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Os limites da recuperação americana

Os resultados divulgados pelas principais empresas abertas dos Estados Unidos referentes ao segundo trimestre de 2021 mostram uma sólida e consistente trajetória de recuperação.

Desde que os bancos começaram a divulgar seus números, ainda nos primeiros dias de julho, os resultados não apenas superaram os números do primeiro trimestre deste ano e os do segundo trimestre de 2020, como também vieram acima das expectativas do mercado.

Há bons e vários motivos para isso, tanto macro quanto microeconômicos.

Os motivos macroeconômicos são bem conhecidos. A economia americana está vivendo um momento de expansão acelerada da liquidez.

Apesar do avanço na vacinação e da reabertura de várias atividades, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, ainda se mostra reticente em desacelerar as medidas de estímulo à economia, que incluem a manutenção dos juros na prática a zero e a recompra mensal de US$ 120 bilhões em títulos, sendo 80 bilhões em papéis federais e 40 bilhões em compromissos hipotecários.

Os motivos microeconômicos são menos evidentes, mas igualmente importantes. As grandes empresas abertas não ficaram paradas durante os meses de pandemia.

Além do efeito positivo da concentração – muitas companhias aproveitaram para comprar outras ou para ocupar espaços de mercado que haviam se aberto pela quebra de concorrentes – os executivos fizeram uma competente lição de casa.

Aproveitaram o isolamento forçado para apostar no home office, para testar tecnologias que elevam a produtividade e para reduzir custos.

Em especial, os custos de ocupação de escritórios, que foram desocupados ou que tiveram seus contratos de aluguel renegociados.

Assim, as empresas estão iniciando a retomada em um ambiente de liquidez farta, negócios azeitados e a chamada alavancagem operacional, em que é possível fazer mais a partir da melhor utilização dos recursos, sem a necessidade de assumir mais riscos ou ampliar o endividamento.

Mesmo assim, essa recuperação tem limites.

Vamos analisá-los.

Um dos limites está sendo imposto pelo efeito econômico adverso da pandemia que é a redução da eficiência nas cadeias de suprimentos.

O melhor exemplo são os microchips, mas há vários casos em que componentes importantes das cadeias produtivas apresentaram restrições de oferta.

Ou porque as empresas que os elaboravam saíram do mercado, ou porque a mão de obra tornou-se escassa.

Outro limite está nos preços elevados das commodities.

As empresas cujos ciclos de processamento são mais curtos, por dependerem mais de perto das commodities, estão notando uma pressão nos custos que está sendo difícil de metabolizar e de transferir para o consumidor.

O dinheiro está abundante, mas a renda e o patrimônio das famílias não cresceram na mesma proporção.

Os preços sobem.

O caso mais evidente e recente foi a alta dos custos da gasolina nos Estados Unidos, que levou até a manifestações oficiais de preocupação da Casa Branca na terça-feira (10).

Isso demonstra uma preocupação das autoridades com os preços da energia.

As cotações do petróleo vêm subindo. O governo está pressionado a Organização dos Países Exportadores de Petróleo mais a Rússia, organização conhecida como Opep +, para elevar a produção.

O setor de gás de xisto, o “shale gas”, está demorando para retomar seu nível de atividade anterior à pandemia.

Nota-se também que os estoques da indústria americana estão baixos.

Isso força o repasse para os preços, eleva os índices de inflação e aumenta o desconforto do Fed em continuar pisando no acelerador dos estímulos.

Com tudo isso, a confluência entre dinheiro farto, juros baixos e melhora do modo de fazer as coisas que levou aos bons resultados do segundo trimestre pode ter sua influência benéfica atenuada devido às limitações da economia real.

E Eu Com Isso?

O aumento da pressão política está provocando um movimento de baixa dos contratos futuros do Ibovespa no início dos negócios nesta quinta-feira, apesar da estabilidade no mercado americano, com os investidores à espera dos dados sobre a economia dos Estados Unidos a ser divulgados nesta manhã, o que pode provocar mudanças de trajetória.

As notícias são negativas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: Energia e inflação.

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