Risco

Aversão ao risco

O movimento dos mercados nesta quinta-feira (28) promete ser, novamente, marcado pela volatilidade. Isso tem sido a regra dos últimos pregões. Porém, agora há mudanças. O aumento das oscilações não deverá decorrer, apenas, da incerteza dos investidores sobre a continuidade ou não dos pacotes de estímulo à economia pelos Bancos Centrais, com o americano Federal Reserve (Fed) capitaneando o time. Agora, a volatilidade está sendo turbinada por um movimento global de aumento na aversão ao risco.

As causas são várias, além do humor dos banqueiros centrais. Incertezas com o impacto econômico das novas cepas do coronavírus e das novas ondas da pandemia. Os resultados das empresas, que podem trazer surpresas negativas. E mesmo eventos inéditos, como a violenta especulação com as ações da empresa americana de distribuição de jogos eletrônicos GameStop, cujas ações subiram 143 por cento na quarta-feira (27). Oscilações abruptas e intensas de papéis pouco negociados não são novidade. O inédito foi a causa dessa alta. A empresa vinha em dificuldades financeiras, e grandes fundos de hedge estavam apostando na baixa dos papéis. No entanto, inúmeros investidores individuais se organizaram na rede social Reddit e compraram maciçamente as ações. Isso forçou os grandes, em sua maioria vendidos a descoberto, a comprar ações já caras para cobrir suas posições.

A oscilação foi tanta que chegou a provocar perguntas durante a entrevista coletiva de Jerome Powell, presidente do Fed, na quarta-feira. Na apresentação em que comentou a decisão do Fed de manter os juros inalterados na faixa entre zero e 0,25 por cento ao ano, e jogou um balde de água fria nas expectativas ao afirmar que não espera uma retomada da economia global no curto prazo, Powell foi surpreendido com uma pergunta sobre a alta das ações da GameStop. Disciplinado, ele não comentou o assunto, mas afirmou que “a ligação entre liquidez e altas nos preços dos ativos não é tão forte quanto as pessoas pensam”. Mesmo assim, a confluência entre liquidez exacerbada e a possibilidade de organização de multidões de pequenos investidores por meio de redes sociais acrescenta um componente novo de incerteza na formação de preços de mercado.

Indicadores I

A taxa de desemprego recuou para 14,1 por cento no trimestre encerrado em novembro de 2020, ante os 14,4 por cento registrados no trimestre encerrado em agosto, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a taxa mais alta para esse trimestre móvel específico desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior (11,2 por cento), o aumento é de 2,9 pontos percentuais. O número de desempregados foi estimado em 14 milhões. Já o número de pessoas ocupadas aumentou 4,8 por cento no trimestre encerrado em novembro e chegou a 85,6 milhões. São 3,9 milhões de pessoas a mais no mercado de trabalho em relação ao trimestre anterior. Com isso, o nível de ocupação subiu para 48,6 por cento.

Indicadores II

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 2,58 por cento em janeiro, percentual superior ao apurado em dezembro, quando havia apresentado taxa de 0,96 por cento. Em 12 meses o índice acumula alta de 25,71 por cento. Em janeiro de 2020, o índice havia subido 0,48 por cento e acumulava alta de 7,81 por cento em 12 meses, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 3,38 por cento em janeiro, ante 0,90 por cento em dezembro, pressionado por itens como o minério de ferro, cujos preços avançaram 22,87 por cento (4,34 por cento em dezembro). O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou para 0,41 por cento em janeiro, ante 1,21 por cento em dezembro. E o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,93 por cento em janeiro, ante 0,88 por cento no mês anterior.

Indicadores III

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas recuou 3,6 pontos em janeiro, para 111,3 pontos, a primeira queda mensal após oito meses de altas consecutivas. A média móvel trimestral se manteve estável. Em janeiro, 14 dos 19 segmentos industriais pesquisados registraram queda da confiança. O Índice de Situação Atual (ISA) caiu 3,6 pontos para 116,3 pontos. O Índice de Expectativas (IE) diminuiu 3,3 pontos para 106,3 pontos, o menor nível desde setembro de 2020 (105,9 pontos). O Nível de Utilização da Capacidade Instalada avançou 0,6 ponto percentual, para 79,9 por cento. Esse é o maior valor observado desde novembro de 2014 (80,3 por cento).

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros de Ibovespa estão iniciando a sessão da quinta-feira com uma leve alta após a sucessão de quedas. Já os contratos futuros do índice americano S&P 500 voltam a iniciar a sessão em baixa. Espera-se um dia razoavelmente positivo para o Ibovespa, em um cenário de volatilidade.

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Leia também: Lidando com a incerteza.

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