O Mercado Livre (MELI34) deu os primeiros passos para entrar no segmento farmacêutico no Brasil, mirando um mercado estimado em cerca de 20 bilhões de reais. A iniciativa ocorre após a aquisição da farmácia Target, que garantiu à companhia a autorização formal para operar no setor. No estágio inicial, a atuação será via modelo 1P (estoque próprio), no qual a empresa assume diretamente a venda dos produtos, respeitando a regulação vigente. No entanto, esse formato é tratado como transitório, enquanto a companhia busca avançar no diálogo regulatório para viabilizar um modelo mais amplo de marketplace. A estratégia reflete uma abordagem gradual e cautelosa, alinhada à complexidade regulatória do setor de medicamentos no Brasil.
O objetivo de médio prazo do Mercado Livre é a modernização da regulação para permitir que marketplaces integrem farmácias parceiras, nos moldes do que já ocorre em países como México, Chile e Argentina. Para isso, a companhia mantém conversas com a Anvisa e outros stakeholders relevantes, reconhecendo que o prazo para eventuais mudanças é incerto. Enquanto esse processo avança, a operação 1P funciona como alternativa viável para iniciar a construção de conhecimento operacional, relacionamento com o consumidor e estrutura logística específica para medicamentos. A empresa também reforça que não vê esse modelo como parte central do seu DNA, sinalizando preferência por um ecossistema com múltiplos vendedores. Essa postura sugere foco em escala e eficiência, características já consolidadas em outras categorias da plataforma.
O Mercado Livre também avalia o segmento B2B como uma frente estratégica relevante, ainda que de maturação mais longa. A proposta envolve atender clientes corporativos com soluções específicas, como descontos por volume, ferramentas contábeis e fluxos fiscais mais complexos, exigindo adaptações relevantes nos sistemas e processos da plataforma. Segundo a companhia, os resultados dessa vertical devem demorar a aparecer, com um horizonte de consolidação estimado entre três e quatro anos. Apesar disso, o potencial é visto como significativo, dado o tamanho do mercado e a baixa digitalização de parte dessas transações. O movimento amplia o escopo de atuação do Mercado Livre além do consumidor final, reforçando sua ambição de se tornar uma infraestrutura mais completa no digital.
E Eu Com Isso?
A entrada no setor farmacêutico e o avanço em novas verticais fazem parte da estratégia do Mercado Livre para sustentar crescimento em um ambiente cada vez mais competitivo. A companhia avalia positivamente a chegada de novos players, inclusive asiáticos, entendendo que a competição amplia a migração do consumo do offline para o online. Atualmente, a penetração do e-commerce no Brasil ainda é relativamente baixa, em torno de 15 por cento a 16 por cento, com espaço relevante para crescimento nos próximos anos. Nesse contexto, tende a se destacar a plataforma que oferecer melhor proposta de valor, combinando sortimento, preço, logística e experiência do usuário. A estratégia do Mercado Livre indica uma visão de longo prazo, focada em consolidação, escala e fortalecimento do ecossistema digital.
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