Disclaimer: por que não investir numa startup?

Texto escrito por João Gabriel Chebante, consultor de marketing

Ao longo das últimas semanas, venho falando sobre as vantagens e oportunidades que existem em investir numa startup, seja via investimento-anjo ou através de um Venture Capital.

Ao mesmo tempo, desenvolvi uma série de artigos que decorreram desde como se faz o Valuation de uma startup até a crítica sobre o não-IPO do WeWork, a tese do SoftBank e o cenário do ecossistema nacional.

Mas como todo disclaimer apresenta os riscos de uma opção no mercado de renda variável, também devo orientá-lo no sentido dos riscos e, talvez, do que considerar para não investir neste segmento.

Acredito piamente que temos uma oportunidade boa de ganhos de valor e capital ao investir em novos negócios, principalmente quanto estão atrelados a processos e modelos inovadores. Mas é importante ressaltar suas características para não existirem surpresas, e até permear a sua escolha em relação a outras opções de investimentos.

Até porque o investimento em startups é um segmento muito novo para o Mindset do investidor nacional – este também em ciclo de desenvolvimento de sua capacitação.

Vamos aos pontos?

É importante ressaltar que o investimento em uma startup talvez seja o menos líquido e o de maior tempo para retorno. Não raro, fundos de Venture Capital ou mesmo investidores-anjo mais experientes aportam valores cuja lucratividade só chega à conta bancária depois de um período que pode ficar entre cinco a dez anos – resultado de algum evento de liquidez, como outras rodadas de investimento, venda da empresa ou possível IPO.

Quando estes eventos ocorrem, seu retorno estará atrelado a porcentagem que possui da organização e seus lucros. O que parece ruim a princípio, mas ninguém reclamaria de ter 1% do Mercado Livre, do Facebook ou PagSeguro, certo?

A forma de estudar para fazer o melhor investimento em startups é totalmente diferente de outros “produtos” financeiros. Isto porque não depende somente de entender a estratégia/tese de um fundo ou desenvolver a sua, mas também compreender o mercado e, preferencialmente, ser uma espécie de advisor. O ‘Smart Money‘ – dinheiro que vem acompanhado de contatos e know-how sobre um segmento específico da economia – é mais interessante que o capital em si.

A dedicação do investidor ao segmento deve ser alta: você terá de estudar como se fosse um day trader para ter um retorno mais longo que o investimento em imóveis ou títulos de dívida. Mais certo que o seu retorno é que você vai precisar estudar e gastar muita sola de sapato para sempre estar por dentro das oportunidades, tanto de novos investimentos quanto de maximizar o que você já fez junto a sua equipe.

E o mais importante: uma startup raramente sobrevive – cerca de 90% morrem durante seu desenvolvimento. Destas, 9% viram empresas de pequeno/médio porte e sobrevivem, com algumas tendo algum evento de liquidez relevante. E aquele 1% (não o da música) é o que tem valorizações exponenciais e pode chegar a unicórnio. E são apenas nestes 10% que estão a oportunidade de multiplicar o seu patrimônio através de um aporte mínimo.

Por isso que um dos pontos principais que sempre bato na tecla com quem quer investir em startups é: jamais coloque mais de 10% do seu patrimônio neste segmento.

Ainda que seja uma oportunidade real e sólida de multiplicar seus investimentos, é um risco bem alto com baixíssima liquidez. Não se pode enquadrar como uma pura aposta, porque demanda estudo para escolha da melhor tese, aquela que se encaixa com o seu perfil, e do quanto você pode contribuir (esperamos que você faça a lição de casa).

Feitas estas considerações, e ainda empolgado com a real possibilidade de participar de forma efetiva a grandes projetos de mudança de segmentos inteiros da economia e ter grande retorno em cima destas iniciativas, bem-vindo a uma nova classe de investimentos.

Pense que grandes economias, tais como EUA, Israel e mesmo a Suécia (falaremos dela em breve) sustentam-se a partir da inovação e do financiamento a estes projetos. Que venham investidores como você.

Os novos bons negócios do país virão fatalmente do capital fomentando projetos. Principalmente em tempos de juros baixos e maior demanda por risco. Cabe a você, investidor, mensurá-los e fazer valer a pena o esforço.

Leia também: Softbank: o Bubbaloo do Venture Capital?

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