Denise Campos de Toledo EECI

Incertezas à parte, mercado reage às condições mais favoráveis

O cenário econômico brasileiro ainda tem uma série de incertezas. Não há definições maiores quanto à política a ser definida pelo Ministério da Fazenda em relação às finanças públicas, apenas declarações no sentido que haverá responsabilidade fiscal. O que se contrapõe às repetidas falas do presidente Lula, quanto à necessidade de se ter responsabilidade fiscal e social. Também há dúvidas quanto à Reforma Tributária que se pretende levar adiante. Se espera uma proposta semelhante às que já estão em tramitação no Congresso, a PEC 45 e a PEC 110, que preveem a fusão de tributos, simplificação do sistema, com redistribuição da carga. Mas já se falou em acabar com o IPI, taxação dos mais ricos, dos lucros e dividendos, isenção para quem ganha até R$ 5 mil, que de início poderia ser para a faixa até R$ 2 mil.

O cenário econômico brasileiro ainda tem uma série de incertezas. Não há definições maiores quanto à política a ser definida pelo Ministério da Fazenda em relação às finanças públicas, apenas declarações no sentido que haverá responsabilidade fiscal. O que se contrapõe às repetidas falas do presidente Lula, quanto à necessidade de se ter responsabilidade fiscal e social. Também há dúvidas quanto à Reforma Tributária que se pretende levar adiante. Se espera uma proposta semelhante às que já estão em tramitação no Congresso, a PEC 45 e a PEC 110, que preveem a fusão de tributos, simplificação do sistema, com redistribuição da carga. Mas já se falou em acabar com o IPI, taxação dos mais ricos, dos lucros e dividendos, isenção para quem ganha até R$ 5 mil, que de início poderia ser para a faixa até R$ 2 mil.

Tenho repetido muito essas questões neste espaço porque são das mais relevantes quando se pensa em perspectivas para a economia. Só que o mercado tem deixado um pouco de lado essas incertezas, respondendo mais às condições mais favoráveis, como ocorreu com a definição dos juros nos Estados Unidos e no Brasil.

Como era esperado o Federal Reserve desacelerou o ajuste, com alta de 0,25 pp da taxa de juros, para a faixa de 4,5 a 4,75%. Ainda destaca o objetivo de fazer a inflação caminhar para a meta de 2%, inflação que fechou 2022 em 6,5%, depois de bater em 9,1% no meio do ano. Porém, a leitura do mercado é que o FED pode aliviar os juros na medida em que a inflação continue cedendo e a economia tenha indícios de retração, embora o mercado de trabalho siga robusto, atrapalhando uma queda mais rápida dos preços. No comunicado, o FED ainda citou as incertezas decorrentes da guerra na Ucrânia. Mas a ideia é que os juros não subam muito mais e possam ter até algum corte antes do final do ano. Diferente da Europa, onde o BCE elevou os juros em 50 pontos e deve repetir a dose em março. Mas a referência para reações do mercado são os juros nos EUA.

No Brasil, o Copom manteve a taxa Selic em 13,75%, em linha com o esperado, mas com discurso mais austero, onde destaca a persistência da inflação, o aumento das projeções, e das incertezas, inclusive em relação ao fiscal. Sinalizou que vai perseverar com a atual política até que haja desinflação e convergência das expectativas para as metas, colocando até à possibilidade de novos ajustes (altas) dos juros, se julgar necessário. Além dessa posição reafirmar a importância da independência do BC, dá uma certa amenizada quanto à possibilidade de o governo querer elevar as metas de inflação.

Por outro lado, a desaceleração da alta dos juros nos Estados Unidos com a manutenção de juros elevados pelo Copom por mais tempo mantêm uma atratividade importante para os investimentos em renda fixa no Brasil. Isso num momento em que os investidores já têm demonstrado maior apetite pelos investimentos locais, independentemente do risco decorrente das incertezas citadas.  Movimento registrado desde o mês passado, até mesmo na Bolsa, que registrou em janeiro o ingresso de R$ 12,5 bilhões em capital estrangeiro. Entre outros fatores, a Bolsa tem reagido à previsão de maior expansão da China, depois de abandonar a política de Covid zero, nos segmentos ligados às commodities. Embora por aí se tenha os riscos de desaceleração global, fora questões mais pontuais do Brasil, como possíveis alterações na política de preços da Petrobras ou a crise envolvendo a Americanas. Mas os investidores têm aproveitado as boas oportunidades, ainda que de curto prazo.

Cabe ressaltar o resultado das eleições para as presidências da Câmara e do Senado que se não são garantia de maiores facilidades para o governo também não devem impor mais dificuldades, como poderia ocorrer no caso de vitória de Rogério Marinho no Senado, representante, em princípio, do Bolsonarismo. E tanto Arthur Lyra como Rodrigo Pacheco colocam em destaque a necessidade do novo arcabouço fiscal e de aprovação da Reforma Tributária.

Foi no embalo de todo esse cenário que o dólar, nesta semana, testou a faixa abaixo dos R$ 5,00. Isso para falar de condições econômicas, porque embates institucionais, investigações e denúncias de atos golpistas, de prevaricação também são observados com atenção, já que podem tumultuar este início de governo, iclusive no que se refee ao encaminhamento de pautas.

Tenho repetido muito essas questões neste espaço porque são das mais relevantes quando se pensa em perspectivas para a economia. Só que o mercado tem deixado um pouco de lado essas incertezas, respondendo mais às condições mais favoráveis, como ocorreu com a definição dos juros nos Estados Unidos e no Brasil.

Como era esperado o Federal Reserve desacelerou o ajuste, com alta de 0,25 pp da taxa de juros, para a faixa de 4,5 a 4,75%. Ainda destaca o objetivo de fazer a inflação caminhar para a meta de 2%, inflação que fechou 2022 em 6,5%, depois de bater em 9,1% no meio do ano. Porém, a leitura do mercado é que o FED pode aliviar os juros na medida em que a inflação continue cedendo e a economia tenha indícios de retração, embora o mercado de trabalho siga robusto, atrapalhando uma queda mais rápida dos preços. No comunicado, o FED ainda citou as incertezas decorrentes da guerra na Ucrânia. Mas a ideia é que os juros não subam muito mais e possam ter até algum corte antes do final do ano. Diferente da Europa, onde o BCE elevou os juros em 50 pontos e deve repetir a dose em março. Mas a referência para reações do mercado são os juros nos EUA.

No Brasil, o Copom manteve a taxa Selic em 13,75%, em linha com o esperado, mas com discurso mais austero, onde destaca a persistência da inflação, o aumento das projeções, e das incertezas, inclusive em relação ao fiscal. Sinalizou que vai perseverar com a atual política até que haja desinflação e convergência das expectativas para as metas, colocando até à possibilidade de novos ajustes (altas) dos juros, se julgar necessário. Além dessa posição reafirmar a importância da independência do BC, dá uma certa amenizada quanto à possibilidade de o governo querer elevar as metas de inflação.

Por outro lado, a desaceleração da alta dos juros nos Estados Unidos com a manutenção de juros elevados pelo Copom por mais tempo mantêm uma atratividade importante para os investimentos em renda fixa no Brasil. Isso num momento em que os investidores já têm demonstrado maior apetite pelos investimentos locais, independentemente do risco decorrente das incertezas citadas.  Movimento registrado desde o mês passado, até mesmo na Bolsa, que registrou em janeiro o ingresso de R$ 12,5 bilhões em capital estrangeiro. Entre outros fatores, a Bolsa tem reagido à previsão de maior expansão da China, depois de abandonar a política de Covid zero, nos segmentos ligados às commodities. Embora por aí se tenha os riscos de desaceleração global, fora questões mais pontuais do Brasil, como possíveis alterações na política de preços da Petrobras ou a crise envolvendo a Americanas. Mas os investidores têm aproveitado as boas oportunidades, ainda que de curto prazo.

Cabe ressaltar o resultado das eleições para as presidências da Câmara e do Senado que se não são garantia de maiores facilidades para o governo também não devem impor mais dificuldades, como poderia ocorrer no caso de vitória de Rogério Marinho no Senado, representante, em princípio, do Bolsonarismo. E tanto Arthur Lyra como Rodrigo Pacheco colocam em destaque a necessidade do novo arcabouço fiscal e de aprovação da Reforma Tributária.

Foi no embalo de todo esse cenário que o dólar, nesta semana, testou a faixa abaixo dos R$ 5,00.

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