Pânico geral: caos no mercado financeiro

A semana passada foi muito difícil para os investidores: forte queda acumulada de 15,6% no Ibovespa, com o mecanismo conhecido como “circuit breaker” sendo acionado quatro vezes aqui no Brasil e duas vezes na bolsa dos Estados Unidos.

O pânico foi instaurado nos mercados financeiros mundiais com a disseminação global do coronavírus, a guerra de preços de petróleo entre Rússia e Arábia Saudita e o aumento exponencial do nível de aversão ao risco pelo mundo.


O que fazer agora?

Muitos investidores, clientes e seguidores da Levante tem me perguntado o que fazer agora. Antes de tudo é preciso ter calma. Não recomendamos a compra de nenhuma ação sob o efeito manada e sem racionalidade.

Estamos vivendo um verdadeiro “cisne negro”, um evento caótico e imprevisível que não acontece sempre e que já está sendo comparado à crise do mercado imobiliário de 2008  nos Estados Unidos. As características são bastante diferentes, mas a velocidade da queda nos índices acionários, especialmente os americanos,  é impressionante. Eu mesmo  nunca tinha visto nada  parecido em toda a minha carreira.

A propagação do coronavírus está sendo muito rápida, global e afetando a todos. Praticamente todo mundo conhece alguém que pode ter sido infectado, o que coloca todos em risco, inclusive o presidente da república Jair Bolsonaro.

Essa doença (gripe) se mostrou bastante contagiosa e perigosa para a população mais idosa. Justamente por isso, a Itália é o país mais afetado, com um número de mortes elevado, pois a população italiana é uma das mais velhas da Europa.

Quarentena geral

Grandes eventos esportivos sendo cancelados: a temporada de basquete na NBA nos Estados Unidos, jogos de futebol como Liga dos Campeões, eliminatórias da Copa do Mundo e até mesmo os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 poderão ser cancelados. Além disso, algumas grandes empresas suspenderam viagens, e festivais de música e grandes eventos também estão sendo cancelados.

No fundo do poço existe um alçapão

A frase acima ficou bem conhecida depois de ter sido usada nas famosas cartas do gestor do Fundo Verde, Luis Stuhlberger, e deixou bem claro como é difícil saber qual seria o ponto de inflexão (fundo do poço) para o Ibovespa. Essa é a pergunta de um milhão de dólares, e ninguém sabe a resposta.

O principal índice de ações da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, já passou por pelo menos 19 correções nos últimos anos, sendo que o “Joesley Day” (18 de maio de 2017) é o mais lembrado. Esse movimento de correções na renda variável é normal e as crises tendem a passar depois de 3 ou 4 meses (duração média das quedas).

Dessa vez é diferente

As duas últimas crises financeiras tiveram fundamentos econômicos, com o estouro da bolha da internet em 2000 e a crise imobiliária dos Estados Unidos em 2008, nos dois casos ficaram claros os excessos no mercado de crédito, com alto nível de endividamento das empresas e das famílias, o que não está ocorrendo agora.

O momento atual é bem diferente, pois se trata de um choque de demanda temporário, ou seja, devido às quarentenas as pessoas deixaram de viajar, de consumir e mesmo de investir, o que causa impacto na economia no curto prazo.

Seria mais ou menos como o impacto da greve dos caminhoneiros na economia brasileira em 2018, só que em escala global. Passada a crise, a situação deve voltar ao normal, com circulação normal de pessoas, mercadorias e consumo voltando, quase um efeito “chicote”.

Hora de ir às compras?

As únicas certezas que tenho é que o momento é bastante volátil, incerto e que a situação ainda pode piorar antes de melhorar nos mercados acionários pelo mundo.

Minha recomendação é ir às compras na Bolsa com parcimônia, sem gastar todas as fichas (caixa) de uma vez só, sempre com diversificação de ativos e gestão de risco, pois o maior erro de um investidor é deixar o tamanho da posição muito grande.

Valor justo e preços de mercado

Olhando com frieza e experiência para os números, o que se vê é uma grande assimetria entre o valor justo das empresas e a oscilação dos preços de mercado das empresas na Bolsa. Parece que o ajuste nos preços de mercado foi muito mais intenso do que a mudança nos lucros futuros das empresas e o no seu valor intrínseco.

Respondendo às perguntas dos leitores

Neste momento, eu não venderia as ações que apresentaram forte perda no curto prazo, principalmente as ações de empresas dos setores de aviação, viagem e turismo, commodities, frigoríficos, construção civil e varejo eletrônico.

Entretanto, agora eu não compraria mais ações da Petrobras, Vale e Gerdau, apenas para citar as principais empresas que os leitores me perguntaram.

O momento é de reduzir a exposição ao risco para controlar a volatilidade da carteira, e voltar o foco para ações de empresas de setores mais expostos ao mercado doméstico, sem tanta influência do mercado externo (especialmente China), tais como varejo, shopping centers, bancos e energia elétrica.

Estratégia de ações: Dividendos

Em termos de estratégia eu recomendo as ações pagadoras de dividendos, pois o risco é menor e o investidor recebe uma quantia paga em dinheiro com isenção de imposto de renda.

Para não ficar em cima do muro em termos de recomendações, eu chamo atenção para as ações da Itaúsa (ITSA4) e do Banco do Brasil (BBAS3), que acumularam queda de 25% e 30%, respectivamente em 2020.

O retorno em dividendos (yield), calculado pela divisão do dividendo pelo preço da ação, das duas empresas ficou ainda mais atrativo com forte a queda recente no preço das ações.

O retorno em dividendos de Itaúsa saiu de 5,7% em dezembro de 2019 para 7,7% atualmente. Para o Banco do Brasil o retorno em dividendos aumentou de 5,3% em dezembro de 2019 para 7,8% nos preços atuais.

O retorno em dividendos aumentou porque o preço das ações caiu muito, mas os lucros das empresas e os dividendos pagos praticamente não sofreram alteração.

Ressalto que os investidores que têm atualmente ações pagadoras de dividendos irão receber mais dividendos que podem ser usados para a compra adicional de ações “na promoção” após as quedas na Bolsa. Assim, quem já era acionista de Itaúsa ou de Banco do Brasil receberá dividendos que podem ser usados para comprar ações mais baratas que proporcionam retorno em dividendos maiores.

Podem contar comigo na hora do caos

Eu tenho 20 anos de experiência no mercado financeiro e pretendo ficar a seu lado durante esse período caótico no mercado financeiro, para explicar de maneira simples e direta sobre o que está acontecendo na bolsa de valores e quais os impactos para os seus investimentos.

Afinal, não é sempre que temos quatro acionamentos de circuit breakers na mesma semana, inclusive dois na bolsa americana.

Alguns investidores, que entraram recentemente na Bolsa (aumento de 1 milhão de investidores na B3 nos últimos 12 meses) podem ter ficado traumatizados com as perdas recentes nos seu patrimônio.

Apenas como exemplo: o investidor que entrou na oferta de ações (follow-on) da Petrobras pagou R$ 32 por ação ordinária, hoje a mesma ação vale R$ 15,86, uma queda de 50%. Nessa hora é preciso ter muita calma e assimilar a aula sobre risco.

Junto com os meus sócios na Levante Ideias de Investimento, prezamos muito pela educação financeira dos investidores e pela qualidade dos nossos conteúdos de análises financeiras.

Seria mais ou menos como aquela cena do filme Tropa de Elite, em que o Batalhão de Operações Especiais (Bope), do personagem Capitão Nascimento, é chamado para lidar com uma situação que saiu fora do controle no baile funk na favela .

Na hora do pânico, stress e incertezas no mercado financeiro acredito que é muito importante estar presente ao lado dos investidores para tranquilizar, esclarecer e orientar sobre investimentos. Nesse momento os anos de experiência fazem toda a diferença, sem fugir da raia e sempre incentivando a educação financeira e a análise fundamentalista.

Gabinete Anticaos: o time de análise da Levante ao seu lado

Neste momento de stress elevado, a Levante acionou o Gabinete Anticaos

Trata-se de uma série de investimento temporária e com livre acesso a todos os investidores.

O objetivo da novidade é estar ao seu lado neste momento de incertezas e de muitos acontecimentos que têm provocados significativas quedas e volatilidade no mercado financeiro.

A série é aberta a todos os leitores da Levante, sem nenhum custo. Enquanto a concorrência se limita a tentar vender seus relatórios, nós optamos por aumentar a disponibilidade de conteúdo grátis sobre investimentos.

Afinal, investir na Bolsa de Valores ainda é novidade para muita gente – e sabemos que não é fácil enfrentar esse momento sozinho. 

Estamos de corpo e alma ao seu lado. 

Gabinete Anticaos ficará ativo até que os mercados voltem à normalidade – e não temos dúvida de que isso vai ocorrer antes que você imagine. 

Para passar a receber os relatórios diariamente, basta se inscrever aqui.

Um abraço,

Eduardo Guimarães

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