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O Banco Central refez as contas

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que se encerrou na quarta-feira (20) confirmou as expectativas dos investidores em manter a taxa referencial Selic nos atuais 2 por cento ao ano. Também foi ao encontro dos prognósticos de retirada do “forward guidance” da política monetária. Um indicativo da tendência dos juros em um período mais longo, o “forward guidance” havia sido instituído em setembro do ano passado, e indicava a manutenção da Selic baixa por bastante tempo.

No entanto, o motivo da retirada confirmou algumas das preocupações dos investidores. Segundo o próprio texto do Copom, “as projeções de inflação em seu cenário básico estão suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária. Como consequência, o ‘forward guidance’ deixa de existir e a condução da política monetária seguirá, doravante, a análise usual do balanço de riscos para a inflação prospectiva”. Traduzindo: a inflação está elevada e o Banco Central (BC) pode ter de voltar a fazer política monetária à moda antiga, elevando os juros para conter a alta de preços.

Apesar de frisar que a retirada do “forward guidance” não indica uma alta de juros no curto prazo, o Comunicado divulgado pelo BC imediatamente após a reunião foi explícito como poucos ao apontar os riscos fiscais para a estabilidade dos juros e a percepção de riscos. Embora repetindo que “o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado, notadamente quando essa ociosidade está concentrada no setor de serviços”, o texto alertou que “um prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piore a trajetória fiscal do País, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco”.

Como se fosse pouco, o texto foi ainda mais claro no parágrafo seguinte. Vale a pena repetir na íntegra. “O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.”

Para não deixar dúvidas, o comentário também retificou os dados do Boletim Focus. Em sua edição mais recente, divulgada na segunda-feira (18), o Boletim indicava uma expectativa de 3,43 por cento para a inflação medida pelo IPCA para 2021. O Copom refez as contas, elevando essa projeção para 3,6 por cento. Não foi uma grande alteração, mas indica que, aos olhos do BC, a inflação pode estar sendo levemente subestimada.

Mais direto, impossível. O Comunicado do BC deixa claro que qualquer leniência com a estabilidade fiscal será duramente cobrada por essa entidade chamada mercado, que nada mais é do que o conjunto de investidores individuais e administradores profissionais de recursos tentando, todos os dias, multiplicar seu capital. Não por acaso, enquanto os pregões ao redor do mundo valorizavam-se na comemoração da posse de Joe Biden, o Ibovespa amargou uma queda de 0,89 por cento e encerrou a sessão da quarta-feira abaixo dos 120 mil pontos. O motivo foi claro: nos Estados Unidos, todos comemoram quando o governo que assume promete medidas de estímulo para a economia. Por aqui, muitos temem que o governo não seja capaz de manter as contas sob controle, o que eleva o risco, os juros e reduz as probabilidades de um crescimento sustentável da economia.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros do Ibovespa estão em leve queda, indicando a continuidade do movimento da véspera. Já os contratos futuros do índice americano S&P 500 mantém a trajetória de alta iniciada na quarta-feira.

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