Denise Campos de Toledo EECI

Retrato da economia melhorou, mas esconde grandes desafios

PIB com expansão de 1%, no primeiro trimestre; queda do desemprego para 10,5% na PNAD; superávit primário de R$ 38,9 bilhões do setor público consolidado em abril; e melhoria dos índices de confiança empresariais dão a ideia de um bom momento da economia brasileira. E, de fato, alguns dados têm surpreendido positivamente. Até o mercado, apesar de muita instabilidade ao longo do mês, conseguiu fechar maio com Bolsa em alta e dólar em queda. A questão é que esses dados poderiam ser ainda maiores não fossem questões mal resolvidas como a inflação e o baixo nível de investimentos. 

A inflação afeta o poder de compra da população. O consumo foi um dos indicadores positivos do PIB, mas se a inflação não estivesse rodando nos dois dígitos poderia ter avançado ainda mais. A própria PNAD, mesmo com a queda do desemprego, mostra a dificuldade da recuperação do rendimento pré-pandemia, justamente que peso da inflação. Sem esquecer das dificuldades de as empresas administrarem as pressões de custos, diante de uma demanda sem capacidade financeira de absorver o repasse desses custos. Por outro lado, é preciso considerar que a alta dos juros em andamento, para tentar fazer a inflação retornar para trajetórias compatíveis com as metas, terá efeito contracionista sobre a atividade. O que pode comprometer a evolução favorável de alguns desses indicadores. Por mais que se conte com uma expansão da economia acima da que era esperada neste ano, o segundo semestre tende a mostrar mais os efeitos dos juros.

E a inflação alta em ano de eleições, com todo o impacto negativo que pode ter sobre a popularidade e intenções de votos, tem levado o governo e congressistas a uma indústria de medidas de curto prazo, pra tentar conter os aumentos. São medidas em andamento que podem afetar a receita das várias esferas de governo, levar a intervenções, principalmente na política de preços dos combustíveis e na definição de tarifas de energia, que pegam mal junto a investidores. Se fala até em estado de calamidade, o que daria espaço para subsídios, mais gastos sociais, intervenções, com mais consequências do lado fiscal, independentemente de as contas também estarem com performance mais positiva. Performance que, aliás, além de refletir a melhoria de atividade de alguns setores e ganhos decorrentes da alta de preços de produtos básicos exportados pelo País, ainda tem o reforço da inflação, que tem ajudado muito nos recordes de arrecadação. 

Portanto, por mais que o retrato da economia esteja melhor, ele esconde desafios relevantes, num contexto global que ainda pode impor mais dificuldades, desde mais aumentos de preços estratégicos, como de alimentos e petróleo, até os reflexos dos ajustes de política monetária em outros países, especialmente nos Estados Unidos. Dirigentes do FED têm flertado com aumentos maiores dos juros, até pelos indicadores que confirmam o bom momento do emprego e da demanda.

A economia brasileira pode fechar o ano com avanço superior ao que vinha sendo projetado, assim como as contas públicas e o emprego, mas há uma boa possibilidade de perda de fôlego no segundo semestre, onde as eleições aumentam as incertezas, sem esquecer que parte da melhoria atual vem de transferências de renda, como a liberação do FGTS e antecipação do décimo terceiro dos aposentados. Novas injeções de recursos ou cortes de tributos para melhorar evolução dos preços e consumo, dando continuidade a movimentos mais benignos dos indicadores, podem levar à necessidade de ajustes mais fortes, para correções de rota em 2023.

Podemos até comemorar a melhoria recente dos indicadores. Só é preciso lembrar que o PIB potencial continua baixo e faltam mudanças estruturais para estabelecer as condições para um crescimento mais robusto, de longo prazo e com estabilidade. 

 

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