Levante Ideias - Inflação

Inflação na mira do Copom

A divulgação da Ata da reunião de número 240 do Copom (Comitê de Política Monetária) mostrou uma atitude muito mais “hawkish” do Comitê.

Explicação rápida: na avaliação dos investidores, os bancos centrais podem ter duas abordagens em relação à inflação.

Podem ser “pombos”, em inglês “doves”. Ou seja, mais tolerantes com a alta de preços e menos propensos a adotar medidas amargas, como elevar juros e contrair o crédito para conter a inflação.

Ou podem ser “falcões” (em inglês “hawks”). Nesse caso, menos dispostos a deixar os preços subirem e, portanto, mais duros com a política monetária.

Esses dois termos, “dovish” e “hawkish” dominam a avaliação da atitude dos BCs ao redor do mundo.

E, portanto, a Ata divulgada na manhã desta terça-feira pode ser considerada bastante “hawkish”.

Começando pela própria percepção de inflação e de juros, no sexto parágrafo da Ata.

Vale a pena citar praticamente na íntegra: “No cenário básico (…) as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 6,5% para 2021, 3,5% para 2022 e 3,2% para 2023. (…) Nesse cenário, as projeções para a inflação de preços administrados são de 10,0% para 2021 e 4,6% para 2022 e 2023.”

A consequência é clara e óbvia: “Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 7,00% ao ano neste ano, mantém-se nesse valor durante 2022 e reduz-se para 6,50% ao ano em 2023.”

Ou seja, o Copom está praticamente reconhecendo que não vai conseguir cumprir a meta de inflação neste ano, e que vai mandar os juros para o alto até o fim de 2023.

Apesar de 6,5% ao ano não ser um patamar elevado para os juros brasileiros em termos históricos, essa política monetária dura vai na contramão do que está sendo praticado pelos demais bancos centrais.

A constatação vem no parágrafo anterior, o de número cinco.

“A inflação ao consumidor continua se revelando persistente. (…) Destacam-se a surpresa com o componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, causando elevação dos núcleos. Além disso, há novas pressões em componentes voláteis, como a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos, ambos decorrentes de condições climáticas adversas.”

E vai mais além, no parágrafo 11.

“Para o Comitê, o segundo semestre do ano deve mostrar uma retomada robusta da atividade, na medida em que os efeitos da vacinação sejam sentidos de forma mais abrangente.”

Até aí, relativamente poucas mudanças em relação ao Comunicado, divulgado na quarta-feira (04).

Porém, o Copom foi mais além e mandou um recado.

No parágrafo 18, em que comunicou o aumento de um ponto percentual na Selic e praticamente contratou outro aumento do mesmo tamanho na reunião de setembro, o Copom foi claro ao indicar que vai tomar conta das expectativas.

“A percepção do Comitê [é] de que a piora recente em componentes inerciais dos índices de preços, em meio à reabertura do setor de serviços, poderia provocar uma deterioração adicional das expectativas de inflação.”

Tradução: as expectativas podem piorar.

E continua: “O Copom considera que, neste momento, a estratégia de ser mais tempestivo no ajuste da política monetária é a mais apropriada para garantir a ancoragem das expectativas de inflação.”

Ou seja, o Comitê disse, na linguagem neutra dos banqueiros centrais, que vai manter a linha dura na política monetária.

E encerrou a conversa garantindo uma postura “falcão”, ao dizer “sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.

Ou seja, a palavra “estimulativa” parece estar banida por um bom tempo dos comunicados escritos pelo BC.

Indicadores

A inflação “oficial” medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou para 0,96% em julho ante os 0,53% de junho.

Com isso, o indicador acumula alta de 4,76% no ano e de 8,99% nos últimos 12 meses, acima do acumulado nos 12 meses imediatamente anteriores (8,35%).

Em julho de 2020, a taxa mensal foi de 0,36%. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o IBGE, oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em julho.

A maior variação (3,10%) e o maior impacto (0,48 ponto percentual) vieram do grupo Habitação com a alta de 7,88% na energia elétrica.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros de Ibovespa começam a terça-feira com uma leve valorização, seguindo o discreto movimento de alta dos contratos futuros do índice americano S&P 500.

O prognóstico é positivo, ainda que não se descarte um componente de volatilidade causado pela incerteza política e pela indefinição da situação fiscal.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: De olho nas inflações.

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