Linhas de transmissão representando Leilão

Leilão de transmissão de energia

No último leilão de transmissão de energia realizado ontem, 17 de dezembro, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foram oferecidos 11 lotes de empreendimentos em nove Estados brasileiros. Todos foram arrematados. Entre as vencedoras estão as companhias Neoenergia (ganhadora do lote de maior receita e menor deságio, de 159,7 milhões de reais e 42,6 por cento, respectivamente), CTEEP, Consórcio Saint Nicholas (Grupo Mez Energia, que levou o maior número de lotes), Energisa, entre outras.

O leilão, realizado na sede da B3, em São Paulo, foi marcado pela presença de gigantes do setor de energia, investidores financeiros e empresas de construção e engenharia. A disputa foi acirrada, contendo ofertas com mais de 70 por cento de deságio em relação ao valor máximo de remuneração fixado pelo regulador – a receita anual permitida para as companhias, também conhecida como RAP.

A empresa vencedora, após celebração dos contratos, possui de 42 a 60 meses para a conclusão das suas obras e início da operação das linhas de transmissão, segundo edital da Aneel. A partir da data de celebração do contrato, a companhia possui 30 anos de concessão para sua operação.

No total, os 11 lotes englobam mais de 1.958 quilômetros de linhas de transmissão, com as malhas se estendendo pelas cidades do Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso de Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. O arremate de todos os lotes garante investimentos nos próximos cinco anos na ordem de 7,3 bilhões de reais em todo o País.

O leilão de transmissão desta quinta-feira foi a única licitação de energia não suspensa em 2020, ano no qual todos os demais projetos foram suspensos em decorrência da pandemia do coronavírus. A última licitação ocorreu em dezembro de 2019, tendo como principais vencedoras CTEEP e Neoenergia. Este também apresentou forte concorrência e deságios de cerca de 60 por cento.

E Eu Com Isso?

A notícia ilustra o interesse da iniciativa privada em realizar investimentos no setor elétrico brasileiro, uma vez que foi marcado pela presença de grandes elétricas, investidores financeiros e empresas de construção e engenharia, evidenciando a atratividade do setor para receber investimentos privados.

Entretanto, esta não é uma notícia necessariamente positiva o setor, uma vez que, dados os resultados dos leilões, gera-se ressalva sobre a correta precificação desses ativos. É necessário aguardar para verificar se essas empresas ganhadoras conseguirão extrair valor de projetos com deságios tão pronunciados. Outro ponto de ressalva é que empresas mais focadas em distribuição e com projetos de transmissão menos relevantes, com a Neoenergia e Energisa, apresentam maior risco de execução para projetos de transmissão, diferente de companhias como a CTEEP, que já possui ativos neste segmento e com maior track record.

A forte concorrência observada no leilão é visível quando calculamos o deságio médio implícito nas ofertas vencedoras, de 55 por cento em relação à RAP agregada máxima. Essa pressão foi exacerbada pelo interesse de players financeiros e empresas de engenharia. De fato, dos 11 lotes, somente quatro foram conquistados por companhias naturais do setor elétrico.

Para os próximos leilões, estimamos que o cenário deva se repetir, sugerindo que as oportunidades de crescimento para empresas como CTEEP, TAESA e Alupar serão limitadas. Ao mesmo tempo, o cenário valoriza os projetos rentáveis que essas companhias conquistaram em leilões de anos anteriores à medida que a concorrência reduz a TIR exigida para operação de linhas de transmissão.

Quando comparamos as ofertas vencedoras entre si, observamos que a CTEEP foi relativamente mais agressiva do que Neoenergia e Energisa, postura essa negativa para os acionistas. Essa conclusão é obtida mediante avaliação da razão RAP / Capex dos projetos, que serve como indicador de rentabilidade. De fato, a CTEEP arrematou sua linha com razão RAP / Capex de 6,0 por cento, contra 8,0 por cento e 7,1 por cento da Neoenergia e da Energisa, respectivamente. Concomitantemente, observamos que a empresa adotou postura menos agressiva em outros lotes, razão pela qual se consagrou vencedora em apenas um deles.

De todo modo, a despeito de suposta agressividade maior da CTEEP, todos os projetos apresentaram razão RAP / Capex historicamente baixa. Nesse sentido, a média do leilão foi de 6,2 por cento. Em nossa visão, esse resultado poderia ser explicado por alguns fatores que podem aumentar a rentabilidade efetiva dos projetos, como a percepção dos participantes de que o Capex estimado pela Aneel é conservador, havendo espaço para otimização. Outro fator é a alavancagem, que, no atual cenário de juros baixos, pode ser implementada a custos competitivos. Embora razoáveis, há um risco de execução envolvido nessas estratégias, que deve ser acompanhado nos próximos trimestres.

Outro destaque da edição foi o retorno da Eletrobras ao leilão de transmissão, tendo sido proibida pela Aneel de participar nos últimos anos por ter atrasado a entrega de empreendimentos. A estatal participou da licitação por meio das subsidiárias Furnas, Eletrosul CGT e Amazonas GT, porém acabou não arrematando nenhum ativo. Esse é um sinal de que a empresa, distintamente da postura adotada em gestões anteriores, está mais racional e seletiva em sua decisão de participação em leilões.

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