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Pequim poderá reduzir liberdades da região semiautônoma

Os mercados na Ásia foram marcados pela turbulência. A maior queda foi do índice Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, que fechou em baixa de 5,5 por cento. A Bolsa de Xangai caiu 1,4 por cento, mesma queda da bolsa de Seul e, em Tóquio, as ações recuaram um pouco menos. O Índice Nikkei caiu 0,8 por cento, com o pessimismo atenuado por notícias locais da expansão na ajuda governamental à economia, com o Banco do Japão revelando a intenção de criar um programa de empréstimos de 280 bilhões de dólares para pequenas empresas afetadas pelo coronavírus.

No entanto, o provável endurecimento de Pequim para com Hong Kong é o que mais preocupa os investidores. O problema é antigo. Desde que retornou à China continental em 1997, Hong Kong vem funcionando como uma região semiautônoma. Na época, o governo chinês era menos poderoso em termos econômicos e militares, e interessava manter “um país, dois sistemas”. O slogan resumia a ideia de manter a economia de mercado de Hong Kong e garantir-lhe uma relativa liberdade.

Porém, quase 25 anos depois, as coisas mudaram. A economia chinesa tornou-se muito mais moderna e capitalista, apesar de o Partido Comunista Chinês ainda manter firmemente o poder. As vantagens da autonomia de Hong Kong – que funcionava como uma interface com o mundo capitalista – começam a perder importância. E as desvantagens dessa autonomia, que permite protestos contra o governo, algo intolerável para Pequim, indicam que mudanças deverão vir, e logo. É só uma questão do governo chinês tomar a decisão, pois não há nenhum obstáculo prático no caminho.

Para aumentar a tensão nos mercados, o Partido Comunista chinês não divulgou uma meta de crescimento da economia para este ano durante o Congresso Nacional do Povo, realizado em Pequim. O encontro anual, que funciona como uma apresentação das metas, não divulgou nenhum percentual, o que indica expectativas de que a economia chinesa vai levar mais tempo para se recuperar dos efeitos da pandemia do que o esperado anteriormente.

DÓLAR EM QUEDA – O presidente da República, as lideranças no Parlamento e os governadores de Estado conseguiram costurar um acordo para defender o dinheiro público (leia mais abaixo) e vimos o impacto disso no dólar.

Como resultado, ficou garantido o pacote de ajuda de 60 bilhões de reais a Estados e municípios. Os recursos vão compensar a queda da arrecadação do ICMS e do ISS devido à desaceleração econômica provocada pela pandemia. Porém, ficou acertado que governo federal e governadores vão apoiar a medida impopular de não reajustar os salários dos servidores públicos em um ano eleitoral, o que pode garantir uma economia estimada em mais de 90 bilhões de reais.

Como resultado, o dólar caiu 1,87 por cento e fechou a 5,581 reais, menor cotação desde o dia 4 de maio. E o Ibovespa fechou com uma alta de 2,1 por cento, encerrando acima de 83 mil pontos pela primeira vez desde o fim de abril. Pela primeira vez em várias semanas, os mercados se descolaram do Exterior e ignoraram a baixa das ações lá fora.

Apesar de o cenário doméstico estar menos anuviado, o panorama internacional está negativo, o que pode levar a uma realização de lucros nesta sexta-feira, dia da semana tradicionalmente marcado por uma redução na liquidez. Por outro lado, hoje deve sair a decisão do ministro Celso de Mello, do STF, sobre a divulgação (ou não) do vídeo da reunião entre ministros e o presidente. Vale manter atenção nesta divulgação que pode gerar volatilidade no mercado local.

* Este conteúdo faz parte do nosso boletim diário: ‘E Eu Com Isso?’. Todos os dias, o time de analistas da Levante prepara as notícias e análises que impactam seus investimentos. Clique aqui para receber informações sobre o mercado financeiro em primeira mão.

Leia também: Falas de Trump e indicadores positivos na Europa

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