Denise Campos de Toledo EECI

Aumenta a insegurança quanto ao arcabouço fiscal do futuro governo

O mercado financeiro, após um período de certa leniência e mesmo ânimo em relação à eleição de Lula e as discussões iniciais da PEC da transição, começa a ficar mais preocupado com o risco de o futuro governo colocar o social à frente do fiscal. Vem tendo repercussão ruim o aumento dos valores da licença para gastar fora do teto e o próprio discurso de Lula nesse sentido – ele chegou a criticar a estabilidade fiscal – além do fato de a equipe de transição na área econômica não dar maiores indicações de qual poderá ser a linha do futuro programa de governo. Pérsio Arida seria a única “âncora” de postura mais fiscalista. Tem o ex ministro Nelson Barbosa e ainda Guido Mantega no Planejamento, Orçamento e Gestão da transição, que lembram tudo o que o mercado rejeita em termos de política econômica.

Já se sabia que com qualquer governo o orçamento teria de ser revisto, até pra poder manter o Auxílio Brasil em R$ 600,00. Também se sabia que Lula iria querer reforçar ações sociais, sempre prioritárias para ele, e cumprir promessas de campanha. Nesse sentido, a receptividade inicial de lideranças do Congresso até foi positiva, pelo que representa em termos de governabilidade. O problema tem sido a sensação de um cheque em branco que o futuro governo possa querer garantir.

Importante salientar que isso não necessariamente significa menosprezo com o social. Mas até por experiências de outros países, se sabe que gastos exagerados, sem maior compromisso com a responsabilidade fiscal, acaba se revertendo em pressões no mercado, como no dólar e na Bolsa, fuga de capitais, pressões sobre a inflação, que ainda é um problema, com consequências, talvez, até sobre a política de juros do Banco Central. E tudo isso se reverte em perdas do ponto de vista social.

Vale observar já tivemos o IPCA de outubro em 0,59%, acima das projeções do mercado, que estavam, na média, em 0,49%, provocando também uma certa repercussão desfavorável, enquanto o CPI de 0,4% nos Estados Unidos, inferior às projeções, com a menor variação anualizada desde janeiro, em 7,7%, teve impacto positivo sobre Bolsas e o dólar no exterior. As incertezas com o fiscal, mais o IPCA, colocaram o mercado interno na contramão do movimento externo.

Fato é que aumentou a insegurança quanto à definição do arcabouço fiscal do futuro governo, tanto pelo discurso do presidente eleito como pela falta de definições mais claras quanto aos nomes dos futuros ministérios ( o da Economia deve ser dividido entre Fazenda e Planejamento), tanto dos titulares como da equipe, já que a transição não seria uma referência. 

Enfim, o encaminhamento das discussões sobre a PEC de transição, Bolsa Família, outras despesas sociais, teto de gastos e a formalização dos nomes da futura equipe é que trarão maior clareza quanto ao que esperar da gestão fiscal. Até lá, em meio a especulações e leituras dos vários recados o mercado pode continuar mais volátil e pressionado. 

Não se pode esquecer que a definição de um arcabouço fiscal responsável, independentemente da importância que se dê para o social, pode garantir maior estabilidade doméstica e melhores condições para o País fazer frente aos desafios previstos para 2023, por um cenário externo mais adverso, com juros mais elevados nos vários países, que pode até encostar nos 6% nos Estados Unidos, e pior performance da economia global. Sendo que para o Brasil a previsão já é de menor crescimento o que tende a afetar as contas do lado da receita, da geração de impostos. Com mais gastos, a relação dívida PIB também será impactada negativamente.

Se nesse contexto o Brasil tiver a credibilidade fiscal abalada, independentemente de estar melhor posicionado em questões como meio ambiente, as dificuldades econômicas podem aumentar, se revertendo, como já ressaltei, em danos até no aspecto social. Inflação e juros elevados sempre vão na contramão de uma menor desigualdade ou recuperação da renda.

O mercado financeiro, após um período de certa leniência e mesmo ânimo em relação à eleição de Lula e as discussões iniciais da PEC da transição, começa a ficar mais preocupado com o risco de o futuro governo colocar o social à frente do fiscal. Vem tendo repercussão ruim o aumento dos valores da licença para gastar fora do teto e o próprio discurso de Lula nesse sentido – ele chegou a criticar a estabilidade fiscal – além do fato de a equipe de transição na área econômica não dar maiores indicações de qual poderá ser a linha do futuro programa de governo. Pérsio Arida seria a única “âncora” de postura mais fiscalista.

Já se sabia que com qualquer governo o orçamento teria de ser revisto, até pra poder manter o Auxílio Brasil em R$ 600,00. Também se sabia que Lula iria querer reforçar ações sociais, sempre prioritárias para ele, e cumprir promessas de campanha. Nesse sentido, a receptividade inicial de lideranças do Congresso até foi positiva, pelo que representa em termos de governabilidade. O problema tem sido a sensação de um cheque em branco que o futuro governo possa querer garantir.

Importante salientar que isso não necessariamente significa menosprezo com o social. Mas até por experiências de outros países, se sabe que gastos exagerados, sem maior compromisso com a responsabilidade fiscal, acaba se revertendo em pressões no mercado, como no dólar e na Bolsa, fuga de capitais, pressões sobre a inflação, que ainda é um problema, com consequências, talvez, até sobre a política de juros do Banco Central. E tudo isso se reverte em perdas do ponto de vista social.

Vale observar já tivemos o IPCA de outubro em 0,59%, acima das projeções do mercado, que estavam, na média, em 0,49%, provocando também uma certa repercussão desfavorável, enquanto o CPI de 0,4% nos Estados Unidos, inferior às projeções, com a menor variação anualizada desde janeiro, em 7,7%, teve impacto positivo sobre Bolsas e o dólar no exterior. As incertezas com o fiscal, mais o IPCA, colocaram o mercado interno na contramão do movimento externo.

Fato é que aumentou a insegurança quanto à definição do arcabouço fiscal do futuro governo, tanto pelo discurso do presidente eleito como pela falta de definições mais claras quanto aos nomes dos futuros ministérios ( o da Economia deve ser dividido entre Fazenda e Planejamento), tanto dos titulares como da equipe, já que a transição não seria uma referência. 

Enfim, o encaminhamento das discussões sobre a PEC de transição, Bolsa Família, outras despesas sociais, teto de gastos e a formalização dos nomes da futura equipe é que trarão maior clareza quanto ao que esperar da gestão fiscal. Até lá, em meio a especulações e leituras dos vários recados o mercado pode continuar mais volátil e pressionado. 

Não se pode esquecer que a definição de um arcabouço fiscal responsável, independentemente da importância que se dê para o social, pode garantir maior estabilidade doméstica e melhores condições para o País fazer frente aos desafios previstos para 2023, por um cenário externo mais adverso, com juros mais elevados nos vários países, que pode até encostar nos 6% nos Estados Unidos, e pior performance da economia global. Sendo que para o Brasil a previsão já é de menor crescimento o que tende a afetar as contas do lado da receita, da geração de impostos. Com mais gastos, a relação dívida PIB também será impactada negativamente.

Se nesse contexto o Brasil tiver a credibilidade fiscal abalada, independentemente de estar melhor posicionado em questões como meio ambiente, as dificuldades econômicas podem aumentar, se revertendo, como já ressaltei, em danos até no aspecto social. Inflação e juros elevados sempre vão na contramão de uma menor desigualdade ou recuperação da renda.

O conteúdo foi útil para você? Compartilhe!

Recomendado para você

Crypto 101

O que é Staking de Criptomoedas e como fazer na prática? | Crypto 101

Staking de criptomoedas é um processo pelo qual os detentores de determinadas moedas digitais participam da validação e do consenso das transações em suas respectivas redes blockchain. Em essência, é a prática de bloquear uma certa quantidade de criptomoedas em uma carteira específica para apoiar as operações da rede.

Hoje em dia, para quem busca novas maneiras de operar Cripto, o Staking de Criptomoedas é uma maneira inovadora e com alto potencial.

Participe da Comunidade Levante Crypto agora mesmo e fique por dentro das principais notícias desse mercado: https://lvnt.app/uvwfup

Read More »
Crypto 101

Como Montar uma Carteira de Criptomoedas | Crypto 101

Com o avanço do universo cripto, saber como montar uma Carteira de Criptomoedas se torna cada vez mais importante.
Afinal, não é só escolher qualquer moeda digital e investir, certo?
Por isso, no Crypto 101 desta semana, vamos passar pelos tópicos mais importantes sobre o assunto.

Read More »
Manual do Trader

Cruzamento de Tendências na Análise Técnica: Estratégias para Identificar Oportunidades de Trading

Descubra como potencializar seus ganhos no curto prazo com o poderoso conceito de cruzamento de tendências! 📈💡 Neste artigo do Manual do Trader, exploramos os fundamentos do cruzamento de médias móveis e suas aplicações práticas na identificação de oportunidades de trading. Aprenda estratégias simples e eficazes para interpretar os sinais de cruzamento e maximize seus lucros nos mercados financeiros digitais. Não perca esta oportunidade de aprimorar suas habilidades de trading e alcançar o sucesso! 💰✨

Read More »
Crypto 101

Descubra como fazer Trades com Criptomoedas: Estratégias e Dicas Essenciais

Bem-vindo ao Crypto 101! No artigo de hoje, vamos apresentar a você as estratégias essenciais para operar Trades com Criptomoedas de maneira altamente lucrativa. Descubra tudo sobre day trading, swing trading, scalping e arbitragem, e aprenda como aplicar essas técnicas para maximizar seus lucros. Além disso, compartilhamos dicas valiosas sobre gerenciamento de risco, educação e disciplina para ajudá-lo a se tornar um trader mais confiante e bem-sucedido. Não perca esta oportunidade de dominar o mercado de criptomoedas e alcançar seus objetivos de investimento!

Read More »
Manual do Trader

Domine o Jogo do Mercado: Stop e Gerenciamento de Riscos

Deseja dominar as estratégias vitais de Stop e Gerenciamento de Riscos no mercado financeiro? 🛑💼 Neste vídeo, você vai conhecer a fundo o Stop Loss, o Stop Gain e o Gerenciamento de Riscos, além de saber como essas ferramentas podem proteger seus investimentos e maximizar seus ganhos. Descubra como implementar essas estratégias de forma eficaz e mantenha-se no controle do seu portfólio de investimentos. Prepare-se para navegar com confiança nas águas turbulentas do mercado financeiro! 💡💰
🔍Não deixe de conferir este conteúdo aqui no Manual do Trader.

Read More »

Ajudamos você a investir melhor, de forma simples​

Inscreva-se para receber as principais notícias do mercado financeiro pela manhã.