Ernesto Araújo - Divulgação

Ernesto Araújo contra o Senado

Após crescente pressão pela saída do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, feita principalmente por senadores durante a semana passada, o fim de semana tornou o embate ainda mais acirrado.

Em suas redes sociais neste domingo (28), o chefe do Itamaraty insinuou que a pressão pela sua demissão não tinha a ver com as dificuldades sobre a importação de vacinas, mas, sim, por lobby em relação ao leilão do 5G no Brasil. Na mensagem, o ministro ainda atacou diretamente a presidente da comissão de Relações Exteriores do Senado, a senadora Kátia Abreu (PP-TO).

Diante do ocorrido, outros integrantes do Congresso vieram a público defender a senadora e endurecer as críticas ao chefe da pasta. Entre os nomes, estão Davi Alcolumbre (DEM-AP), Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Rodrigo Maia (DEM-RJ), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Ciro Nogueira (PP-PI), Simone Tebet (MDB-MS), entre outros que lamentaram o novo conflito político, mas enfatizaram que Araújo não tem mais condições de chefiar o Itamaraty.

Um grupo de oposição, capitaneado pelos senadores Randolfe Rodrigues e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), deve apresentar nesta segunda ao Supremo Tribunal Federal um pedido de impeachment do ministro, alegando crime de responsabilidade pelo atraso na importação de vacinas. O STF é o único órgão que pode destituir um ministro de estado.

Apesar de Bolsonaro ter manifestado apoio a Araújo na semana passada, negando sua saída, nos bastidores do Planalto entende-se que a situação é insustentável e a permanência do ministro é praticamente impossível. Nomes como Nestor Foster – diplomata de carreira e atualmente embaixador em Washington, D.C. – e o almirante da ativa Flávio Rocha, atualmente na secretaria de Comunicação, estão sendo ventilados para assumir o comando do Itamaraty.

E Eu Com Isso?

Sempre polêmico por ser ligado à ala ideológica do governo, Araújo entrou em rota de colisão com parlamentares desde a semana passada, e sua saída é somente uma questão de tempo. Ocorre que o presidente Bolsonaro vai tentar remanejá-lo para não deixar a base bolsonarista, que apoia o ministro, descontente com o desfecho.

Esperamos uma resolução sobre o tema em breve, até para colocar panos quentes nesta nova crise com congressistas – especialmente senadores, que têm pressionado muito o presidente Rodrigo Pacheco por uma atitude mais incisiva quanto ao ministro. Os mercados, porém, não devem ser influenciados pela eventual troca no ministério, acompanhando o embate de longe e esperando por um breve ponto final na história.

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