Nesta semana o mercado teve uma boa trégua no noticiário negativo e aproveitou para tirar o atraso. Claro que a recuperação das ações estimula as realizações de lucros. O que justifica alguma perda de fôlego. Se sabe que a animação vem de uma leitura ou de previsões muito otimistas de alguns dados, como de inflação. Mas se estaveleceram condições para um bom alívio em comparação com as pressões das últimas semanas. É ver se nesta sexta não vem alguma mudança que mexa com as perspectivas mais otimistas.
O maior ânimo veio da inflação, no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui tivemos o IPCA de março, a inflação oficial, com variação de 0,71%, bem abaixo do previsto e com a composição mais favorável: desaceleração dos serviços, menor variação dos núcleos e da disseminação dos aumentos. A alta em 12 meses foi a 4,65% o que dá a ideia de uma inflação no limite da meta. Até por efeito estatístico a variação acumulada deve voltar a subir e estamos longe de uma convergência das projeções para as metas. A previsão média do último Focus para o IPCA deste ano foi a 5,9%. Mas o mercado aproveitou o dado de março para considerar a possibilidade de algum aceno do Banco Central no sentido de corte dos juros básicos, diminuindo os riscos até de eventuais mudanças nas metas inflacionárias. Os mais otimistas falaram em redução da Selic ainda neste semestre. Do exterior Roberto Campos Neto já mandou o recado que ainda é cedo pra isso. Só que, na disposição pra ficar mais confiante, o mercado deixou de lado até as ressalvas em relação ao arcabouço fiscal e o colocou no balanço dos fatos positivos que podem colaborar para a melhoria de cenário, corte dos juros, redução do risco país e correção dos preços dos ativos, com a maior atratividade de investimentos. Detalhe que a divulgação da versão final do arcabouço, a ser enviado ao Congresso, ficou, de novo, para a próxima semana.
No Estados Unidos foram dois dias de dados melhores de inflação, reforçando o ânimo. O CPI de março, com variação de 0,1%, a metade da prevista, com alta de 5% em 12 meses, a menor desde maio de 2021, ainda está longe da meta de 2% mas gerou a expectativa de ajustes mais brandos dos juros pelo Federal Reserve. A ata da última reunião revelou que alguns integrantes do FOMC cogitaram um parada, para avaliar o impacto da elevação já acumulada dos juros, enquanto outros ainda defendiam 0,50 de aumento, mas concordaram com 0,25 até pelos riscos no setor bancário. Riscos que parecem restritos. A ata não definiu exatamente uma tendência para a política monetária, mas prevalece a aposta em uma pisada no freio. Aí na quinta veio o PPI do atacado, também abaixo do esperado, reforçando a leitura mais otimista.
Nessa trégua que mexeu até com a curva de juros e preços dos títulos prefixados, com o dólar testando pisos aqui no Brasil, os investidores devem aproveitar as oportunidades, mas sem perder de vista a pouca consistência da melhoria dos indicadores e as incertezas que ainda persistem no âmbito doméstico, até na política, e no externo.
Vamos torcer para que as apostas favoráveis se confirmem, mas o caminho ainda é desafiador.