copom – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br Recomendações, análises e carteiras de investimentos para maiores rentabilidades. Tue, 03 Feb 2026 14:41:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.1.1 https://levanteideias.com.br/wp-content/uploads/2018/02/cropped-avatar_lvnt-32x32.png copom – Levante Ideias de Investimentos https://levanteideias.com.br 32 32 Ata: Copom repete que pretende cortar Selic em março, mas não crava magnitude https://levanteideias.com.br/artigos/ata-copom-repete-que-pretende-cortar-selic-em-marco-mas-nao-crava-magnitude https://levanteideias.com.br/artigos/ata-copom-repete-que-pretende-cortar-selic-em-marco-mas-nao-crava-magnitude#respond Tue, 03 Feb 2026 14:41:26 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52970 A Ata da reunião nº 276 do Comitê de Política Monetária, que foi divulgada nesta terça-feira (03) mostrou um Comitê cautelosamente otimista com o cenário de inflação e com as perspectivas para a taxa de juros. A Ata foi relativamente breve, mantendo um tamanho parecido com o da reunião de dezembro, e preservou os mesmos… Read More »Ata: Copom repete que pretende cortar Selic em março, mas não crava magnitude

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A Ata da reunião nº 276 do Comitê de Política Monetária, que foi divulgada nesta terça-feira (03) mostrou um Comitê cautelosamente otimista com o cenário de inflação e com as perspectivas para a taxa de juros. A Ata foi relativamente breve, mantendo um tamanho parecido com o da reunião de dezembro, e preservou os mesmos tópicos.

Ao avaliar o cenário da economia internacional, o Comitê avaliou que “enquanto os riscos de longo prazo se mantêm, as condições recentes sugerem algum arrefecimento na incerteza (…), no contexto atual os preços das principais commodities permaneceram contidos, e as condições financeiras, favoráveis”, segundo a Ata.

No cenário doméstico, ao tratar da inflação, o Comitê trouxe o trecho mais otimista da Ata. O Copom afirmou que “as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes seguiram trajetória de declínio”, e que “as leituras recentes indicam um arrefecimento da inflação que abrange tanto o índice cheio quanto em aberturas e medidas subjacentes”.

Segundo o Copom, “a combinação de um câmbio mais apreciado e um comportamento mais benigno das commodities contribuiu para redução nas inflações de bens industrializados e alimentos. A inflação de serviços também apresentou algum arrefecimento, ainda que mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual”.

A decisão marcou uma inflexão relevante no discurso da autoridade monetária. Até então, o Copom vinha reforçando a necessidade de manter a política monetária restritiva por período prolongado. Na Ata, o colegiado reconheceu avanços no processo de desinflação e avaliou que o cenário prospectivo passou a permitir ajustes graduais na taxa Selic, ainda que cautelosas.

A Ata reforçou que a principal âncora para essa mudança é o comportamento das expectativas de inflação. A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na segunda-feira (2), mostrou um recuo da projeção para o IPCA de 2026 para 3,99 por cento. Trata-se da primeira vez, desde o início de 2025, que a expectativa para esse horizonte cai para abaixo de 4 por cento. O movimento foi interpretado pelo mercado como um sinal de maior credibilidade do regime de metas.

Pelas contas do Copom, “as projeções para a inflação acumulada em quatro trimestres para 2026 e para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, são, respectivamente, 3,4 por cento e 3,2 por cento”. Com isso, o comitê ganha maior conforto para iniciar o processo de flexibilização sem comprometer a convergência da inflação à meta.

E Eu Com Isso?

As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociadas em Wall Street, assim como os contratos futuros dos principais índices americanos, estão em uma leve alta no pré-mercado. Os investidores estão razoavelmente otimistas com a Ata do Copom e, no mercado internacional, com a menor incerteza sobre a independência do Federal Reserve (FED), o banco central americano.

As notícias são positivas para a Bolsa

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2025 se encerra com Copom e FED em direções opostas https://levanteideias.com.br/artigos/2025-se-encerra-com-copom-e-fed-em-direcoes-opostas https://levanteideias.com.br/artigos/2025-se-encerra-com-copom-e-fed-em-direcoes-opostas#respond Wed, 10 Dec 2025 12:20:22 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52683 O post <strong>2025 se encerra com Copom e FED em direções opostas</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Mercados com Rafael Bevilacqua

Teremos a última “super quarta-feira” do ano, com as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e de seu equivalente americano, o Federal Open Market Committee (Fomc). Por uma daquelas simetrias da história, ambas as reuniões têm perspectivas e expectativas similares e opostas. Por aqui, a certeza é de juros estáveis com uma possível preparação para um corte na Selic a partir de 2026. Nos Estados Unidos, a certeza é de corte, mas o futuro é menos previsível.

Começando pelo Copom. A Selic será mantida em 15 por cento ao ano. Ponto. Além disso, o que movimenta as especulações dos investidores é o cenário que o Comitê antecipa para 2026.

É provável que o Comunicado a ser divulgado nesta noite após o anúncio dos resultados (e a Ata que deve ser publicada no dia 16 de dezembro) estejam alinhados com as declarações da reunião de novembro. No mês passado, a Ata reforçou a necessidade de maior convergência das expectativas de inflação para permitir um corte da Selic.

Ainda que as edições mais recentes do Relatório Focus tenham revisado para baixo as projeções de inflação entre 2025 e 2028, as expectativas seguem acima dos 3 por cento no horizonte relevante, que se estende até o começo de 2027.

Por isso, o Copom deve reforçar três pontos. O primeiro é que a Selic atual permanece compatível com a estratégia de convergência da inflação. O segundo é que ainda há riscos relevantes de que a inflação siga acima da meta e o terceiro é que a política monetária continuará sendo conduzida com prudência.

O que isso indica para 2026? O Comitê deve indicar a necessidade de manter juros altos por um período bastante prolongado. A manutenção da palavra “bastante” será uma indicação de que a queda da Selic não começa em janeiro. Sem esse termo, pode aumentar a especulação de um corte já na primeira reunião do próximo ano. O texto provavelmente manterá a disposição de elevar os juros caso se a inflação sair do controle.

A boa notícia é que há condições concretas para o corte da Selic. A inflação está desacelerando, e o Produto Interno Bruto (PIB) está crescendo menos. Ou seja, não será absurdo que, apesar de trazer um Comunicado duro nesta reunião, o Copom altere o tom e as expectativas a partir do ano que vem.

Agora o Fomc. Também há uma certeza quase absoluta de um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo os Fed Funds para a faixa entre 3,50 e 3,75 por cento ao ano. Daí em diante, tudo é indefinição. A começar pela potência dessa decisão.

O Comitê está dividido entre membros que defendem cortes de juros como forma de conter uma maior fragilidade do mercado de trabalho e aqueles que acreditam que o afrouxamento monetário já foi longe demais e ameaça agravar a inflação. Por isso, há uma expectativa entre os investidores que tanto a Declaração pós reunião quanto a entrevista coletiva concedida por Jerome Powell deixarão claro que os investidores não devem esperar cortes automáticos nas taxas a partir do ano que vem.

Apesar das declarações do presidente Donald Trump de que a inflação desapareceu, na melhor das hipóteses, ela apenas se estabilizou. Pior, está estável acima da meta de 2 por cento ao ano, em parte devido às tarifas implementadas pelo próprio Trump. Embora os diretores do FED tenham afirmado que as tarifas devem afetar os preços apenas temporariamente, a distância em relação à meta é suficiente para dificultar a queda dos juros. Assim, será preciso observar com cuidado as declarações de Powell para saber para onde olhar a partir de 2026.


E Eu Com Isso?

A quarta-feira começa com os mercados em compasso de espera, no aguardo da reunião do Fomc. Sinais diferentes do esperado, tanto no sentido expansionista quanto contracionista da política monetária, podem provocar forte volatilidade no mercado.


 Klabin apresenta Investor Day, dividendos extraordinários e bonificação


A Klabin (KLBN11) anunciou a distribuição de um dividendo extraordinário de 1,1 bilhão de reais, que será pago em quatro parcelas iguais de 278 milhões de reais ao longo de 2026. O valor por ação foi definido em aproximadamente 91 centavos por unit. O corte para recebimento ocorrerá em 15 de dezembro de 2025, com negociação das ações ex-dividendos a partir do dia seguinte.

A companhia também anunciou um aumento de capital de 800 milhões de reais por meio de bonificação, com a emissão de pouco mais de 61,7 milhões de novas ações, na proporção de uma ação para cada cem atualmente detidas. Essas medidas combinadas devolvem caixa aos acionistas e reforçam o capital social da empresa, permitindo que a companhia distribua recursos sem comprometer a estrutura financeira.

No terceiro trimestre de 2025, a Klabin registrou EBITDA ajustado superior a 2,1 bilhões de reais, representando crescimento de 17 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar de custos pressionados, volatilidade cambial e desafios no mercado global de papel e celulose, a companhia manteve suas margens, apoiada pelo desempenho das operações de embalagens, ganhos de eficiência industrial e pela performance da base florestal.

Durante o recente Investor Day, a empresa apresentou sua estratégia de longo prazo, destacando crescimento sustentável, expansão da capacidade de embalagens e investimentos em eficiência operacional e sustentabilidade.

Foram detalhados projetos de modernização industrial, iniciativas ambientais e expansão das operações florestais, com foco na transparência e no alinhamento com os objetivos estratégicos da companhia.

Em termos de CAPEX, a Klabin projeta investimentos de 3,3 bilhões de reais para 2026, destinados à manutenção de ativos, expansão da capacidade produtiva e modernização industrial, incluindo a unidade de Monte Alegre. Para os anos seguintes, a companhia indica envelopes decrescentes, com 2,8 bilhões de reais em 2027 e 2,5 bilhões em 2028.

A alocação do CAPEX contempla silvicultura e compra de madeira em pé, continuidade operacional, modernização da unidade de Monte Alegre e projetos especiais. O objetivo da companhia neste momento é manter a geração de caixa e avançar na desalavancagem, uma vez que não há previsão de investimentos significativos nos próximos anos.

No campo de valuation, a Klabin negocia atualmente com múltiplo EV/EBITDA próximo de 5,5 vezes, abaixo da média histórica do setor, o que indica que o mercado aplica algum desconto sobre o valor intrínseco da empresa.

O Dividend Yield está em torno de 6 por cento, antes da contabilização do dividendo extraordinário, e deve aumentar com a distribuição anunciada, o que pode tornar os papéis mais atrativos para investidores focados em retorno periódico.


E Eu Com Isso?

A bonificação também aumenta a participação dos acionistas sem custo adicional, enquanto a distribuição extraordinária proporciona fluxo de caixa antecipado em 2026. Essas medidas evidenciam a estratégia da companhia de equilibrar retorno aos acionistas com manutenção de capital, mantendo disciplina financeira e consistência operacional.

O conjunto de fatores, dividendos extraordinários, bonificação de ações, CAPEX planejado, múltiplos atrativos e geração de caixa consistente, cria um cenário que pode interessar tanto a investidores orientados à renda quanto à valorização de longo prazo.

As iniciativas refletem a intenção da Klabin de conciliar retorno imediato aos acionistas com fortalecimento patrimonial, preservação de flexibilidade financeira e execução de sua estratégia de longo prazo.


Construção civil sustenta protagonismo com demanda firme, crédito direcionado e empresas mais eficientes

O setor de construção civil voltou a ocupar um papel central no mercado acionário em 2025, com diversas companhias apresentando valorizações expressivas e resultados operacionais consistentes, especialmente aquelas voltadas ao segmento de baixa renda. Este desempenho decorre de três pilares essenciais: melhora na percepção de demanda habitacional, condições de financiamento mais favoráveis – impulsionadas por instrumentos como FGTS e MCMV – e políticas públicas que favorecem o acesso à moradia. Em um ambiente financeiro em que o crédito subsidiado funciona como amortecedor do ciclo macroeconômico, as construtoras atenderam famílias com elasticidade de demanda maior e um mercado menos sensível ao encarecimento do capital, beneficiando especialmente modelos de negócios focados na faixa econômica.

Essa dinâmica também se reflete na performance financeira das companhias listadas, que reportaram geração de caixa positiva e expansão contínua de lucros ao longo dos trimestres. Empresas com maior escala conseguem acessar financiamento a taxas inferiores às praticadas no mercado, reduzindo custo de capital e ampliando margem competitiva. Além disso, a disciplina operacional permitiu ganhos de eficiência, resultando em trimestres consecutivos de geração de caixa livre robusto, o que reforça a resiliência desse segmento. O ciclo virtuoso se retroalimenta: maior volume de lançamentos, velocidade de vendas consistente e capacidade de financiar o comprador final mantêm a engrenagem rodando mesmo em momentos mais desafiadores da economia.

No campo competitivo, as construtoras listadas despontam com vantagens estruturais frente às menores e regionais, em especial na gestão de capital e acesso a crédito institucional. Enquanto pequenas incorporadoras enfrentam custos de dívida mais elevados e volatilidade operacional, as grandes companhias captam a taxas inferiores ao CDI e encontram espaço para ganhar market share. Ao mesmo tempo, a elevação do teto financiável no MCMV e a força de programas habitacionais mantêm a demanda ativa, reforçando o papel anticíclico deste mercado—um traço relevante na leitura estratégica para investidores.

 
E Eu Com Isso?
 
Olhando à frente, a continuidade desse movimento dependerá não apenas da trajetória dos juros, mas também da manutenção ou expansão das políticas habitacionais, da execução eficiente e da disciplina financeira das empresas. O setor mostrou capacidade de absorver choques e capturar oportunidades, mas ainda opera em um ambiente macroeconômico dependente de estímulo ao crédito. Se esse ciclo de suporte persistir, o setor tende a sustentar retornos sólidos e um patamar estruturalmente superior de geração de valor, preservando sua atratividade dentro do portfólio de setores domésticos.

Como leitura final, a construção civil combina fundamentos resilientes, drivers estruturais claros e um alinhamento raro entre demanda, financiamento e capacidade operacional. Esse equilíbrio cria uma janela estratégica relevante: empresas bem-posicionadas podem capturar ganhos contínuos, tanto em participação de mercado quanto em lucratividade, ao passo que investidores encontram no setor um dos casos mais consistentes de relação risco-retorno da bolsa brasileira hoje.



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A INSIDE RESEARCH LTDA. (“INSIDE”), empresa do Grupo Levante Investimentos (“LEVANTE ”), declara que participou da elaboração do presente relatório de análise e é responsável por sua distribuição exclusivamente nos canais autorizados das empresas do Grupo Levante, tendo como objetivo somente informar os seus clientes com linguagem clara e objetiva, diferenciando dados factuais de interpretações, projeções, estimativas e opiniões, não constituindo oferta de compra ou de venda de nenhum título ou valor mobiliário. Além disso, os dados factuais foram acompanhados da indicação de suas fontes e as projeções e estimativas foram acompanhadas das premissas relevantes e metodologia adotadas. Todas as informações utilizadas neste documento foram redigidas com base em informações públicas, de fontes consideradas fidedignas. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não são incertas ou equivocadas no momento de sua publicação, a INSIDE e os seus analistas não respondem pela veracidade das informações do conteúdo, mas sim as companhias de capital aberto que as divulgaram ao público em geral, especialmente perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”). As informações, opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Para maiores informações consulte a Resolução CVM nº 20/2021, e, também, o Código de Conduta da Apimec para o Analista de Valores Mobiliários. Em cumprimento ao artigo 16, II, da referida Resolução CVM nº 20/2021. As decisões de investimentos e estratégias financeiras sempre devem ser realizadas pelo próprio cliente, de preferência, amparado por profissionais ou empresas habilitadas para essa finalidade, uma vez que a INSIDE não exerce esse tipo de atividade. Esse relatório é destinado exclusivamente ao cliente da INSIDE que o contratou. A sua reprodução ou distribuição não autorizada, sob qualquer forma, no todo ou em parte, implicará em sanções cíveis e criminais cabíveis, incluindo a obrigação de reparação de todas as perdas e danos causados, nos termos da Lei nº 9.610/98, além da cobrança de multa não compensatória de 20 (vinte) vezes o valor mensal do serviço pago pelo cliente. Em conformidade com os artigos 20 e 21 da Resolução CVM nº 20/2021, o analista Eduardo Jamil Rahal (inscrito no CNPI sob o nº 8204) declara que (i) é o responsável principal pelo conteúdo do presente relatório de análise; (ii) as recomendações nele contidas refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e que foram elaboradas de forma independente, inclusive com relação à INSIDE.

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Para tudo recomeçar na quarta-feira https://levanteideias.com.br/artigos/para-tudo-recomecar-na-quarta-feira https://levanteideias.com.br/artigos/para-tudo-recomecar-na-quarta-feira#respond Mon, 08 Dec 2025 12:56:56 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52669 O post <strong>Para tudo recomeçar na quarta-feira</strong> apareceu primeiro em Levante Ideias de Investimentos.

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Não seria um exagero dizer que, em termos práticos, o ano de 2025 se encerra nesta quarta-feira (10) e 2026 se inicia, como se houvesse um “réveillon” antecipado. A última “super quarta-feira” do ano terá os resultados das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do seu equivalente americano, o Federal Open Market Committee (Fomc).

Os resultados já estão dados – ou, pelo menos, são bastante prováveis. Por aqui, há uma probabilidade de 97 por cento de manutenção da taxa Selic nos atuais 15 por cento ao ano. Nos Estados Unidos, a possibilidade de redução de 0,25 ponto percentual nos Fed Funds, que cairiam para a faixa entre 3,50 e 3,75 por cento é de 87 por cento.
Sem surpresas, portanto? Longe disso. O que os investidores querem saber mesmo é qual é o panorama que os diretores dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos estão antecipando para 2026.

Começando pelo Brasil. Em uma de suas declarações públicas mais recente, Gabriel Galípolo, presidente do BC, disse que o mercado de trabalho brasileiro está bastante aquecido e que isso não deveria estar ocorrendo tendo em vista a manutenção de uma Selic nesse patamar por tanto tempo assim. Banqueiros centrais têm de usar instrumentos de precisão para medir as palavras. Por isso, é possível entender que o Copom deverá ser cauteloso na hora de começar a afrouxar a política monetária.

Quanto cauteloso? Essa é a pergunta de vários trilhões de reais que, espera-se, será respondida no Comunicado da quarta-feira (10) e na Ata, a ser divulgada na terça-feira (16). O crescimento do PIB no 3T25 foi de apenas 0,1 por cento, um patamar inferior aos 0,3 por cento do 2T25 e também abaixo da mediana das expectativas, que era de 0,2 por cento. Pode ser que esse arrefecimento do nível de atividade leve o Copom a ser mais “dovish” em suas perspectivas para o próximo ano.

Por via das dúvidas, os investidores refizeram as contas para 2026. A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada nesta segunda-feira (08), mostra que a Selic esperada para dezembro do ano que vem subiu para 12,25 por cento ante os 12 por cento previstos nas duas edições anteriores.

O cenário é mais ou menos semelhante nos Estados Unidos. A diferença é que, por lá, estão dados dois cortes de 0,25 ponto percentual nos juros. Um na reunião desta semana, e outro em algum momento do 1T26. Os mais otimistas esperam o corte em janeiro, os mais céticos preveem o corte em março. A partir daí, há menos certezas e mais especulação. Como o FED deverá trocar de comando em maio e a probabilidade é que o sucessor de Jerome Powell seja alguém mais complacente com a inflação, não se descarta a hipótese de um afrouxamento mais acelerado na política monetária.


E Eu Com Isso?

O primeiro pregão da semana começa com uma alta nas cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociadas em Nova York. Os investidores deverão buscar ações desvalorizadas após a forte queda de 4,3 por cento no pregão da sexta-feira (05), o que indica um movimento de recuperação pontual dos preços.



Localiza propõe bonificação com ações preferenciais para aumento de capital em R$2 bilhões


A Localiza (RENT3) anunciou recentemente uma proposta de emissão de ações preferenciais (PN) resgatáveis, acompanhada de um aumento de capital de aproximadamente R$ 2 bilhões, que ainda depende da aprovação em assembleia geral extraordinária (AGE) marcada para 29 de dezembro de 2025.

A decisão visa fortalecer a estrutura de capital da companhia e oferecer mais flexibilidade na gestão financeira, sem prejudicar os acionistas atuais.

A proposta prevê a criação de ações preferenciais com direitos equivalentes às ações ordinárias (ON), incluindo direito a voto e tag-along, garantindo proteção aos acionistas minoritários em caso de eventual mudança de controle.

Essas ações preferenciais serão resgatáveis, podendo ser convertidas em ações ordinárias conforme deliberação do conselho da empresa, oferecendo à companhia instrumentos de flexibilidade financeira importantes para o futuro.

Além disso, o aumento de capital será realizado por meio de bonificação, ou seja, os acionistas não precisarão aportar recursos adicionais. A proporção definida é de uma ação preferencial para cada 26 ações ordinárias, permitindo que todos os acionistas atuais mantenham sua participação proporcional na empresa sem diluição.

A movimentação da Localiza ocorre em um contexto de mudanças fiscais e regulatórias, especialmente diante da tributação sobre dividendos a partir de 2026. A emissão de ações preferenciais resgatáveis surge como uma estratégia para ajustar a estrutura de capital e continuar entregando valor aos acionistas, ao mesmo tempo em que preserva a governança corporativa e a proteção dos minoritários.

A utilização da reserva de lucros para o aumento de capital via bonificação reforça que não haverá impacto financeiro imediato sobre os acionistas existentes.

Para os investidores, essa iniciativa apresenta tanto oportunidades quanto pontos a serem observados. Por um lado, a emissão de ações preferenciais com direitos semelhantes às ordinárias garante a manutenção do poder de voto e da participação em decisões importantes.

Existe também, a possibilidade de resgate futuro dessas ações oferecendo à empresa um instrumento de gestão de caixa e capital, podendo impactar a liquidez das ações no mercado no médio prazo. A transparência em relação aos direitos das novas ações e a ausência de diluição imediata são pontos positivos que tendem a ser bem recebidos pelo mercado.

A aprovação na AGE será necessária para a implementação do plano. Caso seja aprovada, as ações preferenciais ex-bonificação começarão a ser negociadas a partir de 30 de dezembro de 2025, e a posição dos acionistas será consolidada em 5 de janeiro de 2026.


E Eu Com Isso?

Esse cronograma garante que os acionistas tenham clareza sobre os novos papéis e seu impacto em sua participação, oferecendo previsibilidade sobre a transição. A estratégia da Localiza, portanto, combina crescimento e fortalecimento financeiro com cuidado em relação à proteção dos investidores.

A proposta de emissão de ações preferenciais resgatáveis e aumento de capital por bonificação representa uma estratégia da Localiza para ajustar sua estrutura de capital, fortalecer sua posição financeira e mitigar riscos decorrentes de mudanças regulatórias.

A atenção agora se volta para a AGE, que definirá se essas medidas serão efetivamente implementadas e como o mercado reagirá a essa iniciativa estratégica.



Block trade em Azzas e Allos impulsiona reciclagem de capital e recomposição acionária

O fundo de pensão canadense(CPPIB) protagonizou dois dos block trades mais relevantes do mês, zerando sua participação na Azzas 2154 (AZZA3) e reduzindo pela metade sua fatia na Allos (ALOS3), movimentando juntas quase R$ 1 bilhão sob coordenação do Bank of America. O fundo vendeu pouco mais de 10 milhões de ações da AZZA3 por R$ 27,10 — um desconto de 4,95% sobre o fechamento anterior — e aproximadamente 23 milhões de ações da Allos por cerca de R$ 28,40, representando 4,44% de deságio. O volume expressivo exigiu leilões estendidos na abertura dos pregões e contribuiu para que o total de block trades na B3 atingisse R$ 2,6 bilhões apenas em dezembro, sinalizando um ambiente doméstico de maior liquidez, intensificação de rotação de portfólios e condições favoráveis de realização para investidores institucionais globais.

O CPPIB permanece ativo no Brasil e, segundo fontes próximas às negociações, está essencialmente reposicionando seu portfólio, com maior apetite por ativos reais e investimentos estruturantes. Isso se evidencia pela joint venture firmada com a Cyrela para desenvolvimento de projetos imobiliários de alto padrão e pela intensificação de aportes no setor de saneamento por meio da Iguá. Assim, a desmobilização parcial em empresas listadas é menos um voto de desconfiança sobre varejo ou shopping centers, e mais um ajuste estratégico para capturar retornos diferenciados em segmentos onde o fundo vê assimetria mais favorável.

Os preços praticados nas operações revelam outro elemento estrutural relevante: o desconto típico em block trades não deve ser interpretado como percepção negativa sobre os ativos, mas sim como componente funcional de liquidez em transações bilionárias. No caso de AZZA3, a venda total de uma fatia de 5,1% acionária irradiou volatilidade e iniciou o pregão com queda de 4,42%, movimento esperado diante do volume ofertado. Já na Allos, a realização de lucros ocorreu após valorização expressiva de 61% em 2024, reforçando a racionalidade do movimento, e foi acompanhada de um lock-up de seis meses sobre a posição remanescente do CPPIB, evitando sobreoferta adicional e sinalizando compromisso residual com a tese.

 
E Eu Com Isso?
 
Sob a ótica da Azzas, o episódio tende a gerar mais efeitos de curto prazo do que estruturais. A queda inicial pela saída de um investidor relevante é natural e decorre muito mais da mecânica de liquidez do block trade do que de uma revisão de fundamentos ou deterioração setorial. Para a Azzas, o desafio imediato reside em sustentar a narrativa de execução operacional, integração pós-rebranding e revisão de percepção de risco após a mudança de base acionária. A saída total do CPPIB tende a reduzir momentaneamente a referência institucional na composição societária, demandando maior esforço de comunicação e reforço de tese para manter o interesse de investidores institucionais, algo central para preservar liquidez e resiliência das ações no pós-evento.

Para a Allos, os desdobramentos parecem mais positivos do que adversos. A empresa reforça o papel de ativo alvo de investidores globais — fato evidenciado pelo lock-up aplicado ao CPPIB — e pela realização parcial após forte valorização no ano, que revela uma capacidade relevante de geração de retorno para acionistas.




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O que significa a queda da inflação esperada no Focus? https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-que-significa-a-queda-da-inflacao-esperada-no-focus https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/o-que-significa-a-queda-da-inflacao-esperada-no-focus#respond Mon, 17 Nov 2025 12:39:56 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52569 A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na manhã desta segunda-feira (17), traz a redução da expectativa de inflação para 2025 para 4,46 por cento, abaixo dos 4,55 por cento esperados da semana anterior. Há quatro semanas, a projeção era de 4,70 por cento. Pela primeira vez neste ano, o Focus traz uma expectativa… Read More »O que significa a queda da inflação esperada no Focus?

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Mercados com Rafael Bevilacqua

A edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na manhã desta segunda-feira (17), traz a redução da expectativa de inflação para 2025 para 4,46 por cento, abaixo dos 4,55 por cento esperados da semana anterior. Há quatro semanas, a projeção era de 4,70 por cento. Pela primeira vez neste ano, o Focus traz uma expectativa dos profissionais de mercado de que a inflação de 2025 ficará abaixo do teto da meta, que é de 4,50 por cento.

Um raciocínio simplista poderia ser: como i) a expectativa de inflação está dentro da meta e ii) expectativas são importantes para as decisões do Banco Central (BC), é possível esperar um aumento da probabilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) indicar uma redução da Selic antes do esperado.

Esse raciocínio é válido, mas é preciso observar esse resultado com cautela. O espaço entre a projeção e o teto da meta é de apenas 4 pontos-base (centésimos de ponto percentual). E é apenas uma projeção, não um número concreto de inflação.

O impacto mais importante dessa expectativa de desaceleração da inflação é poder reforçar as expectativas dos investidores de um corte de juros pelo Copom mais cedo do que o esperado. Porém, isso não necessariamente terá uma influência muito grande na atuação efetiva do BC.

Em sua reunião mais recente, realizada na primeira semana de novembro, o Copom manteve os juros em 15 por cento ao ano como esperado. Na Ata divulgada após a reunião, o texto indicou que os juros não deverão subir, mas também não trouxe nenhuma perspectiva de corte nas taxas.

É fato que a comunicação do Copom tem sido consistente ao indicar a desancoragem das expectativas de mercado como um dos principais motivos para a manutenção da política monetária apertada. Agora, com uma melhora das expectativas de inflação, os investidores esperam que haja sinalizações mais claras de um corte na Selic.


E Eu Com Isso?

O primeiro pregão da semana começa com uma leve alta nos contratos futuros dos principais índices americanos no pré-mercado. A melhora das expectativas de inflação no Relatório Focus pode ter uma influência positiva nos ativos brasileiros.

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Raízen (RAIZ4) registra aumento do endividamento e resultados pressionados no 2T26

A Raízen (RAIZ4) divulgou seus resultados referentes ao segundo trimestre do ano-safra 25/26. Os números seguem refletindo um ambiente operacional desafiador, deterioração contínua da estrutura de capital, com aumento do endividamento.

A companhia reportou uma dívida líquida de 53,4 bilhões de reais, representando um crescimento de 48,8 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. Com isso, a alavancagem, medida pela relação dívida líquida/EBITDA ajustado, alcançou 5,1x, um patamar considerado bastante elevado.

A receita líquida totalizou 59,9 bilhões de reais no trimestre, queda de 17,8 por cento na comparação anual. Já os custos operacionais somaram 57,2 bilhões de reais, retração de 16,6 por cento em relação ao 2T25. Com isso, o lucro bruto foi de 2,7 bilhões de reais, recuo de 37,8 por cento frente ao mesmo período do ano anterior.

As despesas operacionais permaneceram estáveis em 1,49 bilhão de reais, redução de 20,5 por cento em relação ao ano anterior. O EBITDA ajustado foi de 2,8 bilhões de reais, queda de 39,7 por cento em comparação com o 2T25, refletindo o cenário mais adverso enfrentado pela companhia.

Os investimentos realizados somaram 1,7 bilhão de reais, redução de 29 por cento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Apesar da continuidade dos projetos de expansão no segmento de etanol de segunda geração (E2G), a empresa tem buscado reduzir a alocação de capital a fim de preservar o caixa e reequilibrar sua estrutura de capital.

O resultado financeiro líquido foi negativo em 2,7 bilhões de reais, uma deterioração de 61 por cento em relação ao 1T26, pressionado principalmente pelo aumento do custo da dívida e pelas taxas de juros ainda elevadas.

Como consequência, a companhia encerrou o trimestre com um prejuízo líquido de 2,3 bilhões de reais, confirmando mais um período desafiador para a Raízen.

A Raízen passa por um processo de revisão estratégica do portfólio, com o objetivo de reduzir sua alavancagem e fortalecer a estrutura de capital. Os esforços de desinvestimento incluem a alienação de usinas recentemente.

A companhia anunciou a venda da Usina Continental, localizada no interior de São Paulo, por 750 milhões de reais. Com isso, a empresa passa a deter 24 usinas e capacidade de moagem de 73 milhões de toneladas por ano-safra.


E Eu Com Isso?

O ano-safra 2026 tem se mostrado particularmente desafiador para a Raízen, marcado por pressões operacionais e financeiras. A combinação de margens comprimidas, menor geração de caixa e aumento da alavancagem resultou em desempenho financeiro mais fraco e deterioração de importantes indicadores de rentabilidade e solvência.

Diante desse cenário, a companhia vem implementando medidas estratégicas voltadas à reestruturação de sua dívida, que ainda não têm surtido efeito, dado que a relação dívida líquida/EBITDA segue em trajetória de aumento.

Do ponto de vista de valuation, a Raízen está sendo negociada a um múltiplo EV/EBITDA de 6,6x em relação aos últimos doze meses.

Entretanto, é importante destacar que a companhia permanece exposta à volatilidade dos preços das commodities, o que, combinado ao seu beta elevado, acima da média do mercado, reflete maior sensibilidade da ação aos movimentos macroeconômicos e financeiros.


Consumo desaquecido pressiona o setor de beleza em um trimestre de ajustes e perda de fôlego

O setor de cosméticos atravessou o terceiro trimestre de 2025 enfrentando uma combinação desafiadora de consumo enfraquecido, endividamento elevado das famílias e inflação persistente, fatores que comprimiram o poder de compra e afetaram principalmente categorias discricionárias como perfumaria e maquiagem. Embora historicamente resiliente, a indústria de beleza e higiene pessoal sente de forma mais intensa o efeito dessa mudança no comportamento do consumidor, que tem priorizado itens essenciais e reduzido a fatia destinada a produtos de maior valor agregado. Nesse contexto, o desempenho das principais companhias indica que o ciclo de desaceleração que começou no segundo trimestre se aprofundou, pressionando volumes, reduzindo a frequência de compras e elevando a competição entre marcas.

Dentro desse ambiente, a Natura (NATU3) apresentou um trimestre que reflete esse cenário mais hostil. A receita da marca recuou 0,2 por cento no Brasil, movimento que, embora moderado, desencadeou uma retração mais expressiva no faturamento consolidado da holding. O impacto foi ainda mais evidente na Avon, cuja receita doméstica caiu 13 por cento e reforçou um padrão de perda de tração já observado ao longo dos últimos trimestres. As quedas acentuadas, sobretudo na divisão Hispana da Avon, revelam uma fragilidade estrutural nas categorias que dependem de lançamentos, renovação de portfólio e maior elasticidade de demanda — justamente os segmentos mais penalizados pela retração do consumo. Ao mesmo tempo, produtos de uso diário e higiene pessoal continuam apresentando maior resiliência, mas não são suficientes para compensar a pressão sobre as linhas premium e de perfumaria.

O movimento de reestruturação observado na Avon — desde a revisão da estratégia de portfólio até a ampliação da presença no varejo físico — reforça a necessidade de adaptação das empresas a um consumidor mais seletivo e menos impulsionado por tendências. A expansão para redes farmacêuticas e perfumarias busca recuperar capilaridade e melhorar visibilidade, mas ocorre em um momento de queda generalizada da demanda, o que reduz o potencial de alavancagem no curto prazo. De forma semelhante, outras líderes globais, avançam em processos de reorganização de portfólio e revisão de marcas locais, um sinal de que a pressão não é pontual nem restrita ao Brasil, mas parte de um ajuste mais amplo nos mercados latino-americanos.

Mesmo entre as gigantes com maior diversificação, o ambiente segue desafiador. A L’Oréal também registrou queda nas vendas na América Latina no trimestre, mostrando que a desaceleração é transversal e não apenas uma questão de posicionamento competitivo. Apesar de alguns nichos pontuais de crescimento, como produtos profissionais e itens de consumo massivo, o setor opera sob um quadro de acomodação após anos de expansão acelerada. No Brasil, embora a companhia destaque o país como um dos mercados mais equilibrados da região, o desempenho ainda reflete um consumidor mais cauteloso, que ajusta prioridades e reduz despesas consideradas “não essenciais”.

 
E Eu Com Isso?
 
Nesse cenário, a leitura para o setor permanece mais pessimista no curto prazo. A persistência do endividamento das famílias e a lenta recomposição da renda real seguem limitando a capacidade de recuperação do consumo discricionário. Ao mesmo tempo, o aumento da competição e a necessidade de investimentos em portfólio, marketing e canais tendem a pressionar margens, especialmente entre as empresas que já enfrentam desafios estruturais. A combinação desses elementos indica que o ciclo de retomada deve ser gradual e sujeito a volatilidade, com maior dependência de inovação assertiva, eficiência operacional e estratégia comercial focada em mix adequado e presença multicanal.

Por fim, o desempenho do trimestre reforça que a indústria de cosméticos está passando por um momento de inflexão, no qual o histórico de resiliência não é suficiente para amortecer por completo a desaceleração macroeconômica. A capacidade de adaptação será determinante para atravessar os próximos meses com maior estabilidade. As empresas que conseguirem equilibrar reposicionamento de marcas, racionalização de portfólio e expansão disciplinada de canais podem se proteger melhor da queda de demanda. Assim, o fechamento do 3T25 sinaliza um setor ainda pressionado, que permanece dependente de melhorias macroeconômicas para recuperar o ritmo e voltar a entregar crescimento mais consistente.




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Comunicado do Copom indica juro alto por mais tempo https://levanteideias.com.br/artigos/comunicado-do-copom-indica-juro-alto-por-mais-tempo https://levanteideias.com.br/artigos/comunicado-do-copom-indica-juro-alto-por-mais-tempo#respond Thu, 06 Nov 2025 16:54:38 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52480 O Comunicado da 274ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) foi considerado duro pelos profissionais do mercado financeiro. A decisão de manter a taxa Selic em 15 por cento ao ano era amplamente esperada: o mercado de opções de Copom indicava 98 por cento de probabilidade de que isso ocorresse.… Read More »Comunicado do Copom indica juro alto por mais tempo

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O Comunicado da 274ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) foi considerado duro pelos profissionais do mercado financeiro. A decisão de manter a taxa Selic em 15 por cento ao ano era amplamente esperada: o mercado de opções de Copom indicava 98 por cento de probabilidade de que isso ocorresse. No entanto, o que os investidores realmente queriam ver não ocorreu. O texto não trouxe nenhuma indicação de quando os juros vão começar a cair e reforçou que o Comitê “permanece vigilante”.

A avaliação do BC continua negativa. “O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, diz o texto.

A conjuntura, tanto interna quanto externa, não ajuda. “O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz o texto.

Segundo o Comunicado, “o cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.

Ao contrário do que alguns analistas esperavam, o BC manteve a possibilidade de elevar os juros se for necessário. “O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, diz o Comunicado.

A decisão reforça o compromisso com o controle da inflação, que segue próxima do teto da meta, e reflete preocupações com o cenário fiscal e a resiliência do mercado de trabalho. Ela mostrou que o BC considera o ritmo de desinflação satisfatório, mas ainda não suficiente para justificar cortes imediatos. O comitê optou por preservar a estabilidade, reforçando a percepção de que a política monetária segue em terreno restritivo e eficaz.


E Eu Com Isso?

O Comunicado deixou claro que, para o Banco Central, a melhora nas expectativas de inflação ainda não é suficiente para mover o ponteiro no que diz respeito à política monetária. Juros mais altos por mais tempo tornam os investimentos brasileiros mais atrativos, por isso o dólar está começando o dia com uma leve queda. Mesmo assim, os contratos futuros do Ibovespa iniciam a sessão com uma leve baixa, indicando uma reação negativa do mercado.

As notícias são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade



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Ibovespa enfileira recordes à espera do Copom https://levanteideias.com.br/artigos/ibovespa-enfileira-recordes-a-espera-do-copom https://levanteideias.com.br/artigos/ibovespa-enfileira-recordes-a-espera-do-copom#respond Wed, 05 Nov 2025 12:48:36 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=52416 O dia começa com os principais índices acionários em leve baixa na Ásia e na Europa. Os analistas consideram esse movimento recente como uma correção técnica, devido à percepção dos investidores de que os mercados de ações podem ter ficado excessivamente valorizados. O destaque do dia entre os indicadores internacionais será a divulgação do relatório… Read More »Ibovespa enfileira recordes à espera do Copom

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O dia começa com os principais índices acionários em leve baixa na Ásia e na Europa. Os analistas consideram esse movimento recente como uma correção técnica, devido à percepção dos investidores de que os mercados de ações podem ter ficado excessivamente valorizados.

O destaque do dia entre os indicadores internacionais será a divulgação do relatório ADP sobre o mercado de trabalho nos EUA. A pesquisa traz a leitura sobre o número de vagas de emprego criadas no setor privado em outubro. A mediana das projeções indica criação de 32 mil novos postos de trabalho, após uma queda líquida de 32 mil em setembro.

A agenda também conta com a divulgação dos indicadores antecedentes de atividade, os PMIS compostos para diversas econômicas. Nos EUA é destaque o PMI calculado pelo ISM, com particular atenção ao setor de serviços.

No Brasil, o destaque é o segundo dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A quase totalidade dos investidores, 98,03 por cento, espera a manutenção da taxa referencial Selic em 15 por cento ao ano. O interesse do mercado é sobre o Comunicado que segue a decisão.

O cenário mais provável é a manutenção de um tom duro por parte do Banco Central (BC), reafirmando que a desancoragem das expectativas de inflação requer uma taxa em patamar restritivo por um tempo prolongado.

No entanto, como o relatório Focus vem trazendo há seis semanas reduções na inflação esperada para 2025, as expectativas de inflação projetadas pelo modelo do BC podem trazer uma notícia positiva, indicando um horizonte de tempo mensurável para o início do afrouxamento da política monetária.

A curva de juros segue precificando que há probabilidade relevante de que o início do ciclo de corte de juros comece em janeiro, com um corte de 25 bps e cortes sequenciais de 50 bps, com um ajuste total na ordem de 200bps nos primeiros meses de 2026.

E Eu Com Isso?

Após uma abertura em queda na manhã da terça-feira (04), o Ibovespa fechou em alta de 0,17 por cento, aos 150.704 pontos, marcando um novo recorde. Foi o quinto dia consecutivo em que o Ibovespa quebra sua máxima histórica intradia e a sétima sessão em sequência que renova o maior patamar de fechamento. Também foi o décimo pregão seguido em alta, algo que não acontecia desde os 11 pregões entre 1º e 15 de julho de 2024. Apesar de os mercados da véspera terem aberto indicando uma correção, os investidores seguem otimistas.

As perspectivas são positivas para a Bolsa em um cenário de volatilidade




Klabin (KLBN11) divulga resultados do 3T25 com queda do endividamento


A Klabin (KLBN11) divulgou na terça-feira (04) seus resultados financeiros referentes ao 3T25. Os números vieram em linha com as projeções do mercado, refletindo leve melhoria operacional e cenário global desafiador.

No trimestre, o volume total de vendas somou 1,067 milhão de toneladas, incluindo papel, celulose e embalagens — aumento de 14 por cento em relação ao mesmo período de 2024. A composição das vendas foi dividida da seguinte forma: celulose branqueada (37,6 por cento), papéis (35,1 por cento) e embalagens (27,3 por cento).

Os preços da celulose recuaram no mercado internacional ao longo do 3T25. Na China, o preço caiu 7 por cento para fibra longa e 9 por cento para fibra curta; na Europa, as baixas foram de 5 por cento e 12 por cento, respectivamente. O preço médio da Klabin em dólar caiu 8 por cento neste mesmo período, beneficiado pela maior resiliência do fluff, e pelo melhor mix geográfico.

A receita líquida atingiu 5,43 bilhões de reais no 3T25, alta de 9 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior. O custo dos produtos vendidos foi de 3,9 bilhões de reais, resultando em um lucro bruto de 2,06 bilhões de reais — avanço de 6 por cento na comparação anual.

As despesas operacionais totalizaram 700,6 milhões de reais, redução de 3 por cento em relação ao 3T24, por conta de variação positiva na linha de outras receitas e despesas.

O EBITDA ajustado somou 2,12 bilhões de reais, apresentando aumento de 17 por cento na base anual. No acumulado dos últimos 12 meses, o EBITDA alcançou 8,2 bilhões de reais, o que implica um múltiplo EV/EBITDA de 5,3 vezes.

A dívida líquida da companhia encerrou o trimestre em 26,1 bilhões de reais, redução de 12 por cento quando comparado ao ano anterior, com uma alavancagem de 3,3 vezes o EBITDA. A Klabin reforçou seu compromisso com a redução gradual do endividamento ao longo de 2025, essa redução foi o principal destaque positivo deste exercício.

O resultado financeiro foi negativo em 670 milhões de reais, 66 por cento acima do registrado no mesmo trimestre do ano anterior, por conta da elevação da taxa básica de juros.

O lucro líquido do trimestre foi de 478 milhões de reais. A projeção para os próximos 12 meses é de um lucro acumulado de 2,3 bilhões de reais. Com isso, as ações da Klabin estão sendo negociadas atualmente a um múltiplo P/L de 10 vezes.


E Eu Com Isso?

Os resultados da Klabin no terceiro trimestre de 2025 podem ser classificados como mistos. Apesar do avanço do EBITDA em relação ao mesmo período do ano anterior, o aumento das despesas financeiras neutralizou os ganhos.

No curto prazo, a companhia sinaliza foco na desalavancagem financeira, após concluir um robusto ciclo de investimentos nos últimos anos. A redução da dívida ao longo de 2025 é considerada um movimento estratégico importante, contribuindo para o fortalecimento da estrutura de capital e maior flexibilidade financeira.

Além disso, a Klabin anunciou a distribuição de proventos no valor de 26 centavos por unit, o que representa uma renda em forma de proventos de 1,3 por cento com base na cotação atual. Para o ano de 2025, o dividend yield estimado é de aproximadamente 6,0 por cento, reforçando o caráter atrativo dos papéis para investidores que buscam renda.

De maneira geral, mantemos uma visão positiva para as ações de KLBN11.



Iguatemi (IGTI11) avança com crescimento sólido, margens fortes e desalavancagem no 3T25

A Iguatemi (IGTI11) apresentou um 3T25 bastante positivo, consolidando mais um trimestre de crescimento consistente e evolução operacional dentro de um ciclo de sólida demanda por consumo de alta renda. A receita líquida ajustada cresceu 17,7 por cento a/a, impulsionada por indicadores operacionais saudáveis e elevada performance de vendas em sua base de ativos prime. O EBITDA avançou 28,2 por cento a/a para 286,7 milhões de reais, refletindo eficiência operacional, incremento de receita e maior diluição de custos, enquanto o lucro líquido somou 120,9 milhões de reais, alta de 19,5 por cento a/a, reforçando a resiliência do segmento de luxo e lifestyle no Brasil e a estratégia de posicionamento premium da companhia, mesmo em um ambiente macro ainda desafiador.

A performance de vendas foi destaque: o portfólio registrou 6,0 bilhões de reais em vendas totais, crescimento de 22,5 por cento a/a, refletindo tráfego qualificado e bom desempenho das categorias core da Iguatemi. As vendas mesmas lojas (SSS) cresceram 5,8 por cento e as vendas mesmas áreas (SAS) avançaram 9,0 por cento na mesma base de comparação, demonstrando a capacidade da companhia de ampliar produtividade e capturar tendência estrutural de consumo high ticket e maior frequência em seus empreendimentos.

Do lado de locação, a Iguatemi também apresentou métricas saudáveis. Os aluguéis mesmas lojas (SSR) cresceram 7,1 por cento e os aluguéis mesmas áreas (SAR) avançaram 7,5 por cento a/a, refletindo maior maturação dos ativos, negociações bem-sucedidas com lojistas e reajustes ligados ao desempenho operacional. A combinação de vendas fortes e repasse de preços evidencia a capacidade da companhia de capturar valor via contratos sólidos e um mix de lojistas de alta performance, preservando margens e rentabilidade mesmo em um cenário de competição crescente no varejo físico com o digital.

O EBITDA ajustado avançou 28,2 por cento a/a e atingiu 286,7 milhões de reais, com expansão de margens refletindo controle disciplinado de despesas, crescimento de receita e ganho de escala. A performance operacional robusta demonstra a qualidade do portfólio da Iguatemi e a capacidade de capitalizar experiências premium. O foco em eficiência operacional, na otimização do mix de marcas e em investimentos estratégicos na modernização dos empreendimentos segue apoiando a expansão sustentável da rentabilidade.

A alavancagem encerrou o trimestre em 1,64x Dívida Líquida/EBITDA ajustado, uma redução significativa de 0,26 p.p. em relação ao 2T25, beneficiada pela forte geração operacional e pela gestão ativa de capital. Ao desconsiderar os efeitos da venda dos shoppings Market Place e Galleria, e refletindo a conclusão da venda de participação em ativos para Funcef e RBR, o indicador ficou em 1,84x — ainda confortável e em trajetória de queda. A redução da alavancagem aumenta a flexibilidade da Iguatemi para seguir executando seu plano estratégico de investimentos seletivos, reforçando a disciplina financeira como pilar central da companhia.

 
E Eu Com Isso?
 
O trimestre reforça nossa visão positiva para a Iguatemi: o segmento premium de shoppings segue resiliente, apoiado em consumidores com alta capacidade de consumo, exposição menor a juros e menor sensibilidade a ciclos econômicos. A companhia segue fortalecendo sua estratégia omnicanal, com iniciativas para integrar plataformas digitais, programas de relacionamento e experiências exclusivas, enquanto aprofunda o relacionamento com marcas globais e o ecossistema de luxo no Brasil.

Em nossa visão, o 3T25 reforça a consistência de execução da Iguatemi, com crescimento de receita e vendas acima da média do setor, aluguéis em trajetória positiva, margens robustas e desalavancagem. O portfólio maduro, exposto ao consumo de maior renda e ao segmento premium, segue como pilar de geração de caixa e resiliência operacional. Com boa visibilidade para expansão gradual de margens e aceleração das vendas no quarto trimestre, a Iguatemi permanece bem-posicionada para capturar o ciclo positivo do varejo de alta renda e fortalecer sua estratégia de longo prazo.



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Prossegue o jogo de apostas na antecipação de cenários https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/prossegue-o-jogo-de-apostas-na-antecipacao-de-cenarios https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/prossegue-o-jogo-de-apostas-na-antecipacao-de-cenarios#respond Fri, 18 Mar 2022 11:53:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36847  O Banco Central, ao definir a nova elevação da Selic em um ponto, para 11,75% ao ano, já indicando novo aumento, da mesma magnitude em maio, com a taxa básica chegando a 12,75%, destacou o objetivo não só de provocar a desinflação mas também de ancorar as expectativas. E essa questão, da ancoragem das expectativas,… Read More »Prossegue o jogo de apostas na antecipação de cenários

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 O Banco Central, ao definir a nova elevação da Selic em um ponto, para 11,75% ao ano, já indicando novo aumento, da mesma magnitude em maio, com a taxa básica chegando a 12,75%, destacou o objetivo não só de provocar a desinflação mas também de ancorar as expectativas. E essa questão, da ancoragem das expectativas, tem sido um grande problema, pelas incertezas do cenário interno e do externo, mas também pelo próprio posicionamento do BC. Ao contratar o aumento de um ponto dá a impressão de trabalhar com projeções seguras, que permitem definir os passos da política monetária antecipadamente, já sabendo o que vai acontecer até a próxima reunião. Mas não se trata disso. Tanto que o Copom trabalha com cenários diferentes tendo como referência o preço do barril do petróleo na faixa dos US$ 100. E essa é só uma variável na composição da inflação, que já vem com uma difusão forte de aumentos e ainda deve sofrer influência dos preços de outras commodities, até alimentos, fora o desequilíbrio na cadeia de insumos e peças, pela guerra e por novos focos de contágio do coronavírus, especialmente na China. É uma situação que dá margem para especulações e pressões na curva de juros em vários sentidos, que vão depender muito mais das percepções de cenário do que das indicações do Copom. Sendo que o Banco Central muitas vezes tem sancionado as expectativas do mercado e não influenciado essas expectativas.

Mas e em relação ao FED, que elevou os juros em 0,25 e indicou sete aumentos nesse ritmo? Há diferenças importantes. O Banco Central dos Estados Unidos tenta balizar as expectativas, só que já antecipou possível mudança na magnitude dos ajustes dependendo da evolução do cenário. E o FED, diferente também do nosso BC, cuida do controle da inflação, do ritmo de atividade e do desempenho do mercado de trabalho. Aqui a política de juros tem como foco o cumprimento da meta inflacionária. Além disso, o salto dos juros no Brasil já foi muito forte, partindo dos inéditos 2%, sem que tenha tido maior influência na inflação, que caminha para o segundo ano de estouro da meta. Enfim, temos um ciclo de elevação da Selic com impacto contracionista, para tentar derrubar uma inflação que vem, principalmente, da oferta, não da demanda.

É certo que não é fácil para o BC lutar sozinho nesse combate. O governo, preocupado com o estímulo à atividade, continua liberando recursos e cortando tributos, o que vai na contramão da contenção do consumo e do espaço para remarcações de preços, que se tenta garantir com juros mais altos. E essas medidas ampliam o risco fiscal, que também dificulta o controle da inflação. Aí ainda vêm todas as variáveis externas colocando mais lenha na fogueira.

Enfim, continua o jogo de apostas em relação à inflação, juros e crescimento e a tentativa de antecipação de cenários, o que pode produzir mais volatilidade do mercado, independentemente das pressões do noticiário do dia a dia. Juros mais altos são uma certeza, reforçando o ganho das aplicações de renda fixa, mas com a dúvida de até onde podem chegar e qual vai ser a margem real. Dólar e bolsa também dependem do fluxo externo, que pode ser atraído pelos juros elevados e pelos ganhos com commodities, por exemplo, no caso das ações. Porém, se nota uma certa perda de ritmo que pode ter influência das mudanças do cenário externo, o que inclui preços e juros. E vamos lembrar das eleições que também podem deixar os investidores mais ariscos. É nesse contexto que se deve buscar as melhores oportunidades de ganho.

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Semana de revisão de expectativas | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/semana-de-revisao-de-expectativas https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/semana-de-revisao-de-expectativas#respond Fri, 11 Feb 2022 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36357 Tivemos uma semana de agenda relevante, com algumas mudanças de expectativas que podem influenciar o andamento do mercado. Começando pelo âmbito doméstico temos em aberto a questão do corte dos tributos sobre os combustíveis, que vai de uma proposta mais moderada, apenas para o diesel, com custo de cerca de R$ 18 bilhões, até a… Read More »Semana de revisão de expectativas | Denise Campos de Toledo

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Tivemos uma semana de agenda relevante, com algumas mudanças de expectativas que podem influenciar o andamento do mercado. Começando pelo âmbito doméstico temos em aberto a questão do corte dos tributos sobre os combustíveis, que vai de uma proposta mais moderada, apenas para o diesel, com custo de cerca de R$ 18 bilhões, até a do “fim do mundo” com isenções e outros benefícios que podem elevar o rombo para mais de R$ 100 bilhões, passando por algumas ideias de mais longo prazo, como a criação de um fundo de estabilização, para amortecer as pressões sobre os preços. Fato é que há uma tentativa de se obter resultados mais imediatos, que nos remete a interesses políticos pela proximidade das eleições, ampliando as preocupações quanto ao que ainda poderemos ter de aumento de gastos com o mesmo objetivo. É certo que a inflação preocupa, pesa no poder de compra e afeta o potencial de expansão da economia. Mas é bom não esquecer que menor responsabilidade do lado fiscal, ainda que produza algum resultado como a queda pontual dos preços dos combustíveis, pode acabar gerando mais pressões inflacionárias, ao mexer negativamente com as expectativas.

Esse alerta veio até na ata da reunião do Copom, cujos integrantes têm dado recados mais firmes quanto à importância da responsabilidade fiscal e o quanto isso pode influenciar o cenário prospectivo para a inflação e a própria política de juros. Inclusive, por essa questão, a ata mexeu com as previsões de uma política monetária menos apertada. O ritmo de elevação da Selic deve diminuir, como foi sinalizado no comunicado do último aumento, para 10,75% ao ano. Mas ao trabalhar com um possível estouro da meta também neste ano, diante da previsão do IPCA em 5,4%, e projeções acima do ponto central em 2023, o BC indica que o ciclo de ajuste pode ser mais prolongado, com os juros básicos chegando a um patamar acima do que vinha sendo projetado.

Essa indicação mais hawkish ainda ganhou o reforço do IPCA de janeiro. A alta de 0,54% bateu com as expectativas, só que a disseminação maior dos aumentos trouxe mais incertezas quanto a evolução da inflação, que ainda pode ter mais pressões de fora, como a alta do petróleo, e internas, como a quebra de safras por fatores climáticos. Mais pressões num ritmo fraco de atividade, que pode melhorar em alguns segmentos, como Serviços, ainda afetados pela pandemia, que é um onde já se nota mais aumentos por recomposição de preços.

Por mais que o BC queira evitar impactos mais abruptos sobre a economia e tenha preocupações até com o emprego, como ressaltou na ata, a Selic pode chegar a 12,5% nesse ciclo mais longo de ajustes. O que não colabora para expectativas mais favoráveis quanto ao PIB deste ano, mesmo que o de 2021 não tenha fechado tão ruim como se esperava na virada do ano.

Neste cenário ainda é importante lembrar das questões externas. Já citei o petróleo como um problema a mais no controle da inflação, mas ainda tem as mudanças nas políticas dos bancos centrais, também influenciadas por preocupações crescentes com a inflação, em meio às dúvidas quanto ao desempenho das economias. A inflação nos Estados Unidos continua surpreendendo, reforçando a expectativa de maior aperto dos juros. Mas ainda se nota uma certa vacilação do FED em promover ajustes mais pesados. De qualquer modo, estamos perto do início do ciclo de elevação das taxas, que deve começar em março.

O mercado local ainda segue favorecido pelo fluxo positivo de recursos, pela previsão de alta das commodities, refazendo as projeções, principalmente, quanto à inflação e os juros, na expectativa de uma gestão fiscal que não traga mais instabilidade para o cenário de 2022, já bastante desafiador.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Copom e mercado devem responder ao balanço de riscos | Denise Campos de Toledo.

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Um Copom mais cauteloso do que pessimista https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/um-copom-mais-cauteloso-do-que-pessimista https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/um-copom-mais-cauteloso-do-que-pessimista#respond Tue, 08 Feb 2022 15:07:51 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36318 A Ata da 244ª reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta terça-feira (08) mostra que o Comitê permanece cauteloso em relação às perspectivas para a economia. Como de costume, a Ata se inicia analisando o cenário macroeconômico brasileiro e internacional. O cenário externo seguirá desafiador para os países emergentes devido ao aperto monetário… Read More »Um Copom mais cauteloso do que pessimista

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A Ata da 244ª reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta terça-feira (08) mostra que o Comitê permanece cauteloso em relação às perspectivas para a economia. Como de costume, a Ata se inicia analisando o cenário macroeconômico brasileiro e internacional. O cenário externo seguirá desafiador para os países emergentes devido ao aperto monetário nos Estados Unidos e à demora na regularização das correntes de comércio, que deverão manter pressionados os preços das commodities.

Ao avaliar a economia brasileira, o Comitê reconhece que “indicadores relativos ao comércio e serviços mostraram evolução ligeiramente melhor que a esperada em novembro, enquanto a indústria apresentou recuperação em dezembro”, e também afirma que “indicadores do mercado de trabalho mostraram recuperação consistente de empregos no último trimestre de 2021.” Mesmo assim, “os índices de confiança divulgados desde a última reunião seguem mostrando deterioração, e desenvolvimentos climáticos afetaram as projeções de importantes culturas agrícolas”.

No entanto, o que interessa mesmo ao Comitê não é a atividade econômica, e sim a inflação. E o cenário, nesse caso, também não é dos mais positivos. Se, de um lado, a Autoridade Monetária passou a zelar protocolarmente por dois mandatos, quais sejam, inflação e atividade, de outro, na prática, observamos posição privilegiada no combate ao primeiro e secundária no fomento do segundo, o que parece razoável em uma economia inundada de traumas relacionados à inflação. “A inflação ao consumidor segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, e segue se mostrando mais persistente que o antecipado.” Ou seja, a alta de preços já não se concentra mais em alimentos e combustíveis, que foram os “vilões” dos índices durante 2021. Isso é confirmado pela frase seguinte. “A alta nos preços dos bens industriais não arrefeceu e deve persistir no curto prazo, enquanto a inflação de serviços acelerou, ainda refletindo a gradual normalização da atividade no setor.” Para o Copom, os preços administrados também vão continuar subindo. “As projeções para a inflação de preços administrados são de 6,6% para 2022 e 5,4% para 2023”, informa a Ata. Ambos os percentuais estão acima do teto da meta de inflação, que é de 5% (3,5% mais 1,5 ponto percentual para mais ou para menos).

Como de costume, o governo continua gastando além da conta, o que eleva o prêmio de risco da economia. A Ata é clara: “o Comitê avalia que a incerteza em relação ao arcabouço fiscal segue mantendo elevado o risco de desancoragem das expectativas de inflação, e, portanto, a assimetria altista no balanço de riscos. (…) Isso implica atribuir maior probabilidade para cenários alternativos que considerem taxas neutras de juros mais elevadas.”

Para complicar mais ainda o cenário, a Ata adverte contra intervenções como a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos combustíveis. Propostas desse tipo podem até reduzir a inflação no curto prazo, mas a conta vai chegar. “Adicionalmente, o Comitê nota que mesmo políticas fiscais que tenham efeitos baixistas sobre a inflação no curto prazo podem causar deterioração nos prêmios de risco, aumento das expectativas de inflação e, consequentemente, um efeito altista na inflação prospectiva.”

Tudo isso, claro, justifica um aperto na política monetária, que foi o que ocorreu. Na reunião, a taxa Selic, como era esperado, foi elevada em 1,5 ponto percentual para 10,75% ao ano.

No entanto – e esse é o ponto mais relevante da Ata – apesar do cenário pessimista e de indicar que a política monetária “seguirá em um terreno francamente contracionista”, o Copom deixou espaço para mudar de direção se a conjuntura se alterar à frente. Por isso, mesmo indicando que os juros devem continuar subindo, o Comitê deixou em aberto o tamanho dessa elevação. Isso garantirá espaço de manobra para desacelerar o aperto na política monetária se, por acaso, algo mudar na economia tanto aqui quanto no exterior.

E Eu Com Isso?

Os contratos futuros do Ibovespa e do índice americano S&P 500 iniciam a terça-feira com uma leve queda. Por aqui, os investidores ainda estão realizando os lucros das últimas semanas e, nos Estados Unidos, o que interessa é a inflação ao consumidor, medida pelo CPI (Consumer Price Index) de janeiro, que deverá ser divulgada na quinta-feira (10). Mesmo em baixa, a sessão deve ser marcada por um cenário volátil.

As notícias são negativas para a Bolsa em um cenário de volatilidade.

Este conteúdo faz parte da Newsletter ‘E Eu Com Isso’.

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Leia também: Emprego nos EUA.

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Copom e mercado devem responder ao balanço de riscos | Denise Campos de Toledo https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/copom-e-mercado-devem-responder-ao-balanco-de-riscos https://levanteideias.com.br/artigos/e-eu-com-isso/copom-e-mercado-devem-responder-ao-balanco-de-riscos#respond Fri, 04 Feb 2022 10:00:00 +0000 https://levanteideias.com.br/?p=36254 A decisão do Copom de elevar os juros básicos para 10,75% ao ano, deixando de sinalizar qual será o tamanho do ajuste na próxima reunião, teve uma boa repercussão. Na prática, o Comitê deixa de assumir o compromisso com uma elevação mais pesada da Selic, que possa ter impacto mais negativo sobre a atividade, induzindo… Read More »Copom e mercado devem responder ao balanço de riscos | Denise Campos de Toledo

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A decisão do Copom de elevar os juros básicos para 10,75% ao ano, deixando de sinalizar qual será o tamanho do ajuste na próxima reunião, teve uma boa repercussão. Na prática, o Comitê deixa de assumir o compromisso com uma elevação mais pesada da Selic, que possa ter impacto mais negativo sobre a atividade, induzindo uma retração da economia agora em 2022, quando se trabalha, de qualquer modo, com uma expansão perto de zero. O Copom deverá definir os próximos passos com base na evolução do cenário, observando o comportamento da inflação e fatores de pressão, como o dólar, petróleo, incertezas fiscais, as mudanças do cenário externo, inclusive com o início do ciclo de alta dos juros nos Estados Unidos e a evolução da atividade, ainda comprometida pela Ômicron. 

A sinalização de ajustes menos pesados, no entanto, não quer dizer que o ajuste total não possa levar a Selic para a faixa dos 12%, como ainda prevê parte do mercado. Fato é que as projeções de inflação e os próprios índices persistem acima do desejável. No comunicado que saiu junto com a decisão sobre a Selic, a estimativa para o IPCA de 2022 subiu de 4,7% para 5,4%, acima do teto da meta, de 5%; e para 2023, que passa a ser o principal alvo da política monetária, a projeção permaneceu em 3,2%, encostada no centro da meta do próximo ano, que é 3,25%. Trabalhar com uma inflação ao redor do teto, indicando resposta menos intensa na gestão dos juros, não significa que o BC tenha jogado a toalha. A questão é que juros muito mais altos talvez não consigam derrubar a inflação numa economia que já vem perdendo o fôlego. A questão não tem sido a pressão da demanda e vale lembrar que o fato de, em pouco mais de um ano, a Selic ter avançado de 2% para quase 11% ao ano não alterou muito a trajetória de alta da inflação nem garantiu a convergência das projeções para a meta. 

Esse tem sido um dilema para os vários BCs, como vimos com o Europeu, que optou por manter as taxas nesta semana, o da Inglaterra que promoveu leve aumento, o da China que chegou a cortar as taxas e mesmo o Fed, que vem lidando com dados irregularidades de atividade e emprego, ainda influenciados pela nova onda da pandemia. O discurso é mais duro, mas, na prática, ainda se vê uma certa resistência na adoção de aperto mais forte. Por isso, o mercado prevê de quatro a oito aumentos dos juros ao longo deste ano, fora o aperto na liquidez.

Para o Brasil, a médio prazo, os ajustes externos não devem trazer maiores dificuldades em termos de fluxo, se considerarmos apenas a questão dos juros. O diferencial entre os juros domésticos e os praticados no exterior tende a manter a atratividade do país. A Bolsa, por outro lado, também mantém a atratividade com preços ainda baixos. O balanço de janeiro, com a forte recuperação do mercado acionário, queda do dólar e ingresso de R$ 32,5 bilhões confirma o quanto é importante essa atratividade. É ver se outros fatores não terão maior peso, afugentando o smart money, que é o que tem tido maior participação. No exterior temos, além das mudanças nas políticas de juros, os temores geopolíticos, resultados de balanço corporativos e os indicadores de atividade também provocando movimentos pontuais de aversão ao risco. Internamente, persistem as dúvidas quanto ao andamento da economia, o compromisso fiscal do governo, as eleições e as propostas dos principais candidatos à presidência. Condições que tendem a deixar os investidores mais ariscos.

A curva de juros aqui no Brasil, agora sem uma sinalização mais clara do BC quanto aos ajustes da Selic, deve refletir muito as expectativas do mercado e o balanço de riscos. Mas, para os investidores as condições de rentabilidade já melhoraram bastante, após um longo período de ganhos negativos. Já escolher entre as aplicações pré ou pós fixadas depende muito das avaliações quanto a esse balanço de riscos. Em princípio, há possibilidade de a taxa básica de juros ter algum corte ainda neste ano, se houver uma desaceleração mais relevante da inflação. O Focus projeta a Selic em 8% no próximo ano. Mesmo assim, ainda haveria uma margem real importante, considerando a previsão de inflação, para 2023, ao redor do centro da meta, dos 3,25%.

Leia a última coluna da Denise Campos de Toledo: Vários fatores desenham cenário desfavorável para a Bolsa | Denise Campos de Toledo.

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