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Pergunta que eu respondo | Domingo de Valor

No fim  de fevereiro de 2021, a Levante Ideias de Investimentos completou três anos de vida. Somos uma casa de análise com ideias de investimentos independentes, sem conflitos de interesse e que preza pela educação financeira dos seus leitores.

Nesse período, eu escrevi mais de 160 artigos e colunas que são enviadas semanalmente para aproximadamente 300 mil leitores. Sempre recebo muitos comentários e dúvidas. Acredito que as dúvidas dos leitores enriquecem bastante o conteúdo e procuro sempre responder diretamente com uma linguagem simples e descomplicada.

O texto de hoje é dedicado aos leitores que sempre me dão muitas ideias e assuntos para escrever. Na coluna de hoje, vou colocar as dúvidas mais frequentes enviadas pelos leitores e seguidores do meu canal do youtube, com a minha resposta direta e reta, sem enrolação sobre os assuntos.

“Como eu faço para saber a próxima vez que determinada empresa irá pagar dividendos?”

Infelizmente não é possível saber com exatidão quando as empresas irão anunciar a distribuição de dividendos. Nem qual será o valor a ser distribuído.

Entretanto, existem épocas mais prováveis para a divulgação dessas informações, como os meses de março e de abril, quando as empresas divulgam o resultado fechado do ano anterior e convocam a Assembleia Geral dos acionistas. É nesse momento que se aprovam as demonstrações financeiras e a distribuição de proventos (dividendos e juros sobre capital próprio).

Pode acontecer de a empresa autorizar uma distribuição intermediária de dividendos durante o ano, que pode ser trimestral, sempre relativo ao resultado do período, ou uma vez por ano em datas variáveis. Nesse caso, aconselho a observar  o histórico de distribuição de dividendos das empresas, pois geralmente as distribuições regulares de proventos podem acontecer nos mesmos meses.

“Vale a pena comprar uma ação que anunciou distribuição de dividendos e vendê-la logo após ela se tornar ex-dividendos?” e “Quando ele cita o exemplo dos dividendos e o ajuste do valor da ação, como exatamente funciona isso?”

Indo direto ao ponto, a resposta é NÃO! Irei utilizar um exemplo numérico para explicar o que acontece quando uma ação passa a ser negociada “ex-dividendos”.

Uma empresa que tem papéis negociados a 100 reais por ação anuncia um dividendo de 10 reais por ação, portanto um retorno esperado de 10 por cento.

A empresa divulga uma data de corte (ex: 22 de abril), data para a posição acionária que dá direito aos acionistas receberem os dividendos. No dia seguinte (23 de abril), as ações passam a ser negociadas “ex-dividendos”, ou seja, quem comprar as ações a partir daquele dia não terá mais o direito a receber os dividendos.

Ocorre um ajuste no preço das ações na B3, pois os acionistas que tinham as ações no dia 22 de abril já têm um crédito a ser recebido na data de pagamento (ex: 30 de abril), enquanto quem compra as ações “ex-dividendos” no dia seguinte não terá direito a receber os dividendos.

Nesse exemplo, o ajuste no preço da ação é o seguinte: 100 reais por ação multiplicado pelo fator do retorno dos dividendos: 1 menos o retorno em dividendos que é de 10 por cento, portanto o fator é de 90 por cento, ou 0,9. Dessa forma, no dia 23 de abril “ex-dividendos”, as ações sofrem reajuste e abrem o pregão negociadas a 90 reais por ação (100 reais multiplicado por 90 por cento).

Portanto, nesse exemplo, quem comprou a ação antes do anúncio dos dividendos e as vendeu logo depois da data “ex-dividendos” acabou não tendo nenhum ganho. Comprou as ações por 100 reais, ganhou 10 reais de dividendos, mas vendeu por 90 reais, uma soma zero.

Assim existe um preço histórico das ações (sem o ajuste) e o novo preço da ação “ex-dividendos” divulgado pela B3, que muda o histórico de preços das ações no passado.

“Quando a empresa repassa os juros sobre capital próprio (JCP) para nossa conta, já estão descontados os 15 por cento do imposto de renda? Ou teremos que pagar esse imposto na declaração anual?

As empresas fazem o crédito do JCP para os acionistas já com os 15 por cento de imposto de renda descontados na fonte.

Na declaração de imposto de renda anual, o contribuinte precisa apenas declarar os rendimentos tributáveis totais por empresa (CNPJ).

No caso de dividendos, que são isentos de imposto de renda, o contribuinte precisa declarar os rendimentos isentos e não tributáveis.

“A Weg anunciou desdobramento de ações, devo aderir? Dá para esperar alta nas ações da Weg com o desdobramento?”

Irei repetir sempre: desdobramento de ações não gera valor para os acionistas. O único impacto nas ações é o aumento da liquidez, pois há redução do lote padrão ao se comprar determinada ação.

Por exemplo: uma ação que é negociada a 100 reais por ação, tem um desdobramento de 1 para 5. Ou seja, 100 ações são multiplicadas por 5. Seria como você trocar uma nota de 100 reais por 5 notas de 20. Você tem a mesma quantidade de dinheiro, mas é mais fácil para gastar. Afinal, é mais difícil ter troco para uma nota de 100 reais.

Pode acontecer de as ações subirem depois de um desdobramento, mas não é devido ao desdobramento e sim por conta de outros fatores. Por essa razão, os investidores têm essa ideia errada de que desdobramento de ações aumenta o valor de mercado de uma empresa.

Entretanto, quando uma ação passa a ser mais negociada, tanto em quantidade quanto em volume médio diário em Reais, temos aumento da liquidez e uma melhor precificação das ações daquela empresa, o que pode afetar o seu valor de mercado no médio e longo prazo.

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“Como eu faço para calcular o retorno em dividendos?”

Essa conta é bastante simples: valor do dividendo por ação dividido pelo preço das ações. Pode ser usado o preço da ação em duas datas: i) preço de fechamento do dia do anúncio dos dividendos e; ii) preço de fechamento do último dia com direito aos dividendos.

“O que você acha das ações X, Y ou Z?”

Essa pergunta é a mais frequente: os assinantes querem saber a minha opinião sobre a ação de uma empresa específica.

Minha resposta começa sempre pelo setor de atuação da empresa, a chamada análise “de cima para baixo”. Ou seja: se o setor é atrativo e pode se beneficiar do momento econômico atual, por exemplo. No momento, os setores de companhias aéreas e turismo, por exemplo, não atravessam uma fase favorável por conta da pandemia da Covid-19 e das medidas de isolamento social.

Se o segmento for atraente, começo comparando as empresas, suas vantagens competitivas e o crescimento de lucros (earnings momentum). O padrão é sempre ter uma ordem de preferência para as ações de um setor. Por exemplo, entre as seguradoras, que devem ser beneficiadas com a alta da taxa de juros (Selic), a minha ordem de preferência é: SulAmérica (SULA11), Porto Seguro (PSSA3) e BB Seguridade (BBSE3).

Em geral, eu tenho várias empresas e setores no meu radar e coloco as ações na carteira somente depois de muita análise fundamentalista. É um trabalho contínuo de construção de conhecimento sobre empresas e setores.

“Quero investir em ações, mas não tenho tempo para acompanhar a fundo o mercado, qual a melhor alternativa de investimento?”

Se você acredita não ter tempo para gerir e acompanhar mais a fundo sua carteira ativa de ações, alocar recursos em ETFs é uma estratégia acertada, pois lhe proporcionará diversificação e um retorno ajustado ao risco sempre próximo àquele observado pelo mercado, pois esses ETFs replicam índices de mercado.

“O que fazer agora que a companhia XX vai fazer uma oferta de ações (follow-on)?

Se você é acionista desta empresa, eu sempre recomendo que o investidor exerça o seu direito de prioridade e entre na oferta de ações para que a sua posição não seja diluída após a emissão de novas ações.

Geralmente, o limite de subscrição proporcional (LSP) varia conforme a oferta. Na prática, se um investidor detém 100 ações, seu direito de compra é de 15 a 20 por cento de sua posição. Ou seja, de 15 a 20 ações.

O investidor precisa falar para o seu assessor na corretora ou fazer a reserva no site da corretora que deseja exercer o seu direito de prioridade e comprar as ações ao preço de mercado. É um processo diferente do IPO, em que o investidor fixa o preço máximo que pretende pagar pelas ações.

Dessa forma, o investidor compra a mercado as ações na oferta de ações (follow-on) e precisa fazer o pedido até a data limite, sempre indicando que deseja o máximo a que tem direito na oferta (LSP).

Fique tranquilo que geralmente o preço da oferta (follow-on) vem um pouco abaixo do preço de mercado.

“As ações small caps são atrativas tanto em períodos de baixa como de alta?”

A minha resposta categórica é: as ações small caps ”destravam valor” mais facilmente quando o mercado está em alta. Assim, o Ibovespa tem a primeira onda de valorização para, em seguida, alcançar as ações com menor valor de mercado e liquidez. Porém, nada impede que uma ação small cap possa ter forte valorização mesmo com o mercado em baixa.

Quer aprofundar mais seus conhecimentos sobre a Bolsa de Valores? Então leia minha última coluna: O risco aumentou, mas as empresas na Bolsa vão bem | Domingo de Valor.

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