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Mitre Realty (MTRE3): Resultados do 4T20 e de 2020

Na noite desta segunda-feira (15), a incorporadora Mitre Realty divulgou seus resultados do 4T20 e do consolidado do ano de 2020. Como já antecipado na divulgação da prévia operacional deste último trimestre, a companhia apresentou um crescimento forte de receita líquida, além da melhora da margem bruta, o que possibilitou um lucro líquido acima das expectativas.

Os principais destaques do resultado foram:

i) Receita Líquida de 154,7 milhões de reais no trimestre, um crescimento de 26,8 por cento na comparação anual. No ano a receita líquida da Mitre alcançou 411,2 milhões de reais, um crescimento robusto de 31,9 por cento ano contra ano.

ii) Margem Bruta forte de 34 por cento no trimestre, ante 27,4 por cento no 4T19. No ano a companhia também melhorou em relação a 2019, com 34 por cento de margem bruta no ano de 2020 contra 31,8 por cento em 2019.

iii) Lucro Líquido de 22,5 milhões de reais, um crescimento de 329,3 por cento em relação ao 4T19, puxado pelas melhoras de margens operacionais, além do melhor resultado financeiro. No ano o lucro líquido foi de 49,1 milhões de reais, um crescimento de 53,4 por cento em relação a 2019, alcançando um ROAE (Retorno Médio sobre o Patrimônio Líquido) de 9,2 por cento, mesmo com posição de caixa de 741 milhões de reais, ainda alto devido aos recursos captados no IPO no início de 2020.

O destaque negativo fica para o crescimento das despesas comerciais em 51,8 por cento no consolidado de 2020 e 96,5 por cento no 4T20 em relação ao mesmo período de 2019 e o crescimento forte também nas despesas gerais e administrativas em 117,3 por cento no consolidado do ano de 2020 e 75 por cento no 4T20.

O aumento nas despesas com vendas pode ser explicado pelo impacto da pandemia que fechou os estandes de vendas da Mitre, enquanto o crescimento nas despesas gerais e administrativas preparou a companhia para uma fase de crescimento no volume de lançamentos.

E Eu Com Isso?

Os resultados fortes não somente mostram a boa execução da Mitre, como também dissipam ainda mais as dúvidas em relação ao ritmo forte de crescimento sem abrir mão da rentabilidade, uma das principais bandeiras da companhia em sua abertura de capital (IPO), o que deve gerar uma gradual reavaliação positiva do mercado a respeito da companhia.

Os resultados vieram acima das estimativas, especialmente em termos de lucro líquido. Dessa forma, esperamos impacto positivo no preço das ações da companhia (MTRE3) no curto prazo.

Além dos bons dados operacionais, a empresa ainda mantém um banco de terrenos de cerca de 5 bilhões de reais em valor geral de vendas (VGV), acima dos 4,2 bilhões detidos ao final de 2019, suficiente para pelo menos 3 anos de fortes lançamentos sem a necessidade de novas aquisições de terrenos. Em complemento, a companhia mostrou disciplina no uso do caixa, com consumo líquido de caixa de apenas 21,5 milhões de reais, mantendo uma posição robusta de liquidez, com posição de caixa líquida de 741,5 milhões de reais.

Um ponto importante a se destacar além dos resultados é a qualidade do estoque detido (unidades lançadas, porém ainda não vendidas). Apesar desse montante ter crescido de 287 milhões de reais ao final de 2019 para 743 milhões de reais ao final de 2020, apenas 4,8 milhões de reais são de estoques prontos, ou seja, de obras já entregues, corroborando com o bom desempenho comercial da companhia, com o restante do estoque ainda com bom potencial de vendas.

Entrando no gancho sobre as vendas, o nível de cancelamentos (distratos) em relação às vendas brutas ao longo do ano de 2020 se manteve estável em 6,8 por cento segundo a companhia, no mesmo patamar de 2019, mesmo com crescimento forte de 36,1 por cento nas vendas brutas, alcançando 716,5 milhões de reais. Incluindo os distratos e comissões, as vendas líquidas ficaram em 607,8 milhões de reais no ano, um crescimento de 31,6 por cento.

O principal desafio daqui em diante será contornar e ser capaz de repassar os sucessivos aumentos de custo de construção, especialmente de insumos com cimento e aço, impulsionado pela moeda doméstica (real) mais fraca em relação ao dólar, juntos à alta demanda do setor por materiais básicos com risco de queda da rentabilidade para todas as construtoras.

O aumento dos juros também pode afetar o poder de compra da população no médio prazo, acirrando a disputa pela demanda de imóveis entre as construtoras e ainda um maior risco de crédito, acarretando maior nível de distrato.

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