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Spin off das empresas do Grupo Pão de Açúcar | Domingo de Valor

Na coluna de hoje irei falar sobre o processo de separação, ou “spin off”, das empresas Pão de Açúcar (PCAR3) e Assaí Atacadista (ASAI3), com a definição do “spin off”, dar exemplos de outras operações e explicar os impactos nos preços das ações na B3.

 

Cisão parcial de negócios

Eu começo com a definição de uma cisão parcial ou “spin off”, um termo em inglês que significa uma empresa derivada de outra.

O termo spin-off é utilizado para descrever o processo de cisão entre empresas e o surgimento de uma nova empresa a partir de um grupo que já existe.

Uma empresa “mãe” pode gerar uma ou mais empresas “filhas” dependendo da quantidade de unidades de negócios diferentes daquela empresa.

 

Dividir para conquistar

Geralmente, o mercado financeiro tem dificuldade de analisar e precificar empresas listadas em bolsa e que têm negócios diferentes em mercados de atuação distintos.

Isso acontece porque nem sempre as companhias divulgam informações detalhadas das suas unidades de negócios e focam nas informações consolidadas.

Um novo negócio dentro de uma empresa grande acaba não aparecendo nas informações financeiras e os analistas acabam não projetando separadamente essa empresa.

A separação (spin off) possibilita que o mercado precifique mais adequadamente aquele ativo e geralmente existe destravamento de valor das empresas.

 

Exemplos de spin offs na B3

Como sempre eu gosto de utilizar exemplos para deixar mais claro o que eu quero dizer:

A construtora MRV Engenharia (MRVE3) separou o seu negócio de galpões logísticos numa empresa separada na B3: a Log Commercial Properties (LOGG3).

Outro exemplo também no setor de construção civil foi a Gafisa que separou o seu negócio focado no setor de baixa renda (Tenda/TEND3) do negócio mais voltado ao segmento de média e alta renda (Gafisa/GFSA3).

 

Spin off na prática

Nesses casos os acionistas da empresa já listada na Bolsa recebem ações da nova empresa separada e os preços das empresas separadas são determinados pelo mercado, com projeção do valor das empresas conforme o seu tamanho, estratégia de negócios e crescimento no futuro.

 

O caso do Grupo Pão de Açúcar

No caso do Grupo Pão de Açúcar (GPA) a divisão foi entre dois negócios distintos: Pão de Açúcar (PCAR3) e Assaí Atacadista (ASAI3).

O negócio do Pão de Açúcar conta com mercados e hipermercados com as seguintes bandeiras: Pão de Açúcar, Hiper, Extra, Compre Bem, Lojas Minuto Pão de Açúcar, operação da Êxito (Colômbia, Uruguai e Argentina), Stix (parceria GPA e Drogaria).

O principal negócio do AssaÍ atacadista é o chamado cash and carry ou atacarejo. Seus principais concorrentes são o Atacadão do Carrefour (CRFB3) e o Sam’s Club do grupo BIG, que também pretende fazer o seu IPO da B3. O Assai também detém 18 por cento do capital da Financeira Itaú CBD.

No resultado do quarto trimestre de 2020, as empresas já divulgaram demonstrações financeiras em separado: Pão de Açúcar e Assaí.

 

Pão de Açúcar em números

O Pão de Açúcar possui 1.500 lojas no total, sendo 873 lojas no Brasil e 629 lojas Êxito na Colômbia, Uruguai e Argentina. A empresa teve receita líquida total de 50,4 bilhões de reais em 2020, divididos em: 56 por cento no Brasil, 34 por cento na Colômbia, 8 por cento Uruguai e 2 por cento na Argentina.

O faturamento do comércio eletrônico atingiu 1,1 bilhão de reais, equivalente a 3,5 por cento do total.

As vendas mesmas lojas apresentam crescimento de 12,4 por cento no Brasil e de 7,3 por cento no Êxito

Na última linha o lucro líquido foi de 151 milhões em 2020, com margem líquida de 0,3 por cento.

A empresa possui baixo endividamento líquido de 429 milhões de reais e representa apenas 0,1 vez a geração de caixa medida pelo Ebitda.

 

Assaí em números

O Assaí possui 184 lojas no Brasil e teve receita líquida de 36 bilhões de reais em 2020, com crescimento das vendas mesmas lojas de 14 por cento.

Na última linha o lucro líquido foi de 1 bilhão em 2020, com margem líquida de 2,8 por cento.

A empresa possui baixo endividamento líquido de 4,15 bilhões de reais e representa apenas 1,76 vezes a geração de caixa medida pelo Ebitda.

 

O que aconteceu com as ações (PCAR3/ASAI3) na B3

Cada acionista de PCAR3, com data base de 25 de fevereiro, recebeu 1 ação de ASAI3 em 1º de março.

Não se deixa levar pelas manchetes dos jornais:

“As ações do Assaí (ASAI3), que começaram a ser negociadas hoje após cisão do Grupo Pão de Açúcar (GPA), subiram 385,73 por cento a 71,40 reais, enquanto as ações do Pão de Açúcar (PCAR3) caíram 65,84 por cento, a 23,33 reais por ação”.

Foi um mero ajuste contábil pelo valor das empresas no balanço.

 

O jeito certo de olhar para o spin off e o valor de mercado

As ações do Pão de Açúcar (PCAR3) fecharam cotadas a 83 reais por ação na sexta-feira (26/fev), com valor de mercado total de 22,3 bilhões de reais.

Quem era acionista de Pão de Açúcar (PCAR3) terminou a segunda feira (1/mar) também com ações de Assaí (ASAI3), na proporção de 1 para 1.

O spin off de Pão de Açúcar e Assaí aconteceu no dia 1º de março.

As ações do Pão de Açúcar (PCAR3) fecharam cotadas a 23,33 reais por ação, com valor de mercado de 6,3 bilhões de reais. As ações do Assaí (ASAI3) fecharam cotadas a 71,40 reais com valor de mercado de 19,2 bilhões de reais.

Dessa forma, o valor de mercado das duas empresas somadas era 25,5 bilhões de reais em 1/mar, sendo 25 por cento do PCAR3 e 75 por cento do total com ASAI3.

O valor combinado das duas empresas aumentou 3,2 bilhões de reais, crescimento de 14 por cento em relação ao fechamento de 26/fev.

Portanto, o acionista de PCAR3 que não vendeu as ações e ficou com ações de PCAR3 separado e ASAI3, teve retorno de 14 por cento.

 

Conclusão

Nesse caso podemos concluir que a separação (spin off) das empresas gerou valor para os acionistas, pois o mercado precificou melhor as empresas, com a separação das operações diferentes: varejo alimentar (GPA) e atacadista Assaí.

Cabe agora aos acionistas escolher qual negócio e/ou ação tem o melhor retorno ajustado pelo risco.

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Eduardo Guimarães

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