Denise Campos de Toledo EECI

Chegou a hora de pegar a onda

O Brasil tem todas as condições de surfar numa onda mais positiva que vem do exterior, especialmente, quando as expectativas em relação às vacinas se tornarem realidade. Já estamos vendo um clima de menor aversão ao risco, desde a eleição de Biden nos Estados Unidos. Isso, por se esperar uma gestão menos turbulenta e mais focada na globalização, na redução das diferenças e fortalecimento de organismos internacionais do que na era Trump.

Só essas perspectivas já têm colaborado para minimizar preocupações de curto prazo quanto aos efeitos da nova onda de pandemia que atinge a Europa e os Estados Unidos, com sinais alarmantes também no Brasil. A possibilidade de alguns países iniciarem a vacinação já na virada do ano, gera a confiança que a nova onda tenha duração e impactos mais limitados.

Em termos mais realistas, até pelas dificuldades de produção, logística e custos, podemos levar um bom tempo para ter um alívio concreto para as várias economias. Mas o mercado antecipa os fatos e é o que temos visto ao longo de novembro. Até o Brasil, mesmo com todas as incertezas em relação à questão fiscal e ao ritmo de crescimento, voltou a atrair capital externo para o mercado, o que favoreceu a Bolsa e ajudou a derrubar o dólar.

É por aí que se percebe o potencial de o País voltar a atrair investimentos e aproveitar uma onda mais positiva que venha se consolidar no exterior. Não que se possa contar com o interesse do capital externo só pelo nosso potencial, mas sim por um ‘voto de confiança’ caso o País mostre que pode entrar nos eixos. Nesse sentido o governo e o Congresso contam com um tempo cada vez mais curto. 

Tivemos nesta semana até uma DR à distância entre Roberto Campos Neto e Paulo Guedes, com o presidente do BC cobrando um plano para indicar a clara percepção de que o País está preocupado com a trajetória da dívida pública.

O ministro, na defensiva, comemora os bons números da retomada, lembra da pauta já encaminhada ao Congresso e cita o timing político. Tudo bem que é difícil vencer as resistências políticas, quando parte delas vem do próprio chefe. Mas Guedes está precisando mostrar mais resultado e menos conversa.

Em lives diárias, com exposição recorde, gosta de falar de tudo que foi feito no enfrentamento à pandemia. Parabéns. Os resultados são reais e positivos, tanto na reação da atividade como no emprego formal.

Mas e a sustentabilidade do processo? Cadê as reformas que vão aumentar a aposta em um País melhor? Cadê as medidas que vão viabilizar o orçamento do próximo ano, nos limites do teto de gastos, incluindo ações que possam favorecer o social e estimular a atividade, com ou sem o Renda Brasil? A proximidade com o centrão não era para facilitar as negociações com o Congresso? Onde está a influência do posto Ipiranga? Guedes vem se desgastando, ao se expor demais, sem conseguir estabelecer um programa com maior credibilidade, especialmente, credibilidade fiscal. E com isso todo o andamento da economia fica ameaçado. 

Os instrumentos para mudar a situação estão colocados. As tão citadas reformas, a PEC emergencial, dos gatilhos, a do Pacto Federativo estão há muito tempo na fila, aguardando a deixa política, o tal timing que está demorando demais para chegar. Que depois do segundo turno das eleições se possa ver algo de mais concreto em termos de perspectivas e não apenas comemorações quanto a uma recuperação em V que pode acabar indo para o K ou para um W, até porque a pandemia ainda pode voltar a atrapalhar.

Novembro vai nos dando a percepção de que o País pode sim entrar numa onda mais positiva de atração de investimento, não só para o mercado, mas também para produção e infraestrutura.

O potencial é enorme. O que está faltando é trabalhar melhor esse potencial. Os investidores só querem uma indicação de que o País vai seguir no rumo certo. Se receberem um recado mais concreto, podemos ter um comportamento mais estável do mercado, com menos pressão na curva de juros, mantendo a inflação sob controle, com condições de manutenção da Selic em patamar mais baixo.

Por outro lado, uma maior atratividade para o capital privado e externo pode alavancar os investimentos que o País precisa para melhorar a infraestrutura, a atividade e a competitividade. Seria o caminho para uma retomada sustentável a longo prazo. Isso não está tão distante. O que pesa é falta de um direcionamento confiável nas ações do governo. 

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Leia mais da Denise Campos de Toledo: Clima de incerteza joga contra retomada mais consistente.

 

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