no Focus, o que dá quase o dobro do teto; em 2022, em 5,02%, ante o teto de 5%; e em 2023 com 3,5%, superando o centro da meta, de 3,25%. Por mais que se conte com uma desaceleração da inflação até meados do próximo ano, as previsões só têm piorado.

Por outro lado, fica uma preocupação maior quanto a um possível exagero da política monetária, que tem um tempo para produzir resultados e pode acabar penalizando demais a atividade. Sendo que as expectativas para a atividade também têm passado por uma revisão, para pior, até pelo consumo mais restrito de boa parcela da população, o que tende a colaborar para uma perda de ritmo dos reajustes de preços. Ainda que o BC possa rever a posição até a próxima reunião, cortando o ritmo dos aumentos, o mercado já faz novos ajustes na curva curta e longa dos juros, com implicações sobre a rentabilidade da renda fixa. Também está revendo o potencial de desempenho dos vários setores, que sofrem influência positiva ou negativa dos juros mais altos, como os bancos e as empresas de varejo, por exemplo. E resta uma certa dúvida até quanto ao impacto no câmbio, onde a atratividade maior dos juros pode ajudar a manter o dólar em patamar mais baixo. Só que também se percebe uma certa preocupação do BC com as incertezas dos agentes em relação ao arcabouço fiscal e o impacto de possíveis mudanças nas políticas dos Bancos Centrais pelo mundo, que agiriam em sentido inverso.

Os dados mais recentes de seguro-desemprego e inflação nos EUA reforçam o tapering pelo Federal Reserve, além do possível aumento dos juros em 2022. Já na Europa mudanças podem ser adiadas pelo temores ainda decorrentes da pandemia, não só pela variante Ômicron, mas também pela resistência às vacinas, que tem levado a novas restrições, diante do aumento do número de infectados e até de mortes, como os recordes registrados na Alemanha.

O comportamento do mercado tende a ser pautado por todos esses temas, já que notícias mais favoráveis, como a aprovação da PEC dos Precatórios, mesmo com toda a polêmica que ainda gera, já tinha sido precificada, ajudando a alavancar um desempenho melhor da Bolsa, com acomodação do dólar em patamar mais baixo. Mas a própria PEC, com aprovação fatiada, ainda pode trazer alguma incerteza, caso a Câmara não confirme o carimbo da folga orçamentária, dando margem para mais gastos. Nesse sentido, o presidente Bolsonaro voltou a reforçar as preocupações, ao defender reajustes para os servidores, citando vários percentuais. Como a equipe econômica não tem resistido muito a essas iniciativas, a questão fiscal ainda pode, de fato, produzir mais volatilidade sobre os negócios, especialmente em 2022, com a proximidade das eleições. Não foi sem motivo que o comunicado do Copom observou as incertezas quanto ao arcabouço fiscal, apesar da melhora recente das contas públicas. Fato é que o Banco Central ainda não conseguiu ancorar as expectativas sequer quanto aos futuros passos da política de juros.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Mercado tenta driblar o excesso de pedras no caminho.

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Mercado tenta driblar o excesso de pedras no caminho | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/mercado-tenta-driblar-o-excesso-de-pedras-no-caminho-denise-campos-de-toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/mercado-tenta-driblar-o-excesso-de-pedras-no-caminho-denise-campos-de-toledo#respond Fri, 03 Dec 2021 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=33800 Acabou a novela da PEC dos Precatórios e, consequentemente, do Auxílio Brasil, cujo projeto também foi aprovado. Com o espaço orçamentário aberto pela PEC, o benefício poderá ter a ampliação prevista. O mercado teve uma reação favorável, mas, vale lembrar, após uma repercussão inicial bem negativa, que colaborou para a piora geral de indicadores e… Read More »Mercado tenta driblar o excesso de pedras no caminho | Denise Campos de Toledo

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Acabou a novela da PEC dos Precatórios e, consequentemente, do Auxílio Brasil, cujo projeto também foi aprovado. Com o espaço orçamentário aberto pela PEC, o benefício poderá ter a ampliação prevista. O mercado teve uma reação favorável, mas, vale lembrar, após uma repercussão inicial bem negativa, que colaborou para a piora geral de indicadores e projeções. O dólar em alta, uma das reações, reforçou as pressões inflacionárias, que acabaram por intensificar os ajustes na taxa básica de juros. A Bolsa testou patamares inéditos de queda. A credibilidade do País foi arranhada, comprometendo o fluxo potencial de investimentos. Condições que tiveram reflexo também nas perspectivas de menor expansão da economia no próximo ano. Cenário que ainda poderá incorporar o carregamento da recessão técnica confirmada por dois trimestres consecutivos de retração do PIB.

A reação favorável do mercado, agora, à aprovação da PEC tem relação com o fato de que acaba por impor alguns limites para os gastos do governo. Sem a PEC havia muito mais insegurança quanto ao que poderia fazer para viabilizar o Auxílio Brasil. Nesta semana mesmo se voltou a falar em orçamento de guerra. Mas a alteração na forma de correção do teto de gastos mexeu com a confiança e ampliou o risco fiscal, o que ainda tende a ter repercussão sobre a avaliação e atratividade do País. Sem esquecer que a postergação do pagamento de parte dos Precatórios ainda trouxe insegurança jurídica. O governo, devedor, por decisão unilateral, definiu que não iria pagar parte das sentenças judiciais. Mas é preciso reconhecer que a PEC aprovada tira um peso enorme do quadro de indefinições, o que pode dar condições de o mercado buscar uma recuperação neste fechamento de ano.

Mas a agenda de problemas ainda está enorme e contaminando cada vez mais as expectativas para 2022. Teve a confirmação de recessão técnica, como citei, num momento em que o mercado já estava trabalhando com projeções muito modestas ou até negativas para o PIB de 2022. Mesmo com menos gargalos na indústria e retomada dos serviços, além da provável reação do agro, que, por algumas questões específicas, foi o que mais pesou para a retração do último trimestre, há enormes dificuldades para o País engatar uma expansão mais robusta. O poder de compra da população está em queda. A recuperação do emprego não produziu o esperado aumento da massa salarial, que está quase no mesmo nível do começo da pandemia, com o rendimento médio do trabalhador no pior patamar desde 2012. Efeito da inflação elevada e da piora da qualidade das novas vagas ofertadas. As condições do mercado de trabalho e da renda, combinados com a perspectiva de inflação ainda elevada, com juros em alta, já comprometem o fôlego do consumo e da atividade em 2022. Fora isso, há as incertezas fiscais e políticas em um ano de eleições, atrapalhando decisões e o fluxo de investimentos. A crise de energia ainda é uma incerteza, assim como a pandemia, especialmente com a nova variante ômicron. 

Por mais que o Brasil esteja avançando, satisfatoriamente, com a vacinação, novas restrições já começam a ocorrer, sem esquecer da cautela da população, mais receosa quanto a uma nova onda. Serviços e comércio podem ter alguns segmentos mais prejudicados, como os ligados ao turismo ou que gerem maior aglomeração. E há os reflexos de medidas no exterior, onde a resistência à vacinação já estava gerando problemas. 

O mercado continua tentando driblar o excesso de pedras no caminho, mesmo sem conseguir vislumbrar um cenário mais seguro. São poucas semanas pra fechar o ano, mas sem muitas chances da chamada virada de página. O próximo ano já promete grandes desafios. E, pensando em prazo um pouquinho mais curto, semana que vem tem Copom. Em meio a apostas mais convergentes, pelo menos para esta reunião, em que a Selic deve subir para 9,25%, fica a ansiedade quanto à indicação dos futuros passos do Banco Central. Afinal, o aumento da dosagem de elevação dos juros não conseguiu parar as revisões, para cima, das projeções de inflação, que já bateram no teto da meta do próximo ano, mesmo com as revisões, para baixo, das previsões para o PIB.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Mercado ensaia reação mesmo em meio às incertezas.

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Mercado ensaia reação mesmo em meio às incertezas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/mercado-ensaia-reacao-mesmo-em-meio-as-incertezas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/mercado-ensaia-reacao-mesmo-em-meio-as-incertezas#respond Fri, 26 Nov 2021 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=33495 Esta semana revelou um mercado local mais disposto a aproveitar as oportunidades e recompor perdas, inclusive com movimento mais favorável do câmbio, independentemente das questões fiscais ou das preocupações com a inflação e a eficácia ou ritmo da política de juros. Em determinados momentos, parece que tudo isso já está no preço. Mas o fato… Read More »Mercado ensaia reação mesmo em meio às incertezas | Denise Campos de Toledo

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Esta semana revelou um mercado local mais disposto a aproveitar as oportunidades e recompor perdas, inclusive com movimento mais favorável do câmbio, independentemente das questões fiscais ou das preocupações com a inflação e a eficácia ou ritmo da política de juros. Em determinados momentos, parece que tudo isso já está no preço.

Mas o fato é que as preocupações persistem. Foi mais uma semana de indefinições sobre a PEC dos Precatórios, diante de novas propostas do governo e de opositores. Além do calote nas sentenças judiciais, que, segundo algumas discussões, pode ficar fora do teto de gastos, com tratamento diferenciado para o Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), e da própria mudança no cálculo da correção do teto, pela alteração do período de referência da inflação a ser aplicada, ainda se pode deixar sem destinação obrigatória parte da sobra orçamentária garantida por essas manobras, com recursos até para mais emendas parlamentares. E até a Lei de Responsabilidade Fiscal pode ser desrespeitada com a manutenção das novas condições do Auxílio Brasil, para além de 2022, mesmo sem fonte de receita definida. Aliás, esse foi um dos fatores que levaram à retirada da correção anual do benefício pelo INPC, no parecer do Projeto do Auxílio Brasil na Câmara. Vale lembrar que o governo acabou com o Bolsa Família e o substituiu pelo Auxílio Brasil, apenas aplicando uma correção, sem ter o projeto do novo programa definido e aprovado e sem ter a PEC dos Precatórios, que vai assegurar o custeio dentro dar regras fiscais, também aprovada.

Fora essa indefinição fiscal, ainda tem a piora das expectativas quanto ao crescimento da economia, por vários fatores adversos, como a combinação de inflação e juros mais altos e as incertezas de cenário freando investimentos. Sendo que só o comportamento da inflação e dos juros já tem levado a muitas apostas divergentes, colaborando para mais instabilidade.

O IPCA-15 desacelerou agora em novembro, como esperado, para 1,17%, mas sem intensidade que traga maior tranquilidade quanto à evolução futura da inflação. A perda de ritmo veio, em parte, da alimentação, com recuo até dos preços da carne. Um dos destaques das pressões de preços desde o ano passado. Esse movimento pode ser temporário, na medida em que refletiu o aumento da oferta doméstica e a queda do preço do boi gordo pelo embargo das exportações para a China, o que já está sendo resolvido. Também houve queda das passagens aéreas, cujas variações quase sempre muito bruscas oscilam de acordo com a demanda. Combustíveis e bens industriais seguiram em alta, e já se nota alguma recomposição maior de preços em segmentos como vestuário e artigos para residência, além de outros serviços. Enfim, a inflação segue muito elevada, com forte espalhamento dos aumentos, além do reforço do dólar, que se mantém em patamar desfavorável para a formação dos preços domésticos, mesmo que colabore para um maior retorno das exportações. Dólar esse que, mesmo com a perda de ritmo desta semana, ainda reflete muito as incertezas fiscais, de crescimento, de política de juros e do cenário externo.

A inflação, como um problema global, pode levar a mais aperto monetário em outros países, especialmente nos Estados Unidos, onde já se considera uma possível elevação dos juros, pelo Federal Reserve, no segundo trimestre de 2022. Também no exterior se percebe que a inflação não é um problema temporário, como se imaginava, e pode exigir ações mais efetivas.

Essa situação traz mais dúvidas quanto à política a ser implementada pelo Banco Central aqui no Brasil. O BC, mesmo com a elevação da dose de correção da Selic, não conseguiu garantir uma convergência de expectativas do mercado, que não para de elevar as projeções de inflação, com a do IPCA de 2022, já perto do teto da meta, de 5%. E ainda há divergências quanto ao ritmo de ajustes da Selic para que se possa obter mais resultados. Mesmo com a antecipação, pelo Copom, de mais um aumento de 1,5 ponto na reunião de dezembro, há quem fale em um ajuste de 2 pontos. E a curva de juros, em muitos momentos, reflete essa expectativa de um aumento mais intenso da taxa básica.

Colocados todos esses pontos de incerteza, fica ainda mais nítida a disposição do mercado de buscar oportunidades e tentar fechar o ano com saldo mais positivo ou menos ruim. Mas motivos para volatilidade é que não faltam, e ainda resta ver o que Brasília nos reserva para o cenário econômico e político, antes da virada para 2022, que também promete ser um ano de muitas emoções. Entretanto, muitas oportunidades de ganho estão colocadas, o mercado tenta estratégias para obter melhores resultados e é importante saber aproveitar as ondas, mesmo as que, no geral, pareçam mais adversas.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Mercado segue no embalo das incertezas.

 

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Mercado segue no embalo das incertezas  | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/mercado-segue-no-embalo-das-incertezas-denise-campos-de-toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/mercado-segue-no-embalo-das-incertezas-denise-campos-de-toledo#respond Fri, 19 Nov 2021 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=33317 Semana após semana, o clima de incerteza só aumenta. A novela da PEC dos Precatórios se arrasta, dando margem para o surgimento de novas propostas que contrariam a responsabilidade fiscal. A PEC já abriu a porta para a quebra de regras importantes, desde o compromisso com o pagamento de sentenças judiciais até a mudança no… Read More »Mercado segue no embalo das incertezas  | Denise Campos de Toledo

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Semana após semana, o clima de incerteza só aumenta. A novela da PEC dos Precatórios se arrasta, dando margem para o surgimento de novas propostas que contrariam a responsabilidade fiscal. A PEC já abriu a porta para a quebra de regras importantes, desde o compromisso com o pagamento de sentenças judiciais até a mudança no período de referência da inflação para o ajuste do teto de gastos. Teve a justificativa da necessidade de buscar condições de financiamento para o Auxílio Brasil. Passou na Câmara, até com apoio do mercado, por este ver um limite para a ampliação de gastos. O alívio durou pouco.

No Senado, como se esperava, a resistência é maior. Tenta-se garantir o pagamento dos precatórios com a possibilidade de eles ficarem de fora do teto, o que seria mais uma lamentável manobra contábil que vai contra a responsabilidade fiscal, mesmo que se queira vincular a sobra orçamentária ao programa social e evitar o calote. Fora isso, há outras pressões por gastos, inclusive as emendas de parlamentares e comissões, apesar do posicionamento contrário do STF aos do relator, que constituem o chamado orçamento secreto. Até ministro foi exonerado temporariamente para tratar do assunto no orçamento do próximo ano, sem se descartar a liberação de mais recursos partidários. O próprio governo lançou novas despesas. Em mais uma iniciativa populista e para aumentar a pressão pela aprovação da PEC, fala em reajuste de servidores, de policiais, também com as “sobras” orçamentárias. É aguardar o que, efetivamente, será colocado em votação no Senado, se não terá de voltar para a Câmara, se não haverá mesmo um plano B. O Auxílio Brasil já começou a ser pago, mas com valor ainda bem inferior aos R$ 400,00 que se pretende colocar como piso.

Mas as incertezas não são apenas fiscais. Ainda tem a inflação e a piora dos indicadores de atividade, que já fizeram o IBCBr, a prévia do PIB do Banco Central, registrar uma recessão técnica, com dois trimestres seguidos de retração, o que reforça as perspectivas de um fim de ano mais fraco, com as projeções para 2022 ainda sendo revistas para pior. A inflação persistente, por outro lado, pode levar a ajustes mais fortes da Selic em relação ao aumento da dosagem já implementado pelo Copom. Ficam dúvidas nesse sentido, exatamente, pela perda de ritmo da economia. Mas a possibilidade existe, na medida em que a inflação também compromete a expansão do consumo e da atividade.

Em meio a tudo isso, ainda vêm as incertezas de fora, com os bancos centrais também começando a ajustar as políticas diante de uma inflação que já não parece tão transitória como se imaginava. Esse movimento pode levar a um maior desvio de recursos para mercados favorecidos por elevações dos juros. A principal expectativa é quanto aos futuros passos do Federal Reserve, nos Estados Unidos. E o mercado local, já pressionado por todos esses fatores, ainda convive com o risco de as bolsas no exterior também entrarem em uma fase de correção. Não sem motivo, temos a Bolsa aqui testando mínimas, o dólar persistentemente mais alto e a curva de juros pressionada, com uma dispersão que há muito tempo não se via nas projeções das instituições financeiras.

Enquanto isso o governo, a própria equipe econômica, além de admitir a flexibilização de importantes regras fiscais, no embalo dos interesses políticos, já começar a flertar até com intervencionismos para conter algumas pressões de preços. Sem um plano de ação mais concreto, a equipe de Guedes segue dividida entre reconhecer as dificuldades e agir com responsabilidade ou tentar sustentar o otimismo, ressaltando avanços regulatórios, que até estão ocorrendo, mas cujos efeitos ficam comprometidos pelo cenário nebuloso.

O Brasil, na verdade, voltar a conviver com ameaças que pareciam superadas, como a inflação e os juros em dois dígitos, retração da atividade e desequilíbrio fiscal. 

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Incertezas persistem em várias frentes, mesmo com mercado buscando movimento mais favorável.

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A economia brasileira tem convivido com sucessivos desafios que se interligam. Nesta semana tivemos a aprovação da PEC dos Precatórios na Câmara, o que trouxe um certo alívio porque pode evitar riscos fiscais maiores que viriam com um eventual plano B do governo. Este poderia, por exemplo, por meio da decretação de um estado de calamidade, abrir espaço para gastos com menos limites. Agora a decisão está com o Senado, que pode promover alterações, especialmente no uso dos mais de R$ 90 bilhões que devem ser obtidos de folga orçamentária, e até atrasar a aprovação. Por isso, o governo já se previne com uma MP que pode assegurar, em dezembro, o pagamento do novo Auxílio Brasil, com valor mínimo de R$ 400,00. É uma forma de evitar frustração para os que recebiam o extinto Bolsa Família.

Mas desse processo todo, apesar do alívio com a PEC, ficou uma incerteza maior do ponto de vista fiscal, já que, além de alterar o teto de gastos, dando um drible em uma das mais importantes regras de contenção de despesas, o governo ainda decidiu unilateralmente postergar parte das dívidas referentes às sentenças judiciais, os precatórios. Não sem motivo a Proposta ficou conhecida como “PEC do calote”. Fica o risco do acúmulo das dívidas adiadas, sem se descartar novas manobras desse tipo, para viabilizar mais gastos, especialmente em 2022, ano de eleições. Aliás, por mais que se fale da importância social do novo programa, é impossível desvinculá-lo dos interesses políticos. Até o STF ficou em alerta, posicionando-se contra as emendas do relator, para evitar as barganhas em troca de votos através da liberação dos recursos via orçamento secreto.

Também nesta semana tivemos, de novo, a inflação superando as expectativas com o IPCA de outubro em alta de 1,25, diante de uma disseminação maior dos aumentos, que vai dos combustíveis ao setor de Serviços, passando pelo aumento dos preços de bens industriais, que refletem outros aumentos de custos, como a escassez de insumos e peças, altas de commodities, do dólar e da energia. Situação que piora as perspectivas para a inflação deste e do próximo ano. Para 2022 já se trabalha com variação do IPCA perto do teto da meta, de 5%. A deste ano pode passar de 10%.

Essa situação, claro, leva o mercado a contar com aumentos da Selic, além da dosagem já redefinida pelo Copom, que seria o aumento de 1,5 dos juros básicos a cada reunião, com a taxa fechando o ano em 9,25%. Só que aí tem o outro desafio: a perda de ritmo da atividade econômica. Fora a inflação, a semana também reservou a frustração com a queda de 1,3% das vendas do Comércio, em setembro, e retração de 0,4% no trimestre, voltando a ficar abaixo do patamar pré-pandemia. Além dos dados do mês, piores que o previsto, ainda houve revisão dos do mês anterior, que também foi de queda. Por mais que a inflação tenha influência nesse processo, pelas perdas que provoca no poder de compra do consumidor, aumentar os juros de forma mais acentuada pode reduzir ainda mais o potencial de expansão da economia. O setor de Serviços é dos poucos que trazem algum alívio, em termos de retomada, mas também pode sentir os efeitos da inflação mais alta. Aliás, a recomposição dos preços do setor tem sido um dos fatores de pressão inflacionária. 

Enfim, os indicadores desta semana estão levando a uma nova rodada de revisão, para cima, das projeções de inflação, e para baixo as do PIB, com incertezas quanto à política de juros e à gestão das finanças públicas. Nesse contexto ainda é preciso considerar as implicações da inflação em alta também em outros países, especialmente nos Estados Unidos, o que muda nos recados dos bancos centrais, as pressões de commodities no mercado internacional e o desequilíbrio ainda persistente entre oferta e demanda e até escassez de mão de obra, fora a crise de energia e aumento dos casos de Covid em locais onde há maior resistência à vacinação.

De qualquer modo, o mercado brasileiro engatou um movimento mais favorável após ver chances mais concretas de a PEC avançar no Senado, principalmente com a relatoria ficando a cargo do líder do governo, senador Fernando Bezerra. Em tese, a leitura é que isso pode estabelecer uma condição de menos incerteza do lado fiscal. A Bolsa acompanha os resultados da safra de balanços e o dólar antecipa possíveis efeitos da alta dos juros, sobre fluxo de capitais. Fato é que, depois de uma fase de extrema tensão, volatilidade e dispersão das apostas, o mercado tenta engatar um movimento mais positivo e baseado em fundamentos, não nas dúvidas que surgem no dia a dia. Mas as incertezas continuam presentes, em vários sentidos, e ainda podem produzir muita volatilidade. 

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: A inflação e as diferentes percepções de cenário.

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Os desafios de gerenciamento no Brasil https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/os-desafios-de-gerenciamento-no-brasil https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/os-desafios-de-gerenciamento-no-brasil#respond Fri, 05 Nov 2021 11:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=32779 Em relação à atual conjuntura brasileira e ao comportamento do mercado, parece que sempre dá pra cavar o poço um pouco mais ao fundo. Quando parece que tudo vai melhorar, que o mercado poderá entrar numa fase menos ruim, até para aparar exageros, as incertezas ganham novo impulso, renovando as quedas da Bolsa, testando novos… Read More »Os desafios de gerenciamento no Brasil

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Em relação à atual conjuntura brasileira e ao comportamento do mercado, parece que sempre dá pra cavar o poço um pouco mais ao fundo. Quando parece que tudo vai melhorar, que o mercado poderá entrar numa fase menos ruim, até para aparar exageros, as incertezas ganham novo impulso, renovando as quedas da Bolsa, testando novos patamares para o dólar e na curva de juros. É o que tivemos nesta última semana. 

O mercado, como se costuma falar, prefere ter certeza do tamanho do problema do que trabalhar com suposições. E, nas condições atuais, prefere lidar com o certo, mesmo que seja ruim, que é o caso da PEC dos Precatórios, com todas as mudanças fiscais que propõe, do que com o incerto, que seria o Plano B do governo. Se não houver aprovação da PEC, a tempo de viabilizar o Auxílio Brasil em 2022, se estuda a prorrogação do auxílio emergencial, possivelmente com crédito extraordinário, que dependeria da decretação de estado de calamidade, com todas as discussões que isso poderá trazer. Mas é essa a situação de incerteza que ainda prevalece, mesmo com a aprovação da matéria, em primeiro turno, na Câmara.

A reação da oposição, questionamentos quanto à forma como a votação foi conduzida e debates internos de partidos como o PSDB e o PDT, de Ciro Gomes, que até colocou a própria candidatura em stand-by, deixaram incerto o avanço da proposta, que ainda pode enfrentar resistências no Senado, apesar de o presidente Rodrigo Pacheco tratar como pauta prioritária. Não se trata mais de considerar as discussões repetitivas quanto aos impactos do ponto de vista fiscal, a margem para mais gastos e emendas políticas ou os interesses eleitoreiros, o que está pensando é a possibilidade de mais uma rodada de indefinições, quando já se assimilava a ideia de ficar com o bode na sala. 

Uma situação semelhante ocorreu com a mudança na política de estímulos do Federal Reserve. O mercado viveu muitos momentos de volatilidade pelo possível corte na injeção de recursos pelo FED. Quando veio a confirmação da redução de US$ 15 bilhões/mês na compra de ativos (tapering), mas sem relação com discussões quanto à elevação dos juros, o que se viu foi uma onda de alívio, acompanhada até pelo mercado local. É menos liquidez, mas, por enquanto, com menos reflexos sobre fluxo de investimento para outros mercados, a não ser que a economia dos EUA imponha mais alterações na política monetária.

Agora é aguardar o desfecho da novela da PEC e analisar se haverá, ou não, um plano B. Fato é que o Brasil não para de produzir incertezas. E, não sem motivos, além da volatilidade, o mercado tem mostrado muita dispersão das projeções. Nem o aumento da dosagem de elevação da Selic nem a ata da última reunião do Copom conseguiram provocar maior convergência das projeções de inflação, de juros e de expansão do PIB. O relatório Focus tem trazido médias de previsões com grandes aberturas. O mercado anda exagerando em algumas ondas de pessimismo. Mas é fato que estamos tendo de lidar com várias frentes simultâneas de incerteza, que dificultam uma postura de maior equilíbrio. É o risco fiscal envolvido nas discussões em torno da PEC e do Auxílio Brasil, as dificuldades relacionadas à crise de energia, que pesa na inflação e na atividade; são as sucessivas pressões inflacionárias, afetando o potencial de impacto dos juros; há as dificuldades de retomada do crescimento, como mostram os dados da produção industrial, e a proximidade das eleições… 

Difícil dar uma pausa nessas preocupações e focar na safra de balanços ou em fatos positivos, como o 5G e outros avanços. Os desafios do gerenciamento da política econômica e da política, de fato, estão ecoando mais.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Mercado mantém foco nas incertezas.

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Como não piorar as projeções diante de tantas incertezas? https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/como-nao-piorar-as-projecoes-diante-de-tantas-incertezas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/como-nao-piorar-as-projecoes-diante-de-tantas-incertezas#respond Fri, 29 Oct 2021 11:30:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=32575 O cenário prospectivo para a economia brasileira continua muito incerto. Persistem as indefinições fiscais, com as dificuldades para o governo levar adiante a PEC dos Precatórios e com alterações no teto de gastos que, mesmo aprovadas, ainda deixariam muitas dúvidas quanto às perspectivas de evolução das contas públicas e ao compromisso fiscal do governo. Por… Read More »Como não piorar as projeções diante de tantas incertezas?

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O cenário prospectivo para a economia brasileira continua muito incerto. Persistem as indefinições fiscais, com as dificuldades para o governo levar adiante a PEC dos Precatórios e com alterações no teto de gastos que, mesmo aprovadas, ainda deixariam muitas dúvidas quanto às perspectivas de evolução das contas públicas e ao compromisso fiscal do governo. Por outro lado, a inflação segue pressionada, sem um choque monetário que possa garantir a convergência das projeções para a meta no próximo ano, alívio na curva de juros a médio e longo prazo ou acomodação do dólar. E ainda tem toda a influência externa, com as sinalizações de mudanças nas políticas dos bancos centrais pra fazer frente à inflação, que se mantém como um problema global, mesmo com as economias dando sinais de perda de ritmo, como ocorreu com o PIB do terceiro trimestre nos Estados Unidos.

No âmbito doméstico, a questão fiscal ganha relevância, até pelo impacto que vem tendo na inflação, que se coloca como um dos principais desafios na gestão da economia. O IPCA 15, com alta de 1,20% em outubro e variação acumulada de 10,34% em 12 meses, superou as projeções, assim como o retorno do IGPM ao campo positivo, com alta de 0,64% no mês. Há uma persistência de aumentos no atacado, em decorrência da alta de commodities no exterior, da crise de energia e da pressão do dólar, mesmo com os preços de alimentos mostrando perda de ritmo. No varejo, o índice de disseminação continua alto. E, além dos preços que já vêm pesando há bastante tempo, como os de alimentação, de combustíveis e de energia, chama atenção o avanço do setor de Serviços. Os aumentos já eram esperados, diante da flexibilização das atividades, mas a intensidade está além do previsto.

O dólar em patamar mais elevado, com o impulso dado pelas incertezas fiscais, piora as perspectivas de reversão de muitas dessas pressões de preços. E fechamos mais uma semana com o cenário fiscal indefinido. Vale observar que, na conjuntura de curto prazo, temos até uma melhora importante da evolução das contas, com novos recordes de arrecadação e previsão de déficit menor para o ano. O problema foi toda a estratégia lançada pelo governo para viabilizar o Auxílio Brasil. Começou com a tentativa de postergar boa parte do pagamento dos Precatórios, dando a ideia de calote e com risco de gerar um acúmulo de dívidas. Porém, abrindo espaço no teto para o novo programa. Problema que se agravou com o anúncio do benefício com valor mínimo de R$ 400 para atender cerca de 17 milhões de famílias. Isso exige novas manobras, como a alteração do período de referência da inflação usada para corrigir o teto. Como por onde passa um boi passa uma boiada, já vieram as pressões políticas para aproveitar as mudanças ampliando, também, o espaço para o fundo eleitoral e as emendas do relator. E, sem contar com a receita extra que viria da Reforma do Imposto de Renda, que será esvaziada no Senado, o jeito foi tentar complementar o valor do Auxílio com um benefício temporário ao longo de 2022. Tudo isso mostrou a força do interesse político, com foco nas eleições, se sobrepondo à Responsabilidade Fiscal. O questionamento não vem da ampliação do programa de renda, que é importante do ponto de vista social, onde se verifica o aumento da pobreza, da insegurança alimentar, até pela inflação corroendo o poder de compra. O desconforto veio das manobras fiscais.

Tem mais: ainda não se sabe se o governo vai conseguir a aprovação de tudo que foi proposto. A votação da PEC dos Precatórios foi adiada para a próxima semana, por resistência de muitos parlamentares, e o governo precisa da PEC para alterar o teto e o parcelamento de parte das despesas com as sentenças judiciais em 2022, garantindo a criação do Auxílio Brasil ainda neste ano. O programa não pode ser lançado em ano de eleições.

Diante deste cenário, tivemos a esperada alteração na política de ajustes da Selic pelo Banco Central, a âncora que restou para segurar a inflação. Em vez de um ponto da dosagem de aumento prevista até o começo de 2022, já houve um ajuste de 1,5 ponto, com a taxa básica indo a 7,75%, que deve se repetir nas próximas reuniões do Copom. No começo do próximo ano, voltaremos a ter juros de dois dígitos. Previsão que piora mais as perspectivas quanto ao desempenho da economia, que já vinham sendo revisadas para baixo. Por mais que tenhamos retomada da atividade, diante do controle da pandemia, recuperação de indicadores, como do emprego, a combinação de inflação e juros mais altos, com incertezas que desestimulam os investimentos, afetam o potencial de expansão da economia. O que é lamentável, já que poderíamos estar avançando com reformas importantes, como a administrativa, aproveitando a evolução mais favorável das contas, do mercado de trabalho, com privatizações como dos Correios, o 5G, concessões na infraestrutura.

No final das contas, todo esse contexto revela um preocupante falta de estratégia de política econômica, com improvisos para viabilizar interesses políticos e até minimizar problemas, como é o caso da tentativa de mudar o ICMS pra baixar preços dos combustíveis, compensar caminhoneiros pelo aumento do diesel, cortar verba da Ciência e até falar em privatização da Petrobrás, um ano antes das eleições. Nessas condições, nem causa mais estranheza o dólar pressionado ou a instabilidade da Bolsa, além da curva de juros testando patamares que, como já afirmei anteriormente, pareciam inimagináveis até poucas semanas atrás. 

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: A inflação e as diferentes percepções de cenário.

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