É para comemorar a inflação em baixa?

Mercados com Rafael Bevilacqua
O último índice de inflação divulgado em 2025 trouxe boas notícias. Os bons resultados da safra reduziram a pressão sobre os preços de produtos agrícolas e de matérias-primas, o que fez a inflação baixar.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caiu 0,01 por cento em dezembro, após ter subido 0,27 por cento em novembro. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), com esse resultado o índice encerrou o ano de 2025 com queda acumulada de 1,05 por cento. Em dezembro de 2024, o IGP-M havia subido 0,94 por cento, acumulando uma alta de 6,54 por cento em 2024.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60 por cento do IGP-M, apresentou uma deflação de 0,12 por cento em dezembro após ter avançado 0,27 por cento em novembro.

Os preços das matérias-primas brutas caíram 0,30 por cento após terem subido 0,25 por cento em novembro, e os preços dos produtos agropecuários recuaram 0,87 por cento depois de terem avançado 0,46 por cento em novembro. No ano, os preços das matérias-primas brutas caíram 8,09 por cento e os preços dos produtos agropecuários recuaram 6,30 por cento.

Segundo a FGV, o resultado reflete um ano marcado pela desaceleração da atividade global e por uma incerteza elevada. Apesar da baixa dos preços das matérias-primas no atacado, a inflação ao consumidor continua em alta devido aos preços dos serviços e da habitação.

O Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,24 por cento, em linha com a alta de 0,25 por cento observada em novembro. As maiores altas ocorreram nos itens Educação, Leitura e Recreação, com alta de 1,53 por cento após o avanço de 1,17 por cento em novembro e Habitação, que subiu 0,42 por cento após ter recuado 0,07 por cento em novembro.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) desacelerou para 0,21 por cento ante 0,28 por cento em novembro.

A trajetória de desaceleração da inflação alterou as expectativas do mercado. Na última edição do Relatório Focus de 2025, divulgada pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (29), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 recuou marginalmente para 4,32 por cento ante 4,33 por cento da semana anterior. Há quatro semanas, a estimativa era de 4,43 por cento.

A projeção do IPCA para 2026 também recuou marginalmente para 4,05 por cento, ante os 4,06 por cento da semana anterior e os 4,17 por cento de quatro semanas atrás.

No entanto, há um problema com a inflação. Segundo a FGV, o contraste entre as quedas dos preços das matérias-primas e a alta dos preços dos serviços e da habitação evidencia a “heterogeneidade da inflação”. O cenário indica um ambiente de pressão menor de custos em 2026, mas com riscos importantes em itens sensíveis à atividade econômica.


E Eu Com Isso?

Os contratos futuros dos principais índices americanos estão em queda no pré-mercado. Os investidores seguem atentos a notícias sobre as negociações pelo fim da guerra na Ucrânia, após encontro de Donald Trump com o presidente ucraniano Volodomyr Zelensky. As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociadas em Nova York estão estáveis, mas a inflação abaixo do esperado pode animar os investidores.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade

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