economia brasileira – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Thu, 24 Mar 2022 18:53:27 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png economia brasileira – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 Inflação ainda no foco das incertezas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/inflacao-ainda-no-foco-das-incertezas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/inflacao-ainda-no-foco-das-incertezas#respond Fri, 25 Mar 2022 11:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36941 Governo e Banco Central continuam agindo pra tentar estabelecer perspectivas melhores em relação à inflação. Até por preocupações quanto aos reflexos sobre a popularidade em ano de eleições, o governo prossegue com a estratégia de cortar tributos em várias frentes, desde os combustíveis, agora com zeragem da taxação do etanol importado, que também entra na… Read More »Inflação ainda no foco das incertezas | Denise Campos de Toledo

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Governo e Banco Central continuam agindo pra tentar estabelecer perspectivas melhores em relação à inflação. Até por preocupações quanto aos reflexos sobre a popularidade em ano de eleições, o governo prossegue com a estratégia de cortar tributos em várias frentes, desde os combustíveis, agora com zeragem da taxação do etanol importado, que também entra na composição da gasolina, de impostos sobre seis produtos da cesta básica, como café e margarina, até uma nova rodada de corte d taxação sobre importações de eletrônicos, máquinas e equipamentos.

 Em princípio, menos impostos devem acarretar cortes de preços, colaborando para menos pressões inflacionárias. Já temos visto até promoções de carros a partir da diminuição do IPI sobre bens industrializados. Mas, no geral, a acomodação dos preços depende muito mais da evolução dos custos de insumos, que subiram pelo desequilíbrio entre oferta e demanda global. Primeiro pela pandemia, depois pela guerra entre Ucrânia e Rússia, e agora, também por novos casos de Covid, levando a fechamentos de fábricas. Esse desequilíbrio da cadeia global, que inclui alimentos, e o petróleo, tem gerado inflação em todo o mundo, reduzindo o potencial do impacto das mexidas nos tributos. Por isso fica a impressão que, com algumas dessas iniciativas, o governo vai apenas enxugar gelo, sem maiores efeitos.

Por outro lado, até por não se saber ao certo qual será a evolução da oferta e dos preços de produtos estratégicos e o repasses dos aumentos de custos internamente, fica a dúvida quanto à eficácia do aperto monetário e até onde esse aperto pode chegar.

 Embora muitos tenham visto um tom mais duro na ata do Copom, na verdade, o recado veio em duas direções. Se o petróleo ceder e as projeções de inflação ficarem mais favoráveis, o atual ciclo de elevação dos juros pode até parar com a Selic nos 12,75%, o que deve ocorrer na reunião de maio, e já num patamar contracionista. Mas se as pressões mais fortes persistirem ameaçando a meta também do próximo ano, os ajustes vão continuar e a taxa básica pode chegar nos 13,25 ou até mais. 

O que parece certo, nas sinalizações do BC, é que não quer o risco de um novo estouro da meta inflacionária, pelo terceiro ano consecutivo. E nessa avaliação prospectiva de cenário pesa até o que tem sido citado como arcabouço fiscal, ou seja, a evolução das finanças públicas. E, nesse aspecto, a enxurrada de medidas lançadas pelo governo não colabora muito. Os cortes de tributos afetam a receita, num momento em que já há necessidade de recorrer ao contingenciamento de despesas pra garantir o teto de gastos. Isso em meio às pressões políticas por mais despesas. 

Como citei de início, há uma preocupação política muito grande com a questão da popularidade, e as condições atuais da economia não têm jogado muito a favor. Tem inflação e juros em alta corroendo a renda, desemprego ainda elevado, com queda do rendimento médio e da massa salarial, aumento da pobreza. Tudo isso pesa muito na percepção da gestão da economia, mesmo que vários fatores desfavoráveis sejam inevitáveis. 

Mas é fato também que a forma como são gerenciados pode influenciar essa percepção. Nesse sentido não basta tentar produzir efeitos de curto prazo e limitados. A responsabilidade também pode passar um recado importante, se estabelecer perspectivas melhores para a economia em prazo maior.

Nesse ambiente ainda bem incerto o mercado continua favorecido pelo fluxo externo de recurso, atraído pelos juros cada vez mais altos, com o dólar chegando a testar pisos abaixo dos R$ 5,00. oi A Bolsa com uma evolução desigual no comportamento das ações, na avaliação por empresas e setores, no geral, tem alcançado momentos de boa performance, por reflexo de alguns fatores que preocupam em outro sentido, como da inflação. A alta das commodities, de produtos básicos, como alimentos, minério e petróleo tem aumentado o potencial de ganhos das ações ligadas a esses ramos. E o Brasil ainda tem se beneficiado com a alta liquidez global num cenário de juros ainda bem baixos, mesmo com os ajustes promovidos pelos bancos centrais, inclusive dos EUA.

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Apenas mais um ajuste no cenário https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/apenas-mais-um-ajuste-no-cenario https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/apenas-mais-um-ajuste-no-cenario#respond Mon, 25 Oct 2021 14:39:19 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=32398 A semana se inicia com um momento dedicado ao pragmatismo. Durante vários meses, essa entidade conhecida como mercado considerou garantido o compromisso do governo com a disciplina fiscal e com a estabilidade das contas públicas. Qualquer movimento de Brasília diferente disso vinha sendo creditado aos desvios pontuais decorrentes do combate à pandemia. Não fosse o… Read More »Apenas mais um ajuste no cenário

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A semana se inicia com um momento dedicado ao pragmatismo. Durante vários meses, essa entidade conhecida como mercado considerou garantido o compromisso do governo com a disciplina fiscal e com a estabilidade das contas públicas. Qualquer movimento de Brasília diferente disso vinha sendo creditado aos desvios pontuais decorrentes do combate à pandemia. Não fosse o coronavírus, era o raciocínio, tudo estaria na mais perfeita ordem.

No entanto, a decisão do governo da quinta-feira (21) de realizar algumas manobras contábeis para pagar um auxílio emergencial mais robusto acabaram com essa percepção. É fato que, pela fria letra da lei, o teto de gastos não será rompido.

Porém, na ponta do lápis, o governo vai gastar mais do que o esperado, e isso terá consequências sobre a economia e sobre os resultados das empresas.

Como seria de se esperar, as expectativas para inflação, juros e economia já mudaram, como mostra a edição mais recente do Relatório Focus. Mais do que isso, frustrou-se uma expectativa que vinha sendo acalentada pelos investidores de que o governo estaria imune à tentação de abrir os cofres para obter vantagens políticas.

A política é a arte do possível e, dentre as atividades humanas, é a que está mais longe do ideal. Por isso, essa decisão não deveria ser inesperada para quem acompanha o dia a dia das articulações políticas.

Mesmo assim, gerou-se uma expectativa entre uma parcela relevante dos investidores de que desta vez seria diferente. Não foi, e será preciso inserir esse dado nas novas avaliações de preço.

Não é o fim dos tempos. Será apenas mais uma dentre tantas correções de rota. E nunca é demais lembrar: há dezenas de oportunidades e estratégias vencedoras. Basta encontrá-las.

Relatório Focus

A volatilidade da semana passada alterou os prognósticos para inflação, juros e crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano e no próximo, segundo a edição mais recente do Relatório Focus, divulgada pelo BC (Banco Central) nesta segunda-feira.

Para este ano, a projeção de inflação avançou para 8,96%, ante 8,69% da semana passada. A projeção de variação do IPCA prevista para 2022 subiu para 4,40% ante 4,18%.

A taxa de juros esperada para o fim do ano também subiu. A projeção de 2021 foi para 8,75% ante 8,25%. A de 2022 subiu de 8,75% para 9%.

E pela primeira vez no ano as projeções de crescimento da economia recuaram. O PIB esperado caiu de 5,01 para 4,97% neste ano, e o de 2022 recuou para 1,40% ante 1,50% na semana anterior.

Indicadores

O IPC-S da terceira quadrissemana de outubro de 2021 variou 1,05% e acumula alta de 10,03% nos últimos 12 meses, informou a Fundação Getulio Vargas.

Houve desaceleração nos reajustes em três das oito classes de despesa componentes do índice. A variação no grupo Educação, Leitura e Recreação caiu para 3,13% ante 4,62% na segunda quadrissemana de outubro de 2021. A variação dos preços das passagens aéreas recuou para 20,44% ante 30,57% na edição anterior.

E Eu Com Isso?

A semana começa com uma leve alta dos contratos futuros do índice americano S&P 500 devido às expectativas positivas com os resultados trimestrais das companhias americanas.

Nesta semana estão previstos os números de gigantes da tecnologia e de empresas que respondem por 25% do S&P 500.

Por aqui, os contratos futuros do Ibovespa começam o dia em alta, numa correção após as fortes quedas da semana passada.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

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Leia também: O fim do teto de gastos e a busca pelo valor.

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A economia deu uma freada, não sem motivos | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/a-economia-deu-uma-freada-nao-sem-motivos https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/a-economia-deu-uma-freada-nao-sem-motivos#respond Fri, 03 Sep 2021 11:45:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=30554 Os dados do PIB e da indústria que saíram nesta semana mostraram uma perda de ritmo na retomada da atividade. Tanto a queda de 0,1% do Produto Interno Bruto, no segundo trimestre, como a queda de 1,3% da produção industrial em julho, vieram piores que as projeções, que já não eram tão favoráveis assim.  A… Read More »A economia deu uma freada, não sem motivos | Denise Campos de Toledo

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Os dados do PIB e da indústria que saíram nesta semana mostraram uma perda de ritmo na retomada da atividade. Tanto a queda de 0,1% do Produto Interno Bruto, no segundo trimestre, como a queda de 1,3% da produção industrial em julho, vieram piores que as projeções, que já não eram tão favoráveis assim. 

A economia brasileira continua com grandes dificuldades, ainda que a vacinação e números melhores da pandemia estejam garantindo maior flexibilização das atividades e retomada do setor de serviços. Tivemos até dados melhores que as projeções em outros indicadores, como a recuperação do emprego, também na PNAD, e os resultados das contas públicas. Mas que acabam sendo atenuantes diante dessas dificuldades.

Há uma melhora do emprego, com aumento da massa salarial, só que, paralelamente, o consumidor está tendo o poder de compra corroído pela inflação e pelos juros crescentes. Fator que colabora para perspectivas piores para a indústria, que ainda pode sentir um certo desvio do consumo para serviços que estão sendo reativados. Além disso, o setor industrial continua encarando uma forte pressão de preços, por oferta insuficiente de insumos, aumentos de preços no exterior – inclusive, por questões de logística, relacionadas ao avanço da variante Delta, que já levou ao fechamento de portos na China.

O setor industrial, assim como os consumidores e outros ramos de atividade, sentem também os efeitos da crise hídrica, que afeta a produção e os preços de alimentos, e da crise de energia, com o encarecimento das tarifas e a necessidade de reprogramação de consumo, sem descartar o risco de racionamento e de apagões.

Na pauta das dificuldades de cenário, ainda temos o conturbado ambiente político e o avanço, não necessariamente positivo, das pautas no Congresso. Há uma grande preocupação, por exemplo, com a Reforma do Imposto de Renda, pela forma como ela avançou na Câmara, com as contas ainda sendo fechadas quanto ao aumento da carga para as empresas. O que é um fator que, ao contrário do que sinaliza o governo, pode desestimular em vez de estimular os investimentos e as contratações. 

Quanto à melhoria do balanço das contas públicas, o possível alívio vai sendo substituído por temores em relação ao comportamento futuro, diante do esforço do governo em abrir brechas no orçamento e no teto de gastos para mais despesas em 2022, o que passa por essa reforma do IR, e a postergação do pagamento dos precatórios, que pode resultar em dívidas crescentes a serem gerenciadas em prazo mais longo, mesmo tendo o aval do Congresso e do STF, como se está discutindo. O terreno está sendo preparado para medidas como o Bolsa Família, que tem forte apelo popular, e a percepção é que já não se tem mais tanto compromisso com um ajuste efetivo das finanças. Só se tenta manter as aparências por meio de alguns dribles legais.

Tudo isso tem levado a Bolsa a ter mais dificuldade para acompanhar momentos de reação favorável no exterior, assim como acarretado a manutenção do dólar em patamar que ainda pesa na formação de preços e na inflação e justificado as pressões na curva de juros. O mercado segue em alerta quanto aos riscos do cenário.

Fechamos a semana com um balanço não favorável dos indicadores de atividade, revisão para pior das projeções de crescimento, inflação e juros, o que deve aparecer no próximo relatório Focus, fora uma boa dose de preocupação quanto ao que pode vir após as manifestações convocadas para 7 de setembro. 

Entre as grandes categorias econômicas, em relação a junho, apenas os setores de Bens de Capital e Semiduráveis apresentaram resultados positivos, com altas tímidas de 0,3% e 0,2%, respectivamente.

Pelo lado negativo, a categoria de Bens de Consumo recuou -0,4%, Bens Intermediários recuaram -0,6%, e Bens de Consumo Duráveis, -2,7%, segmentos afetados pelas dificuldades de recomposição de estoques.

De junho para julho, nos subgrupos, as principais influências negativas são advindas de Bebidas (-10,2%) e de Veículos Automotores (-2,8%), com o segundo refletindo as dificuldades de aquisição de semicondutores enfrentadas pelo setor.

Dessa forma, no mês de julho, a indústria segue apontando dificuldades produtivas diante da pressão de custos de matérias primas e de energia elétrica e a falta de componentes eletrônicos para alguns subsetores.

Para os próximos meses, os indicadores antecedentes têm apontado para uma acomodação das expectativas a partir da continuidade das disfunções nas cadeias produtivas e a piora no cenário hídrico. Além disso, com o avanço da variante Delta, levando à continuidade de problemas logísticos nos mercados internacionais, os atrasos nos fretes devem permanecer como um vetor baixista, dificultando a recomposição de estoques, principalmente, para a indústria da transformação.

A Coluna da Denise Campos é publicada toda sexta-feira em nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

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Leia mais da Denise Campos de Toledo: Está mais difícil fazer prognósticos otimistas.

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Está mais difícil fazer prognósticos otimistas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/esta-mais-dificil-fazer-prognosticos-otimistas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/esta-mais-dificil-fazer-prognosticos-otimistas#respond Fri, 27 Aug 2021 12:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=30362 A economia brasileira segue em crescimento, com indicadores positivos, como os recordes de arrecadação, a recuperação do emprego formal, os bons resultados das empresas, a retomada firme de vários ramos de atividade, o que tende a ser reforçado pelo avanço da vacinação e a maior flexibilização das atividades. Apesar desse quadro favorável, o clima é… Read More »Está mais difícil fazer prognósticos otimistas | Denise Campos de Toledo

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A economia brasileira segue em crescimento, com indicadores positivos, como os recordes de arrecadação, a recuperação do emprego formal, os bons resultados das empresas, a retomada firme de vários ramos de atividade, o que tende a ser reforçado pelo avanço da vacinação e a maior flexibilização das atividades. Apesar desse quadro favorável, o clima é de muitas incertezas em vários aspectos. Temos a inflação persistentemente alta, superando as projeções; dúvidas do lado fiscal, especialmente por iniciativas que mostram a preocupação do governo em abrir espaço no orçamento de 2022, para mais gastos; além da crise hídrica e da crise de energia. São temas dos mais relevantes que, talvez, não estejam sendo tratados com a devida atenção ou de uma forma que traga menos desconfiança.

Em relação à inflação, temos a atuação do Banco Central, até com aceleração da alta dos juros, na tentativa de trazê-la para um patamar compatível com a meta. Isso colabora para gerar perspectivas mais favoráveis. Mas, por outro lado, além de fatores inevitáveis, como o aumento dos preços de alimentos pelas condições climáticas ou das commodities, vemos o governo colaborando para gerar incertezas, até do lado fiscal. Isso, é claro, sem contar os sucessivos embates políticos, sustentando o dólar em patamar mais alto, o que amplia as pressões de preços. E há mais: temos o ministro da Economia, Paulo Guedes, aparentemente, menosprezando o problema e, até mesmo, as consequências da inflação alta para a população, como ao dizer que a inflação entre 7% e 8% está nas regras do jogo ou ao questionar que mal tem a energia subir. Além da falta de empatia pelo impacto que a situação tem sobre a população, com o poder de compra mais comprometido, num cenário de aumento da pobreza e desemprego elevado, o ministro ainda parece não estar preocupado, como deveria, com os impactos que a inflação e os juros mais altos podem ter sobre o andamento da economia, sem esquecer da gravidade da crise de energia, que ainda pode provocar mais inflação, além da possibilidade de racionamento e de apagões que também pesem sobre a atividade.

Sobre a questão fiscal, tivemos algum alívio nesta semana, o que permitiu uma trégua no mau humor do mercado local. A votação da polêmica proposta da Reforma do IR foi adiada, e alternativas que não deixem tão evidentes as manobras para driblar o teto de gastos estão sendo buscadas para a PEC dos Precatórios. A proposta orçamentária deve ser apresentada contemplando o pagamento integral das dívidas e, se houver algum entendimento nas discussões com o Congresso e com o STF, poderá ser alterada depois. 

O fato é que o noticiário do dia a dia da economia, com todos esses ruídos, além dos sons mais estridentes da política, já colaboram para ocasionar uma revisão para baixo das perspectivas de expansão da economia. 

Do lado fiscal, ainda se pode esperar algum encaminhamento mais favorável, até pela repercussão muito negativa de várias pautas. Já na política temos todo um cenário de embates institucionais, que não tem dado muito espaço para uma visão mais otimista, especialmente com a proximidade das eleições. E proximidade que, como sabemos, ainda pode interferir bastante na área econômica. Por tudo isso, o que se pode antecipar é mais volatilidade do mercado, pressão sobre os juros e revisão dos indicadores de inflação e de crescimento. Tomara que venham boas surpresas, contrariando esses prognósticos.

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Leia mais da Denise Campos de Toledo: Tensão em alta afeta o mercado e a curva de juros.

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Redução de estímulos ganha força no Fed https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/reducao-de-estimulos-ganha-forca-no-fed https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/reducao-de-estimulos-ganha-forca-no-fed#respond Thu, 19 Aug 2021 13:56:15 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=30056 Em reação à divulgação da Ata do Fed, no dia de ontem, os mercados sofreram reversão e apresentaram realização, encerrando em terreno negativo. Indícios mais evidentes e conversas mais abertas no Board sobre o início das reduções das compras líquidas por parte da Autoridade Monetária destravaram o fluxo vendedor na NASDAQ e na NYSE. Vale… Read More »Redução de estímulos ganha força no Fed

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Em reação à divulgação da Ata do Fed, no dia de ontem, os mercados sofreram reversão e apresentaram realização, encerrando em terreno negativo.

Indícios mais evidentes e conversas mais abertas no Board sobre o início das reduções das compras líquidas por parte da Autoridade Monetária destravaram o fluxo vendedor na NASDAQ e na NYSE.

Vale dizer que a redução das compras líquidas deverá, conforme especificado em Ata, ser muito gradual e amplamente comunicada: trata-se de uma expansão do Balanço a ritmos mais moderados, não de uma redução do estoque de títulos públicos ou hipotecários, que hoje orbitam no entorno respectivo de 5,3 trilhões e de 2,4 trilhões.

O balanço do Fed soma 8,2 trilhões atualmente, ante 4,2 trilhões antes da pandemia. As reações à Ata traduzidas na curva, no entanto, não somente foram tímidas como também não se manifestaram de acordo com o que se poderia esperar, ou seja, não anteciparam discussões de altas, ainda que tênues, no início do ano de 2023.

A bem da verdade, o Fed, que tem atuado como Market Maker, dando saída a posições nas categorias de ativos que integram seu Balanço e estabilizando os mercados, tem uma difícil tarefa pela frente: a de diminuir sua participação nesses mercados sem causar sobressaltos nos yields.

Nesse sentido, em especial em um momento em que a dívida corporativa segue elevada, o número de zombie companies, cujo resultado operacional não cobre o serviço financeiro, segue crescente e o estoque da dívida pública avançou extraordinariamente no último ano, além, claro, dos efeitos de uma subida de juros sobre o crédito imobiliário e sobre as hipotecas.

Ademais, aale acompanhar de modo detido a discussão sobre subida de juros nos EUA, já que, por ora, o único vetor a contribuir com uma taxa de juros neutra mais disciplinada no horizonte brasileiro parece ser os juros internacionais.

Subindo o juro internacional, aproximado pelas fed funds longas, devemos testemunhar ainda maior avanço da nossa taxa neutra, que hoje possivelmente já se encontra acima de 7,00%.  

Até o momento, a comunicação do Fed tem lhe rendido vantagens sobre a precificação da dívida pública e sobre a estabilização dos mercados.

Na cena doméstica, o mercado brasileiro vem amargando sucessivas realizações nos últimos dias em razão do cenário político incerto, da maior percepção de risco fiscal e do contágio de remexidas internacionais.

Hoje, a Ásia fechou em queda, e o mercado Europeu segue se ajustando à divulgação da Ata.

E Eu Com Isso?

Os mercados iniciam esta quinta-feira em queda nos contratos futuros do índice americano S&P 500 e de queda nos contratos futuros do Ibovespa.

As notícias são negativas para a Bolsa.

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Leia também: Ata do FOMC.

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Dificuldades para além da inflação | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/dificuldades-para-alem-da-inflacao https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/dificuldades-para-alem-da-inflacao#respond Fri, 18 Jun 2021 12:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=26232 A semana teve novas decisões sobre política de juros no Brasil e nos Estados Unidos, com as reuniões do FOMC e do Copom. Nos dois casos tivemos a confirmação de que a inflação está avançando, além do previsto, e pode exigir maior esforço para retornar para um patamar mais compatível com as metas. Independentemente dos… Read More »Dificuldades para além da inflação | Denise Campos de Toledo

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A semana teve novas decisões sobre política de juros no Brasil e nos Estados Unidos, com as reuniões do FOMC e do Copom. Nos dois casos tivemos a confirmação de que a inflação está avançando, além do previsto, e pode exigir maior esforço para retornar para um patamar mais compatível com as metas.

Independentemente dos fatores, o fato é que estamos vendo sucessivas justificativas para a inflação mais pressionada, que mostram um movimento não tão temporário como se esperava.

Nos Estados Unidos, com foco também no crescimento e no mercado de trabalho, o FED tenta adiar tanto o corte de estímulos, via recompra de títulos, que está mantido; assim como a elevação dos juros, já admitindo que devem estar mais altos em 2023.

Dados contraditórios de atividade e emprego ainda recomendam maior cautela, embora se conte com uma forte recuperação da economia americana neste ano, que pode ficar ao redor de 7%.

No Brasil os ajustes já estão em andamento e podem se intensificar dependendo da evolução das projeções de inflação que, por enquanto, não param de piorar. A Selic subiu mais 0,75 ponto, para 4,25% ao ano e o Copom retirou do comunicado a normalização
parcial dos juros, que podem caminhar para o nível neutro.

Em princípio está sinalizado mais um aumento de 0,75 na reunião de agosto, mas, como já observado, poderá ocorrer uma retirada mais tempestiva dos estímulos, ou seja, os juros podem subir com mais rapidez. Há possibilidade de ajuste de um ponto na próxima reunião e para o fechamento do ano já se trabalha com a taxa básica em 6,25 ou 6,5%.

O BC ainda conta com uma queda dos preços de commodities e os juros mais altos devem ajudar a conter o câmbio, que pode cair para um patamar abaixo dos R$ 5,00, diante da maior atratividade para os investidores. Fatores que ajudariam a controlar a inflação.

Porém, o crescimento econômico pode agir no sentido inverso, dando margem para a recomposição de preços, fora a crise hídrica e o uso das termelétricas, que ainda vão encarecer mais as tarifas de energia.

O BC, no comunicado, também ressaltou as incertezas do lado fiscal e no encaminhamento das reformas. Sendo que, nesse sentido, temos tido muitos ruídos. Prorrogação do auxílio
emergencial, reformulação do Bolsa Família, que pode subir para 300 reais, programa de ajuda para os órfãos da Covid, reajuste para os servidores.

Enfim, pandemia com interesses na popularidade, visando as eleições, podem complicar a gestão das finanças, mesmo com o bom aumento do teto de gastos que o governo poderá dispor em 2022, em função da inflação de referência bem mais alta. Já as reformas… Sabemos que, se saírem, vão ficar dentro dos limites da política, também já com mira nas eleições.

O que temos, portanto, é a perspectiva de mais aperto monetário no âmbito doméstico, que pode ocorrer também no exterior, o que tiraria um pouco da atratividade desse movimento aqui no Brasil.

Mais do que os juros básicos, os preços dos ativos devem variar muito em função das perspectivas de controle da pandemia, retomada mais firme do crescimento, com correção de distorções, como o desequilíbrio fiscal e o desemprego. Sem esquecer do cenário político, que parece caminhar para uma polarização e tende a deixar 2022 bem desafiador, ainda que ajustes, como dos juros, busquem assegurar maior estabilidade.

A Coluna da Denise Campos é publicada toda sexta-feira em nossa Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

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Leia mais da Denise Campos de Toledo: IPCA mais alto mexe com as expectativas para o Copom | Denise Campos de Toledo.

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IPCA mais alto mexe com as expectativas para o Copom | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/ipca-mais-alto-mexe-com-as-expectativas-para-o-copom https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/ipca-mais-alto-mexe-com-as-expectativas-para-o-copom#respond Fri, 11 Jun 2021 12:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=25756 A inflação mais alta que o previsto reforçou as especulações quanto ao ritmo de ajuste da Selic. Já se esperava um avanço mais forte do IPCA em maio, pela mudança na bandeira tarifária de energia para a vermelha nível 2. Só que a alta de 0,83%, superou bem a média das projeções. O índice mostrou… Read More »IPCA mais alto mexe com as expectativas para o Copom | Denise Campos de Toledo

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A inflação mais alta que o previsto reforçou as especulações quanto ao ritmo de ajuste da Selic. Já se esperava um avanço mais forte do IPCA em maio, pela mudança na bandeira tarifária de energia para a vermelha nível 2. Só que a alta de 0,83%, superou bem a média das projeções.

O índice mostrou aumentos mais generalizados, com algumas surpresas, como a alta da gasolina e da alimentação fora do domicílio. O fato é que a persistência das pressões inflacionárias, ainda que o dólar tenha dado alguma trégua, traz preocupações não só para este ano, mas também para 2022. 

Esse avanço mais recente do IPCA só tende a reforçar as revisões pra cima, das projeções para o índice, referência da meta, que já vêm sendo registradas no relatório Focus há várias semanas.

Esse movimento, por outro lado, leva a questionamentos maiores quanto a política de juros do Banco Central. Parece certo que na reunião da semana que vem o Copom confirme a sinalização de mais um aumento de 0,75 pp na Selic, que iria s 4,25% ao ano. A expectativa agora é quanto ao comunicado que virá junto com a decisão, se manterá a indicação de uma normalização parcial dos juros.

É por aí que ganham força os questionamentos. Diante do avanço do IPCA, além da forte pressão ainda registrada pelos IGPs, influenciados por aumentos fortes do atacado, parte do mercado defende uma normalização total dos juros, que poderia levar a taxa básica para 6,5% ainda neste ano ou até mais.

Nesse contexto de discussões quanto à política monetária, ainda se considera a revisão, também para cima, das projeções de expansão da economia, que pode dar espaço para mais repasses de aumentos de custos para o varejo, fora a recomposição de margens de ganho.

A própria pressão do custo da energia, diante da crise hídrica tende a ser um fator de pressão ao longo do ano, assim como a manutenção dos preços das commodities em patamar mais alto no exterior.

Enfim, a inflação se mantém rodando acima do previsto e já começa a afetar as previsões também para o próximo ano.

Nas análises da atual conjuntura ainda restam incertezas fiscais e em relação às reformas, por mais que as contas públicas também tenham surpreendido, positivamente, e sejam favorecidas até pela combinação de inflação e PIB mais altos. Só que não ocorreram mudanças estruturais e há pontos em aberto, como a provável prorrogação do auxílio emergencial.

Mesmo que seja extra teto, não ajuda a dar maior confiança quanto à evolução das finanças públicas. E esse é um ponto sempre citado pelo Copom, além do próprio comportamento da inflação. Sendo que as reformas, da maneira como vem sendo encaminhadas, podem até reforçar o ânimo do mercado, mas não a ponto de criar perspectivas mais positivas, de curto e médio prazos, para o ajuste das finanças.

O fato é que, por mais que o ambiente econômico esteja mais favorável, ainda há muitas incertezas, entre elas a inflação, que pode levar a uma reorientação da política de juros. Isso pode nem ter maior impacto sobre a Bolsa, mais focada nos indicadores de atividade. Juros mais altos, por outro lado, tendem a ajudar a acomodar o dólar, ao assegurar maior fluxo de recursos. Porém pode ter implicações sobre a evolução de setores que dependem mais do crédito.

Agora é aguardar a reunião da próxima semana pra ver se o Copom mantém a leitura de que as pressões inflacionárias ainda são passageiras e a normalização parcial dos juros será suficiente ou não para garantir a convergência das projeções para a meta do próximo ano. Boa parte do mercado já aguarda um comunicado mais pesado e talvez até a retirada dessa indicação de normalização parcial, indicando que os ajustes da Selic possam ir além do previsto para este ano.

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O fator Guedes | Política sem Aspas https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/o-fator-guedes-politica-sem-aspas https://levanteideias.com.br/politica-sem-aspas/o-fator-guedes-politica-sem-aspas#respond Fri, 04 Jun 2021 23:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=25442 O jornalista Thomas Traumann, ao lançar o livro O pior emprego do mundo em meados de 2018, argumentou que a relação entre o presidente da República e o ministro da Economia/Fazenda é uma das mais sensíveis – se não a mais delas – dentro de um governo. Sabe-se, de fato, que a economia é um… Read More »O fator Guedes | Política sem Aspas

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O jornalista Thomas Traumann, ao lançar o livro O pior emprego do mundo em meados de 2018, argumentou que a relação entre o presidente da República e o ministro da Economia/Fazenda é uma das mais sensíveis – se não a mais delas – dentro de um governo.

Sabe-se, de fato, que a economia é um dos temas que mais influencia as preferências de um eleitorado na hora de eleger seus representantes. Nesse sentido, o presidente é o responsável por delegar a um ministro a competência de gerir uma economia. No caso do Brasil, de gerir a 13ª maior economia dentre todas as nações do planeta.

Não à toa, o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, tem continuado no cargo desde o início do mandato de Bolsonaro, a despeito de muita pressão interna e externa pela sua saída – além dos naturais ruídos de que o ministro estaria deixando o cargo na ocorrência de qualquer revés para seu projeto e sua equipe econômica.

A cerca de um ano e quatro meses para as eleições presidenciais de 2022, o ministro se fortalece e renova a confiança de Bolsonaro em seu trabalho, após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2021 – mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A economia cresceu 1,2% no 1T21, em comparação com o trimestre imediatamente anterior, e ficou significativamente acima das expectativas – a mediana de mercado estimava um crescimento de 0,7 ponto percentual.

A recuperação econômica mais rápida do que o previsto será, fundamentalmente, trunfo para a campanha pela reeleição de Bolsonaro. Paulo Guedes, portanto, será prestigiado à altura, como responsável pela retomada após o gigantesco choque econômico provocado pelas restrições para combater a Covid-19, principalmente em 2020.

Ainda que o ministro não tenha entregue uma série de promessas (entre os planos ambiciosos frustrados, podemos citar o superávit primário ainda no primeiro ano de governo, as três privatizações em 90 dias e o trilhão em venda de ativos da União, entre outros), seu capital político deriva, justamente, da capacidade de manter os mercados positivos com o Brasil e na aprovação de alguns projetos relevantes, como o novo marco do saneamento básico, a reforma previdenciária, a nova lei do gás, entre outros.

Para os liberais mais ferrenhos, Guedes pecou ao não aproveitar a janela de reformas construída no Congresso – os números jogam a seu favor, com a oposição tendo um dos menores pesos na história da redemocratização e uma ampla centro-direita reformista.

Para os apoiadores do governo, mais reformas não avançaram apenas porque líderes do Congresso Nacional não têm interesse nelas, sendo, portanto, o ambiente legislativo um empecilho ao avanço mais consistente da agenda liberal.

Antes fosse tão simples explicar a dinâmica de propostas econômicas em um país como o nosso, em que não há praticamente nenhuma liberdade alocativa de recursos orçamentários e uma cultura que promove as vontades de poucos grupos privilegiados em detrimento de uma gigantesca massa contribuinte.

Mais fácil, logo, entender o jogo feito pelo próprio ministro. Lembremos daquele Paulo Guedes de 2019, que frequentemente entrava em rota de colisão com deputados e senadores por meio de suas declarações mais ríspidas, e do Paulo Guedes de 2021, tão recluso quanto maduro quando o assunto é Congresso Nacional, e sempre otimista com relação ao futuro econômico do País.

Afinal, quem irá confiar no trabalho do ministro da Economia se nem ele mesmo está otimista com a economia brasileira? Em resumo, cuidar de um tema tão delicado como esse requer entrar de cabeça no palco da política – local repleto de alegorias e truques – para disputar o poder. Não que eu concorde com esse modelo, mas é o jogo que se joga há tempos em Brasília.

Tendo essas informações à mesa, não seria absurdo ver o ministro Guedes permanecendo por mais quatro anos, a princípio, caso o atual presidente seja reeleito em 2022. Sair antes das eleições do ano que vem, então, é algo impensável para o atual ministro e sua equipe. A história dá respaldo ao Chicago Boy: Pedro Malan ficou no comando da pasta de 1995 a 2003, nos dois governos FHC; Mantega foi ministro da Fazenda no governo Lula 2, Dilma I e só saiu após a reeleição da petista porque as coisas já desandavam e o mercado exigia um nome de sua confiança para se manter minimamente estável; Meirelles assumiu junto com o então vice-presidente, Michel Temer, e entregou o cargo para tentar um voo maior, à presidência da República, em 2018.

Recentemente, o ministro deu declarações insinuando que já coloca no planejamento e execução de seus projetos a reeleição de Bolsonaro em 2022 – o ministério da Economia está disposto “a partir para o ataque” no ano que vem, por meio da ampliação do Programa Bolsa Família, Bônus de Inclusão Produtiva (BIP) e Bônus de Incentivo à Qualificação (BIQ) – ambos programas de incentivo a trabalhadores informais.

Deixando um pouco o contexto político de lado, vamos olhar para a figura de Guedes e entender, também, quais seriam suas motivações para ficar (ou não) por mais quatro anos.

O atual chefe da Economia bateu na trave em 1985, durante a formação da equipe de governo de Tancredo Neves – que não chegou a ser empossado –, mas acabou recusando o cargo por pressão de colegas próximos do mercado financeiro e alguns desencontros com a equipe do Banco Central, onde poderia ter sido diretor. Em 1989, foi o responsável pelo segmento de economia do plano de governo do empresário e candidato à Presidência, Guilherme Afif Domingos.

Como aponta a excelente reportagem de Ana Clara Costa à Revista Piauí, participar do governo na área econômica sempre foi um sonho de Guedes. Após constatar que o apresentador Luciano Huck não iria concorrer à presidência em 2018, o economista se aproximou de Bolsonaro por meio da interlocução de Marcos Cintra ainda em 2017 e convenceu nomes de mercado – Salim Mattar, Paulo Uebel, Roberto Castello Branco, Roberto Campos Neto e cia. – de que poderia convencer o atual presidente a defender posições liberais.

Perdeu alguns colegas “de trincheira” pelo caminho, contrariado, mas sempre respeitou a decisão de Bolsonaro, admitindo que a política cativa seus mártires. Mas fez questão, sempre, de reforçar: a desistência não é uma opção – seja por vaidade, seja por princípios, seja pelo idealismo de construir um Brasil mais liberal.

Segundo o próprio Guedes, a confiança de Bolsonaro ainda persiste, e seu papel no governo é de tal importância que a sua saída representaria uma catástrofe para o País. Em entrevista à repórter, o Chicago Boy afirmou: “Amigos me perguntam: como você está conseguindo ficar aí? Três meses depois, eu apresento o Banco Central independente, envio a MP da privatização da Eletrobras, faço andar a privatização dos Correios. Aí eles vêm e dizem: ainda bem que você não saiu”.

É desse combustível que o Posto Ipiranga de Bolsonaro se abastece, e é por conta dele que não vê problemas em continuar no governo, não obstante as enormes dificuldades impostas à agenda liberal, até 2022 – ou mesmo 2026, caso o presidente renove seus votos de confiança no ministro e em sua visão de mundo.

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Em meio à onda otimista, melhor manter alguma cautela | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/em-meio-a-onda-otimista-melhor-manter-alguma-cautela https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/em-meio-a-onda-otimista-melhor-manter-alguma-cautela#respond Fri, 04 Jun 2021 17:56:38 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=25446 A economia brasileira continua emitindo sinais muito favoráveis de retomada, que levam a expectativa de um fechamento de ano mais positivo. A confirmação veio no PIB do 1º trimestre, com expansão de 1,2%. Isso acabou levando a uma nova rodada de revisão das projeções do mercado quanto à expansão deste ano, que deve aparecer nos… Read More »Em meio à onda otimista, melhor manter alguma cautela | Denise Campos de Toledo

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A economia brasileira continua emitindo sinais muito favoráveis de retomada, que levam a expectativa de um fechamento de ano mais positivo. A confirmação veio no PIB do 1º trimestre, com expansão de 1,2%. Isso acabou levando a uma nova rodada de revisão das projeções do mercado quanto à expansão deste ano, que deve aparecer nos próximos boletins Focus. Os ajustes vão ocorrendo com cautela em algumas instituições, mas muitos analistas já preveem até mais de 5% de avanço do PIB.

Em meio a toda essa animação, estamos acompanhando uma forte recuperação da Bolsa, testando máximas do Ibovespa, com o dólar, no sentido inverso, testando mínimas. Já se considera, inclusive, a possibilidade de chegar aos R$ 5,00.

Além da resistência que a economia vem demonstrando, ainda houve uma melhora, inesperada, das contas públicas, com superávits em abril e no primeiro quadrimestre que reduzem o rombo projetado para o fechamento do ano, com redução também da previsão para a dívida pública em relação ao PIB.

O próprio avanço do PIB ainda tende a melhorar essa relação. Se antes o mercado tinha a preocupação com o risco de a dívida chegar aos 100% do PIB, agora as projeções então na faixa de 85…86%. 

Na verdade, os números apresentados não trazem nada de excepcional, quando se vê o desempenho da economia e das finanças de uma forma mais detalhada.

Mas é a velha história do bode: passamos por uma fase de tanto pessimismo, principalmente, com a segunda onda, que a melhoria dos números em várias frentes deu uma injeção de ânimo. Mostrou uma resiliência da atividade, que já tem implicações sobre as contas públicas. As contas foram favorecidas, é fato, pela contenção de gastos em função do atraso na aprovação do orçamento, só que também contaram com o reforço do aumento da arrecadação, que também é um termômetro dessa resistência da economia à pandemia e às medidas restritivas.

Eu citei detalhes porque ainda há muitas dificuldades a serem superadas até nesses indicadores. Em relação às contas públicas, sabemos do aperto no orçamento, da dificuldade de o governo conseguir rever as despesas obrigatórias e reduzir os gargalos, com a liberação de alguns recursos extras para vários ministérios.

O teto só está sendo respeitado porque as despesas relacionadas à saúde e à pandemia, como os vários programas, tiveram crédito extraordinário. E ainda é preciso gerenciar todas as concessões feitas através das emendas parlamentares, independentemente de estarem comprometidas ou não com a situação do País e das finanças.

A economia como um todo avançou, mas vários segmentos de Serviços ainda estão negativos, por reflexos da pandemia e restrições de atividade.

A própria indústria tem desequilíbrios, sofrendo até os efeitos do aumento de preços e da falta de insumos. Por fim, na composição do PIB, ainda se vê um impacto forte do aumento da demanda e dos preços das commodities, que reforçaram o avanço da agropecuária e da indústria extrativista, com impactos na produção de máquinas e equipamentos e no aumento do percentual de investimentos, que chegou perto de animadores 20% do PIB.

Por outro lado, o País ainda convive com desemprego elevado, especialmente na informalidade, perda de renda para boa parcela da população, com aumento da miséria e da insegurança alimentar, o que tem relação não só com o nível de desocupação, mas também com a inflação, que é outro problema.

A disparada dos índices de preço demonstra o impacto negativo do aumento das commodities, como elevação dos custos das empresas, o que, em certa medida, pode bater ainda mais no varejo, o que já vem acontecendo, inclusive, na alimentação. O IPCA, com as projeções persistentemente em alta, já eleva as projeções também para a Selic, que pode encostar nos 6% ainda neste ano.

Por fim, ainda temos, além da pandemia, claro, com possível terceira onda, a crise hídrica, que nos remete ao risco de uma crise na área energética, que vai além da mudança da bandeira tarifária e da elevação de custo. Situação que afeta a inflação e pode comprometer o potencial de expansão da economia que, em princípio, pode ganhar impulso o segundo semestre coma esperada aceleração da vacinação. Mas não se pode descartar o risco de apagões e até de algum racionamento.

O que temos, nesse balanço geral, são indicadores animadores, que impulsionam a Bolsa através do potencial de performance de vários setores, além da própria atração de investidores, pela melhoria da avaliação do risco país.

A elevação dos juros, por outro lado, também tem melhorado a atratividade e o comportamento do dólar, que são fatores que colaboram para um cenário de maior estabilidade. Sendo que o dólar também se beneficia dos bons saldos das contas externas, da balança comercial, que são outro dado positivo para o País.

Enfim, dá pra ficar mais otimista sim. Sempre com alguma cautela, até pelos impasses e noticiário não muito favorável do ponto de vista político, que sempre nos lembra que o Brasil não é para amadores. Pode parecer um comentário clichê, mas é o que a realidade nos mostra.

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Leia mais da Denise Campos de Toledo: Tem muito jabuti no avanço da agenda.

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Varejo: Lojas físicas voltam a contribuir com vendas em maio https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/varejo-lojas-fisicas-voltam-a-contribuir-com-vendas-em-maio https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/varejo-lojas-fisicas-voltam-a-contribuir-com-vendas-em-maio#respond Mon, 24 May 2021 13:55:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=24611 De acordo com relatório realizado pela Cielo para a Abrasce, associação dos shoppings, foi apontada uma alta nas vendas tanto nas lojas de rua quanto nos shoppings, sendo mais acelerada neste segundo caso. O relatório ainda indica que a participação de vendas em lojas físicas contribuiu substancialmente para a aceleração das vendas em maio, quando… Read More »Varejo: Lojas físicas voltam a contribuir com vendas em maio

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De acordo com relatório realizado pela Cielo para a Abrasce, associação dos shoppings, foi apontada uma alta nas vendas tanto nas lojas de rua quanto nos shoppings, sendo mais acelerada neste segundo caso. O relatório ainda indica que a participação de vendas em lojas físicas contribuiu substancialmente para a aceleração das vendas em maio, quando comparadas a abril.

O relatório ainda reporta um aumento de compras parceladas e nas lojas que, como estratégia para capturar o número de vendas, também aumentaram o número de parcelas oferecidas aos clientes. Para essa estratégia, no entanto, é necessário que a empresa possua caixa, de modo a flexibilizar sua data de recebimento. Dessa forma, o que vemos é que a reanimação do setor tem se mostrado concentrada em grandes cadeias, que possuem mais reservas, não atingindo todo o comércio de rua.

Cabe ressaltar que o segmento de e-commerce continua aquecido, com suas vendas crescendo no semestre, porém mostra-se gradativamente diminuindo sua participação com a redução de medidas de isolamento social e aumento do número de funcionamento de lojas.

E Eu Com Isso?

A melhora observada nas vendas em lojas físicas no setor de varejo está relacionada com a redução das medidas de isolamento, que foram agravadas no primeiro trimestre do ano. Junto a isto, mostra-se acertada a estratégia de flexibilizar o número de parcelas para o consumidor realizar suas compras, o que deve beneficiar companhias que possuam reservas para adotar tal estratégia. Desta forma, a melhora deve beneficiar também o setor de shopping center (MULT3, ALSO3, BRML3 e IGTA3), que possuem grandes varejistas e tem apresentado horário de funcionamento cada vez mais flexível.

A melhora também está sensivelmente relacionada com as perspectivas de avanço de vacinação e melhora na renda do consumidor. Ainda vemos fatores como a antecipação da primeira e segunda parcela do décimo terceiro salário de aposentados (cerca de 53 bilhões de reais), que podem contribuir para a aceleração dessa retomada em vendas.

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Leia também: E-commerce em alta no Brasil.

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