Levante Ideias - Neo energia

Resultados da Neoenergia (NEOE3) do 2T21

Na terça-feira (20), após o fechamento de mercado, a Neoenergia (NEOE3) divulgou seus resultados referentes ao 2T21. Suas principais linhas foram positivas, superiores ao consenso, beneficiadas pelos fortes dados operacionais reportados no início do mês, que exibiram sólido crescimento de volumes comercializados pelas distribuidoras do grupo.

Nesse sentido, a companhia foi favorecida pela retomada da atividade econômica ao longo do trimestre com a suavização da segunda onda e pela incorporação da recém-adquirida CEB.

Adicionalmente, houve contribuição positiva do maior despacho das térmicas e controle de custos operacionais.

Em termos de indicadores operacionais, observamos crescimento de 24% na comparação anual do volume de energia injetada pelas distribuidoras. Excluindo os números da CEB, a variação ainda se mantém expressiva, atingindo 11% na comparação anual.

Analisando a abertura da energia distribuída, o desempenho foi sustentado especialmente pelo segmento industrial (em conjunto com mercado livre), com alta de 28% na comparação anual, e pelo comercial, com avanço de 11%. O consumo residencial também expandiu, crescendo 2,2% ano contra ano.

Ademais, em relação às perdas, todas as distribuidoras apresentaram desempenho positivo, publicando uma contração de perdas não técnicas.

Os indicadores foram beneficiados pelo crescimento do mercado de alta tensão, no qual as perdas são puramente técnicas por natureza, e por ações de combate a ligações clandestinas e inspeções mais frequentes.

A despeito dos desafios do período, as distribuidoras menos eficientes do grupo, como COELBA e CELPE, estão se aproximando novamente das metas regulatórias.

Nos demais segmentos de atuação, o desempenho operacional também foi positivo. Houve entrega de linhas de transmissão com antecedência comparativamente aos prazos regulatórios e capex inferior ao orçado originalmente pela Aneel.

Na geração, houve avanço na produção eólica devido à maior qualidade dos ventos ao longo do 6M21 e crescimento de 531% na comparação anual na geração térmica (13% da capacidade instalada total). A geração hídrica ficou virtualmente em linha com aquela apresentada no mesmo período do ano anterior.

No tocante ao desempenho econômico-financeiro, pelos motivos anteriores, a receita líquida avançou 45% ano contra ano, totalizando R$ 9,5 bilhões no 2T21.

Expurgando-se os efeitos do VNR (ativo financeiro da concessão), o resultado bruto alcançou R$ 3,2 bilhões no trimestre, uma alta de 58%.

Esses resultados foram impulsionados principalmente pelo crescimento do mercado consumidor e por reajustes tarifários aplicados ao longo dos últimos trimestres, além da maior geração térmica e da melhor margem na comercializadora.

Por outro lado, em termos de despesas operacionais, o destaque é a redução das provisões, que recuaram 84% na comparação anual, sinalizando que as ações de cobrança de clientes inadimplentes surtiram efeitos positivos. Vale destacar que a queda se mantém mesmo ajustada pelo impacto positivo da CEB.

A companhia também foi eficiente no controle do seu PMSO, em especial na Elektro, na Celpe e na Cosern.

Desse modo, o Ebitda atingiu R$ 2,3 bilhões no 2T21, alta de 108% ante o mesmo período de 2020. Ajustando pelos efeitos do IFRS-15 e VNR, a métrica alcançou R$ 1,7 bilhão, alta de 63%.

Finalmente, o lucro líquido da Neoenergia atingiu R$ 1,0 bilhão no 2T21, alta de 137% ano contra ano.

Houve deterioração do resultado financeiro líquido, que somou R$ 426 milhões, em decorrência das maiores despesas com encargo de dívida oriundos das captações direcionadas para investimentos, além de maior custo médio nominal. Ainda assim, a última linha foi positiva e superior ao consenso.

No que se refere ao fluxo de caixa, o FFO se fortaleceu como consequência dos resultados econômico-financeiros mais fortes no semestre, atingindo R$ 3,0 bilhões nos 6M21 (alta de 44% na comparação anual).

Em contrapartida, foram realizados investimentos de R$ 3,5 bilhões, alta de 51% na comparação anual, com maiores desembolsos em todos os segmentos, mas com avanço mais expressivo na transmissão e na geração renovável.

Vale comentar, ainda, que a alavancagem líquida cresceu marginalmente em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, encerrando o 2T21 em 3,0x.

E Eu Com Isso?

Os resultados do 2T21 divulgados pela Neoenergia foram fortes, superando o consenso.

Portanto, estimamos uma reação positiva para a ação, que já vinha se beneficiando nos últimos dias pelos dados operacionais publicados no início do mês, que foram elogiados por analistas e investidores.

Como destaques, salientamos o desempenho operacional das distribuidoras.

A Neoenergia foi exitosa no controle de PMSO ao decorrer da pandemia e, nesse trimestre, colheu frutos das ações de cobrança e combate a perdas.

Os próximos trimestres deverão se favorecer da retomada da atividade econômica, embora o cenário hidrológico ainda desafiador crie um risco para o setor.

De fato, as campanhas de racionalização do consumo poderão acarretar contração do mercado, a despeito da reabertura da economia.

Nesse sentido, no segmento de geração, apesar da forte participação da fonte hidráulica no portfólio da Neoenergia, os efeitos do GSF serão minimizados pela Termopernambuco, que continuará com despacho elevado, pela geração eólica, que é negativamente correlacionada com a hidráulica, e por hedges contra GSF detidos pela companhia.

Análise Complementar

Em adição, cabe mencionar que o crescimento na área de transmissão, com início de operação de novos trechos entregues nos últimos meses, é um ponto positivo para a tese de investimento, contribuindo para diversificação da receita da companhia.

Há, ainda, ganhos em termos de previsibilidade de resultados, pois o segmento de transmissão é mais resiliente por não estar exposto ao risco hidrológico ou ao risco de volume.

Finalmente, ressaltamos que a recente aquisição da CEB cria uma oportunidade de extração de valor para a Neoenergia. Há amplo potencial de turnaround e a companhia possui experiência na gestão de distribuidoras.

Contudo, acreditamos que seja importante monitorar o foco e a capacidade de realização de investimentos da empresa, visto que tanto COELBA quanto CELPE ainda possuem necessidades de investimentos e estão acima das metas regulatórias para perdas.

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Leia também: Resultado do 4T20 da Neoenergia (NEOE3).

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