Denise Campos de Toledo EECI

Mercado afetado por incertezas e falta de boas notícias

O mercado teve um agosto péssimo e o início de setembro não está sendo muito diferente, com Bolsa em queda, dólar beirando os R$ 5, curva de juros pressionada.

Na prospecção de cenário não se vê nada de mais grave. Talvez tenha passado a fase de notícias mais favoráveis e agora seja o momento de acompanhar com atenção os fatores que vão definir o que se pode esperar para o próximo ano. 

Antecipação de dificuldades? Não. É que 2024 será um ano em que, entre outras incertezas, vamos conferir como o governo irá gerenciar as finanças para viabilizar as metas propostas no arcabouço. E a equipe econômica até está se preparando para isso, com as várias medidas para ampliar a receita tributária, por exemplo. Só que a proposta de orçamento do próximo ano embute um otimismo exagerado quanto ao possível reforço de Caixa. Além das medidas tributárias, conta com receita das estatais o que, em princípio, até traz uma sinalização positiva. A Petrobras deve administrar os preços de forma a gerar resultados e dividendos, independentemente das mudança da política, que não segue mais a paridade internacional. Mas há toda uma incerteza também quanto à evolução dos preços das commodities no exterior. Outro foco de preocupações do mercado. 

Ainda que as projeções tenha melhorado desde o começo do ano, há possibilidade de um desempenho da economia global pior que o esperado. A China tenta reverter a desaceleração do crescimento e outras dificuldades internas. A Europa já convive com a piora de indicadores paralelamente à tendência de continuidade da elevação dos juros, para fazer a inflação retornar à meta. Mesmo objetivo dos Estados Unidos onde o contexto macroeconômico não está muito claro. Há uma certa desaceleração da atividade, da geração de empregos, mas não de forma a dar mais segurança quanto ao controle da inflação. O mercado de trabalho segue robusto o que ainda pode manter o consumo em nível que não ajude muito a derrubar os preços. Daí a possibilidade de mais aumento dos juros, pelo Federal Reserve, ainda neste ano. Situação que remete ao risco de os ajustes acumulados das taxas levarem, em algum momento, a uma retração de atividade. Sem esquecer que juros mais altos dos títulos americanos podem desviar investimentos de outros mercados, especialmente em momentos de maior aversão ao risco.

Voltando ao cenário doméstico, fora as dúvidas quanto ao fiscal, a inflação já deixou a melhor fase pra trás, deixando também de alimentar perspectivas mais otimistas quando aos cortes dos juros. Na fase de maior empolgação se chegou a apostar mais em um corte de 0,75 pp da Selic, apesar da sinalização clara do Copom de 0,50. Com as incertezas fiscais talvez, até, seja mais difícil manter esse ritmo no próximo ano.

Em contrapartida, mesmo com a boa surpresa que foi a expansão do PIB no primeiro semestre, a política monetária contracionista, mesmo que siga a sinalização do Copom, pode colaborar para a esperada desaceleração neste segundo semestre e para a confirmação de menor expansão em 2024. 

Por mais que o governo tente estimular o crescimento com correção do salário mínimo. programas sociais, como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, renegociação de dívidas no Desenrola, investimentos como os previstos no PAC, ainda faltam alavancas para dar maior impulso à atividade. 

Sendo que pela necessidade de segurar despesas, alguns programas não devem ter reajuste no ano que vem, assim como o funcionalismo.

Tudo isso mostra que passou a fase de boas notícias, como expansão acima do previsto, queda mais acentuada da inflação, lançamento e ampliação de programas, definição de regras fiscais. Agora é arregaçar as mangas para buscar mudanças mais estruturais. Tem a Reforma Tributária. Pode ser uma notícia boa, desde que haja uma revisão do texto, pelo Senado, reduzindo benesses setoriais e garantindo que a alíquota do novo tributo não fique alta demais ou penalize muito setores que podem alavancar melhores resultados para a economia, como Serviços. Buscar o equilíbrio na redistribuição da carga tributária é um desafio e tanto. Depois tem a defesa de Arthur Lira, presidente da Câmara, da Reforma Administrativa. Reforma importante, sem dúvida. Mas qual o real interesse de Lira, cujas pautas incluem, costumeiramente, aumento de despesas para o governo, até com a recriação de órgãos, ampliação de áreas que demandam mais gastos? De qualquer modo, ele conseguiu fazer o governo se mexer para discutir uma proposta, contrariando até a resistência do PT, muito ligado ao sindicalismo. É ver o encaminhamento do tema, sem esquecer que o direito adquirido limita resultados a curto prazo.

Mas é fato também que quando interesses políticos entram em jogo os rumos da conversa podem mudar. Basta ver a reforma ministerial e o quanto contrariou propostas e posturas iniciais do governo, ao reduzir a presença feminina, trazendo pra perto opositores e partidos com lideranças próximas a Bolsonaro. Será que o preço pago será compensado em termos de ampliação da base de apoio no Congresso?

Questões políticas como essas, falas do presidente em relação a temas internacionais, a defesa do voto secreto de ministros do STF, geram ruídos que, embora indiretamente, também mexem com o humor do mercado. É aquela história da pulga atrás da orelha. E pulgas não estão faltando. Por enquanto, não dá pra falar em acomodação das expectativas, que assegurem melhor performance dos ativos, mesmo que a Bolsa tenha espaço para subir, o dólar para se manter em patamar mais baixo, assim como a curva de juros, diante da previsão de Selic em queda. Mas essas pulgas…

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