Denise Campos de Toledo EECI

Incertezas levam a exagero na aversão ao risco 

A piora acentuada dos mercados nas últimas semanas refletiu uma deterioração exagerada de expectativas, muito relacionada aos juros nos Estados Unidos. Exagerada porque, apesar das indicações dos dirigentes do Federal Reserve quanto à necessidade de mais aumento dos juros, que podem ser mantidos em patamar mais alto por mais tempo, com menos cortes no ano que vem, não se justifica a disparada em níveis históricos das taxas dos títulos americanos.
 
 Situação com reflexos no dólar, nas Bolsas, inclusive aqui, assim como na curva de juros, independentemente da Selic em queda. Aí vem um dado melhor de inflação ou uma geração menor de emprego para o mercado enxergar um cenário menos nebuloso, devolver um pouco do exagero, mas sem consistência para retomar um comportamento mais favorável. A trajetória tem sido pesada desde setembro..
 
Estamos, de fato, em um momento de grandes incertezas quanto aos Estados Unidos. Não só pela questão dos juros. Mas o pais escapou de um shutdown na última hora, com um acordo entre governo e Congresso que vale só até meados de novembro. E há uma cobrança pesada por cortes de gastos tendo em vista até o orçamento de 2024. Apesar das dificuldades inéditas da Câmara, com troca da presidência, a maioria republicana não deve aliviar a situação para Biden. E uma eventual paralisia do governo, com suspensão de pagamentos, pode afetar a atividade econômica de forma mais ampla, assim como se teme com um maior aperto monetário. Mas a ideia ainda é de exagero do mercado, principalmente pela persistência da pressão sobre os juros. Não tem sido apenas um ajuste pontual.
 
E as consequências bateram forte por aqui fazendo o dólar passar rápido até dos R$ 5,15. Fatores que acabam piorando as perspectivas quanto ao ponto de chegada do corte dos juros, pelo Copom, e eventual mudança no ritmo dos cortes. O dólar pode comprometer a esperada convergência da inflação para as metas, assim como o petróleo em patamar mais alto. Petróleo que só recuou pontualmente nesta semana pelas previsões de uma menor demanda. Mas os cortes de oferta,  que levaram à alta da cotação foram mantidos. Portanto, qualquer melhora em termos de atividade e demanda pode sustentar novos avanços da cotação.
 
Pra dificultar o controle da inflação ainda tem a melhora do mercado de trabalho, com queda do desemprego e forte aumento da massa salarial. O que é muito positivo do ponto de vista social e para a atividade, que pode continuar superando as previsões, só que também tende a reforçar a demanda, dando mais espaço para aumentos de preços, como de serviços. Nesse sentido ainda tem o reforço dos programas de transferência de renda do governo e o Desenrola, que está aliviando as finanças e limpando o nome de milhões de brasileiros.
 
Além desses fatores, que podem influenciar a inflação, tem a questão fiscal. Por mais que haja esforço para ampliação da receita, que ainda tem enroscado nas negociações políticas, cresce o consenso que, sem cortes de gastos, o governo não conseguirá cumprir as metas do arcabouço. E, por aí, não adianta o apoio de Campos Neto a Haddad, nem o próprio esforço do ministro em conter gastos e aprovar medidas que reforcem a receita, nem as promessas de ajuste de Simone Tebet. Faltam resultados mais concretos e projeções confiáveis quanto à real evolução da receita. As medidas propostas pelo governo parecem superestimadas mesmo que sejam aprovadas. E os gastos são uma pedra no caminho do ajuste. 
 
A percepção dominante, que também tem colaborado para a piora dos movimentos do mercado local, é que o governo, em algum momento, terá de rever as metas ou justificar possível não cumprimento. 
Todo esse “pacote” de problemas até explica as movimentações bruscas das últimas semanas, carregadas do tal exagero. 
 
Fato é que, infelizmente, estamos convivendo com um quadro geral de incertezas, que exige maior cautela na tomada de decisões. Nesse contexto nem citei China e outros focos de dúvidas, como a eficácia e efeitos das políticas de juros adotadas por outros bancos centrais e questões geopolíticas. O problema é a dosagem da aversão ao risco, dos movimentos defensivos, que podem tornar a realidade mais difícil.

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