andre brandao eeci

Demissão de André Brandão

Um dia após sinalizar que demitiria o presidente do Banco do Brasil (BBAS3), o presidente Bolsonaro cedeu à pressão de nomes como o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para reverter a decisão de trocar o comando do banco estatal.

Sendo assim, tudo indica que o atual presidente do BB, André Brandão, ficará no comando da companhia até segunda ordem, ainda que Bolsonaro tenha considerado inapropriado o plano de enxugamento de agências e o Programa de Demissão Voluntária (PDV) que buscava atingir cerca de 5 mil funcionários.

A permanência de Brandão, contudo, passa diretamente por algumas questões em aberto, após o episódio: se o executivo terá que reverter o programa de enxugamento; e se a diretoria do Banco terá que acolher indicações do Centrão. Ambos os pontos não são nada triviais e vão na contramão da autonomia prometida ao atual presidente do banco, quando lhe foi estendido o convite.

Ao mesmo tempo, mesmo com a permanência de Brandão no cargo, a possível reversão de medidas que buscam gerar maior eficiência e diminuir o gargalo entre o banco e seus concorrentes privados coloca em xeque a aderência do governo a um projeto liberal, que requer esse tipo de sacrifício em prol da competitividade. O Banco do Brasil já vinha efetuando mudanças de ganho de eficiência operacional, como, por exemplo, a redução das suas atividades sociais – caso do Fies, que era responsabilidade do BB e da Caixa Econômica Federal, agora ficando somente com a segunda instituição.

E Eu Com Isso?

Nos bastidores, o diagnóstico é que a demissão de Brandão está temporariamente suspensa, mas existem ainda nós a serem desatados para um desfecho dessa novela. Infelizmente, parece que a insatisfação do presidente é motivo suficiente para suspender as medidas de corte de despesas e, nesse contexto, o atual presidente do banco não deve permanecer no cargo por muito mais tempo. Afinal, sem autonomia, não faria sentido continuar no comando do BB.

No mercado, o sinal amarelo já foi ligado e dificilmente a decisão de não demitir Brandão vai apagar as perdas do Banco do Brasil (BBAS3) desde os rumores da exoneração. A ingerência política já ficou explícita, gerando forte desconfiança entre os acionistas do banco e outros investidores. No pregão de hoje, as ações não devem se destacar positivamente.

Este conteúdo faz parte da nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

Para ficar por dentro do universo dos investimentos de maneira prática, clique abaixo e inscreva-se gratuitamente!

e-eu-com-isso

Leia também: Pacheco tem maioria.

O conteúdo foi útil para você? Compartilhe!

Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no twitter
Compartilhar no facebook

Recomendado para você

Levante Ideias - Totvs
E eu com isso

Totvs capta 1,44 bi em follow-on

A Totvs (TOTS3) anunciou na manhã desta quarta-feira (22) a aprovação de seu conselho de administração para a realização de oferta pública restrita (follow-on), anunciado

Read More »
Levante Ideias - Banco Central
E eu com isso

As incertezas do Copom

Nesta quarta-feira (22), os organismos encarregados de calibrar os juros no Brasil e nos Estados Unidos vão divulgar dois comunicados decisivos. Por aqui, o Banco

Read More »
Levante Ideias - Congresso Nacional
E eu com isso

Seguindo adiante

Governo e Congresso finalmente chegaram a um acordo com relação ao pagamento de precatórios em 2022, resolvendo o imbróglio que ameaçava o rompimento do teto

Read More »

Ajudamos você a investir melhor, de forma simples​

Inscreva-se para receber as principais notícias do mercado financeiro pela manhã.