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Semana começa agitada com volta da tensão comercial internacional

Fiel a seu estilo, o presidente americano Donald Trump soprou as brasas da guerra comercial travada entre Estados Unidos e China ao longo de todo o ano de 2019. No domingo (3/mai), Trump acusou o governo chinês de ter cometido um “erro horrível” ao combater o coronavírus. Trump foi além, e acusou as autoridades em Pequim de terem acobertado a expansão da pandemia. E, para piorar, o presidente americano mencionou relatórios de membros de seu governo, de que o coronavírus poderia ter sido criado pelos chineses. 

As declarações seguem-se a diversos movimentos do governo americano durante os últimos dias que podem fragilizar ainda mais as relações entre Estados Unidos e China, as duas maiores superpotências. Além de emitir uma ordem executiva proibindo fundos de pensão do governo americano de investir na China, Trump anunciou na sexta-feira (01/mai) que vai proibir o uso de equipamentos chineses no sistema americano de distribuição de energia.

Todos esses movimentos provocaram um movimento de queda nos mercados. As bolsas caíram na Ásia. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 4,2 por cento. Em Seul, o índice Kospi caiu 2,7 por cento, vale destacar que a China e o Japão estão fechados conta de feriados. Na Europa, onde os mercados ainda estão abertos, o movimento também é de baixa. O índice alemão Dax estava recuando mais de 3 por cento no início da manhã.

Nesse cenário, aumenta a especulação sobre o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, marcada para os dias 5 e 6 de maio. Atualmente em 3,75 por cento ao ano, a taxa Selic vai cair daqui a dois dias. A questão é se o Copom será conservador e vai reduzir os juros em apenas 0,5 ponto percentual, para 3,25 por cento ao ano, ou se será mais agressivo e cortará a taxa em 0,75 ponto percentual, baixando a Selic para 3 por cento ao ano. Mesmo que opte pela política mais agressiva, o Copom não deverá parar por aí. A edição mais recente do Boletim Focus, divulgada na manhã desta segunda-feira (4/mai) mostra uma Selic esperada abaixo de 3 por cento em dezembro deste ano (leia abaixo).

BOLETIM FOCUS – A edição mais recente do Boletim Focus do Banco Central (BC) mostra que as expectativas voltaram a recuar tanto para a inflação quanto para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). O prognóstico para o PIB piorou e agora é de uma retração (recessão) de 3,76 por cento neste ano, ante os 3,34 por cento da semana anterior. No entanto, a projeção para o PIB de 2021 subiu para um crescimento de 3,20 por cento, ante o crescimento previsto de 3 por cento na semana passada.

As projeções para a inflação também caíram. A pesquisa mais ampla agora indica uma expectativa de inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 1,97 por cento neste ano, abaixo dos 2,20 por cento previstos na semana passada. A pesquisa com as instituições Top 5 de Médio prazo indica uma queda para 1,36 por cento na projeção, ante 1,56 por cento na semana passada.

A expectativa para a taxa de câmbio subiu para 5 reais, ante os 4,80 reais da semana passada, e a projeção para a taxa de juros referencial Selic em dezembro caiu para 2,75 por cento, ante 3 por cento no levantamento anterior.

INDICADORES – O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da última semana de abriu mostrou uma deflação de 0,18 por cento, ficando 0,25 ponto percentual abaixo da taxa registrada na última divulgação. Com este resultado, o indicador acumula alta de 0,74 no ano e 2,60 por cento nos últimos 12 meses. Seis das oito classes de despesa que formam o índice mostraram deflação. A maior queda veio do Transportes. Os preços caíram 2,02 por cento, após terem caído 1,57 por cento na semana anterior. Os preços da gasolina recuaram 6,76 por cento, depois de terem recuado 5,29 por cento na semana anterior.

Por aqui, o mercado brasileiro volta do feriado pressionado. Tanto hoje como na sexta-feira, quando nossa Bolsa estava fechada, o mundo tinha um dia bem negativo. 

A retomada da tensão comercial está provocando um movimento de queda na abertura dos pregões. Os contratos futuros de S&P 500 recuam cerca de 1 por cento. Os do Ibovespa iniciam o dia com baixa acima de 3 por cento. No entanto, devido à forte volatilidade dos pregões, não se descarta uma alteração desse cenário.

Se tivemos uma sexta-feira negativa, e hoje segue a mesma tendência, a segunda-feira tinha tudo para ser ainda pior. O ponto principal para isso não ocorrer é o cenário político que, desta vez, ajuda a Bolsa a segurar a queda. O que os primeiros pontos indicam é que o depoimento do ex-juiz Sergio Moro na Polícia Federal não trouxe outras novidades além das já apresentadas, com a versão do presidente Bolsonaro devendo ganhar força.

* Este conteúdo faz parte do nosso boletim diário: ‘E Eu Com Isso?’. Todos os dias, o time de analistas da Levante prepara as notícias e análises que impactam seus investimentos. Clique aqui para receber informações sobre o mercado financeiro em primeira mão.

Leia também: Reabertura e otimismo com tratamentos animaram os investidores

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