alta da inflação – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Wed, 09 Feb 2022 17:26:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png alta da inflação – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 A inflação persiste https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/a-inflacao-persiste https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/a-inflacao-persiste#respond Wed, 09 Feb 2022 17:26:38 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36337 Esta quarta-feira (09) é um dia de inflação. Logo cedo, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) anunciou a inflação na primeira quadrissemana de fevereiro para a cidade de São Paulo, com uma alta de 0,79% nos preços. A inflação se acelerou ante os 0,74% da quadrissemana anterior, e também ficou acima dos 0,57% da… Read More »A inflação persiste

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Esta quarta-feira (09) é um dia de inflação. Logo cedo, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) anunciou a inflação na primeira quadrissemana de fevereiro para a cidade de São Paulo, com uma alta de 0,79% nos preços. A inflação se acelerou ante os 0,74% da quadrissemana anterior, e também ficou acima dos 0,57% da primeira quadrissemana de janeiro.

Em seguida, a FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou a primeira prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de fevereiro, mostrando uma inflação de 1,38%, abaixo dos 1,41% da primeira prévia de janeiro. No acumulado de janeiro, o IGP-M registrou uma alta de preços de 1,82%.

Na primeira prévia do IGP-M de fevereiro, o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) registrou uma alta de preços de 1,75%. O IPA representa 60% do IGP-M.

E, finalmente, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou uma inflação de 0,54% em janeiro, abaixo dos 0,73% de dezembro. Nos 12 meses até janeiro, a inflação medida pelo IPCA foi de 10,38%, acima dos 10,06% nos 12 meses anteriores. Em janeiro de 2021, a alta havia sido de 0,25%. Segundo o IBGE, foi a maior alta para o mês de janeiro desde os 1,27% de 2016.

O que esse autêntico balaio de números mostra é algo que ficou claro na Ata da 244ª reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada na terça-feira (08): “A inflação ao consumidor segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, e segue se mostrando mais persistente que o antecipado”. Mais do que isso, a Ata informa que “a alta nos preços dos bens industriais não arrefeceu e deve persistir no curto prazo, enquanto a inflação de serviços acelerou, ainda refletindo a gradual normalização da atividade no setor”.

Até o início do quarto trimestre de 2021, a aceleração dos índices de preços esteve concentrada em alimentos, energia e combustíveis. As causas eram bem definidas. A estiagem reduziu a produção agrícola e tornou a comida mais cara. Além disso, a alta das commodities agrícolas no mercado internacional em um momento de depreciação do real em relação ao dólar amplificou esse movimento.

A estiagem reduziu a geração de eletricidade por meios hídricos e aumentou a participação da energia térmica, trazendo surpresas desagradáveis a cada conta de luz. E, para complicar ainda mais, a cotação do barril de petróleo avançou bastante. Combustível mais caro pressionou os custos do transporte.

Os desdobramentos desse cenário se alteraram nos últimos meses do ano passado. Gradativamente, a alta de preços localizada em alimentos, energia e combustíveis se espalhou pelos demais setores da economia. Era de se esperar que isso ocorresse.

Teoricamente, o preço dos serviços de um pintor de paredes ou de uma manicure não é afetado pela alta internacional do barril do petróleo. Porém, eles têm de comer todos os dias e precisam morar em algum lugar. Se fazer isso fica mais caro, o pintor e a manicure até podem resistir a elevar o preço de seus serviços por algum tempo para não perder a freguesia. No entanto, em algum momento eles terão de reajustar o que cobram.

À medida que esse movimento de reajustes se espalha pelos diversos setores da economia, a inflação se torna mais e mais persistente e mais difícil de combater. O que indica que o BC (Banco Central) deverá manter os juros em alta por algum tempo.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros do Ibovespa e do índice americano S&P 500 iniciam a quarta-feira em alta devido às expectativas positivas com os resultados das empresas, que estão sendo divulgados.

As notícias são positivas para a Bolsa.

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Leia também: Defenda seu dinheiro da inflação.

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Um Copom mais cauteloso do que pessimista https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/um-copom-mais-cauteloso-do-que-pessimista https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/um-copom-mais-cauteloso-do-que-pessimista#respond Tue, 08 Feb 2022 15:07:51 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36318 A Ata da 244ª reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta terça-feira (08) mostra que o Comitê permanece cauteloso em relação às perspectivas para a economia. Como de costume, a Ata se inicia analisando o cenário macroeconômico brasileiro e internacional. O cenário externo seguirá desafiador para os países emergentes devido ao aperto monetário… Read More »Um Copom mais cauteloso do que pessimista

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A Ata da 244ª reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta terça-feira (08) mostra que o Comitê permanece cauteloso em relação às perspectivas para a economia. Como de costume, a Ata se inicia analisando o cenário macroeconômico brasileiro e internacional. O cenário externo seguirá desafiador para os países emergentes devido ao aperto monetário nos Estados Unidos e à demora na regularização das correntes de comércio, que deverão manter pressionados os preços das commodities.

Ao avaliar a economia brasileira, o Comitê reconhece que “indicadores relativos ao comércio e serviços mostraram evolução ligeiramente melhor que a esperada em novembro, enquanto a indústria apresentou recuperação em dezembro”, e também afirma que “indicadores do mercado de trabalho mostraram recuperação consistente de empregos no último trimestre de 2021.” Mesmo assim, “os índices de confiança divulgados desde a última reunião seguem mostrando deterioração, e desenvolvimentos climáticos afetaram as projeções de importantes culturas agrícolas”.

No entanto, o que interessa mesmo ao Comitê não é a atividade econômica, e sim a inflação. E o cenário, nesse caso, também não é dos mais positivos. Se, de um lado, a Autoridade Monetária passou a zelar protocolarmente por dois mandatos, quais sejam, inflação e atividade, de outro, na prática, observamos posição privilegiada no combate ao primeiro e secundária no fomento do segundo, o que parece razoável em uma economia inundada de traumas relacionados à inflação. “A inflação ao consumidor segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, e segue se mostrando mais persistente que o antecipado.” Ou seja, a alta de preços já não se concentra mais em alimentos e combustíveis, que foram os “vilões” dos índices durante 2021. Isso é confirmado pela frase seguinte. “A alta nos preços dos bens industriais não arrefeceu e deve persistir no curto prazo, enquanto a inflação de serviços acelerou, ainda refletindo a gradual normalização da atividade no setor.” Para o Copom, os preços administrados também vão continuar subindo. “As projeções para a inflação de preços administrados são de 6,6% para 2022 e 5,4% para 2023”, informa a Ata. Ambos os percentuais estão acima do teto da meta de inflação, que é de 5% (3,5% mais 1,5 ponto percentual para mais ou para menos).

Como de costume, o governo continua gastando além da conta, o que eleva o prêmio de risco da economia. A Ata é clara: “o Comitê avalia que a incerteza em relação ao arcabouço fiscal segue mantendo elevado o risco de desancoragem das expectativas de inflação, e, portanto, a assimetria altista no balanço de riscos. (…) Isso implica atribuir maior probabilidade para cenários alternativos que considerem taxas neutras de juros mais elevadas.”

Para complicar mais ainda o cenário, a Ata adverte contra intervenções como a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos combustíveis. Propostas desse tipo podem até reduzir a inflação no curto prazo, mas a conta vai chegar. “Adicionalmente, o Comitê nota que mesmo políticas fiscais que tenham efeitos baixistas sobre a inflação no curto prazo podem causar deterioração nos prêmios de risco, aumento das expectativas de inflação e, consequentemente, um efeito altista na inflação prospectiva.”

Tudo isso, claro, justifica um aperto na política monetária, que foi o que ocorreu. Na reunião, a taxa Selic, como era esperado, foi elevada em 1,5 ponto percentual para 10,75% ao ano.

No entanto – e esse é o ponto mais relevante da Ata – apesar do cenário pessimista e de indicar que a política monetária “seguirá em um terreno francamente contracionista”, o Copom deixou espaço para mudar de direção se a conjuntura se alterar à frente. Por isso, mesmo indicando que os juros devem continuar subindo, o Comitê deixou em aberto o tamanho dessa elevação. Isso garantirá espaço de manobra para desacelerar o aperto na política monetária se, por acaso, algo mudar na economia tanto aqui quanto no exterior.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros do Ibovespa e do índice americano S&P 500 iniciam a terça-feira com uma leve queda. Por aqui, os investidores ainda estão realizando os lucros das últimas semanas e, nos Estados Unidos, o que interessa é a inflação ao consumidor, medida pelo CPI (Consumer Price Index) de janeiro, que deverá ser divulgada na quinta-feira (10). Mesmo em baixa, a sessão deve ser marcada por um cenário volátil.

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Leia também: Emprego nos EUA.

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O Copom e o jogo de truco https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-copom-e-o-jogo-de-truco https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-copom-e-o-jogo-de-truco#respond Mon, 31 Jan 2022 14:19:32 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36126 O truco chegou ao Brasil na bagagem de imigrantes portugueses, espanhóis e italianos. É um jogo simples em que duas duplas competem. Cada jogador recebe três cartas, que são lançadas na mesa em sequência. Para ganhar a partida é preciso ter a carta mais valiosa em duas das três rodadas. Cada partida vale um ponto.… Read More »O Copom e o jogo de truco

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O truco chegou ao Brasil na bagagem de imigrantes portugueses, espanhóis e italianos. É um jogo simples em que duas duplas competem. Cada jogador recebe três cartas, que são lançadas na mesa em sequência. Para ganhar a partida é preciso ter a carta mais valiosa em duas das três rodadas. Cada partida vale um ponto. A dupla que primeiro chegar a 12 pontos é a vencedora. Quando um jogador acha que a vitória é certa, ele “truca”, ou seja, aposta três pontos em vez de um.

É fácil entender por que o truco é tão popular. Apesar da simplicidade das regras, ele exige uma boa leitura da situação. Duplas que jogam com frequência desenvolvem sinais para adotar uma estratégia conjunta. E, assim como no pôquer, é preciso saber blefar e evitar os riscos para poder vencer as rodadas em que as cartas não são assim tão favoráveis.

Boa parte do trabalho do BC (Banco Central) na definição da política monetária pode ser comparado ao de um jogador de truco. Nem sempre as cartas colocadas nas mãos dos membros do Copom (Comitê de Política Monetária ) são as mais favoráveis. Por exemplo, inflação elevada, preços internacionais do petróleo em alta, dólar pressionado e falta de confiança dos investidores internacionais são trunfos colocados nas mãos do adversário.

O que fazer nessas ocasiões para não ser obrigado a elevar fortemente os juros, tornando adverso o cenário para os empreendedores e investidores? Cabe ao Copom saber gerenciar as expectativas. Evitar cuidadosamente os eventuais blefes dessa entidade chamada mercado, que pode tentar forçar altas da taxa de juros que vão além do necessário para o cumprimento das metas de inflação.

Nesta semana, o Copom terá sua primeira reunião de 2022. É dado como certo que, na tarde da quarta-feira (02) ele anuncie uma alta de 1,5 ponto percentual nos juros, mandando a taxa Selic dos atuais 9,25% para 10,75% ao ano. Isso fará a Selic retornar aos dois dígitos, algo que não ocorre desde maio de 2017.

De acordo com as expectativas da edição mais recente do Relatório Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira (31), ainda deverá haver mais uma elevação de um ponto percentual. Assim, a Selic poderá encerrar 2022 a 11,75% ao ano. Mesmo assim, o Relatório Focus segue elevando as projeções de inflação para este ano. A estimativa mais recente é de um IPCA de 5,38%, acima dos 5,15% da semana passada e dos 5,03% de há três semanas. E todas essas estimativas estão acima do teto da meta, de 5% (3,5% mais 1,5 ponto percentual para mais ou para menos).

A pressão da inflação em alta vem obrigando o BC a endurecer a política monetária, apesar do crescimento da economia estar fraco. O BC está cumprindo o seu papel de preservar o valor da moeda, mesmo às custas do crescimento econômico. No entanto, para não ter de elevar demasiadamente a Selic, é preciso saber gerenciar as expectativas. E até mesmo blefar um pouquinho quando for preciso.

Então, vai aqui uma sugestão. Em tempos de independência do Banco Central, o candidato a presidente deveria ter de disputar algumas partidas de truco com os melhores jogadores do Congresso. Só assim os parlamentares teriam certeza de que estariam colocando o comando da política monetária nas mãos de um profissional que, além da competência técnica, tem a capacidade de lidar com as expectativas e com a pressão dos agentes de mercado, que frequentemente pressionam por taxas maiores.

E Eu Com Isso?

O primeiro pregão da semana e o último de janeiro se inicia com movimentos de baixa tanto dos contratos futuros do Ibovespa quanto do índice americano S&P 500, que poderá ter seu pior mês desde março de 2020, data do primeiro impacto da pandemia. O mercado internacional segue em seu processo de ajuste às perspectivas de taxas de juros mais elevadas e liquidez mais apertada nos Estados Unidos.

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Leia também: Copom eleva Selic a 9,25% ao ano, maior patamar em quatro anos.

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A maratona do BC https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/a-maratona-do-bc https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/a-maratona-do-bc#respond Thu, 28 Oct 2021 14:47:28 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=32568 Uma boa comparação com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) foi com uma corrida de longa distância entre o BC (Banco Central) e a inflação. Durante quase todo o ano de 2021, a manutenção de uma política monetária frouxa fez com que a inflação ganhasse vantagem sobre o BC e se distanciasse cada… Read More »A maratona do BC

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Uma boa comparação com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) foi com uma corrida de longa distância entre o BC (Banco Central) e a inflação.

Durante quase todo o ano de 2021, a manutenção de uma política monetária frouxa fez com que a inflação ganhasse vantagem sobre o BC e se distanciasse cada vez mais. Agora, com a elevação da taxa referencial Selic em 1,5 ponto percentual, para 7,75% ao ano, e com a “promessa” de que haverá outro aumento da mesma magnitude na reunião de dezembro, o BC parece ter acelerado e ganho distância suficiente para empatar com a inflação.

Na prática, o BC vai aumentar os juros em três pontos percentuais, elevando a Selic de 6,25% para 9,25% ao ano. O único detalhe é que esse aumento se dará em duas etapas, com um intervalo de sete semanas entre eles.

E o Comunicado foi bastante claro em indicar um cenário adverso à frente. Uma comparação com o texto da reunião anterior, publicado no dia 22 de setembro, mostra várias alterações importantes em como o Copom vê a economia:

– o cenário externo para as economias emergentes tornou-se “mais desafiador”, ante um ambiente “favorável, mas que pode tornar-se desafiador”.

– a economia brasileira está mostrando uma “evolução ligeiramente abaixo da esperada” em vez de uma “evolução positiva com recuperação robusta no segundo semestre”.

– a projeção de inflação do Copom em 2021 subiu para 9,5% ante 8,5%, e o esperado em 2022 avançou para 4,1%, ante 3,7%.

– a projeção para os preços administrados, que incluem as tarifas públicas e que vêm sendo um espinho no pé do maratonista, subiu para 17,1% ante 13,1% em 2021 e para 5,2% ante 4,8% em 2022. O Copom manteve inalterada a hipótese de bandeira tarifária “escassez hídrica” até dezembro desde ano e de “vermelha patamar 2” até dezembro de 2023.

– a projeção de juros do Copom em 2022 subiu para 9,75%, ante 8,50%.

Para além dos números, o Copom foi muito claro ao admitir a gravidade da situação. “O Comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação”, diz o texto.

Isso “aumenta a assimetria altista no balanço de riscos” e “implica maior probabilidade de trajetórias para a inflação acima do projetado”.

E também não deixou dúvidas quanto ao tratamento prescrito, afirmando que “neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance ainda mais no território contracionista” mesmo sabendo que “essa decisão implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.

A primeira tarefa de um banqueiro central é organizar as expectativas dos agentes econômicos para poder conduzir a política monetária de maneira eficiente.

Por isso, a interpretação desse comunicado mostra que o BC abandonou a suavidade no tratamento da inflação. Isso ficou claro quando o Comunicado reconhece a alta de preços, tanto no geral quanto nos administrados.

Na avaliação dos analistas da Levante Ideias de Investimentos há algumas críticas. Uma delas é que o Comunicado trata apenas de uma ancoragem “genérica”, sem especificar qual o período. E outra é que, nos últimos Comunicados, todas as decisões têm sido anunciadas como unânimes. Quem já observou dois economistas conversando sabe que unanimidade é fator escasso.

A velha piada é que quando três economistas conversam sobre um problema, eles sugerem quatro soluções para ele. E dificilmente a decisão de descumprir o que foi prometido no Comunicado e na Ata da reunião anterior, de elevar os juros em um ponto percentual, teria sido uma decisão unânime.

Qual a consequência de tudo isso?

O problema que já tratamos aqui e que continuaremos tratando. Enquanto não houver uma âncora fiscal firme para ancorar os preços, será necessário recorrer à âncora monetária, mantendo os juros elevados.

Assim, deverá haver uma revisão drástica para baixo nas expectativas de crescimento da economia brasileira em 2022.

Isso deve levar a revisões táticas na implantação de sua estratégia de investimentos. Porque, na maratona da economia, o BC pode até ter emparelhado com a inflação, mas ainda há muita pista pela frente.

Indicadores 

O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) subiu 0,64% em outubro, após queda de 0,64% em setembro. Com este resultado, o índice acumula alta de 16,74% no ano e de 21,73% em 12 meses.

Em outubro de 2020, o índice havia subido 3,23% e acumulava alta de 20,93% em 12 meses. A queda menos intensa do minério de ferro, cujos preços recuaram 8,47% ante a queda de 21,74% em setembro, e a alta de 6,61% no preço do diesel pressionaram a inflação.

O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) subiu 0,53% em outubro, após queda de 1,21% em setembro. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) variou 1,05% em outubro, ante 1,19% em setembro. E o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) subiu 0,80% em outubro, ante 0,56% em setembro.

E Eu Com Isso?

O endurecimento da política monetária e o esperado desaquecimento suplementar da economia provocaram um impacto negativo no mercado, com os contratos futuros do Ibovespa iniciando o dia em baixa, apesar da alta em Wall Street.

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Leia também: Copom aumenta Selic em 1,5 ponto percentual, para 7,75% ao ano.

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Calote na China e empregos nos EUA https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/calote-na-china-e-empregos-nos-eua https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/calote-na-china-e-empregos-nos-eua#respond Fri, 08 Oct 2021 14:03:06 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=31756 A semana se encerra com os investidores atentos às notícias no mercado internacional. Os pregões chineses retornaram às atividades nesta sexta-feira (08) após uma semana fechados, devido às comemorações da Semana Dourada. A retomada foi positiva, com o índice SSE da bolsa de Xangai fechando com alta de 0,67%. No entanto, há uma forte expectativa… Read More »Calote na China e empregos nos EUA

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A semana se encerra com os investidores atentos às notícias no mercado internacional. Os pregões chineses retornaram às atividades nesta sexta-feira (08) após uma semana fechados, devido às comemorações da Semana Dourada.

A retomada foi positiva, com o índice SSE da bolsa de Xangai fechando com alta de 0,67%. No entanto, há uma forte expectativa com relação ao que vai ocorrer com os títulos da incorporadora Evergrande.

No fim de setembro a empresa resolveu o vencimento de um título em que se esperava um calote por meio de “negociações privadas” com os credores – leia-se um adiamento.

A Evergrande perdeu visibilidade nos noticiários nos dias em que se seguiram. No entanto, à medida que os detalhes dos contratos eram divulgados, os investidores descobriram que há um período de tolerância de 30 dias, que se encerra na última semana de outubro.

Pelas contas de uma associação de possuidores de títulos assessorada pelo banco de investimentos Moelis, os pagamentos “adiados” somam US$ 131 milhões. É pouco perto do passivo total da Evergrande, estimado em US$ 305 bilhões, mas pode ser o início de uma longa série de declarações de inadimplência.

Para piorar a situação, a subsidiária do Moelis em Hong Kong informou que um calote é “iminente”, o que deverá movimentar o noticiário ao longo dos próximos dias.

Os problemas na China não são o único fator a chamar a atenção dos investidores. Nesta manhã será divulgada a criação de empregos não-agrícolas (“non farm payroll”) dos Estados Unidos referente a setembro. O prognóstico é da abertura de 500 mil novas vagas, o que poderá indicar uma recuperação da economia americana.

O indicador terá de ser interpretado com cuidado pelos investidores, uma vez que a pandemia provocou uma desorganização razoável do mercado de trabalho.

Além da redução da oferta de mão de obra de baixa qualificação devido aos auxílios emergenciais, as medidas de restrição levaram à criação de pequenas empresas, ao home office e a outras medidas que tornaram menos nítida a separação entre empregados e desempregados.

Além disso, a alta nos mercados de ações e de criptomoedas enriqueceram vários americanos, os quais podem se dar ao luxo de passar algum tempo sem trabalhar. Daí a indefinição com o indicador, que terá de ser analisado com cuidado.

Inflação

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que baliza a meta de inflação, indicou uma alta de preços de 1,16% em setembro, a maior para o mês desde 1994, quando o índice foi de 1,53%.

Com isso, o indicador acumula altas de 6,90% no ano e de 10,25% nos últimos 12 meses, acima do registrado nos 12 meses imediatamente anteriores (9,68%). Em setembro do ano passado, a variação mensal foi de 0,64%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

E Eu Com Isso?

Os contrato futuros de Ibovespa e do índice americano S&P 500 estão em leve alta na manhã desta sexta-feira. No entanto, os preços podem oscilar dependendo da divulgação do nível de emprego nos Estados Unidos e de outras notícias sobre a Evergrande.

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Leia também: Excesso de incertezas exige mais informações e planejamento para investir.

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Sobre a inflação americana https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/sobre-a-inflacao-americana https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/sobre-a-inflacao-americana#respond Thu, 26 Aug 2021 14:08:22 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=30334 Depois do aumento acima das expectativas do IPCA-15 na quarta-feira (25), as atenções dos investidores voltam-se para um número que será divulgado na sexta-feira (27), a inflação americana medida pelo índice PCE (Personal Consumption Expenditures). O PCE é menos conhecido do que o CPI (Consumer Price Index). Mesmo assim, ele é mais importante para os… Read More »Sobre a inflação americana

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Depois do aumento acima das expectativas do IPCA-15 na quarta-feira (25), as atenções dos investidores voltam-se para um número que será divulgado na sexta-feira (27), a inflação americana medida pelo índice PCE (Personal Consumption Expenditures).

O PCE é menos conhecido do que o CPI (Consumer Price Index). Mesmo assim, ele é mais importante para os preços internacionais dos ativos financeiros, uma vez que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, utiliza do PCE para calibrar sua política monetária, assim como o nosso Banco Central usa o IPCA como medida para as metas de inflação.

Vale a pena nos determos um pouco mais sobre o assunto.

Os dois índices de inflação mais importantes nos Estados Unidos atualmente são o PCE e o CPI. São parecidos. Ambos comparam a variação dos preços de uma cesta de produtos com os preços do mês anterior.

Mesmo sendo parecidos, não são iguais.

As diferenças começam por quem faz as contas.

O PCE é calculado pelo BEA (Bureau of Economic Analysis), ligado ao Ministério do Comércio, e tem algumas semelhanças com o nosso IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O CPI é calculado pelo BLS (Bureau of Labor Statistics), autarquia federal americana encarregada de calcular os números do emprego e do desemprego, e que é ligada ao Ministério do Trabalho. Como é o CPI que corrige as aposentadorias, ele é muito mais “popular”.

O que explica a diferença entre CPI e PCE?

Ambos os índices calculam o nível de preços determinando o preço de uma cesta de produtos. Se o preço da cesta sobe, o índice de preços sobe. Mas as cestas não são as mesmas, e acontece que as maiores diferenças entre o CPI e o PCE surgem das diferenças em suas cestas.

O CPI é baseado em uma pesquisa sobre o que as famílias estão comprando; o PCE é baseado em pesquisas sobre o que as empresas estão vendendo.

Ambos os índices são calculados de duas maneiras diferentes. Uma delas é a inflação completa ou “cheia”, que inclui todos os itens da cesta. Outra é o núcleo da inflação, que exclui elementos mais voláteis. Por exemplo, os preços dos alimentos e dos combustíveis, que são importantes, mas oscilam muito. Essa oscilação pode provocar ruído, por isso essas variações são descartadas no cálculo do núcleo da inflação, que permite uma leitura mais precisa de para onde a inflação está indo.

Depois de toda essa explicação teórica, vamos aos números.

Os dois índices se comportam de maneira parecida, mas não igual.

Em geral, o CPI tende a registrar uma inflação um pouco mais alta. Desde 2000, os preços medidos pelo CPI aumentaram 39%, enquanto os medidos pelo PCE subiram 31%, levando as taxas de inflação anuais médias diferentes de 2,4% para o CPI e de 1,9% para o PCE.

Agora, o núcleo do PCE está mostrando uma aceleração, seguindo o movimento já exibido pelo CPI.

Com isso, a divulgação de uma inflação mais elevada na sexta-feira pode ser o argumento que faltava ao Fed para começar a elevar os juros e a reduzir as medidas de estímulo econômico, de maneira a manter os preços sob controle.

Por isso, os resultados de amanhã podem ser um divisor de águas no mercado.

E Eu Com Isso?

A quinta-feira começa com mais um movimento de baixa nos contratos futuros tanto do Ibovespa quanto do índice americano S&P 500 devido à incerteza com relação à política monetária nos Estados Unidos.

As notícias são negativas para a Bolsa.

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Leia também: Ganhe com a inflação.

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Ganhe com a inflação https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/ganhe-com-a-inflacao https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/ganhe-com-a-inflacao#respond Wed, 25 Aug 2021 13:41:06 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=30256 A divulgação, nesta quarta-feira (25), de um Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de 0,89% referente a agosto, a maior para este mês desde 2002, mostra que a aceleração da inflação está sendo um fenômeno mais resiliente e duradouro do que se imaginava há alguns meses. Na ponta do lápis, os números deixam… Read More »Ganhe com a inflação

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A divulgação, nesta quarta-feira (25), de um Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de 0,89% referente a agosto, a maior para este mês desde 2002, mostra que a aceleração da inflação está sendo um fenômeno mais resiliente e duradouro do que se imaginava há alguns meses.

Na ponta do lápis, os números deixam claras as pressões sobre o IPCA-15.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano, a alta acumulada é de 5,81%. Em 12 meses, a variação é de 9,30%.

Vamos analisar esses números.

Ao longo do segundo trimestre, a alta da inflação teve duas causas bem definidas.

Uma foi a alta dos preços dos combustíveis e da energia, e outra foi a valorização das commodities no mercado internacional.

Apesar de menos influente nos índices de preços ao consumidor (como o IPCA) e mais nítida nos índices gerais de preços (como o IGP-M) essa alta das commodities pressionou as estruturas de custos de muitas empresas dos setores agrícola e industrial.

Agora, já passada a metade do terceiro trimestre, os vetores da inflação mudaram.

A seca persistente e as geadas decorrentes da onda de frio recente prejudicaram as lavouras. Produtores de cana de açúcar, de café e de milho foram bastante afetados, e as pastagens também sofreram.

Isso reduziu a oferta de alimentos e também a produção do setor de carnes. E esses fenômenos devem ficar bastante visíveis nesta divulgação.

Não é o único problema.

Os preços da eletricidade e dos combustíveis também estão pressionados, devido aos mesmos fatores internos e também à alta internacional dos preços do petróleo.

Com a seca, uma fatia maior da eletricidade consumida tem de ser gerada em usinas termelétricas, movidas a petróleo e gás e cujo produto é mais caro.

Uma pitada de teoria econômica.

Trabalhadores de todos os setores – agricultura, indústria e serviços – comem e precisam de energia elétrica. Se os preços aumentam, profissionais do setor de serviços vão tentar repassar parte dessa alta de custos para o que cobram por seu trabalho.

É a chamada difusão inflacionária.

Ou seja, o fenômeno em que a alta dos preços de um determinado setor se “espalha” pelos demais setores do índice, mesmo que não haja correlação direta.

E é isso que vem ocorrendo.

Nesse cenário, quais as ações mais promissoras?

Para responder essa questão, o time de analistas da Levante Ideias de Investimentos traçou um cenário.

Uma de suas premissas é que o BC (Banco Central) adotará uma atitude dura contra a inflação.

As publicações mais recentes do BC já admitem que, muito provavelmente, o IPCA de 2021 vai romper o teto da meta.

Assim, será preciso muito esforço para fazer a inflação de 2022 baixar.

Ou seja, o BC deverá elevar de maneira consistente os juros para fazer as curvas futuras de juros retornarem a patamares mais normais.

Teoricamente, esses juros mais altos levariam a uma apreciação do real em relação ao dólar, fazendo a taxa de câmbio retornar aos patamares de equilíbrio.

Porém, fatores exógenos como a instabilidade política e o temor com relação à estabilidade fiscal, vêm fazendo a moeda americana ganhar valor em relação ao real.

Ou seja, a economia brasileira poderá conviver com juros e dólar altos, uma situação incomum.

Nesse ambiente, é difícil dizer quais setores serão beneficiados e quais serão prejudicados.

Por isso, a estratégia mais sábia é comprar empresas sólidas, que sejam boas geradoras de caixa e tenham resultados recorrentes, e esperar por uma retomada dos fundamentos econômicos à normalidade.

E, claro, conte com os analistas da Levante Ideias de Investimento para tomar as melhores decisões.

Indicadores

O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) da FGV (Fundação Getulio Vargas) recuou 0,4 ponto em agosto, para 81,8 pontos.

Em médias móveis trimestrais, o índice subiu 1,89 ponto, para 81,6 pontos, na terceira alta seguida.

O ISA (Índice de Situação Atual) caiu 1,1 ponto, para 69,8 pontos, enquanto o IE (Índice de Expectativas) ficou praticamente estável ao variar 0,1 ponto, para 90,9 pontos.

Segundo a FGV, o resultado de agosto mandou o ICC para um patamar considerado baixo em termos históricos.

“Há maior dificuldade entre os consumidores de menor poder aquisitivo, que enfrentam uma combinação de desemprego e inflação elevados e de crescimento do endividamento nos últimos meses”, informou a Fundação.

E Eu Com Isso?

A alta da inflação está pressionando os contratos futuros de Ibovespa, que iniciam o dia em baixa. O cenário deve ser marcado por uma tendência negativa, com volatilidade.

As notícias são negativas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: Autonomia do Banco Central.

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Inflação na mira do Copom https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/inflacao-na-mira-do-copom https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/inflacao-na-mira-do-copom#respond Tue, 10 Aug 2021 15:21:04 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=29636 A divulgação da Ata da reunião de número 240 do Copom (Comitê de Política Monetária) mostrou uma atitude muito mais “hawkish” do Comitê. Explicação rápida: na avaliação dos investidores, os bancos centrais podem ter duas abordagens em relação à inflação. Podem ser “pombos”, em inglês “doves”. Ou seja, mais tolerantes com a alta de preços… Read More »Inflação na mira do Copom

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A divulgação da Ata da reunião de número 240 do Copom (Comitê de Política Monetária) mostrou uma atitude muito mais “hawkish” do Comitê.

Explicação rápida: na avaliação dos investidores, os bancos centrais podem ter duas abordagens em relação à inflação.

Podem ser “pombos”, em inglês “doves”. Ou seja, mais tolerantes com a alta de preços e menos propensos a adotar medidas amargas, como elevar juros e contrair o crédito para conter a inflação.

Ou podem ser “falcões” (em inglês “hawks”). Nesse caso, menos dispostos a deixar os preços subirem e, portanto, mais duros com a política monetária.

Esses dois termos, “dovish” e “hawkish” dominam a avaliação da atitude dos BCs ao redor do mundo.

E, portanto, a Ata divulgada na manhã desta terça-feira pode ser considerada bastante “hawkish”.

Começando pela própria percepção de inflação e de juros, no sexto parágrafo da Ata.

Vale a pena citar praticamente na íntegra: “No cenário básico (…) as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 6,5% para 2021, 3,5% para 2022 e 3,2% para 2023. (…) Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 10,0% para 2021 e 4,6% para 2022 e 2023.”

A consequência é clara e óbvia: “Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 7,00% ao ano neste ano, mantém-se nesse valor durante 2022 e reduz-se para 6,50% ao ano em 2023.”

Ou seja, o Copom está praticamente reconhecendo que não vai conseguir cumprir a meta de inflação neste ano, e que vai mandar os juros para o alto até o fim de 2023.

Apesar de 6,5% ao ano não ser um patamar elevado para os juros brasileiros em termos históricos, essa política monetária dura vai na contramão do que está sendo praticado pelos demais bancos centrais.

A constatação vem no parágrafo anterior, o de número cinco.

“A inflação ao consumidor continua se revelando persistente. (…) Destacam-se a surpresa com o componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, causando elevação dos núcleos. Além disso, há novas pressões em componentes voláteis, como a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos, ambos decorrentes de condições climáticas adversas.”

E vai mais além, no parágrafo 11.

“Para o Comitê, o segundo semestre do ano deve mostrar uma retomada robusta da atividade, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente.”

Até aí, relativamente poucas mudanças em relação ao Comunicado, divulgado na quarta-feira (04).

Porém, o Copom foi mais além e mandou um recado.

No parágrafo 18, em que comunicou o aumento de um ponto percentual na Selic e praticamente contratou outro aumento do mesmo tamanho na reunião de setembro, o Copom foi claro ao indicar que vai tomar conta das expectativas.

“A percepção do Comitê [é] de que a piora recente em componentes inerciais dos índices de preços, em meio à reabertura do setor de serviços, poderia provocar uma deterioração adicional das expectativas de inflação.”

Tradução: as expectativas podem piorar.

E continua: “O Copom considera que, neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação.”

Ou seja, o Comitê disse, na linguagem neutra dos banqueiros centrais, que vai manter a linha dura na política monetária.

E encerrou a conversa garantindo uma postura “falcão”, ao dizer “sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.

Ou seja, a palavra “estimulativa” parece estar banida por um bom tempo dos comunicados escritos pelo BC.

Indicadores

A inflação “oficial” medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou para 0,96% em julho ante os 0,53% de junho.

Com isso, o indicador acumula alta de 4,76% no ano e de 8,99% nos últimos 12 meses, acima do acumulado nos 12 meses imediatamente anteriores (8,35%).

Em julho de 2020, a taxa mensal foi de 0,36%. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o IBGE, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em julho.

A maior variação (3,10%) e o maior impacto (0,48 ponto percentual) vieram do grupo Habitação com a alta de 7,88% na energia elétrica.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros de Ibovespa começam a terça-feira com uma leve valorização, seguindo o discreto movimento de alta dos contratos futuros do índice americano S&P 500.

O prognóstico é positivo, ainda que não se descarte um componente de volatilidade causado pela incerteza política e pela indefinição da situação fiscal.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: De olho nas inflações.

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Cavalo de pau do Copom https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/cavalo-de-pau-do-copom https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/cavalo-de-pau-do-copom#respond Thu, 05 Aug 2021 14:50:53 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=29459 O resultado da 240ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), encerrado na quarta-feira (04), trouxe uma confirmação de expectativas e uma pequena surpresa. A confirmação foi a elevação da taxa de juros referencial Selic para 5,25% ao ano, uma alta de 100 pontos-base ou um ponto percentual. Esse resultado já vinha sendo expresso claramente… Read More »Cavalo de pau do Copom

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O resultado da 240ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), encerrado na quarta-feira (04), trouxe uma confirmação de expectativas e uma pequena surpresa.

A confirmação foi a elevação da taxa de juros referencial Selic para 5,25% ao ano, uma alta de 100 pontos-base ou um ponto percentual.

Esse resultado já vinha sendo expresso claramente nas expectativas dos investidores, algo que poderia ser confirmado pela mudança de preços das opções de Copom ao longo dos últimos dias.

A pequena surpresa esteve em um dos últimos parágrafos do Comunicado, divulgado imediatamente após a reunião.

Nele, o Comitê afirma que “para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude.”

Ou seja, os juros que hoje subiram para 5,25% ao ano vão avançar para 6,25%.

Há mais três reuniões agendadas até dezembro.

Se o Copom estiver em linha com as expectativas do Relatório Focus, nas duas últimas haverá um aumento de mais 0,75 ponto percentual, com a Selic iniciando 2022 a 7% ao ano.

Porém, nada indica que esses 7% sejam o teto de juros. O mercado pode demandar uma Selic ainda mais alta, no que provavelmente será atendido pelo BC.

Qual o significado disso?

O BC realizou um giro de 180 graus em sua política monetária.

Em pouco menos de um ano, ele inseriu e retirou o “forward guidance” para os juros, estabeleceu uma política de ajuste parcial, alterou-a para neutra e agora assumiu uma estratégia claramente restritiva para ancorar a inflação do próximo ano.

Na linguagem popular, o BC deu um “cavalo de pau”.

Seria isso realmente necessário?

Apesar de o remédio ser amargo, tudo indica que sim.

Ao agir de maneira muito mais rápida do que o esperado e ao se colocar na contramão da maioria dos principais bancos centrais, notadamente o Federal Reserve (Fed), o BC mostrou estar corretamente preocupado com a eventual desancoragem das expectativas.

Vamos recordar um pouco o passado recente.

No fim de 2011, ainda durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff, o BC liderado por Alexandre Tombini, negligenciando o avanço das expectativas sobre a inflação, iniciou um processo de redução forçada da Selic, que chegou a um mínimo de 7,25% ao ano em 2012.

As consequências para a economia foram devastadoras e são notórias.

A redução forçada da Selic desancorou ainda mais as expectativas, o que fez com que a inflação superasse o teto da meta pelos três anos seguidos.

Como resultado, a Selic teve de voltar para os dois dígitos e permaneceu por vários trimestres em 14,25% ao ano.

Só caiu para os 6,5% do início do mandato de Jair Bolsonaro devido à boa condução e ao comprometimento da Autoridade Monetária, sob comando de Ilan Goldfajn.

Ao assumir o BC, ele conseguiu ancorar novamente as expectativas.

Fim do flashback.

De volta a 2021.

A inflação está rodando muito acima da meta e há bons motivos para isso: alta das commodities internacionais, crise hídrica que eleva os preços dos alimentos e da energia, alta do dólar que pressiona os preços dos combustíveis.

Um bom argumento contra a alta dos juros é que essas causas vêm de desajustes da oferta, e não da alta da demanda.

Portanto, o livro texto não recomendaria uma alta de juros para desaquecer a economia.

Mas vale também ponderar sobre as consequências potencialmente perversas da desancoragem das expectativas para o Brasil.

Em uma economia fechada e oligopolizada como a nossa, processos inflacionários podem tornar-se crônicos e severos, exigindo doses muito maiores do remédio amargo dos juros.

Indicadores

O IAEmp (Indicador Antecedente de Emprego) do Instituto Brasileiro de Economia da FGV subiu 1,6 ponto em julho, para 89,2 pontos, maior nível desde fevereiro de 2020 (92,0 pontos).

Em médias móveis trimestrais, o IAEmp variou 3,5 pontos, para 86,7 pontos.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros do Ibovespa iniciam o dia em forte alta.

Além do movimento positivo do mercado internacional, a elevação das ações da Petrobras após os bons resultados e as compras de investidores internacionais puxam os preços.

As notícias são positivas para a Bolsa.

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Leia também: Copom anuncia aumento da taxa Selic para 5,25% ao ano.

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As commodities e a inflação https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/as-commodities-e-a-inflacao https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/as-commodities-e-a-inflacao#respond Tue, 27 Apr 2021 13:34:22 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=23729 Os últimos meses têm sido muito positivos para os mercados acionários ao redor do mundo. A combinação entre o avanço da vacinação, a retomada da economia e as políticas de estímulo dos bancos centrais mais importantes fizeram disparar os preços das ações. Porém, esse movimento não se restringiu à renda variável. Também vem influenciando os… Read More »As commodities e a inflação

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Os últimos meses têm sido muito positivos para os mercados acionários ao redor do mundo. A combinação entre o avanço da vacinação, a retomada da economia e as políticas de estímulo dos bancos centrais mais importantes fizeram disparar os preços das ações. Porém, esse movimento não se restringiu à renda variável. Também vem influenciando os preços das commodities, especialmente as minerais.

Os exemplos são vários. O minério de cobre, por exemplo. Se observarmos uma série histórica de 60 anos da Commodities Stock Exchange (Comex) de Nova York, vemos que o pico absoluto dos preços foi em janeiro de 2011, quando as cotações atingiram 4,58 dólares por libra. Na segunda-feira (26) elas fecharam a 4,34 dólares por libra, apenas um pouco abaixo do pico histórico.

O mesmo raciocínio vale para o minério de ferro. Na segunda-feira (26) as cotações internacionais do minério com teor de hematita a 63,5 por cento no porto chinês de Tianjin, considerado uma referência global, subiram mais ainda, para 189 dólares por tonelada. Para comparar, em abril de 2020, as cotações eram de 80,90 dólares por tonelada. Em um ano, a alta foi de 129,3 por cento em dólares.

Cobre, ferro, milho, soja. A maioria das commodities está em alta e justifica um aumento da oferta. Porém, isso é mais difícil nas commodities minerais do que nas agrícolas. No caso do minério de ferro, por exemplo, o aumento de demanda veio numa época que a maioria dos players não estava investindo em aumento de capacidade. Assim, os preços deverão permanecer elevados, o que beneficia as produtoras brasileiras. Em sua maioria elas são empresas muito eficientes. Por isso, o cenário de demanda elevada devido aos investimentos em infraestrutura deve contribuir para uma alta de suas receitas.

Qual a conclusão disso? No caso brasileiro, investir em commodities é uma boa proteção contra as turbulências da política e contra uma eventual alta da inflação. O IPCA-15 de abril mostrou uma desaceleração em relação a março (Leia mais abaixo), mas, mesmo assim, a edição mais recente do relatório Focus mostra que os prognósticos para a inflação em 2021 superam 5 por cento. Ou seja, vale a pena pensar em ações de commodities como uma estratégia defensiva contra a inflação.

Cenário Internacional

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) inicia hoje uma reunião de dois dias que não deve trazer nenhuma mudança na política monetária. Os prognósticos são de que há 93,1 por cento de probabilidade de que o Fed mantenha a taxa de juros no atual intervalo entre zero e 0,25 por cento ao ano. Há uma probabilidade pequena de 6,8 por cento de que o Fed mande os juros para o terreno negativo, entre – 0,25 por cento e zero. Não se espera alta. Porém, o mais esperado é uma alteração da ênfase do Fed de manter acelerados os estímulos à economia.

Indicadores econômicos

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial caiu para 0,60 por cento em abril, baixa de 0,33 ponto percentual em relação aos 0,93 por cento registrados em março. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 2,82 por cento. Em 12 meses, a alta é de 6,17 por cento, acima dos 5,52 por cento registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em abril de 2020, a taxa foi de 0,01 por cento negativo. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com alta de 5,49 por cento, a gasolina  permanece como o produto com o principal impacto no índice.

E Eu Com Isso?

O dia começa com os contratos futuros do Ibovespa em leve queda, ao passo que o mercado americano apresenta uma discreta valorização. O dia deverá ser marcado por uma volatilidade elevada em função dos números das empresas que serão divulgados no decorrer do período e a espera da decisão do FED.

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Leia também: O governo e a CPI.

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