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Energia para a inflação

A quarta-feira começa com o mercado em queda. Os contratos futuros dos principais índices, o Dow Jones e o S&P 500, caem mais de 1% na pré-abertura.

Durante a madrugada no Brasil, os mercados na Europa e na Ásia também caíram. No Japão, o índice Nikkei de 225 ações recuou 1,04%. Em Frankfurt, o índice Dax estava em queda de 2,24% no fim da manhã (horário local). E em Londres a queda do FTSE de 100 ações superava 1,6%.

O que está assustando os investidores ao redor do mundo é a alta dos preços dos petróleo. Os contratos futuros do petróleo tipo Brent, que baliza os preços praticados pela Petrobras (PETR3/PETR4), fecharam a US$ 82,56 na noite da terça-feira (05), após superarem US$ 83 por barril, maior cotação em três anos.

No caso do petróleo WTI (West Texas International), referência nos Estados Unidos e em geral mais barato do que o Brent, o mercado fechou com o barril cotado a US$ 78,93. Os preços chegaram a US$ 79,48 por barril, nível mais elevado em sete anos.

Há várias causas para esse aumento aparentemente descontrolado dos preços. Investidores e empresários temem uma escassez no mercado de energia. O caso do petróleo é o mais grave.

No início do ano passado, os países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo mais a Rússia, denominada Opep+, concordaram em reduzir a produção em 9,7 milhões de barris por dia para fazer frente à queda da demanda provocada pelas medidas de isolamento social.

À medida que a economia se normalizava, a produção aumentava. Porém, em abril deste ano ainda estava em vigor um corte na produção de 5,8 milhões de barris por dia em relação aos patamares anteriores à pandemia. Em julho, a Opep+ concordou em elevar gradativamente a produção em 400 mil barris por dia todos os meses, até abril de 2022.

Na reunião do início desta semana, os países-membros mantiveram essa programação, frustrando expectativas dos investidores, que esperavam uma aceleração na retomada da extração de petróleo.

A Organização divulgou esperar um déficit de 1,1 milhão de barris por dia até o fim deste ano, e essa perspectiva vem pressionando os preços, que subiram mais de 50% desde o início de 2021.

A mensagem que parece estar sendo passada pela Opep+ é que seus membros estão felizes em manter os preços elevados, ainda que isso provoque inflação global e desaceleração no médio prazo, devido à necessidade de elevar os juros.

Como o mercado de energia é relativamente intercambiável, a alta nos preços do petróleo também provoca um aumento nos custos do gás natural, que serve para a geração de energia elétrica.

No caso da Europa, os preços chegaram a subir 400% em relação ao ano passado. A Rússia, que faz parte da Opep+ e que também é o grande fornecedor de gás para os países da Europa, vem restringindo as entregas para elevar os preços.

Tudo isso segue pressionando os índices de inflação ao redor do mundo, Brasil incluído – como qualquer motorista que vai abastecer seu veículo percebe com facilidade. Com a decisão da Opep, os investidores refizeram as contas e passaram a contar com inflação e juros mais elevados, o que pressionou para baixo os preços das ações.

Os indicadores mostram isso. Durante a madrugada, a Eurostat, agência governamental de estatísticas da União Europeia, divulgou uma alta de 0,3% nas vendas do varejo em agosto em relação a julho. O resultado ficou abaixo das projeções, que eram de uma alta de 0,8%. Em julho, as vendas haviam caído 2,6% em relação a junho.

Indicadores 1

O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) caiu 0,55% em setembro. Em agosto, a queda havia sido de 0,14%. Com este resultado, o índice acumula alta de 15,12% no ano e de 23,43% em 12 meses.

Mais uma vez, a baixa foi provocada pelo minério de ferro, cujos preços recuaram 22,11%. O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) recuou 1,17%, após ter caído 0,42% em agosto.

Ademais, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 1,43% após ter avançado 0,71% em agosto. O destaque foi a alta de 8,52% nas tarifas de eletricidade.

Indicadores 2

IAEmp (Indicador Antecedente de Emprego), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas recuou 3,1 pontos em setembro, para 87,0 pontos. Foi o menor nível desde os 83,4 pontos de maio de 2021. Em médias móveis trimestrais, o IAEmp recuou após quatro meses em alta, agora em 0,2 ponto, para 88,8 pontos.

E Eu Com Isso?

A queda dos contratos futuros do índice americano S&P 500 e a baixa nos mercados europeus e asiáticos está pressionando os contratos futuros do Ibovespa, que iniciam o dia em queda.

As perspectivas são negativas para a bolsa.

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Leia também: Ganhe com a inflação.

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