
A mediana das projeções indica estabilidade do Consumer Price Index (CPI) cheio. A variação acumulada em 12 meses deve permanecer em 2,6 por cento, mesmo patamar observado até novembro. O resultado reforça a avaliação de que o processo de desinflação perdeu força no fim de 2025, após avanços mais consistentes ao longo do primeiro semestre.
Para o núcleo da inflação, que exclui preços voláteis como os dos alimentos e da energia, a expectativa é de leve aceleração. A projeção aponta alta de 2,7 por cento em 12 meses, ante 2,6 por cento na leitura anterior. O movimento, embora moderado, tende a gerar desconforto entre os formuladores de política monetária, já que o núcleo é visto como um indicador mais fiel das pressões inflacionárias subjacentes.
Mesmo com sinais de estabilidade, a inflação segue elevada. Tanto o índice cheio quanto o núcleo permanecem acima da meta de 2,0 por cento perseguida pelo Federal Reserve (FED), o banco central americano. Esse descompasso sustenta uma postura cautelosa por parte do banco central americano e limita o espaço para mudanças rápidas na condução dos juros.
A leitura esperada para dezembro reforça a narrativa de juros elevados por mais tempo. A autoridade monetária tem reiterado que precisa de evidências mais consistentes de convergência à meta antes de iniciar um processo de flexibilização.
O mercado também observa a composição do índice. A inflação dos serviços, pressionada pelo aquecimento do mercado de trabalho, segue sendo um dos focos de pressão de alta dos preços. Esses segmentos reagem lentamente ao aperto monetário e dificultam uma desaceleração mais rápida do núcleo.
Esse cenário incerto é agravado pela ofensiva de Donald Trump contra Jerome Powell, presidente do FED. Na sexta-feira (09), a repartição equivalente à Procuradoria Geral da República dos Estados Unidos divulgou que está processando Powell por, alegadamente, ter mentido no Congresso em junho do ano passado sobre os gastos com a reforma do prédio do FED.
No domingo (11), em uma manifestação rara, Powell divulgou um vídeo dizendo que isso era um “pretexto” para forçar o FED a baixar os juros, e que isso não iria alterar a política monetária americana. Na segunda-feira (12) três ex-presidentes do FED e quatro ex-secretários do Tesouro (equivalente americano ao ministro da Fazenda) criticaram a decisão de Trump, aumentando a crise.
Diante desse cenário, a probabilidade de um corte de juros pelo FED no curto prazo é reduzida. As apostas se concentram em manutenção das taxas nos níveis atuais durante boa parte do primeiro semestre. Eventuais ajustes devem ocorrer apenas se houver surpresa positiva nos dados de inflação e atividade.
E Eu Com Isso?
Os contratos futuros dos principais índices americanos estão em leve baixa no pré-mercado. A divulgação do CPI segue como um dos principais gatilhos de volatilidade. O dado desta terça-feira deve orientar as expectativas para as próximas reuniões do FED e influenciar a precificação de ativos de risco, moedas e juros ao redor do mundo.
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