Petrobras - PETR3, PETR4 - Levante Investimentos

A Petrobras permanece arriscada

A tarefa do general da reserva Joaquim Silva e Luna, que tomou posse na segunda-feira (19) como novo presidente da Petrobras (PETR3/PETR4) será muito difícil. Luna terá de ser um malabarista para conseguir agradar todos os acionistas da estatal. Suas declarações no discurso de posse foram na direção correta. Ele disse que a companhia vai buscar reduzir a volatilidade dos preços de combustíveis sem desrespeitar a paridade com os preços internacionais. Afirmou querer conciliar os interesses dos consumidores e dos acionistas. E garantiu que a governança e o compliance da empresa “impedem riscos de aventuras” e dão segurança aos acionistas.

Foi um discurso necessário. Será suficiente? Há, aqui, dois problemas, um conjuntural e outro estrutural. O conjuntural é que Silva e Luna não deu nenhum detalhe sobre como vai colocar essa estratégia em prática. E todos sabem que ela será de difícil execução. O problema estrutural é que a atuação da Petrobras está sujeita a uma contradição eterna e insolúvel.

De um lado está o controlador. Seja quem for o ocupante da Presidência da República, ele sempre será tentado a manipular os preços dos combustíveis e do gás de cozinha. O motivo é simples e claro. Há uma relação direta entre a popularidade do governante e o custo da gasolina, do diesel e dos botijões que permitem cozinhar o arroz com feijão cotidiano. Preço em alta, aprovação em baixa.

Na posição contrária estão os muitos milhares de minoritários, que buscam apenas obter uma boa rentabilidade para seu dinheiro ao investir nas ações. A Petrobras é uma companhia grande, que opera em um setor intensivo em capital. Assim, não é possível pensar em suas ações como “growth stocks”, que podem apresentar um crescimento exponencial. Seus papéis estão mais para “value stocks”. Ações que, espera-se, paguem bons dividendos e apresentem uma valorização razoável no decorrer do tempo. Daí o estrago que ocorre nas cotações e nas expectativas quando o controlador busca amplificar sua popularidade subsidiando os combustíveis e o gás de cozinha às custas dos minoritários da estatal.

A história é antiga, vem se repetindo ao longo das décadas, e o final nunca é feliz. Desde os anos 1970, ainda no governo do general Ernesto Geisel (que presidiu a Petrobras antes de presidir a República) a estatal foi usada para sustentar artificialmente o desenvolvimento industrial brasileiro. Fazia parte das atribuições da empresa pagar caro por equipamentos de má qualidade de modo a estimular a produção industrial.

Corte rápido para a década passada. No governo de Dilma Rousseff a Petrobras tornou-se a companhia mais endividada do mundo devido à uma política equivocada de manter os preços dos combustíveis baixos, apesar da alta das cotações do petróleo no mercado internacional. Mesmo se a empresa não tivesse sido vítima do maior escândalo de corrupção da República, essa política teve um impacto devastador nos resultados e nos preços das ações. Roberto Castello Branco, que até há poucos dias presidia a Petrobras, fez o que era certo. Reduziu a defasagem nos preços, cortou custos e vendeu ativos menos estratégicos. Bom para os minoritários, mas ruim em termos de popularidade. Daí sua substituição por Silva e Luna.

Em seu discurso de posse, o novo presidente disse o que os investidores queriam ouvir. Não por acaso, as ações ordinárias subiram 5,03 por cento e as preferenciais avançaram 5,8 por cento na segunda-feira (19). Porém, na ponta do lápis, as cotações permanecem abaixo do nível de 18 de fevereiro, quando Bolsonaro começou a criticar publicamente a gestão da Petrobras para, em seguida, fritar Castello Branco.

O que fazer? Nós, da Levante Ideias de Investimentos, permanecemos convencidos de que não vale a pena o risco e o retorno de investir nas ações da Petrobras – e de nenhuma outra estatal. Por mais competentes e corretos que sejam seus gestores, isso não consegue eliminar o risco intervenção política por parte dos controladores.

Cenário Internacional

Aumentou o risco de uma deterioração da situação na Crimeia. O governo da Ucrânia informou estar preocupado com a concentração de tropas da Rússia em sua fronteira. No que alega ser “exercícios militares”, o exército russo reuniu um contingente maior do que o usado para invadir a Ucrânia em 2014, algo que alarmou autoridades militares dos Estados Unidos. A Rússia atacou o país vizinho, estratégico devido à sua produção de grãos há sete anos, e as tensões estão longe de ser resolvidas. Uma escalada do conflito pode pressionar os preços das commodities e aumentar a tensão global, com um reflexo negativo sobre os mercados.

E Eu Com Isso?

Em um dia sem indicadores relevantes, os investidores internacionais deverão ficar atentos aos resultados das empresas americanas e ao aumento das tensões militares entre Rússia e Ucrânia e da escalada retórica entre China e Estados Unidos. Em relação ao Brasil, os investidores deverão interpretar como negativo acordo fechado entre Governo e Congresso para resolver o impasse do Orçamento de 2021 (Leia mais abaixo). Nesse cenário, os contratos futuros de Ibovespa e do índice americano S&P 500 estão iniciando o dia em queda.

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