Foto: Divulgação/Marcello Casal Jr. (Agência Brasil)

Sai Teich, entra Queiroga

Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, os depoimentos de ministros da Saúde seguem a todo vapor. Nesta quarta-feira (5), foi a vez do ex-ministro Nelson Teich comparecer à comissão para responder às dúvidas dos senadores. Nesta quinta (6), será a vez de Marcelo Queiroga sentar-se no centro da CPI.

O depoimento de Teich foi em linha com o esperado e não teve grandes revelações. O médico ficou menos de um mês no cargo e afirmou que deixou a posição por falta de autonomia à frente da pasta, assim como por discordar quanto ao uso de hidroxicloroquina no tratamento para pacientes com Covid. Assim como seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), o médico disse que não participou das decisões que promoveram o aumento da produção de cloroquina por não haver evidência de eficácia contra o vírus.

Agora, senadores governistas e oposicionistas se preparam para uma sessão que tende a ser mais acalorada, com a presença do atual ministro, Marcelo Queiroga. Segundo informações preliminares, o G7 – grupo de senadores independentes e de oposição na comissão – deve focar suas perguntas em cima da compra do número de doses de vacinas. Na outra ponta, os governistas devem adotar uma postura defensiva nesta quinta, já que o ministro comanda a pasta e uma eventual nova destituição seria considerada um desastre do ponto de vista político.

Se houver tempo na sessão, os senadores também devem ouvir o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres. Por fim, a comissão também aprovou a convocação de novos nomes para a semana que vem. Na lista, estão: Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Como alegou estar com Covid, o ex-ministro da Saúde Pazuello deve depor na outra semana.

E Eu Com Isso?

A CPI segue avançando sobre temas que deixam o Planalto desconfortável, como as alegações de que havia uma gestão paralela no ministério da Saúde. O depoimento mais forte desta semana foi o de Mandetta, que, como político que é, soube levantar questões importantes no ar, mas não fez nenhuma acusação direta para não sofrer nenhum tipo de represália.

Sendo o foco político para esta e as próximas semanas, a CPI segue sendo monitorada com certa distância pelos investidores, até por ser um processo longo de investigação. O mercado deve reagir mais ao desfecho da comissão e possíveis impactos sobre o governo. Vale, porém, ficar de olho em alguns depoimentos marcados, como o do ministro Paulo Guedes, provavelmente na semana que vem.

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