Roberto Campos Neto – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Mon, 20 Sep 2021 14:08:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png Roberto Campos Neto – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 O Copom e o Fomc https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-copom-e-o-fomc https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-copom-e-o-fomc#respond Mon, 20 Sep 2021 14:08:12 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=31069 Todas as atenções do mercado financeiro, tanto brasileiro quanto internacional, estarão voltadas para as reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) e do Fomc (Federal Open Market Committee), agendadas para a terça-feira (21) e para a quarta-feira (22). No entanto, a única coincidência entre os dois encontros é a data. As tarefas de Roberto Campos… Read More »O Copom e o Fomc

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Todas as atenções do mercado financeiro, tanto brasileiro quanto internacional, estarão voltadas para as reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) e do Fomc (Federal Open Market Committee), agendadas para a terça-feira (21) e para a quarta-feira (22).

No entanto, a única coincidência entre os dois encontros é a data.

As tarefas de Roberto Campos Neto, presidente do BC (Banco Central), e de Jerome Powell, principal executivo do Federal Reserve (Fed), o BC americano, não poderiam ser mais distintas.

Por aqui, Campos Neto tem pela frente o desafio de domar uma inflação rebelde e desconfortavelmente alta. A inflação medida pelo IPCA nos 12 meses até agosto está em 9,68%. Mais grave do que isso, a principal causa desse descontrole dos preços aparenta ser por ora uma alta de custos. Especificamente do dólar, que pressiona os preços das commodities e dos combustíveis. Para piorar, a crise hídrica vem obrigando o sistema elétrico a contratar entregas cada vez maiores de energia térmica, gerada por meio da queima de petróleo e gás natural, e muito mais cara do que a energia hidrelétrica.

Assim, apesar de a economia brasileira não estar aquecida, o BC muito provavelmente terá de seguir com sua trajetória de elevação dos juros para tentar fazer a inflação convergir para a meta.

Que, não custa lembrar, é de 3,75% para 2021, com uma tolerância de até 5,25%. Muito distante dos percentuais observados até agora.

A incerteza dos investidores chegou ao ponto de obrigar Campos Neto a romper a tradicional discrição dos banqueiros centrais.

Na semana passada, ele indicou que a alta da taxa referencial Selic na reunião desta semana deverá ser de um ponto percentual, elevando a Selic para 6,25% ao ano. Isso diminuiu um pouco a indefinição.

Havia prognósticos de uma alta de até 1,5 ponto percentual na reunião que se inicia na terça-feira (21). Mesmo assim, as estimativas dos investidores com relação aos juros e à inflação não param de subir.

Já nos Estados Unidos, a questão é outra. Até há alguns dias, a expectativa era que o Fed anunciaria uma redução das medidas de estímulo já nesta reunião.

Desde março do ano passado, o banco central americano vem injetando US$ 120 bilhões todos os meses na economia por meio da compra de títulos públicos e hipotecários, além de manter os juros em zero.

Ao fazer sua apresentação no seminário de Jackson Hole, em agosto, Powell disse que ainda haveria um longo caminho a percorrer na questão dos juros, mas que era hora de discutir uma desaceleração das compras. Isso balizou as expectativas do mercado.

Porém, a criação de empregos em agosto ficou muito abaixo do esperado. Foram abertas 235 mil vagas, ante projeções de 730 mil. Isso traz dúvidas sobre o ritmo de retomada da economia americana, o que pode manter a injeção de recursos por mais algum tempo.

Quanto tempo?

É essa pergunta que os investidores esperam ver respondida no comunicado do Fed a ser divulgado na quarta-feira (22).

Relatório Focus

A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada pelo Banco Central (BC), nesta segunda-feira (20), mostra um novo aumento dos prognósticos para a inflação e para o juros.

A taxa Selic esperada para dezembro subiu para 8,25%, ante 8% da semana anterior e 7,50% há quatro semanas.

A inflação esperada também avançou.

A estimativa para o IPCA de 2021 está em 8,35%, ante 8% da semana anterior e 7,11% há quatro semanas.

As projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) permanecem inalteradas em 5,04%, e a taxa de câmbio prevista segue estável em R$ 5,20.

E Eu Com Isso?

A semana começa com os mercados em baixa. Os contratos futuros do índice americano S&P 500 iniciam a segunda-feira com uma queda de mais de 1,5%, devido principalmente aos problemas com a incorporadora chinesa Evergrande.

As notícias são negativas para a Bolsa.

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Leia também: Inflação na mira do Copom.

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Campos Neto arruma as expectativas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/campos-neto-arruma-as-expectativas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/campos-neto-arruma-as-expectativas#respond Wed, 15 Sep 2021 14:26:59 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=30947 Roberto Campos Neto, presidente do BC (Banco Central), fez o que banqueiros centrais não costumam fazer: ele falou claramente o que vai fazer. Em um evento em São Paulo, na terça-feira (14), Campos Neto declarou que o BC vai elevar os juros. “Vamos elevar a Selic aonde precisar”, disse ele. Mais do que isso, ele… Read More »Campos Neto arruma as expectativas

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Roberto Campos Neto, presidente do BC (Banco Central), fez o que banqueiros centrais não costumam fazer: ele falou claramente o que vai fazer.

Em um evento em São Paulo, na terça-feira (14), Campos Neto declarou que o BC vai elevar os juros. “Vamos elevar a Selic aonde precisar”, disse ele.

Mais do que isso, ele explicou como o Banco Central vai fazer isso. “Não vamos reagir sempre a dados de alta frequência.”

Traduzindo, o BC não vai acompanhar informações que são divulgadas várias vezes, como os indicadores de atividade e as oscilações da taxa de câmbio.

Essas frases dão margem a várias interpretações possíveis. Uma delas é que o Copom (Comitê de Política Monetária) será mais cauteloso na sua próxima reunião, marcada para os dias 21 e 22 de setembro.

Após quatro aumentos consecutivos, a taxa referencial Selic está em 5,25% ao ano.

Os juros começaram a subir na reunião do Copom do dia 17 de março, quando a Selic foi elevada de 2% para 2,75%. Foram três aumentos sucessivos de 0,75 ponto percentual, até a reunião do início de agosto, que elevou a taxa em um ponto percentual.

As declarações de Campos Neto alteraram para baixo as projeções para a reunião da próxima semana. Os prognósticos eram de um aumento ainda mais agressivo do que os anteriores, com a possibilidade de a Selic ser elevada em até 1,25 ponto percentual e retornar aos 6,5% ao ano em que permaneceu durante boa parte de 2018 e de 2019.

No entanto, o presidente do BC reforçou a tese de um Copom mais “gradualista”, com uma alta de um ponto percentual.

Gradualista ou não, a probabilidade é que os juros continuem subindo nas duas reuniões seguintes agendadas para este ano, em outubro e em dezembro.

Segundo a edição mais recente do Relatório Focus, as expectativas para a Selic no fim do ano são de 8%. Isso indica a necessidade de o BC elevar os juros em 2,75 pontos percentuais nas três próximas reuniões.

Há bons motivos para Campos Neto ter abandonado a habitual discrição dos banqueiros centrais. Uma de suas tarefas mais importantes é ser um gestor de expectativas. Sem um balizamento claro por parte do BC, as expectativas para os juros poderiam seguir crescendo.

Por exemplo, se a expectativa para a reunião da próxima semana fosse uma alta de 1,25 ponto percentual, seria fácil que especulações elevassem o prognóstico para 1,50 ponto percentual. Ao estabelecer um parâmetro, Campos Neto cortou o combustível das expectativas de alta sem limite para a Selic.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros do Ibovespa iniciam o dia em leve queda, ao passo que no mercado americano há um discreto movimento de valorização.

A expectativa é de mais um dia de volatilidade elevada.

As notícias são negativas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: Atenção à inflação americana.

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Os Bancos Centrais correram riscos https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/os-bancos-centrais-correram-riscos https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/os-bancos-centrais-correram-riscos#respond Wed, 14 Apr 2021 15:54:38 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=23427 Banqueiros centrais são, por definição, profissionais cautelosos. O economista americano Alan Blinder, vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na gestão do xará Alan Greenspan, escreveu um livro sobre o assunto, no qual resumiu bem o dia-a-dia da função. “O trabalho de um banqueiro central tem três tarefas: 1) descubra o que você… Read More »Os Bancos Centrais correram riscos

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Banqueiros centrais são, por definição, profissionais cautelosos. O economista americano Alan Blinder, vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na gestão do xará Alan Greenspan, escreveu um livro sobre o assunto, no qual resumiu bem o dia-a-dia da função. “O trabalho de um banqueiro central tem três tarefas: 1) descubra o que você tem de fazer; 2) faça metade do que você acha que deveria fazer; 3) espere para ver o que acontece”, escreveu Blinder. No entanto, em 2020, os presidentes de BCs ao redor do mundo descobriram, da maneira mais dura, que as instituições que presidem tinham de correr mais riscos. Muito mais riscos. Se não o fizessem, o impacto da pandemia sobre a economia global poderia levar à depressão mais profunda em um século, com consequências sociais e políticas imprevisíveis.

Daí a perseverança do Fed em manter os juros americanos perto de zero, estratégia que vem sendo repetida constantemente por Jerome Powell, presidente do BC americano. Powell deverá falar nesta quarta-feira e, ao que tudo indica, vai repetir o script de que o Fed conviverá com uma inflação mais elevada por mais tempo do que o habitual. Vale o risco, para não interromper o processo de retomada da economia antes do tempo. A consistência vale muito. Na terça-feira (13) o Bureau of Labor Statistics (BLS) divulgou uma inflação ao consumidor de 0,6 por cento em março nos Estados Unidos. Além de vir acima do esperado, o índice acumula uma alta de 2,62 por cento nos 12 meses até março ante 1,68 por cento nos 12 meses até fevereiro. Mesmo assim, apesar de uma turbulência momentânea, as taxas dos títulos do Tesouro americano não explodiram, graças à gestão eficiente das expectativas por parte de Powell.

O mesmo discurso pode ser ouvido do outro lado do Oceano Atlântico. Ao apresentar os resultados de 2020 nesta quarta-feira (14), Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), foi clara. “A forte e coordenada reação da política monetária e fiscal, combinada com notícias positivas sobre as vacinas, ajudaram a estabilizar a atividade no segundo semestre do ano”, disse ela. Mesmo assim, pelas contas do BCE, o Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro encolheu 6,6 por cento, e a inflação recuou para 0,3 por cento em 2020, ante 1,2 por cento em 2019. E Lagarde defendeu enfaticamente essa atuação. “A resposta da política monetária foi uma força estabilizadora crucial para os mercados e ajudou a contrariar os graves riscos colocados pela pandemia”, disse ela.

Não acaba por aí. O nosso Banco Central (BC) também teve de conviver com riscos. Desde o início do Plano Real, a autoridade monetária tem praticado uma política de juros elevados para fazer frente ao desarranjo das contas públicas. Na ausência de uma âncora fiscal para manter a inflação estável, o BC mantém firme sua âncora monetária. No entanto, durante a pandemia, Roberto Campos Neto nem piscou ao reduzir a taxa referencial Selic para um mínimo de 2 por cento ao ano. Na ponta do lápis, isso representou juros reais negativos de mais de 2,5 por cento ao ano, quase uma blasfêmia no cânone do BC.

Fed, BCE, Banco Central do Brasil. Todas essas instituições tiveram de abandonar seu tradicional conservadorismo e correr riscos para não deixar a economia sucumbir à pandemia. A eventual e necessária volta às condições anteriores ainda vai, é claro, provocar solavancos e volatilidade nos preços. No entanto, se os banqueiros centrais não tivessem concordado em correr mais riscos, as consequências para a economia poderiam ser muito piores.

E Eu Com Isso?

Esperamos um dia positivo para as ações. A resposta positiva dos títulos americanos após a divulgação da inflação um pouco acima da meta auxilia no avanço das bolsas ao redor do globo. No entanto, apesar do cenário benigno, o dia deve apresentar uma volatilidade razoável devido ao vencimento das opções e de contratos futuros de índice na bolsa brasileira e também devido ao início da safra de balanços nos Estados Unidos.

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Leia também: Orçamento aprovado.

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Jantar com empresários https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/jantar-com-empresarios https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/jantar-com-empresarios#respond Thu, 08 Apr 2021 14:49:52 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=23228 O presidente Jair Bolsonaro participou de um jantar privado na noite desta quarta-feira (7), em São Paulo, com figuras importantes do setor privado a fim de estreitar novamente os laços com o empresariado, que tem levantado dúvidas sobre a condução da pandemia e da economia em 2021. No encontro, também estiveram presentes o presidente do… Read More »Jantar com empresários

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O presidente Jair Bolsonaro participou de um jantar privado na noite desta quarta-feira (7), em São Paulo, com figuras importantes do setor privado a fim de estreitar novamente os laços com o empresariado, que tem levantado dúvidas sobre a condução da pandemia e da economia em 2021.

No encontro, também estiveram presentes o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da Economia, Paulo Guedes. O jantar ocorreu na casa do empresário Washington Cinel, dono da companhia de segurança Gocil, por intermédio de Flávio Rocha, presidente do conselho de administração do Grupo Guararapes. Nomes como Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, André Esteves, do BTG Pactual, Paulo Skaf (Fiesp), Claudio Lottenberg (Hospital Albert Einstein), Alberto Saraiva (Habib’s), entre outros, marcaram presença.

Segundo relatos, o tom predominante foi de otimismo, com boas sinalizações do governo sobre a política de vacinação, a continuidade das reformas econômicas, resolução do Orçamento de 2021 com veto parcial e atenção às regras fiscais para a tomada de qualquer decisão envolvendo gastos públicos. O ministro Paulo Guedes disse também que o Brasil pode ter um crescimento acima do previsto para 2021, ao passo que Bolsonaro voltou a criticar medidas de isolamento social.

O empresariado também evitou tocar em questões delicadas, como o combate do Executivo à pandemia de Covid-19, e endossou o apoio ao atual governo – ressaltando, também, a atuação do setor privado à manutenção da economia nestes tempos de crise.

E Eu Com Isso?

A cordialidade, de ambos os lados, já era esperada, na medida em que o governo tenta reconquistar a confiança do mercado financeiro e de outros setores produtivos e o grupo de empresários já cativa boa relação com Bolsonaro desde o início de seu mandato.

A única ressalva a ser feita, do ponto de vista das boas práticas de governança, é que a presença do presidente do Banco Central em uma reunião privada (e com nomes de grande peso econômico) novamente traz desconforto à comunidade financeira. Recentemente – após alguns relatos de que o preço dos ativos estaria sendo influenciado por posicionamentos extraoficiais –, o BC atualizou suas regras determinando que diretores da autarquia teriam de redobrar o cuidado ao discursarem em eventos privados. A participação de Roberto Campos Neto vai na contramão dessas medidas de transparência adotadas pelo Bacen.

Os reflexos do jantar podem ajudar o mercado a subir nesta quinta-feira (8), em meio a outras notícias positivas e mercados globais em alta. No entanto, vale observar que agentes econômicos, mais recentemente, têm adotado cautela extra com as promessas e objetivos traçados pelo governo federal e equipe econômica. Com dois anos e três meses de governo, já se espera muito mais avanços concretos do que boas intenções.

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Leia também: Orçamento de 2021 parece se encaminhar para uma solução.

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A Selic sobe em março? https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/a-selic-sobe-em-marco https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/a-selic-sobe-em-marco#respond Fri, 26 Feb 2021 14:40:40 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=21394 Fevereiro se encerra com incertezas e questionamentos. A principal incerteza é a trajetória da taxa de juros. Em pouco menos de três semanas, nos dias 16 e 17 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) fará sua segunda reunião de 2021. E crescem as expectativas dos investidores sobre o comportamento da autoridade monetária. O… Read More »A Selic sobe em março?

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Fevereiro se encerra com incertezas e questionamentos. A principal incerteza é a trajetória da taxa de juros. Em pouco menos de três semanas, nos dias 16 e 17 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) fará sua segunda reunião de 2021. E crescem as expectativas dos investidores sobre o comportamento da autoridade monetária. O comportamento das taxas de juros no mercado futuro, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, reflete uma preocupação crescente dos investidores com relação ao comportamento da inflação.

Esse movimento é claro no mercado americano. Nas negociações de overnight na quinta-feira (25), os juros dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos voltaram a subir, chegando a ultrapassar brevemente a marca de 1,6 por cento ao ano. Foi o maior patamar em mais de um ano.

A justificativa é simples: inúmeros indicadores econômicos americanos mostram uma aceleração dos preços, tanto pela gradativa volta da atividade econômica quanto pela inundação de recursos no mercado. Ambos os fatores pressionam os preços para cima. Em suas declarações mais recentes, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem reforçado que o Fed será capaz de conviver com uma inflação um pouco mais elevada durante algum tempo para não interromper prematuramente a recuperação econômica.

O mesmo fenômeno foi registrado no mercado brasileiro. As taxas dos contratos futuros de juros subiram na quinta-feira, tanto para os vencimentos mais curtos quanto para os mais longos. A taxa dos contratos de janeiro de 2022 subiu de 3,51 por cento ao ano para 3,63 por cento. As taxas do contrato futuro de juros para janeiro de 2025 dispararam de 7,00 por cento ao ano para 7,20 por cento.

A diferença entre o Brasil e os Estados Unidos é que Roberto Campos Neto não tem tanto espaço para manobrar quanto Jerome Powell. Lá como cá, os mercados estão apresentando o fenômeno da reflação, que é a volta dos preços dos bens, serviços e ativos financeiros a níveis anteriores à crise. Porém, a dificuldade do governo brasileiro de manter as contas públicas equilibradas, aliada a um aumento da percepção do risco brasileiro, podem obrigar o Copom a iniciar mais cedo o processo de elevação dos juros.

INDICADORES I

A taxa de desocupação caiu para 13,9 por cento no quarto trimestre, depois de atingir 14,6 por cento no trimestre anterior. O resultado foi levemente inferior ao consenso, que era de 14,0 por cento. A taxa média de desocupação para o ano de 2020 foi de 13,5 por cento, a maior desde 2012. Isso corresponde a cerca de 13,4 milhões de pessoas na fila por um trabalho no País. O resultado para o ano interrompe a queda na desocupação iniciada em 2018, quando ficou em 12,3 por cento. Em 2019, o desemprego foi de 11,9 por cento.

A população ocupada em dezembro avançou 0,8 por cento ante novembro, mas recuou 8,9 por cento em relação a dezembro do ano passado. E a renda real encolheu 0,9 por cento em dezembro frente a novembro, mas subiu 3,4 por cento ante dezembro de 2019. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

INDICADORES II

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) recuou 2,3 pontos em fevereiro para 83,2 pontos. Foi a segunda queda consecutiva. Em médias móveis trimestrais, o índice cedeu 0,7 ponto. O Índice de Situação Atual (ISA-S) caiu 1,4 ponto, para 78,6 pontos. O Índice de Expectativas (IE-S), recuou 3,3 pontos, para 88,0 pontos. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) do setor de serviços diminuiu 1,0 ponto percentual, para 82,4, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).

INDICADORES III

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 3,4 pontos em fevereiro, para 107,9 pontos. Em médias móveis trimestrais, o índice caiu 1,7 ponto. Foi a segunda queda seguida após oito meses de altas consecutivas. O resultado de fevereiro levou o índice ao menor nível desde os 106,7 pontos de setembro de 2020, informou a FGV.

E Eu Com Isso?

O último pregão da semana e de fevereiro começa com uma alta razoável nos contratos futuros de Ibovespa e uma leve valorização nos contratos futuros do índice americano S&P 500. A abertura indica um movimento de alta devido à busca de papéis desvalorizados, mas não se descarta uma sessão de volatilidade.

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Leia também: Indefinições dão rasteira até nos profissionais | Denise Campos de Toledo.

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