
Até agora, o maior impacto foi nos preços do ouro, que subiram 2 por cento em Londres para 4.419 dólares por onça-troy. No entanto, os preços do petróleo – principal produto da Venezuela, responsável por 1 por cento da oferta mundial – seguem estáveis. O contrato futuro de fevereiro do barril de petróleo do tipo Brent, referência para a Petrobras (PETR4), está estável em 60,70 dólares, queda de 0,08 por cento.
Os contratos futuros dos principais índices acionários americanos estão com leves altas no pré-mercado, e o índice de volatilidade VIX está em 15,16 pontos, alta de 4,48 por cento, mas abaixo dos cerca de 26 pontos no fim de novembro.
A maior dúvida no mercado é o que ocorrerá com o petróleo. Neste momento os preços estão em baixa porque a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vem mantendo a oferta elevada. Prova disso é que não ocorreu o fenômeno de inversão da curva de preços, quando o petróleo no mercado à vista fica mais caro do que no mercado futuro.
As declarações iniciais de Marco Rubio, secretário de Estado americano, foram de que as exportações venezuelanas poderiam ser embargadas como instrumento de coerção do novo governo, em vez de uma ocupação militar americana. Porém, a ex-vice-presidente Delcy Rodriguez, que foi empossada por 90 dias na presidência, já assumiu um tom conciliador, o que pode reduzir a probabilidade de problemas na oferta da commodity.
Bem está o que bem acaba? Longe disso. A consequência mais grave da iniciativa americana é que ela elevou os riscos geopolíticos em diversos outros pontos do mundo. Nunca se sabe exatamente o que Donald Trump quer dizer. Ele afirmou que os Estados Unidos estariam dispostos a uma ocupação militar na Venezuela.
Quem se lembra do custo de operações semelhantes no Iraque e no Afeganistão acha essa hipótese remota. Por isso, o mais provável é que haja uma composição com o novo governo e que as empresas petrolíferas americanas voltem a extrair óleo da Venezuela.
O problema – na cabeça dos investidores – é que o fato de Trump ter mandado tropas para prender Maduro pode levar Xi Jinping, o presidente chinês, a pensar em fazer algo parecido com Taiwan. Ou inspirar Vladimir Putin a mandar mísseis para Kiev. Ou levar Kim Jong-Un, o ditador norte-coreano, a ter ideias.
Isso não apareceu nos preços dos ativos – e pode nunca aparecer. Prever o futuro é difícil. Não é possível descartar a hipótese de que o que ocorreu na Venezuela seja apenas um incidente isolado. Uma intervenção que não seguiu as regras e foi motivada pelo petróleo, mas que afastou do poder um ditador que transformou a vida dos venezuelanos em um inferno. Nota importante: nada garante que a vida do venezuelano médio melhore com isso, pois a elite que cercava Maduro segue no comando.
Porém, também não é possível descartar a hipótese de que a ação americana em Caracas na madrugada do sábado marque o início de um ciclo de endurecimento militar, com impactos na sociedade e na economia de dezenas de países, Brasil entre eles. Por isso, apesar de a ação na Venezuela não indicar um risco imediato, é preciso que os investidores coloquem mais um assunto no radar.
E Eu Com Isso?
A percepção inicial é que a prisão de Nicolás Maduro é um problema pontual, que não terá um impacto intenso nos mercados. Os contratos futuros dos principais índices americanas estão em alta no pré-mercado, o que não indica uma reação intensa ao ocorrido. No entanto, o aumento da incerteza pode provocar episódios de volatilidade.
As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade
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