Jerome Powell

Joseph e Jerome vão falar

Dois discursos a serem proferidos em Washington nesta quarta-feira (28) deverão pautar o comportamento do mercado financeiro nas próximas semanas. Às 15 horas, Jerome Powell, presidente do Fed, o banco central dos Estados Unidos vai falar após a divulgação das decisões do Federal Open Market Committee (Fomc), o Copom americano. E às 21 horas (22 horas em Brasília), o presidente americano Joseph Biden fará sua primeira apresentação diante do Congresso.

Começando pelo discurso de Biden, que será mais tarde, e mais importante. Será sua primeira visita ao Congresso, 97 dias após sua posse. Pouco antes de completar 100 dias de mandato, o presidente que havia sido ironicamente chamado pelo oponente Donald Trump de “Sleepy Joe” (algo como “Zé Devagar”) mostrou que não perdeu tempo. Depois de acelerar a aprovação de um pacote de 1,9 trilhão de dólares de apoio à economia e estar caminhando com um projeto de apoio a Infraestrutura, Biden estará diante do Congresso pela primeira vez como presidente. Ele não apenas vai falar de suas realizações, como o pacote de 1,4 mil dólares para cada americano e os 200 milhões de doses de vacina aplicados no País, mas também para propor um plano educacional e social de 1,8 trilhão de dólares.

A iniciativa, denominada Plano de Famílias Americanas (American Families Plan) vai propor uma verba de 1 trilhão de dólares e a prorrogação de 800 bilhões de dólares em incentivos fiscais postos em vigor durante a pandemia da Covid. A proposta é financiar gastos com creches, educação e férias pagas, além de garantir dois anos de universidade gratuita para todos os americanos. Essa iniciativa visa diretamente os chamados Dreamers, imigrantes ilegais que chegaram aos Estados Unidos quando crianças e que foram ameaçados de expulsão no início do governo Trump.

É bastante provável que a oposição republicana se oponha. Biden pretende pagar essa conta dobrando a tributação sobre ganhos de capital dos mais ricos e também aumentando os impostos pagos pelas gigantes de tecnologia, revertendo boa parte dos incentivos fiscais da gestão Trump. As decisões têm um impacto direto sobre a economia, pois representarão uma injeção de recursos nas veias do consumo, daí a importância do primeiro discurso.

O segundo a discursar, em outro ponto da capital americana e às 14 horas (15 horas de Brasília) será Powell, do Fed. Ninguém espera uma alta dos juros americanos. As pesquisas mais recentes indicam 93,7 por cento de probabilidade de que as taxas permaneçam na faixa entre zero e 0,25 por cento ao ano, e 6,3 por cento de probabilidade de o Fed reduzir os juros para uma faixa entre 0,25 por cento negativo e zero. O que interessa será o comunicado de Powell sobre se o Fed considera ou não que a economia americana já consegue caminhar pelas próprias pernas, sem os generosos estímulos monetários que vêm sendo aplicados desde o início do ano passado.

Powell disse várias vezes desde a reunião de março que o Fed só vai começar a retirar os estímulos quando a economia demonstrar “progresso substancial”, especialmente com o retorno do emprego aos níveis anteriores à pandemia. A inflação está subindo e a expectativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) americano oscila ao redor de 6 por cento neste ano, mas boa parte disso é maldade estatística, pois a base de comparação é muito baixa. E a economia ainda opera com cerca de 9 milhões de empregos a menos do que antes da pandemia. Powell terá de explicar como o Fed vê a alta dos preços das commodities, e se isso é capaz de fazer a inflação sair dos trilhos. Por isso, os investidores vão observar cada nuance da fala de Powell, para saber se o Fed vê o copo como meio cheio ou meio vazio.

Indicadores econômicos 

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 4,3 pontos em abril, para 72,5 pontos recuperando 44 por cento da queda sofrida no mês anterior. A percepção dos consumidores sobre o momento atual ficou estável após atingir o mínimo da série em março enquanto as expectativas tornaram-se menos pessimistas para os próximos meses.

Já o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) subiu 11,6 pontos em abril, ao passar de 72,5 para 84,1 pontos, recuperando mais da metade da queda de março. Em abril, a confiança melhorou em todos os seis principais segmentos do Comércio e nos dois horizontes temporais. Os dados são da Fundação Getulio Vargas.

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Os contratos futuros de Ibovespa iniciam a sessão com uma alta razoável devido às perspectivas positivas com os resultados das empresas e um cenário benigno no mercado internacional.

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Leia também: Relatoria da CPI da Covid.

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