Rumo - Rail3 - levante

Números do 4T20 da Rumo (RAIL3)

Na noite desta quinta-feira (11), a Rumo (RAIL3) divulgou seus resultados referentes ao quarto trimestre e do ano fechado de 2020, após o fechamento de mercado. O resultado foi regular e veio abaixo do esperado em termos de Ebitda, com destaque negativo para a queda na tarifa (frete) ferroviário.

Um ano de competição acirrada pela carga de produtos agrícolas, sobretudo em grãos, devido à forte oscilação dos preços de combustíveis ao longo do ano (fechando em média em menor preço que 2019) e à pavimentação completa da rodovia BR-163, uma das mais importantes do país, que liga a região produtora de grãos no MT aos portos da região norte, favorecendo o serviço de frete rodoviário por lá, pela primeira vez na história.

Os principais destaques positivos do resultado foram:

i) Maior volume transportado de produtos, alcançando mais um recorde para a empresa com 16,2 bilhões de TKU (toneladas úteis por quilômetro) no 4T20 (crescimento de 8 por cento em relação a 4T19) e 62,5 bilhões de TKU em 2020, um crescimento de 3,9 por cento ante 2019.

ii) Continuação da melhoria nos indicadores operacionais da companhia, com indicadores de consumo de diesel por quilômetro, taxa de acidentes ferroviários e taxa de acidentes pessoais reduzindo em 5,3 por cento, 17,1 por cento e 40 por cento respectivamente em 2020, comparando com o ano de 2019, contribuindo para a melhoria de margens e permitindo uma maior competitividade.

Os destaques negativos foram:

i) Queda relevante do frete ferroviário no 4T20 de 16,9 por cento em relação a 4T19 na operação Norte, a de maior fluxo para a companhia, chegando a 80,6 reais por mil TKU no trimestre, o menor patamar em pelo menos 7 anos, contribuindo para a piora das margens.

O Ebitda (métrica de geração de caixa potencial) no 4T20 apresentou queda de 15,6 por cento em relação ao 4T19, ficando em 758 milhões de reais e margem de 45,6 por cento ante 53,9 por cento no 4T19. No consolidado do ano o Ebitda foi de 3,664 bilhões de reais (margem de 52,6 por cento) ante 3,829 bilhões de 2019 (margem de 54 por cento).

ii) Maior mix de produtos de menor margem, como açúcar e fertilizantes na parcela total de produtos transportados, impactando nos custos totais e na queda de receita, além de maiores despesas administrativas e com segurança da informação.

E Eu Com Isso?

Os resultados da companhia foram fortemente afetados pela competição acirrada na Malha Norte devido à operação da BR-163 (a famosa rodovia que todo ano era noticiada com atolamentos de caminhão), uma das principais vias de escoamento de grãos para os portos no norte. A rodovia ainda não tem cobrança de pedágio por ser uma obra recente que, combinado com menores preços de combustíveis ao longo de 2020 (com exceção do mês de dezembro), tornou o frete rodoviário mais atrativo, reduzindo fortemente a tarifa de ferrovia.

Esperamos um impacto negativo no preço das ações (RAIL3) da companhia no curto prazo, devido à performance recente (com queda de 1,59 por cento no último pregão ante alta de 0,73 no Ibovespa) e perspectivas bastante favoráveis para a companhia para 2021 em diante, apesar dos resultados ruins no 4T20 e no consolidado de 2020.

Os preços dos combustíveis vêm se recuperando de maneira mais forte, devido às altas do petróleo desde novembro de 2020, o que melhora o ambiente competitivo para o transporte ferroviário, compensando em partes a competição de certa forma desleal da nova BR-163 (ainda sem tarifa de pedágio), embora amplamente favorável para a economia brasileira como um todo.

Para 2021 há uma projeção de mais uma safra recorde de grãos, com crescimento em torno de 8 por cento em relação ao volume de 2020 para milho e soja (principais produtos transportados pela Rumo), e expectativa de maior parcela de exportação para os produtos, sendo a Rumo mais competitiva nesse caso, com as malhas integradas com os principais portos do país, incluindo o Porto de Santos.

Um componente adicional que favorece as perspectivas para a companhia é o início das operações da Malha Central que liga os polos produtores agrícolas de Goiás e uma parte da região MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) com as malhas principais do sudeste, até então em fase pré-operacional e somente consumindo caixa.

Enxergamos a Rumo como um caso de visão de longo prazo, com investimentos com volumes financeiros grandes e aplicadas ao longo de muitos anos (acima de 30), que leva um tempo para gerar resultados consistentes, porém a empresa é de longo a líder no mercado de transporte ferroviário e vem crescendo de maneira consistente ano após ano e, recentemente concluiu um processo de desalavancagem mais forte, gerando resultados líquidos positivos em todos os trimestres.

Análise complementar: antecipação da outorga

Um elemento relevante para a companhia na geração de caixa livre no longo prazo foi o pré-pagamento de cerca de 70 por cento da concessão das Malhas Central e Paulista, com recursos do último Follow-On (oferta subsequente de ações), realizando o pagamento das outorgas no valor total de 5,1 bilhões de reais em adiantamento.

Apesar de não haver desconto no valor das parcelas futuras, o pré-pagamento zera os efeitos do reajuste das parcelas anuais (custo de capital regulatório em torno de 11,04 por cento ao ano) pelos próximos 15 a 17 anos, além dos menores encargos financeiros sobre o passivo, o que gera uma economia no fluxo de caixa em torno de 650 milhões de reais ao ano, segundo estimativas da própria companhia.

Além disso, a Malha Paulista está em fase de expansão e melhorias e a Malha Central já inicia as operações em 2021, se tornando mais uma fonte de crescimento de receita, além do próprio volume de produtos agrícolas projetada para este ano, apresentando-se como elementos importantes que podem impulsionar os resultados da companhia, não somente para este ano, porém no longo prazo principalmente.

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Leia mais sobre a empresa: Rumo vai construir novo terminal em Santos.

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