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Comércio eletrônico: situação atual do setor e panorama de B2W, Via Varejo, Lojas Americanas e Magalu

O surgimento do coronavírus mudou, em parte, a dinâmica do mercado. Ao redor de todo o mundo, diversas medidas foram – e, em alguns casos, ainda vêm sendo – tomadas para conter a propagação do vírus. O mercado e a economia tiveram de se adaptar diante das restrições impostas: o agrupamento populacional teve de ser contido, lojas físicas tiveram de ser fechadas temporariamente, entre outras medidas preventivas que foram adotadas. Todo esse contexto afetou a dinâmica de funcionamento de muitos setores.

Dentre eles, um dos mais atingidos pelo surgimento da pandemia foi o comércio tradicional. Como alternativa a isso, muitos empresários investiram no comércio eletrônico. Assim, em um movimento de antecipação do que, uma hora ou outra, ocorreria no mercado brasileiro, a quarentena ocasionada pela Covid-19 serviu como catalisador para o avanço do setor.

Neste artigo, falaremos mais sobre esse processo de antecipação, analisando a situação atual do comércio eletrônico e de algumas empresas do setor.

Como a quarentena contribuiu para o desenvolvimento do comércio eletrônico?

Como destacamos no início do texto, o comércio eletrônico, de uma maneira geral, conseguiu “antecipar seu avanço” neste momento de incertezas.

Por exemplo, em março, período de início da quarentena no País, as vendas online tiveram uma queda de 19,2%, segundo dados da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) junto à Konduto (sistema antifraude com foco em transações on-line). Algumas categorias, como as de supermercados, jogos e farmácias, foram os destaques mais positivos do período.

Pouco tempo depois, porém, o jogo inverteu-se. Os resultados começaram a mudar, principalmente, no começo de abril, quando houve mais compras em todas as categorias, chegando a um aumento de 28,8%. 

As categorias do comércio eletrônico com mais vendas foram as de eletrodomésticos, moda e cosméticos. No geral, esse movimento de avanço no setor vem crescendo desde abril.

De que forma B2W, Via Varejo, Lojas Americanas e Magazine Luiza estão reagindo ao momento atual?

Aqui, vamos entender um pouco mais sobre como algumas empresas de varejo estão lidando com o momento atual, especificamente algumas dentre as gigantes do setor: Via Varejo (VVAR3), B2W (BTOW3), Lojas Americanas (LAME4) e Magazine Luiza (MGLU3).

1. B2W

Fundada em 2006, a B2W é fruto da união, incialmente, entre as empresas Lojas Americanas e Submarino. Em suma, a dona da companhia é as Lojas Americanas. A B2W foi criada com o objetivo de operar digitalmente, no segmento de varejo, com negócios multicanais. Com um capital inicial de 6,5 bilhões, a companhia é hoje a terceira maior no ramo de comércio eletrônico do mundo e a maior da América Latina. Basicamente, a empresa opera portfólios de diversas marcas, as quais oferecem seus produtos por meio dos canais de distribuição da internet. Há também outros lojistas que vendem seus produtos nos sites da B2W (para isso, eles fazem seus cadastros no B2W Marketplace).

Por ser uma empresa voltada à venda digital, a B2W enfrentou poucas dificuldades com a crise do coronavírus no País. Sua vantagem está no fato de que, diferentemente do que ocorreu com outras empresas do varejo, ela não precisou “migrar” para o online, possuindo uma cartela de consumidores estabelecida, e tampouco fazer grandes mudanças de estrutura.

2. Via Varejo

A Via Varejo é uma empresa que surgiu da fusão das Casas Bahia com o Ponto Frio (que pertence ao Grupo Pão de Açúcar). Apesar de ter estado mais exposta às consequências da pandemia, já que possui boa parte de suas vendas concentrada em lojas físicas, os seus resultados não foram ruins. 

Antes mesmo da pandemia, a Via Varejo já possuía experiência com o comércio digital. Isso ficou claro com os resultados da empresa apresentados até o dado momento, pois a sua rentabilidade conseguiu recuperar-se efetivamente nos últimos meses. É importante dizer que 70% das suas vendas se recuperaram graças aos canais digitais e às suas 224 lojas reabertas nas últimas semanas. 

Além disso, a sua migração para o omnichannel é outro fator que demonstra que a empresa está pronta para “enfrentar” os próximos meses.

3. Lojas Americanas

A Lojas Americanas foi fundada pelos americanos John Lee, Glen Matson, James Marshall, Batson Borger e o austríaco Max Landesmann, em 1929. Ao longo das décadas, a empresa tornou-se referência no tocante à venda de eletrodomésticos no País. Hoje, é controlada por Jorge Lemann, Marcel Telles e Carlos Sicupira. 

A companhia tem demonstrado bom controle de seu capital de giro e de seus custos. Ela foi afetada no curto prazo, mas, como também disponibiliza bens essenciais, o impacto foi bem menor posteriormente. Além disso, ela tem mostrado habilidade em utilizar estratégias de vendas no meio online. Uma delas é oferecer serviços por meio de pedidos por WhatsApp e oferta de Drive Thru.

4. Magazine Luiza

O Magazine Luiza foi criado na década de 50, na cidade de Franca, interior do Estado de São Paulo. A empresa, desde seu início, vem sendo guiada por ciclos de desenvolvimento: primeiro, tornou-se uma das principais varejistas do País por meio de ciclos de expansão, abrangência regional e escalada.

Após 2019, seu foco foi posicionar-se como, também, uma plataforma digital de varejo – e a empresa, sem dúvidas, obteve sucesso nessa empreitada.

Seu último resultado divulgado, referente ao segundo trimestre de 2020, demonstrou ao mercado a força que o Magazine Luiza tem em suas plataformas digitais. Para se ter uma noção, a venda bruta total (GMV) do e-commerce (comércio eletrônico) da empresa ficou em R$ 6,722 bilhões, com 182% de crescimento em relação ao ano anterior (recorde) e 64% de crescimento no trimestre.

Por fim, é importante ressaltar que as ações das companhias citadas acima estão entre as que mais ganharam valor passada a crise. Assim, no comparativo, o setor de comércio eletrônico está em posição de destaque no mercado atualmente – e a tendência é que isto continue a acontecer.

Quais são os próximos passos para o comércio eletrônico?

O momento ainda é de certa incerteza – em menor grau em relação aos meses anteriores, sem dúvidas. Não temos, atualmente, uma vacina – apesar de todos os resultados positivos que temos obtido em testes ao redor do mundo todo. Mesmo assim, nos últimos meses, o setor de comércio eletrônico é um dos que mais demonstrou crescimento – e isto justamente por estar mais preparado para as novas exigências do período atual.

Afinal, como tivemos de fazer o isolamento social, o que impediu que as pessoas fossem para as lojas físicas, os pedidos online tiveram – e, no caso, ainda têm – maior demanda. Pelos resultados que observamos neste artigo, assim como por conta dos bons números, no geral, divulgados pelas empresas do setor, é possível auferir que o número de pessoas que vem se acostumando com as compras online tem crescido. Assim, mesmo com o comércio reabrindo gradualmente, os hábitos adquiridos pelas compras online podem mudar a visão de muitas pessoas sobre esse setor. 

Outro ponto importante é o crescente número de pessoas que têm internet em casa. Segundo pesquisa da TIC Domicílios, 70% dos brasileiros têm acesso à internet e cerca de 48% utilizam algum serviço online, como apps de pedidos de comida, streaming de música ou filme etc. Sendo assim, a tendência é que, cada vez mais, o País tenha o comércio virtual como parte de sua rotina.

Também, é importante destacar que é possível que ocorra um aumento maior no número de possibilidades comerciais, visto que, com a pandemia, muitos setores se viram obrigados a se adaptarem ao mundo digital. Inclusive, alguns deles continuaram aumentando suas vendas online, como os de: alimentos, supermercado, higiene, farmácias, pets e produtos hospitalares.

Esperamos que, com este texto, fique claro como o comércio eletrônico está preparado para o período, representando um setor com boa capacidade de crescimento, principalmente pelo fato de algumas empresas do setor, como as já citadas Via Varejo, Lojas Americanas, B2W e Magazine Luiza, estarem lidando de uma forma equilibrada com o momento gerado pela pandemia. 

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