Denise Campos de Toledo EECI

Atual melhoria de indicadores não garante consolidação de cenário mais favorável

Temos tido dias de tensão no mercado global que, em boa medida, também têm levado a um movimento mais incerto no Brasil, com quedas da Bolsa e o dólar testando a faixa dos R$ 5,40. Há uma preocupação com o ritmo de ajuste dos juros nas várias economias, o impacto que pode ter sobre a atividade, com aumento do risco de recessão global. Risco que também decorre da guerra da Ucrânia e efeitos como o possível agravamento da crise energética na Europa, além da menor expansão da China, especialmente pelas restrições impostas no controle da Covid. Pacotes estão sendo lançados para minimizar os efeitos contracionistas, como o corte de tributos no Reino Unido, medidas para compensar a crise de energia na Alemanha e programas de estímulo na China, mas sem garantirem maior confiança em termos de sustentação da atividade. E, por outro lado, declarações como de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, nos Estados Unidos, demonstram à disposição de seguir com uma política mais austera, com maiores impactos sobre a economia, desde que se consiga trazer a inflação para a meta.

Tudo isso tem aumentado muito o grau de incerteza do mercado global. Em relação ao local, até há motivos para um ânimo maior. No Relatório Trimestral de Inflação, o Banco Central admitiu 7% de possibilidade de cumprir a meta inflacionária deste ano, diante da queda recente dos índices. Agora prevê o IPCA em 5,8%, ante o teto de 5% da meta. O mercado vem cortando as projeções há várias semanas, já tendo chegado a 5,88%. Movimento que pode prosseguir, diante do novo recuo de IPCA 15, de 0,37% neste mês e a queda de 0,95% registrada pelo IGPM, também em setembro. A desaceleração da atividade prevista para o Brasil e para a economia global podem ainda colaborar para preços mais baixos, como já vem ocorrendo com algumas commodities.

Considerando apenas este ano, ainda estamos em fase de revisão, para cima, das previsões para o PIB. O BC, no relatório, elevou de 1,7 para 2,7%. E ainda temos dados favoráveis, como a recuperação do mercado de trabalho, reforçando a tendência. A perspectiva de piora da atividade fica para 2023, que deve ser um ano mais desafiador para a economia mundial e a brasileira. A perda de ritmo. que pode colaborar para o controle da inflação – mesmo que o BC tenha aumentado a probabilidade de estouro da meta no próximo ano – também pode trazer mais dificuldades do ponto de vista social e orçamentário, principalmente se, no caso do Brasil, considerarmos as propostas dos candidatos melhor colocados nas pesquisas. Lula e Bolsonaro têm dado ênfase a programas sociais, com gastos que não encaixam no orçamento e falam em mexer no teto, o que, aliás, já tem ocorrido no atual governo, com uma série de manobras, do calote nos precatórios ao estado de emergência. E a sociedade, certamente, estará mais atenta a execução das propostas, em um ambiente ainda polarizado, onde o mercado deve observar mais a questão fiscal.

Quanto ao exterior não se pode prever com maior segurança o grau de freada da atividade, as implicações sobre a demanda, sobre os preços dos produtos básicos, que representam muito na pauta exportadora do País. E ainda tem os riscos geopolíticos em torno da guerra, que já foi muito além do que se previa, e também podem afetar muito o humor do mercado.

Portanto, por mais que hoje possamos comemorar a melhora de vários indicadores econômicos domésticos, a falta de consolidação estrutural desse cenário também reforça o quadro de incertezas e ajuda na instabilidade do mercado. Não se trata de otimismo ou pessimismo como muitos tentam qualificar, até por posicionamento político. É realismo diante de dificuldades com as quais teremos de lidar, independentemente de uma leitura mais favorável que se possa fazer das condições atuais do País, até no comparativo com outras economias, como o fato de estarmos com inflação mais baixa que as mais desenvolvidas.

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