Petrobras - PETR3, PETR4 - Levante Investimentos

Resultado da Petrobras (PETR3/PETR4) do 1T21

Na noite desta quinta-feira (13), a Petrobras (PETR3/PETR4), divulgou seus resultados do 1T21, após o fechamento de mercado. Os números vieram muito fortes, com rentabilidades em patamares altos por mais um trimestre seguido e, desta vez, sem efeitos grandes de eventos não-recorrentes, como ocorreu no 1T20.

O destaque novamente veio do segmento de Exploração e Produção (E&P), com redução do custo de extração, desta vez com a evolução de eficiência nos custos dos campos terrestres e águas profundas. O pré-sal continua com custo de extração baixíssimo, comparado aos melhores produtores mundiais, em 2,7 dólares por barril, sem considerar os afretamentos e participação governamental.

A receita líquida consolidada ficou em 15,7 bilhões de dólares, crescimento de 12,8 por cento em relação ao trimestre anterior e queda de 8,4 por cento na comparação anual. O Ebitda (métrica da geração de caixa bruta da companhia) ajustado pelos efeitos não-recorrentes, ficou em 8,7 bilhões, crescimento forte de 33,9 por cento em relação ao 4T20 e 2,9 por cento em relação ao 1T20.

A geração de caixa livre da companhia alcançou 5,6 bilhões de dólares por mais um trimestre, relativamente estável na comparação com o 1T20 e 4T20, além da redução do montante da dívida bruta em 4,6 bilhões de dólares no trimestre, encerrando o 1T21 com alavancagem financeira (relação Dívida Líquida / Ebitda) de 2,03 vezes, o menor patamar desde o início do processo de virada da companhia, iniciada em 2017.

A dívida bruta encerrou o trimestre em 70,9 bilhões de dólares. A Petrobras já realizou mais uma amortização antecipada de dívida em mais de 3,2 bilhões de dólares em abril, o que reduz o patamar atual de endividamento bruto em 67,7 bilhões de dólares, bem próximo ao patamar de 63 bilhões de dólares como sendo o mínimo exigido para liberar a nova política de pagamento de dividendos extraordinários da companhia, baseado no endividamento e fluxo de caixa.

E Eu Com isso?

A Petrobras mais uma vez mostrou os resultados do turnaround muito bem implementado ao longo dos últimos anos, alcançando uma excelente rentabilidade e um nível forte de geração de caixa. Para fins de comparação, a margem Ebitda do segmento de E&P ficou em 69 por cento, contra margem Ebitda consolidada de 55 por cento, além da contribuição de mais de 90 por cento no Ebitda total.

Esperamos uma reação positiva no preço das ações da companhia (PETR3/PETR4) no curto prazo, por mais um resultado forte operacionalmente, com redução importante de endividamento.

O ponto principal da tese não é o desempenho operacional, em níveis que beiram a excelência, e sim o risco de intervenção e uso da estatal como instrumento político, como ocorreu no período de 2010 a 2016, corroendo fortemente a rentabilidade da companhia. Além do mais, a gestão que realizou grande parte das mudanças positivas e estruturais na companhia debandou com o anúncio da não-renovação do mandato do último CEO Roberto Castello Branco, além do conselho também ter sido em grande parte “renovado”.

O grande desafio do novo CEO, general Silva e Luna, indicado pelo governo federal, será equilibrar os preços dos combustíveis nas refinarias, de modo a evitar mais uma manifestação de grupos de pressão como os caminhoneiros, com o câmbio em patamares altos e preços crescentes do petróleo.

O governo e o próprio general já afirmaram que irão respeitar os mecanismos de mercado e precificação da Petrobras, porém preocupa a declaração de que a companhia também deve cumprir sua “função social”, além dos preços de paridade internacional (PPI) ainda estarem defasados, mesmo com os recentes aumentos no preço dos combustíveis.

Pelo lado positivo, como citado mais acima, em caso de se evitar uma “lambança” na gestão da companhia, ou seja, se mantiver o que já foi feito até então e perpetuar, a estatal não deve ter grandes dificuldades em reduzir seu endividamento, continuar a gerar um caixa robusto e voltar a pagar dividendos parrudos a seus acionistas, podendo destravar o preço das ações da companhia, atualmente muito descontadas devido a justamente esse risco de ingerência, com o mercado financeiro ainda desconfiado de toda a mudança ocorrida recentemente.

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